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“O primeiro Cubatão, ouro do tamanho de um cavalo, bispo comido, etc.”, Adriano César Koboyama (01.01.2023) em Brasilbook
8 de março de 1993
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A identificação do primeiro Cubatão é de extrema importância á História de Sorocaba. Historiador, prático e ativo, Benedito Maciel De Oliveira Filho, o atual Presidente do Sorocaba Club, comenta a imagem:

Na região de Sorocaba existem pontos desconhecidos mas intimamente ligados à evolução histórica. Na Serra de São Francisco, o belo Cubatão correndo sobre o grande rochedo, sem margens limitadoras, descontraidamente, encontrando a grande fenda rochosa, encaminhando-se, assim, à represa formada por suas próprias águas (...), guarda segredos inimagináveis perdidos na epopeia bandeirante e na teimosia do tropeiro.

Revendo arquivos de fotografias dos bons tempos em que eu tinha tempo de reconhecer Sorocaba e região em seus pontos desconhecidos mas intimamente ligados à evolução histórica. Aqui na Serra de São Francisco, o belo Cubatão correndo sobre o grande rochedo, sem margens limitadoras, descontraidamente, encontrando a grande fenda rochosa, encaminhando-se, assim, à represa formada por suas próprias águas...Inesquecível!

Os períodos de seca também traziam escassez e a antiga represa do Cubatão também pagava o seu tributo. Olha o gigantismo da barragem diante da pouca água...Havia momentos em que ela sumia, advindo a penúria ambiental mesmo no alto da Serra de São Francisco, secando a vegetação luxuriante e as costumeiras quedas pelos gigantescos degraus de granito, Aqui ou ali uma poça, nada mais.

Mesmo a barra do Cubatão no Rio Sorocaba, após descer o Fornazário e atravessar diante da velha fábrica de chitas, justificando o nome mais que tradicional do bairro operário, a Barra Funda, parecia perder o seu vigor. O Cubatão guarda segredos inimagináveis perdidos na epopeia bandeirante e na teimosia do tropeiro.
[26730]

Em 11 de outubro de 1731, Antonio da Silva Caldeira Pimentel escreve sobre os registros de dois Cobatões [28124]. Já Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800):

Servindo-lhe de guia João Ramalho, embarcou-se em São Vicente, e foi passar o "Caneú", aquela bahia de água salgada, em cuja passagem, tendo ela sido livre por mais de dois séculos aos moradores da Marinha, e Serra acima, que navegavam, e se comunicação pelo lagamar de Santos, e Portos, a que chamam Cubatões.

Em um destes portos, chamados Cubatões, que ficava em terras pertencentes n´outro tempo aos Jesuítas do Colégio de Santos, e agora a Luiz Pereira Machado, foi desembarcar o primeiro Donatário, o qual deu o nome de Porto de Santa Cruz, trocado por este apelido o que antes tinha de "Porto das Armadias", segundo declara o dito Martim Afonso na carta de Sesmaria por ele concedida a Ruy Pinto.

Entrava-se para ele pelo esteiro chamado Piraiquê, o qual faz confluência com o Rio do Cubatão geral pouco acima da "Ilha do Teixeira", assim denominada, por ter sido do Capitão-mór, e Provedor da Real Casa da Fundição, Gaspar Teixeira de Azevedo: hoje chamam-lhe "Piassaquéra", nome composto do substantivo piassaba, que significa porto, e do adjetivo "aquéra" coisa velha, ou para melhor dizer, antiquada.

