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Bloem fundiu em Ipanema os primeiros canhões produzidos no Brasil
Autor: Geraldo Bonadio
Fonte: Sorocaba Através da História
Terça-feira, 10 de Novembro de 2020
Última atualização: 19/11/2020 00:37:30

Num dos seus textos sobre geopolítica, o general Carlos de Meira Matos (1913/2007), ao estudar a formação das fronteiras do Brasil, cuida da importância que teve, naquele processo, a construção, pelo governo português, em nossos pontos extremos, marítimos ou terrestre, de uma rede de fortalezas e fortes equipados com peças de artilharia.

A tarefa se desenvolveu a custos elevados, eis que, das pedras aos canhões, tudo era trazido da metrópole e deslocado, por caminhos fluviais ou de superfícies, a locais dificílimos de serem atingidos.



Diretoria da Fábrica de ferro de São João de Ipanema (1879)
Acervo/Fonte: Hemeroteca
Fazenda Ipanema

É esse um aspecto do nosso passado militar que, se o país dispusesse de um Ministério do Turismo digno desse nome, poderia gerar um programa interligando cultura e lazer que, de certo, atrairia muito milhares de turistas, aumentaria o conhecimento a respeito do Brasil profundo e terminaria por gerar emprego, renda e preservação do patrimônio histórico e ambiental de nossos grotões.

A partir de uma leitura integrada texto de Meira Mattos sobre Geopolítica e teoria das fronteiras e do livro de Aluísio de Almeida sobre a Revolução Liberal de 1842, conclui-se que os três canhões fundidos na Imperial Fábrica de Ferro de São João do Ipanema, durante a administração do sargento-mor João Bloem, datados de 23 de julho de 1841, no primeiro aniversário da maioridade do Imperador Pedro II, foram os primeiros a serem produzidos no Brasil.



Praça Arthur Fajardo (1949)
Acervo/Fonte: Simone Cristina Amaral
Ao fundo pode-se ver a antiga Fábrica de Chapéus

Em maior de 1842, os três pequenos canhões foram trazidos de carro de boi até Sorocaba. Dois foram instalados diante do provisório Palácio do Governo; o terceiro acompanhou a precária coluna libertadora que marchou sobre a Capital da Província e foi desbaratada pela tropa de Caxias em Pirajuçara.

Quando a tropa debandou, o canhão foi abandonado e apreendido pelas forças legais. Apanhado no contrapé, Bloem, ao invés de louvores pelo seu pioneirismo tecnológico, recebeu uma punição.



Praça Arthur Fajardo (1932)
Acervo/Fonte: T. Vieira / Luiz Roberto Melo
Foto colorida digitalmente

O canhão capturado nos arredores da Capital integra hoje o acervo do Museu Paulista da USP, instalado às margens do ribeirão Ipiranga. Os que deveriam haver sido utilizados na defesa da capital revolucionária, integram hoje um pequeno conjunto monumental na Praça Fajardo (Largo do Canhão).



Praça Arthur Fajardo (1938)
Acervo/Fonte: Osvaldo de Souza Filho / MHS
Foto colorida digitalmente

Ao se reformar aquele logradouro, ao tempo do governo do ex-prefeito José Crespo Gonzales, receberam rodas metálicas, que os identificam como integrantes da Artilharia a Cavalo, mas, salvo melhor juízo, foram concebidos para serem utilizados na Artilharia de Dorso, presos à lateral de uma mula, através de um arreio para tanto projetado.



Praça Arthur Fajardo (1974)
Acervo/Fonte: Gilberto Tenor
Rua Souza Pereira

A Artilharia de Dorso persistiu ao longo das décadas iniciais da República, no Quartel do Exército instalado no antigo prédio do Colégio São Luís, em Itu, como conta o general Nelson Werneck Sodré, que ali iniciou sua carreira de oficial, no livro Memórias de um soldado.

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
Luiz Augusto Scarpa, Amora G. Mendes e Matheus Carmine