cidade:“Generoso”, o escravizado que voltou para vingar-se do mais “abastado”

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“Generoso”, o escravizado que voltou para vingar-se do mais “abastado”
Fonte: Repertório de documentos para a história da escravidão em Santos (1865-1888)
Quarta-feira, 28 de Abril de 1875
Última atualização: 18/11/2020 08:28:43

"Generoso" foi escravo do tenente coronel Fernando de Souza Freire, vice- presidente da Câmara Municipal e o mais abastado cidadão de Sorocaba. Era proprietário da Chácara onde se localiza a atual FADI.



Casarão/Solar dos Vergueiro (1927)
Acervo/Fonte: Gal Moreira Dini II / Lembranças Sorocabanas
Atual Faculdade de Direito

O coronel Fernando Lopes Freire era casado com a herdeira da Chácara onde se localiza a atual Faculdade de Direito de Sorocaba, Francisca Leopoldina, que era filha do primeiro cirurgião de Sorocaba: José Maria de Sousa.

Este casou-se com a sua prima Antonia Eufrosina e com ela gerou Francisca Leopoldina, esposa do coronel assassinado.



Senador Vergueiro (1870)

Como todos os "bem nascidos" em Sorocaba, essa família possuía escravos.

Após a morte do coronel Fernando, a viúva, Francisca Leopoldina, casou com o Dr. Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, daí o nome do Casarão, que viria a ser reformado e hoje abriga a FADI: Faculdade de Direito.



FADI - Faculdade de Direito (1973)
Acervo: Museu Histórico Sorocabano

Generoso entrou para a História ao assassinar o seu senhor. Embora assassinato não deva servir de exemplo de conduta ideal, no entanto escancara, por sua vez, a radicalização das relações escravistas na cidade de Sorocaba, enterrando de vez a teoria da escravidão mansa e mitigada, sem crueldade.

Era 28 de abril de 1875, o tenente coronel Souza Freire, em frente à soleira do seu palacete, dialogava com diversas pessoas.

De repente, o grupo percebe a presença de alguém, que da rua assiste ao colóquio. É um negro, com chapéu de abas largas e poncho.



Casarão dos Vergueiro vista da Rua Amador Bueno (1927)
Acervo/Fonte: Acervo/Fonte: Gal Moreira Dini / Antônio Carlos Sartorelli
Foto colorida digitalmente

Mantém-se estacado, em frente à roda dos conversadores. Era quase noite, dezoito horas e meia. A luz do sol enfraquecia consideravelmente.

No entanto, Sousa Freire arregalou os olhos ao reconhecer aquela figura.

Não deu tempo de dizer nada: o negro puxou de um bacamarte que estava oculto sob o poncho e disparou à queima roupa. A "vítima" só teve tempo de dizer: "Eu morro... minha mulher... meus filhos.... é o meu escravo Generoso!"

Os amigos do tenente coronel, aturdidos, não sabiam o que fazer. Acudiriam o amigo ou prenderiam o escravo? Diante dessa hesitação, Generoso aproveitou para fugir.

Mesmo perseguido numa fuga espetacular, Generoso conseguiu escapar das mãos dos seus perseguidores. [...] A polícia bateu as matas circunvizinhas à cidade, voltando ao amanhecer sem conseguir captura-lo.

Vários escravizados foram detidos como suspeitos de ser Generoso, mas a verdade é que ele nunca chegou a ser capturado.

Na realidade, Generoso estava foragido havia quinze e meses e, ao invés de empreender fuga para longe, correu o risco retornando para a cidade a fim de concretizar seu intuito, denotando claramente uma ação premeditada.

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
Luiz Augusto Scarpa, Amora G. Mendes e Matheus Carmine