Aqui deu princípio á sua viagem para o campo de "Piratininga" pelo caminho de que se servirão os portugueses até o ano de 1560, em que o Governador Geral do Estado Mem de Sá, vindo a esta Capitania, ordenou, que ninguém o frequentasse, por ser infestado de nativos nossos contrários, substituindo em seu lugar a estrada do Cubatão Geral, a que as Sesmarias antigas chamam "Caminho de Padre José", por o ter aberto, ou concertado o Venerável Padre José de Anchieta.
[28125]

Segundo José Bonifácio (1763-1838):

"Quanto aos Cubatões, tendo lido um antigo manuscrito sôbre o assunto e feito novas indagações, remeto esta lembrança a V. Exa., porque creio não lhe serão desagradáveis; mas duvido que o General, que gosta mais de paradas e de contradánças, que de cortar mato e. subir serras, queira ou possa sujeitar-se a ir examinar ou escolher dentre os velhos Cubatões e caminhos, o melhor para carros e seges. Provavelmente incumbirá o negócio a algum militar, que fará o que puder ou souber".

Encontra-se, em letra diferente da de José Bonifácio, a "Notícia dos Cubatões Antigos", provàvelmente a mencionada na carta ao Ministro Tomás Antônio, sôbre as vias de acesso de Santos ao planalto paulista. Paulo Prado, em Paulística (São Paulo, 1925), nota 4, págs. 7-10, foi o primeiro a transcrever êsse documento, hipoteticamente atribuindo sua letra a Frei Gaspar da Madre de Deus.

Mas na mesma Coleção, lata 191, ms. 4.884, também existe, na caligrafia do Andrada, não citada por Prado, nota menor sôbre "os Cubatões e passagens da serra, que havia antes de serem tapados pelo novo contrato", a qual deve conter o resultado das mencionadas "novas indagações". Cita cinco Cubatões e passagens da serra: "o atual", o Cubatão velho, mais ao sul; o Cubatão de Piassaguera; o do rio de São José; o de Pelais (Pilões?), no rio da Bertioga, para Mogi das Cruzes. Interessam, todos, à História da Viação Paulista. [28126]

"O" CUBATÃO

Apesar de escreverem que Cubatão - Nome do arrabalde e arraial ao sopé da serra de Paranapiacaba, assim como do rio, ambos famosos, por seu desempenho histórico na colonização e desenvolvimento de São Paulo. Seus primeiros senhores foram: Ruy Pinto, Francisco Pinto e Antonio Rodrigues de Almeida, fidalgos portugueses, dos primeiros povoadores da Capitania.

A verdade registrada é ouutra:

(...) concedendo a Ruy Pinto as terras do porto de Apiaçaba [21990]. E daí subirá direito para a serra por um lombo que faz, por um vale que está entre este lombo e uma água branca que caí do alto, que chama "Ytutinga" e, para melhor se saber este lombo, entre a dita água branca, por as ditas terras não se mete mais de um só vale e assim irá pelo dito, lombo acima, como dito é até o cume do serro alto que vai sobre o mar e pelo dito cume irá pelos outeiros escalvados que estão no caminho que vem de Piratinim. E atravessando o dito caminho irá pela mesma serra até sobre o vale Ururay que é da banda do Norte das ditas terras,onde a serra faz uma fenda por uma selada, que parece que fornece por ali, a qual serra é mais alta que outra por ali ajunta e dela que vem por riba do vale de ururay, da qual aberta caí uma água branca. [24364]

Nem mesmo a palavra Paranapiacaba é mencionada em tal documento, e é mais que sabido sobre Ytutinga:

O nome Voturantim, do conhecido salto do rio Sorocaba, é corruptela do Ybytyra-tin, de que o primeiro vocábulo se alterou para butura ou votura, e o segundo não é senão a fonna contrata de tinga, branco, branca, comum no dialeto guarani, que chegou até São Paulo. Portanto, voturantim significa mui propriamente montanha branca, pois que o salto do Sorocaba, naquele lugar, não é mais do que uma encosta alta, coberta de alvo manto de espumas.

