Como foi o inicio da Estrada de Ferro Sorocabana?
Autor: Sandro Aranha
https://sorocabaatravesdah.wixsite.com
Fonte: Sorocaba Através da História
Sábado, 28 de Novembro de 2020
Última atualização: 19/01/2021 02:19:00



Como foi o inicio da Estrada de Ferro Sorocabana? Hoje vamos voltar no tempo e conhecer um pouco da história e saber se atualmente existe algum vestígio de sua criação...

Com a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, os ingleses sofreram com a escassez de algodão em suas fábricas, com isso surgiu uma demanda de matéria-prima, atendida pelo Brasil, tendo Sorocaba parte dessa exportação.

Luiz Matheus Maylasky era um dos produtores, e com as grandes remessas enviadas para o porto, viu a necessidade de um meio de transporte mais eficaz. Soube que as conversas já estavam adiantadas para a chegada da estrada de ferro em Itu e tentou fazer uma parceria para estender a linha até Sorocaba, mas que foi negada pelo custo e sem a certeza do retorno do investimento.


Luiz Matheus Maylasky (1880)
Acervo/Fonte: Gabinete de leitura Sorocabano

Dessa negativa surgiu a idéia de ligar Sorocaba diretamente a São Paulo, mas para isso seria necessário à autorização do Império. Com o fantasma que ainda pairava da Guerra do Paraguai encerrada em 1870, D. Pedro II fez uma condição para a criação dessa linha: que ela se estendesse até a Fábrica de Ferro de Ipanema. Logisticamente seria mais viavel para trazer armas e materiais forjados na fábrica através de uma ferrovia.


Fábrica de Ferro de São João de Ipanema (1876)
Acervo/Fonte: Hemeroteca

Assim em 24 de maio de 1871 foi assinado por D. Pedro II, o decreto Imperial, aprovando a criação dos estatutos da Companhia Sorocabana para a construção da linha de São Paulo a Fábrica Ipanema, passando por São Roque e Sorocaba.


Leopoldina, D. Pedro II, Teresa Cristina e Isabel (1863)
Acervo/Fonte: Wikicommons

Inicialmente a Estação seria construída onde atualmente se localiza a Praça da Bandeira, lembrando que nessa época a Praça Edmund Vale e Praça da Bandeira faziam parte da mesma área, dividida apenas pelo Córrego do Supiriri. A festividade da inauguração da construção linha aconteceu no 13 de junho de 1872, próximo ao Supiriri, onde anos depois se instalou a Fábrica Nossa Senhora da Ponte.


Vista da atual Praça da Bandeira (1886)
Acervo/Fonte: Julio Wieczerski Durski
Colorida digitalmente

Posteriormente, numa analise mais aprofundada, constatou-se que o local escolhido não era o ideal para a Estação, pois com a construção do prédio seriam cortadas varias ruas surgindo a necessidade de porteiras com um guarda em cada uma, além do custo das desapropriações dos diversos donos de terras aonde a linha iria passar.

O local escolhido é próximo ao fim da Rua Souza Pereira, um pasto com algumas árvores e moitas, onde corria o Supiriri e também aconteciam as touradas. Uma área ampla com espaço para a possibilidade de diversas construções e com poucas desapropriações.

O traçado da linha foi divididos em 7, onde 6 seções seriam trabalhadas simultaneamente e apenas a 1ª seção de Ipanema até Sorocaba, seria deixada por último.

Diferente do que é atualmente, a linha saia da Estação, indo em sentido a Santa Rosália e de lá através de uma ponte perto de onde é o Hotel IBIS (Chamonix), seguiria em direção ao Alto da Boa Vista, próximo a linha atual.

A ponte sobre o Rio Sorocaba foi finalizada em 30 de Agosto de 1874, tendo 28 metros de vão a vão. Foi desativada com a duplicação da linha em 1929. Alguns pilares foram descobertos em fevereiro de 1999, durante o aterramento de um terreno do lado direito do Rio Sorocaba, onde se situa a Vila Rica. Pelas reportagens do Jornal Cruzeiro do Sul de setembro e outubro do mesmo ano, fica incerto o destino dos pilares: se foram destruídos ou se estão ainda enterrados.

A estação foi construída por Theotônio José de Araújo e Francisco das Chagas do Amaral Fontoura, sendo única estação em 2 pavimentos: no pavimento térreo abrigava o telégrafo, um restaurante e a bilheteria e no andar superior ficavam os escritórios. Foi finalizada no fim de 1874, restando apenas à finalização das ruas e calçadas para o inicio de 1875. Ela entrou para história do município por ser a primeira construção de tijolos em Sorocaba.

Em 1929 a estação sofreu reformas e ampliações, para ostentar uma arquitetura neoclássica, diferente da arquitetura simples do prédio original, sendo inaugurada em 25 de janeiro de 1930.

As seis primeiras locomotivas da Companhia Sorocabana se chamavam: São Paulo (nº1), São Roque (nº2), Sorocaba (nº3), Ipanema (nº 4), São João (nº5) e Pinheirinhos (nº6). Fora as locomotivas para o trafego havia também cinco carros de 1ª classe, sete carros de 2ª classe, um carro de bagagem e correio e setenta vagões de diversos tipos de materiais.

