1º fonte - 01/01/2012 *Entre a memória coletiva e a história “cola e tesoura”: as intrigas e os malogros nos relatos sobre a fábrica de ferro de São João de Ipanema - Vergueiro pretendeu que essa narrativa histórica servisse de lição para a industrialização do Brasil, já que, em sua concepção de progresso, os acertos vinham com uma série de erros. O início do texto de Vergueiro é curioso, porque seu autor colocou a finalidade da história, afirmando que “sendo a história um ensino prático, em que se apurão as verdades da theoria, e patenteão as difficuldades nella cubertas em hipóteses correntes”.583 Justifica-se essa frase pela intenção de seu autor: “Não é sem grande desprazer, que vou apresentar o quadro dos grandes obstáculos com que o desleixo criminoso, o interesse, e o dolo descarado, a sugestão artificiosa, e a prevenção muitas vezes desculpável fizerão abortar com desperdiço de avultados cabedaes os primeiros impulsos da fundação da Fábrica de Ferro de S. João do Ypanema”. 584 O próprio Vergueiro dividiu sua narrativa em partes, sendo a primeira delas acerca da história do local; a segunda, a gestão de Hedberg e a última, a de Varnhagen. Na primeira parte, Vergueiro descreveu geograficamente a região de São Paulo. Ao falar do Rio Paraná, que desejava vê-lo navegável, afirmou que, quando isso fosse possível, a Fábrica de Ferro de Ipanema seria lembrada como a “origem de sua grandeza, e prosperidade no aplanamento, que prepara ao nascimento das artes”.585 Para ele, Ipanema já começava a tornar-se benéfica para o Reino e também para a Província pelo fato de que os armazéns militares já estavam recebendo seus produtos e a agricultura adquiria os instrumentos ali fabricados. Isso, a seu ver, era grande conquista, porque a agricultura paulista era prejudicava pela dificuldade de acesso ao mar, a despeito das obras do Conde de Sarzedas e do Gen. Horta. Quando descreveu o morro Biraçoiaba, disse que se encontrava numa planície e que ali perto estava a Lagoa Dourada, sobre a qual os vizinhos “contão fabulosas visões, como indício de muito ouro”. 586 A fábrica antiga ficava no Rio das Furnas, o qual deságua no Rio Sorocaba. Todavia, descreveu a montanha como “coberta de espessas matas ou primitivas, que abundão em madeiras de carpintaria, e marcinaria, das quais já se tem notado cento e oito espécies, ou variedades; ou secundárias, que no paiz chamão capoeiras, que por vezes se tem renovado, destruídas pelos agricultores; o que indica fertilidade do terreno”.587 Ao tratar do minério de ferro - magnético – disse que havia minérios soltos em tamanha quantidade que se poderia coletá-los por cem anos sem necessitar tocar nos veios de ferro da montanha. [p. 149, 150] DEUS!
![]() Fonte: ERRO!
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