Fernando II (em italiano: Ferdinando Carlo Maria; Palermo, 12 de janeiro de 1810 – Caserta, 22 de maio de 1859) foi o Rei das Duas Sicílias de 1830 até sua morte. Era filho do rei Francisco I e de sua segunda esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha.[1] Foi o penúltimo rei do Reino das Duas Sicílias.BiografiaFamíliaFernando Carlos era o filho mais velho do rei Francisco I das Duas Sicílias e de sua segunda esposa, a infanta Maria Isabel da Espanha.Dois de seus irmãos casaram-se com membros da família imperial brasileira: a futura imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II do Brasil, e o príncipe Luís Carlos, marido de D.ª Januária Maria de Bragança.Fernando II por Giuseppe Bonolis.ReinadoFernando tornou-se rei aos 19 anos, com a morte de seu pai. Nos primeiros 17 anos de seu reinado Fernando II reinou com sabedoria e moderação, tendo sido um soberano liberal, concedendo anistia, promulgando reformas e melhorando os serviços públicos, nos quais inclusive Joaquim Murat trabalhou. Entre outras obras, o rei comissionou o engenheiro e arquiteto Luigi Giura (1795-1864) do projeto da "primeira ponte suspensa da Europa continental" (a ponte Real Fernando, em Garigliano), com formato em catenária de ferro, inaugurada a 10 de maio de 1832.Mandou construir a primeira ferrovia da Itália (Nápoles a Portici, em 1839); reformou a marinha militar; deu novo ânimo à marinha mercante das Duas Sicílias, fazendo entrar em serviço de linha o primeiro barco a vapor italiano); uniu Nápoles a Palermo com uma linha telegráfica; renunciou a diversas taxas para o estado, diminuindo outras; e puniu com rigor aos delinquentes.Entretanto, motivado por uma série de revoltas internas, Fernando II tornou-se um monarca absolutista, cioso de sua própria autonomia e isolado de todos os outros estados da Itália e da Europa. Recebeu a alcunha de "Rei Bomba" pela ferocidade com que seu exército reprimia sublevações populares na Sicília, seguido pela anulação da constituição promulgada em 29 de janeiro de 1848, segundo alguns por receio aos adeptos de Giuseppe Mazzini, que o levaram a ordenar o bombardeamento de Messina.Daguerreótipo de Fernando II.Casamentos e filhosNo dia 21 de novembro de 1832, em Cagliari, Fernando II desposou a princesa Maria Cristina de Saboia, a filha mais jovem do rei Vítor Emanuel I da Sardenha. Eles tiveram apenas um filho, tendo a rainha Maria Cristina falecido cinco dias depois do parto:Francisco II das Duas Sicílias (1836-1894), que viria a suceder a seu pai.Em 9 de janeiro de 1837, em Viena, Fernando II casou-se com a arquiduquesa Maria Teresa da Áustria, a filha mais velha do arquiduque Carlos da Áustria-Teschen, um grande adversário de Napoleão Bonaparte. Ele e sua segunda esposa tiveram doze filhos:Luís, Conde de Trani (1838-1886), que se casou com Matilde Luísa da Baviera;Alberto, Conde de Castrogiovanni (1839-1844), que morreu na infância;Afonso, Conde de Caserta (1841-1934), que se casou com Maria Antonieta das Duas Sicílias;Maria Anunciata das Duas Sicílias (1843-1871), que se casou com Carlos Luís da Áustria;Maria Imaculada das Duas Sicílias (1844-1899), que se casou com Carlos Salvador da Áustria-Toscana;Caetano, Conde de Girgenti (1846-1871), que se casou com Isabel de Espanha, Princesa das Astúrias;José, Conde de Lucera (1848-1851), que morreu na infância;Maria Pia das Duas Sicílias (1849-1882), que se casou com Roberto I de Parma;Vicente, Conde de Melazzo (1851-1854), que morreu na infância;Pascoal, Conde de Bari (1852-1904), que se casou morganaticamente com Blanche Marconnay;Maria Luísa das Duas Sicílias (1855-1874), que se casou com Henrique de Bourbon-Parma;Januário, Conde de Caltagirone (1857-1867), que morreu na infância;Passava a maior parte do seu tempo no Palácio de Caserta cercado por sua numerosa família, sendo afetuoso com sua prole.O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Fernando II das Duas SicíliasHonras Duas Sicílias: Grão-Mestre da Ordem de São Januário, da Ordem de São Fernando e do Mérito, da Sagrada Ordem Militar Constantiniana de São Jorge, da Ordem de São Jorge da Reunião e da Real Ordem de Francisco I[2] Reino da França: Cavaleiro da Ordem do Espírito Santo, 1821[3] Reino da Espanha: Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, 22 de abril de 1821[4] Reino