Sobre o nome Cubatão, possui, dentre as várias hipóteses quanto a sua origem e significação “rio que cai do alto”. Já o historiador João Mendes de Almeida (1831-1898) defende que o nome Cubatão significa “empinado em escadaria”. [27216]

Pois que, Dom Pedro II (1825-1891) visitou "esse" Cubatão em 11 de novembro de 1886

Ás 9 horas entraram no trem Suas Majestades com destino a Sorocaba para ali visitarem o Salto do Votorantim. Na estação de Sorocaba havia grande concurso de povo. Entrando em um carro, e acompanhado por grande número de pessoas e carros, trolys e montadas de cavalo, foram Suas Majestades á cachoeira do Votorantim.

Com efeito, ao descer a ultima colina, ao pé da qual serpenteia o ribeirão do Cubatão, causa sensação agradável o aspecto desse vasto anfiteatro caprichosamente limitado por morros entrelaçados, cobertos de vigorosa vegetação e no seio da qual levanta-se ao som de prolongados ruídos, um diáfano véu de vapores brancos, coroados pelo sol de um brilhante arco-iris.

O salto ou cachoeira propriamente dito consta de uma importância queda, formada por dois degraus, tendo o primeiro 7,60 metros de altura e o segundo 14,12 metros. Adicionando a estes algarismos a altura de uma pequena cachoeira que lhes fica imediata e forma por assim dizer a soleira ou sóco deste titânico monumento, obtêm-se a altura toral de 24,56 metros para a cachoeira do Votorantim propriamente dita; contínua, porém, para cima essa gigantesca escada.
[24572]

O primeiro documento a registrar essa palavra, datado em 1614

Diz Manuel João Branco morador na vila de São Paulo que ele se quer ... nesta vila do porto de Santos fazer uns canaviais ... não tinha terras para o poder fazer e no Cobatão termo desta dita vila estão devolutos muitas terras saindo do esteiro ... Peaçava donde ... vacas e cavalgaduras que ... abaixo vem do Cobatão rio abaixo... [24152]

Somente "este" Cubatão permitia cavalgaduras [28127]. Em 1628 as casas de Manuel João Branco localizavam-se defronte as terras pertencentes a Cornélio de Arzão [24039]:

A terra de Caaucaia pelo caminho que vai da vila de São Paulo para a Vila de Nossa Senhora da Conceição correndo para a banda do leste cortando o rio de Jaratiba indo para o mar da banda esquerda légua e meia até chegar ao rio de Cap...ry e do dito rio irá cortando para o mar correndo o rio arriba irá cortando a banda sul até chegar ao rio de Cahi com todas as cabeceiras das terras do capitão Gaspar Conqueiro e Cornélio de Arzão e Daminão Simões e pediam todas as testas que (...)

Senão em Sorocaba, não há outro “pedaço de terras que está no caminho geral que vai do Cubatão para a vila de São Paulo da ponte de (ilegível) até o rio que chamam Sopirieri para uma banda e por outra do dito caminho (...)” [24152]

Curioso o Tupi na Geografia Nacional de Teodoro Fernandes Sampaio (1855-1937). Pois, além de ser uma das raras palavras que o autor não escreve o significado, ele designa o Cubatão numa localidade vizinha a apeaçaba. Para ele no Rio Grande do Sul, há o Caí (Cahy), cuja tradução se pode fazer de dois modos: Caahy, rio da mata; Cai-hy, rio das queimadas.. E para este autor, rio das queimadas, também era chamado pelos nativos de Caucaia. [21917]

Intrigante como nos chega a localização do sítio de Cornélio de Arzão! Tanto que, a única vez que se tem notícia de uma ação do Santo Ofício em São Paulo, não é contra nenhum um judeu, mas contra um flamengo: Cornélio de Arzão. À meia-noite de 28 de abril de 1628, um grupo de homens bate à porta da casa de seu grande sítio, enquanto um deles, com voz clara, brada: Abram, em nome da Santa Inquisição!