Em São Paulo, a Estação da Sorocabana foi construída na esquina da Rua Mauá com a Rua General Couto de Magalhães, nas terras do Barão de Mauá. Devido à diferença de tamanhos entre os trilhos sorocabanos e os utilizados pela São Paulo Railway, o trem não conseguia chegar a Estação da Luz, por isso nossa estação foi construída o mais próximo possível. Posteriormente esse problema foi resolvido com a extensão dos trilhos da Sorocabana até a estação paulista.

Depois de alguns testes nos trilhos e na ponte, a locomotiva Ipanema, chegava a Sorocaba no dia 18 de junho de 1875 às 17h45min, sendo recebida por uma multidão eufórica, que via a primeira locomotiva em solo sorocabano.

O trecho Sorocaba-São Paulo foi entregue em 10 de julho de 1875 com uma grande festa de inauguração: a estação estava lindamente decorada, com dezenas de camarotes, uma arcada romana colocada no encontro das ruas Álvaro Soares e Souza Pereira, que limitava a entrada na praça da estação, que também estava enfeitada com bandeiras e flâmulas e 8 coretos de diversos estilos estavam distribuídos próximos ao prédio e 8 bandas de música recepcionando o trem.

O trem Inaugural chegou a estação as 14h30min, trazendo membros importantes do governo de São Paulo e da Companhia Sorocabana, o imperador D. Pedro II foi convidado, mas não pode vir, mandando um representante para o importante acontecimento. Sua vinda foi concretizada em 20 de agosto de 1875.

À noite as bandas tocaram pelas ruas da cidade, mas as festividades duraram 4 dias e terminaram com um majestoso baile, tendo destaque neste período uma apresentação especial no teatro São Rafael.

A seção até Ipanema começou a ser estudada em dezembro de 1874 num período chuvoso que atrasou a entrega do novo e melhorado traçado. Houve muito trabalho no aterramento do terreno pantanoso do Supiriri sendo necessário abrir muitas valas e movimentar essa terra para os locais indicados. Também sofreram com a falta de pessoal e de verba para os inícios dos trabalhos.

Segundo as informações levantadas por Antônio Francisco Gaspar, de num relatório da empresa de 10/03/1877 e de uma reportagem do Jornal Ipanema de 06/01/1877, o trecho São Paulo-Ipanema foi inaugurado em 31 de dezembro de 1876, com a presença do presidente da província, Sebastião José Pereira que depois de sua chegada, conheceu as instalações da fábrica de ferro em companhia do diretor Dr. Mursa, pernoitou em Ipanema, retornando a São Paulo no dia seguinte.

Já o escritor Adolfo Augusto Pinto no livro “História da Viação Pública de São Paulo”, contradiz a informação de Gaspar, relatando que do dia 31 de dezembro de 1876, a Sorocabana só estendeu seus trilhos até a Estação de Villeta, renomeada posteriormente de George Oeterer. Somente em 29 de outubro de 1879, finalmente a estrada de ferro chegaria a Ipanema. Essa data também foi confirmada por Reginaldo Lloyd em seu livro “Impressões do Brasil no Século Vinte” (Trecho retirado do livro Sorocaba- A Cidade Industrial de Geraldo Bonadio).

Quanto a Maylasky, seguiu como presidente da companhia até 1880, até que por decisão dos acionistas do Rio de Janeiro, foi criada uma comissão com poderes para examinar a companhia e resolver qualquer questão e dúvida para realizar a mudança da sede para São Paulo. Tentaram acusar Maylasky de estelionato, talvez uma desculpa para demiti-lo, nesse caso tudo foi esclarecido posteriormente e ele inocentado, mas mesmo assim os acionistas queriam a troca do diretor e da mudança da sede.

Infelizmente todas as tentativas de reversão foram em vão restando apenas a Maylasky a saída do cargo da empresa que criou fato que foi seguido por seus diretores que pediram demissão.

Nesse mesmo ano Maylasky e sua família arrumaram suas malas, subiram pela ultima vez em dos vagões da Companhia Sorocabana na estação e pela janela se despediram dos amigos e colegas adquiridos e no Alto da Boa Vista com a vista da cidade, se despediu.

A partir daí Luiz Matheus Maylasky e a Companhia Sorocabana estavam se separando, cada um seguindo um novo rumo na história...

Como homenagem, o nome da estação Pinheirinhos foi alterada para Maylasky, pois dentre todas as estações dessa linha, ela é a que fica em um local mais elevado, dando o destaque merecido que Luiz Matheus Maylasky merece.

Agradecimentos especiais para Adolfo Frioli, José Rubens Incao e Antônio Carlos Sartorelli pela ajuda com materiais de pesquisa, mapas e informações fundametais pela pesquisa.

Fontes:- Histórico do Inicio, Fundação, Construção e Inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana – Antônio Francisco Gaspar;- Bodas de Brilhantes - Antônio Francisco Gaspar;- Caminhos de Ferro de S. Paulo e a Fábrica Ipanema – José Ewbank da Camara;- Sorocaba, a Cidade Industrial – Geraldo Bonadio;- Almanaque de 1914;- Os Peixes do Rio Sorocaba – Welber Senteio Smith;- Jornal Cruzeiro do Sul – 24/05/1961; 10/07/1963; 10/07/1965; 10/07/1966; 03/02/1970; 13/02/1970; 10/07/1970; 04/12/1970; 07/09/1999; 13/10/1999;

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
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