da Sardenha: Cavaleiro da Ordem Suprema da Santíssima Anunciação, 11 de julho de 1829[5] Dinamarca: Cavaleiro da Ordem do Elefante, 4 de agosto de 1829[6] Reino da Prússia: Cavaleiro da Ordem da Águia Negra, 23 de março de 1832[7] Império Austríaco: Grã-Cruz da Ordem Real Húngara de Santo Estêvão, 1832[8] Reino da Baviera: Cavaleiro da Ordem de Santo Huberto, 1832[9] Bélgica: Grande Cordão da Ordem de Leopoldo, 11 de março de 1847[10] Ducado de Parma: Grã-Cruz de São Luís por Mérito Civil, em Diamantes, 1851[11] Grão-Ducado de Baden: Cavaleiro da Ordem da Fidelidade da Casa e Grã-Cruz da Ordem do Leão de Zähringer, ambas em 1853[12]Grão-Ducado da Toscana: Grã-Cruz da Ordem de São José, 1854[13]ReferênciasMaria Pia de Bourbon-Duas Sicílias (Cannes, 12 de agosto de 1878 — Mandelieu, 20 de junho de 1973), foi uma princesa italiana, filha do príncipe Afonso, Conde de Caserta e neta do rei Fernando II das Duas Sicílias. Tornou-se membro da família imperial brasileira ao casar-se com o príncipe Luís de Orléans e Bragança, segundo filho da Princesa Isabel, em 1908.[1][2][3]Embora fosse uma princesa italiana, do Reino das Duas Sicílias, ela nasceu e foi criada na França, onde seus pais viviam exilados desde a unificação italiana. Após a morte de seu tio, Francisco II, que havia sido o último rei das Duas Sicílias, em 1894, seu pai assume a chefia da Casa Real das Duas Sicílias, e assim, a pretender ao extinto trono real das Duas Sicílias.Após ser formalmente apresentada na corte austríaca e bavára, Maria Pia se casa com o príncipe Luís, filho e herdeiro da Princesa Isabel, em 1908, com quem tem três filhos. Com agravamento de sua enfermidade contraída durante o primeiro ano da Grande Guerra, Maria Pia se dedicou a cuidar do marido, hospedando-se na Villa Maria Teresa, em Cannes, devido ao clima mais propício à saúde do enfermo que, entretanto, veio a falecer em 1920, com apenas 42 anos de idade.[4][5][6]BiografiaFamília e infânciaA Princesa Maria Pia nasceu em 12 de agosto de 1878 na Villa Maria Teresa, residência de seus pais em Cannes, onde sua família estava exilada desde a unificação italiana. Era a sexta filha, terceira menina, do príncipe Afonso, Conde de Caserta e de sua esposa e prima-irmã, a princesa Maria Antonieta das Duas Sicílias. Seus pais eram membros da Casa de Bourbon-Duas Sicílias, um ramo italiano da Casa de Bourbon, e eram primos um do outro varias vezes. Seu pai era o terceiro filho do rei Fernando II com sua segunda esposa, a arquiduquesa Maria Teresa da Áustria. Já sua mãe era a filha mais velha do príncipe Francisco, Conde de Trápani (irmão de Fernando II), e de sua esposa e sobrinha, a arquiduquesa Maria Isabel da Áustria-Toscana, filha grã-duquesa Maria Antonia (irmã de Fernando II e de Francisco, Conde de Trápani).[7]A princesa foi batizada com os nomes: "Maria da Graça Pia Clara Ana Teresa Isabela Adelaide Apolônia Ágata Cecília Filomena Antônia Lúcia Cristina Catarina", e teve como padrinhos: o duque soberano Roberto I de Parma, e sua primeira esposa, a princesa Maria Pia das Duas Sicílias.[8]Maria Pia e suas irmãs foram educadas no Colégio do Sagrado Coração de Aix-Provence, instituição administrada por religiosas perto de Cannes. Ali, Maria Pia passou sua infância e, terminados os estudos, a juventude. Sendo a predileta do pai, ela quem resolvia as pequenas disputas de infância de seus irmãos.[1][2]Em uma das visitas do imperador D. Pedro II do Brasil à Cannes, ele visitou a Villa Maria Teresa. O Conde de Caserta reuniu todos os filhos para apresentá-los ao imperador, e Maria Pia, aos seis anos de idade, teve que tocar "Marcha Turca" de Mozart, no piano.JuventudeA Jovem Maria PiaNo final do século XIX, todas as famílias reais tomaram o hábito de passar o inverno em Cannes. Alexandrina, futura rainha da Dinamarca, e sua irmã Cecília, futura princesa imperial da Alemanha, filhas dos grãos-duques de Mecklemburg-Schwerin, juntas a princesa Maria Urussov e Maria Pia, formavam um quarteto de amigas jovens, belas e elegantes. Lá, que teve lugar o noivado, seguido do casamento de Alexandrina, em 10 de abril de 1898, com o futuro Cristiano X, Rei da Dinamarca.Ao completar 18 anos, Maria Pia foi levada junto as irmãns para serem apresentadas a corte do imperador Francisco José. A recepção teve lugar em Hofburg, Palácio Imperial de Viena. No dia seguinte, houve um jantar em família no Palácio de Schönbrunn. Depois da Áustria, as princesas foram levadas a Munique, onde foi oferecido um almoço de gala pelo regente da Baviera, o príncipe Leopoldo.