Uma mulher, pouco depois, escancara as portas, sem surpresa nem susto, pois já espera a incômoda visita. É ela dona Elvira Rodrigues, e sabe que esses homens sinistros a procurariam, pois seu marido, Cornélio de Arzão, acha-se preso em Lisboa, por ordem do Santo Ofício.

Cornélio de Arzão, flamengo que viera a São Paulo como perito em mineração, contratado por D. Francisco de Sousa, é homem de muita consideração na vila, onde se casa com a filha de Martim Rodrigues Tenório de Aguilar, grande sertanista espanhol, mas por motivos que se ignoram, cai em desgraça com a Inquisição, que o prende na aldeia de Setúbal e o remete para Lisboa, após excomungá-lo.

Cornélio não é judeu. Além disso é católico, e tão bom católico que trabalha na conclusão da igreja matriz, alguns anos antes, e ficam a dever-lhe não pouco dinheiro dessa empreitada. O certo é que, por esta ou aquela razão, Miguel Ribeiro, meirinho do Santo Ofício, e o juiz Francisco de Paiva exigem que dona Elvira entregue todas as chaves da casa e declare todos os bens que alí dentro se acham, após fazerem-na jurar, com a mão sobre a cruz que o meirinho trás ao peito. [24039]

O ESPIÃO

Genro de Fernão Dias Paes Leme (1550-1605), o mineiro Manuel Juan de Morales (ou João Branco), chamado por Cortesão de “espião castelhano”, pode ter sido um dos maiores produtores do planalto, e dono de dois moinhos. Um documento famoso, e que pode nos dar mais pistas, é o Relatório das coisas de San Pablo e males de seus habitantes, feito ao rei Filipe IV (1605- 1665), “O Grande”, em 1636.

Falava ao rei da abundância e da riqueza de São Paulo na produção do trigo. Ao coincidir os dois tópicos. Numa leitura bastante enviesada, Morales relata sua permanência em São Paulo desde pelo menos 1595, quando descobrimos uma montanha chamada Sirasoyaba, o que tornaria seu “serviço de espionagem” uma tarefa quase vitalícia.

A carta cumpre bem o papel de denunciar uma série de descalabros, justificando mercês ao próprio missivista, detentor da solução de uma parte dos problemas. O tema dos metais de São Paulo perpassa seu relato, já que o autor era especialista em minério de ferro. Viera a São Paulo na demanda deste mineral, por mandato de D. Francisco, e atuara juntamente com um mineiro de ouro - que faz questão de desqualificar - e um mineiro de prata. [24461]

Construir navios é tão fácil que, sendo um homem pobre sem índios, construí dois navios para ir a Angola para negros para esta Capitania, e para aumentar o V.Mag. as quintas de ouro. Bem, se as minas de ferro fossem trabalhadas, desde que o ferro estivesse à mão, quão fácil seria Vossa Majestade fazer navios sem nenhum custo de madeira ou ferro?

E sem custo, nem trabalho para carregá-la, porque a madeira fica no mesmo porto, onde são feitos os navios, e as minas de ferro e ouro ficam a apenas 16 léguas do porto da cidade de Santos, e a estrada é tão plano, que até uma légua do rio pode dar lugar a carroças.

E para que Vossa Majestade tenha mais certeza de pessoas suficientes, e sem medidas tirânicas para esta tentativa, pode ser dada ordem para que os Padres da Companhia possam entrar na terra até os limites da Coroa de Castela, e trazer estes índios Capitania para construir aldeias livres, com as quais Vosso Mago terá sempre um excedente de gente a baixo custo, e os manterá felizes, porque a manutenção é muita, e com pão, linho e coisas semelhantes em quantidade moderada, eles servirá a Você. Mag. tão feliz, que eles serão os melhores companheiros dos Pais para trazer outros novamente.

Mas os portugueses dos cananeus impediram-lhes a passagem, porque não consideram justo que os Jesuítas vão trazer servos a Cristo, porque lhes é tirado o assunto de fazer escravos. E ainda mais que os Padres não estão sujeitos a esta Capitania, porque ela termina, como mais tarde contarei doze léguas além do cananeu.

