Auto da Compadecida é uma peça teatral em forma de auto, em três atos, escrita pelo autor brasileiro Ariano Suassuna em 1955. Sua primeira encenação aconteceu em 1956, no Recife, em Pernambuco. A peça também foi encenada em 1974, com direção de João Cândido.
Trata-se de um drama ocorrido na região Nordeste do Brasil, com elementos da tradição da literatura de cordel, do gênero comédia e traços do barroco católico brasileiro, com a marcante mistura da cultura popular e da tradição religiosa.
Na escrita, apresenta traços de linguagem oral, demonstrando na fala do personagem sua classe social. Há também regionalismos nordestinos, região natural de Suassuna e cenário da peça.
Da literatura de cordel, Suassuna pegou emprestado o personagem João Grilo, personagem folclórico presente tanto no Brasil, quanto em Portugal.[1] Também buscou inspiração em dois folhetos de Leandro Gomes de Barros (1865-1918), "O Dinheiro", também chamado de "O testamento do cachorro" e "O cavalo que defecava dinheiro".[2][3]
O Auto da Compadecida projetou Suassuna em todo o país e foi considerada por Sábato Magaldi, em 1962, "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".[4]
A peça foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1969, com o filme A Compadecida.[5] A segunda adaptação veio em 1987, com o filme Os Trapalhões no Auto da Compadecida.[6]
Em 1999, foi apresentada como uma minissérie pela Rede Globo de Televisão, que inclusive foi a responsável pela inclusão do artigo "O" antes do nome original.[7] A adaptação de maior sucesso, foi editada em 2000 para exibição nos cinemas, contando com alguns personagens, como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão, que não fazem parte da peça original. Esses personagens adicionais fazem parte da obra "Torturas de um Coração", além de elementos de "O Santo e a Porca", ambas de autoria de Ariano Suassuna.[8]
PersonagenseditarPersonagem DescriçãoPalhaço Palhaço que atua como apresentador, entrando e saindo da trama, além de conversar com o público, em razão da escrita da peça como pantomima (teatro de rua).João Grilo Homem pobre e aproveitador. Vive arranjando confusões. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de Chicó.Chicó Homem covarde e mentiroso. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de João.Padeiro Homem avarento, dono da padaria e presidente da Irmandade das Almas de Taperoá. Esposo de uma mulher infiel.Mulher do Padeiro Mulher adúltera e muito avaranta que se diz santa. Vive agradando seu marido.Padre João Padre responsável pela paróquia de Taperoá. Muito racista e avarento, visa somente o lucro material.Bispo Muito avarento e difamador de seu colega, o Frade.Frade Honesto e de bom coração. Não sabe que é difamado pelo Bispo.Sacristão Sacristão da paróquia de Taperoá. Desconfiado e conservador.Major Antônio Morais Antônio Noronha de Brito Morais é um major ignorante e autoritário. Descendente do Conde dos Arcos, mora numa fazenda nos arredores de Taperoá. Usa seu poder para amedrontar os mais pobres.Severino Severino de Aracaju é um cangaceiro que encontrou no cangaço uma forma de sobrevivência, depois que seus pais foram mortos pela Polícia.Cangaceiro ou Cabra Um dos capangas de Severino. Idolatra seu chefe e faz de tudo para agradá-lo.A Compadecida A própria Nossa Senhora. Bondosa e cândida, ela intercede por todos no Julgamento.Manuel O próprio Jesus Cristo, e também o juiz do povo, julgando sempre com sabedoria e imparcialidade, mas com misericórdia. Nesta versão, ele possui a pele negra.Encourado A encarnação do Diabo. Vive tentando imitar Manuel, por isso exige reverências pelos lugares onde passa. É o justo promotor do Julgamento, mas diferentemente de Manuel e da Compadecida, não tem misericórdia.Demônio Fiel servo de Encourado, desprezado por ele. Ainda assim, faz de tudo para agradá-lo.