[9]CasamentoMaria Pia conheceu seu futuro noivo ainda jovens, na eventual chegada de Luís à Europa em função do exílio. Acabariam se reencontrando aos 25 anos, em 1903, quando o príncipe estava a revisitar diversos parentes. Os príncipes se deram muito bem, e após a partida de Luís, Maria Pia disse aos pais: "Jamais me casarei com outro". No entanto, a confirmação do matrimônio foi apenas em 1908.[10]Maria Pia casou-se com o príncipe Luís, em 4 de novembro de 1908, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, em Cannes. Na lua de mel, Maria Pia e Luís visitaram a Itália e a Índia. O casal passou a viver em Cannes, na França. Eles tiveram três filhos: Pedro Henrique, Luís Gastão e Pia Maria.[11]Luís era o segundo filho da princesa Isabel do Brasil, então Chefe da Casa Imperial do Brasil, e de seu marido, o príncipe Gastão de Orléans, Conde d´Eu. Luís tornou-se o herdeiro de sua mãe após a renuncia de seu irmão mais velho, Pedro, no dia 30 de outubro de 1908, e passou assim a pretender o título de Príncipe Imperial do Brasil.ViuvezTúmulo de Maria Pia ao lado do seu esposo no Mausoléu dos Orléans na França.Luis Maria do Brasil lutou na Primeira Guerra Mundial ao lado da França. Ele foi gravemente ferido e morreu em 26 de março de 1920 em Cannes. Apesar de a residência da princesa viúva ser na França, ela mantinha laços estreitos com o Brasil. Em 1922, Maria Pia, junto com seus dois filhos, Pedro Henrique e Luis Gastão, e seu sogro, o Conde d´Eu, estava a bordo do Navio Marsilia rumo ao Brasil para as comemorações dos 100 anos da independência. Quando ela chegou ao Rio de Janeiro, o Presidente da República mandou sua esposa recebê-la a bordo do navio e dar-lhe um tratamento de protocolo, como uma princesa de casa reinante. Em São Paulo, a Princesa Maria Pia se hospedou com os filhos na casa da Condessa Penteado, uma das senhoras mais ricas da cidade naquele tempo, a qual possuía um verdadeiro palácio na Avenida Higienópolis e ofereceu a eles apartamentos suntuosos.[12] No Brasil, a princesa viúva causou uma impressão agradável em seus contemporâneos, especialmente nos membros do partido monarquista. Ela participou do lançamento das bases do sítio da futura estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, atendendo assim ao pedido da falecida sogra. Durante essa viagem, seu sogro, o Conde d´Eu, morreu repentinamente.[13][14]Viúva, Maria Pia se dedicou inteiramente à criação e educação dos filhos, e depois dos netos, tendo grande influência na formação de sua visão de mundo. Em 1938, tornou-se madrinha de seu primeiro neto, Luís Gastão. A princesa viúva era católica e leal à instituição do papado. Maria Pia estava em correspondência e se encontrou pessoalmente com o Papa Pio X, que a presenteou com sua fotografia como uma lembrança de sua conversa.[15]MorteMaria Pia faleceu em sua casa de campo, em Mandelieu, em 20 de junho de 1973, sendo sepultada no ao lado de seu marido na Capela Real em Dreux. Em 2010, Dom José Palmeiro Mendes, reitor da abadia territorial de Nossa Senhora de Montserrat no Rio de Janeiro, propôs construir um túmulo no Brasil para membros da família imperial e, no centenário da morte de Luís Maria, para enterrar novamente os restos mortais do príncipe imperial, junto com os restos mortais de sua esposa Maria Pia.DescendênciaMaria Pia com seu Marido D. Luís, e seus filhos.Imagem Nome Nascimento Morte Notas Pedro Henrique 13 de setembro de 1909 5 de julho de 1981 Casou-se com Maria Isabel da Baviera, com descendência.[16]Luís Gastão 19 de fevereiro de 1911 8 de agosto de 1931 Não se casou, morreu aos 20 anos. Pia Maria 4 de março de 1913 24 de outubro de 2000 Casou-se morganaticamente com o conde René Jean de Nicolay, com descendência.Titulos e Estilos12 de Agosto de 1878 - 4 de Novembro de 1908: "Sua Alteza Real, a Princesa Maria Pia das Duas Sicílias"4 de Novembro de 1908 - 26 de Março de 1920: "Sua Alteza Imperial e Real, a Princesa Imperial do Brasil"26 de Março de 1920 - 20 de Junho de 1973: "Sua Alteza Imperial e Real, a Princesa Imperial Viúva do Brasil"Ancestrais