Só na primeira via (de três que passam, duas pelo Brasil, e uma por Buenos Aires com o Procurador da Companhia de Jesus, que em breve partirá daquela província) enviou a Vossa Majestade uma transferência da doação, em que o conde é dado cem léguas de terra na costa do Brasil, e para ele do final do terceiro fólio até o quarto fólio inteiro será registrado como as cinqüenta e cinco léguas são contadas de treze léguas ao norte de Cabo Frio até o rio de Curpare, que fica junto à ilha de São Sebastião, e depois as quarenta e cinco léguas, que faltam a cem, são dadas do rio de São Vicente.

O continente está tão bem defendido que nos é possível escalá-lo, exceto por dois caminhos, um dos quais foi considerado pior que o outro, e uma vez tomada esta terra pode ser defendida com cem homens de um cem mil por causa da aspereza, e empecilhos aos que sobem, e falta de manutenção, porque as ilhas que primeiro têm que ser levadas para chegar a esta cidade de São Paulo, são sustentadas pelo que vai daqui.

Esta é esta terra, Senhor, que quando o resto do Brasil se perdeu, só pôde recuperar daqui. As ilhas que o mar faz em tantas voltas como aqui são todas excelentes para o açúcar e o topo do continente, onde fica a vila de São Paulo, e a vila de Parnaíba, e algumas vilas indígenas têm a riqueza do ouro, e ferro que eu disse, e a abundância de pão, e carne, e o resto que mencionei e se o povo não se divertisse indo aos índios cativos, seria mais abundante.

E se as minas de ouro e ferro forem trabalhadas, esta será uma riqueza segura. Até agora tem estado em grande perigo porque as pessoas desta cidade, que é a maior e mais animada, passam quase o ano inteiro no estrangeiro porque mal chegam de uma viagem, quando partem para outra, e se ocorre uma invasão fazem não teria o capitão de quem daria uma mão para defender esta terra, e se ele estivesse perdido, e as minas tivessem sido descobertas pelo inimigo (como ele as descobriria se as tomasse) não lhe faltariam índios tão ricos quanto os de Castela são para Vossa Majestade.

Se esta se perdesse, seria difícil recuperá-la, e todo o bem e segurança viriam de estabelecer verdadeiramente as minas, porque fornecem pessoas e defesa, e quase sem pessoas de Vossa Majestade a terra estaria suficientemente protegida, porque se os nativos não defenderem seu rei, defenderão seus tesouros, bem, podem... com facilidade e segurança.
[20596]

GERALDO BETINK

Também se refere a esse caso do mineiro morto, “mineiro alemão”, apontando ainda para a abundância das minas da terra, que os moradores, mais afeiçoados à caça de carijós, punham pouca diligência em explorar. E quando iam às minas, acrescenta, não cuidavam de quintar o ouro tirado, mas vendiam-no em pó, e a sete tostões a oitava, naturalmente devido a quebras e impurezas.

Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958) escreve notícias da morte do tal mineiro alemão que andava com Francisco de Souza e dos boatos de que se fundia “ouro do tamanho da cabeça de um cavalo”. Confirma Salvador Correia de Sá e Benevides (1594-1688).

Esta história aparece primeiro No Libro de los sucessos del ano de 1624, alocado na BNE (MSS2355), fala-se deste mineiro alemão, só que teria sido assassinado a mando dos jesuítas, que temiam que a notícia da riqueza aumentasse a servidão dos gentios.

Conforme o manuscrito, o mineiro descobrira que poderia retirar “tan gran pedazo de oro como el cavallo en que estava”, e tal noticia alarmara tanto os padres, que, na mesma noite, o mineiro foi encontrado morto. [20623]

Menciona ainda que os jesuítas tiravam ouro de São Paulo e o enviavam ao Duque de Bragança, para financiar a revolta. O documento é do reinado de Felipe IV, já que nele se fala da prata que nunca foi retirada do Brasil no tempo de Felipe III, “ni en el de su majestade”.

Apesar de não haver provas de seu falecimento, e que, em 14 de dezembro de 1624

Perante os vereadores Johan Stendering Henrice e Adriaen Buickenvoert comparaceram os excelentíssimos senhores Johan Stendering Lamberss, Johan Dunsberch e Wolter Schaep, como procuradores de Gerhart Bettinck, vivo nas Índias Ocidentais, perto de São Vicente, numa pequena cidade chamada São Paulo, em conseqüência de uma procuração de São Paulo, escrita em português. [27715]

Interessa aqui, no tocante às filhas desta “família fundadora”, em que Metkalf (1990,283-304) menciona que elas ficavam com a maior parte da riqueza como dote para os genros, Custódia Dias casou-se com Geraldo Beting, o mineralogista alemão de Geldres que vem a São Paulo na equipe solicitada por D. Francisco de Sousa.

Mas foi assassinado pelos paulistas quando retornava de uma de suas pesquisas com muitos metais da região de Sabarabussu do Rio das Velhas, entre 1610-1611. Isto mesmo! Um dos motivos da morte de D. Francisco de Sousa, registrado pela historiografia, desgostoso e depressivo, abandonado na sua casa na Vila de São Paulo, está ligado a este assassinato. [27099]

Sua esposa, Custódia, confunde a Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume XXXII, em 1937, sob a direção de Paulo Duarte e textos de Afonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958):

Casou com D. Maria Garcia Rodrigues Velho, filha de Garcia Rodrigues Velho e de s. mer. D. Maria Biting, aquele fo. de Garcia Rodrigues e de D. Isabel Velho nes. e vindos da cidade do Porto, nobres povoadores de São Paulo: a esta de Giraldo Biting. Alemão que passou na companhia d Armada de Martim Afonso, e de s. mer. Custódia Dias, que foi filha de João Ramalho, primeiro europeu que pisou naquelas terras por um naufrágio.

Ps. Custodia Dias acima referida era filha de Manoel Fernandes Ramos, natural de Moura em Alentejo e Guardador da Capela de Santa Anna de Parnaíba, que depois vigairaria, é hoje vila, e de s. mer. Suzana Dias filha do referido João Ramalho, e de sua mer. Beatris Dias, filha do Cacique Teberisa, que batizando-se se chamou Martim Affonso.
[24544]

Porém, Custódia Fernandes ou Custódia Dias que é a mesma, casada com Simião do Minho, foi natural de Santana do Parnaíba, filha de Belchior Fernandes, inventariada em 1650. Seu testamenteiro foi Paulo de Proença Abreu, marido de Benta Dias, esta filha de Manoel Fernandes Ramos e Suzana Dias, em Silva Leme, Fernandes Povoadores. [26250]

Portanto, Custódia seria avó, tia, irmã ou prima de Balthazar Fernandes, o fundador de Sorocaba! Este, Balthazar Fernandes:

continua sendo um mito! Sua lápide, fria e muda, não fala em morte. Nem se sabe quando ele nasceu. E se nasceu... quando morreu. Sua memória, espírito do bem, eternizou-se na sua obra: uma velha capela, um mosteiro. Paredes velhas, tortas, fundidas no barro, que se expandem. Semente de povoado, que desabrochou, virando cidade. [21228]

Ecoa nesta História uma comunicação feita pelo primeiro Bispo do Brasil, ao rei D. João, em 13 de julho de 1552, também foi colhido ouro, nas margens do Cubatão, juntos nos desaguadouros dos riachos que desciam da lombada do Paranapiacaba [25927]. Pouco depois ele foi "comido"...


FONTE:99\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\24647fontex.txt


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