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O morro vomita fogo como um vulcão
   

1-Votupoca (3 notícias)
2-Richard Francisco Burton
3-Apóstolo Tomé e o Brazil
4-Ligação com Sorocaba

Vutupoca significa em tupi-guarani "morro que treme" e esconde muitos mitos. Entre eles, o de que em seu cume existe uma cratera contendo uma lagoa profunda e, por isso, as pessoas afirmam que, na antiguidade, o Morro do Vutupoca foi um vulcão.

Relendo notícias de 1945, 3 me fizeram lembrar Sorocaba. Em 2 de abril de 1945 o Jornal “Diário da Noite”/SP noticiou que sobre O morro vomita fogo como um vulcão:

Volta a despertar atenção o fenômeno do Votupoca em São Paulo - Densas nuvens de fumaça — Noticias chegadas da região do Rio Ribeira, neste Estado, adiantam que num morro situado no municipio de Xiririca, á margem daquele curso dagua que penetra o sertão paulista, o qual tem o nome de Votupoca, lavra intenso fogo, acompanhado de grandes e espessas nuvens de fumaça, sem que arda a escassa vegetação ao derredor.

O fenomeno, que tem atraido a atenção dos cientistas, sem que nenhuma verificação "in loco" até hoje se tenha levado a efeito, vem se repetindo com maior frequencia nos ultimos tempos, não sendo a primeira vez que se verifica fogo na crista do referido morro. A população ribeirinha, um tanto habituada ao espetaculo que se repete vez ou outra, entretanto se mostra mais alarmada com a presente erupção, sendo crença geral tratar-se de um vulcão extinto que volta á atividade.

Até o momento nada de positivo ficou assentado sobre a origem das chamas e fumaça, mesmo porque, sendo o sitio quase inaccessivel, nenhuma pessoa conseguiu subir até lá.

VULCÃO OU COMBUSTÃO NATURAL?Como se vê, não é de hoje que o fato se repete, sem que haja uma positivação: desmentindo-se ou se confirmando a existencia do tal vulcão: Mas, enquanto isso, o Votupoca arde e vomita ondas de fumaça. Que haverá com o "morro que rebenta?"

Deante desta noticia, sem duvida sensacional, voltamos a pensar no depoimento de um celebre viajante que lá esteve por volta de 1866, Richard Francis Burton, o qual afirmou que no referido morro Votupoca bailava uma constante chama na crista, acompanhada de fumaça e que só não constatou a existencia de um vulcão, ou desmentiu a asserção, por lhe faltarem recursos, pois a região se achava inundada, alem de ser quase inacessível. O morro é isolado, conico, de feitio caracteristico das elevações vulcanicas. O viajante declara que o então vigario local de Xiririca, padre Joaquim Gabriel da Silva, tambem verificara o fenomeno, assegurando mais ser o mesmo intermitente e que estava convicto da existencia de um vulcão nas imediações.

O proprio nome de origem indigena — Votupoca — quer dizer "morro que rebenta", ou do qual brota fogo.
[26118]

3 de abril - Vulcão - Jornal da Manhã/RJ

Fenômeno sísmico em São Paulo - O morro "Votupoca" está lançando fogo e fumaça SÃO PAULO, 2 (Asapress) — Notícias procedentes de Ribeira, adiantam que, num morro existente naquela zona e conhecido como "Votupoca", está se despreendendo um intenso fogo acompanhado de espessas nuvens de fumaça, sem, entretanto, queimar a vegetação existente naquele morro.

O fenômeno dá impressão de tratar-se de um vulcão já extinto e que volta à atividade, com menos intensidade. É interessante frisar aqui que nos meados do século XIX, houve de fato um vulcão nesta localidade, o que tem alarmado sobremaneira a população ribeirinha. Muito embora o primeiro fato ter-se verificado em 1866, até hoje não foi feito nenhum estudo local. "Votupoca", nome do morro em que se verifica o fenômeno, é uma palavra indígena, que significa "morro que rebenta" ou "morro que brota fogo". Talvez pelo nome ninguém tenha se preocupado em fazer observações, pois a tradução por si só justifica a existência de tais fenômenos.


5 de abril Jornal O Globo ExpedicionárioUM VULCÃO EM S. PAULO? — No Rio Ribeira, município de Xiririca, em São Paulo, no morro Votupoca (em tupi — morro que rebenta) vem aparecendo há anos chamas e fumaça, sem que se tenha dado ainda uma explicação para o caso. Para uns, trata-se de combustão espontânea, mas para outros — e que são a maioria — o referido morro nada mais é que um vulcão. Se for verdade essa última versão, o Brasil deixará de ser um país sem vulcões, como sempre se afirmou.

RICHARD FRANCIS BURTON Francis Burton (1821-1890)Data: 24 de ago. de 1864

O relato de Burton foi piblicado em 24 de jan. de 1866, no jornal The Anglo-Brazilian Times/RJ. Do Hot Um vulcão no sul do Brasil

F. R. G. S.Hotel Millon, Santos, Brazil.

Eu descia de canoa o Rio Iguape, nesta jurisdição consular — rio que, de forma até ridícula, é chamado de *Ribeira* (ou riacho) —, quando, ao visitar o excelente vigário de Xiririca, o Sr. J. Gabriel da Silva Cardoso, e examinar seu Livro do Tombo (registro paroquial), chamou-me a atenção o nome de um lugar: "Vutupoca", termo em tupi ou Língua Geral traduzido como "Morro que rebenta". Do outro lado do rio, em direção sudoeste a partir da casa paroquial, erguia-se o morro — coberto de vegetação (*capu-pié*), um cone isolado de inclinação suave e contorno nitidamente vulcânico. Sua face nordeste, segundo me informaram, é um paredão rochoso perpendicular.

As chuvas temíveis de janeiro de 1866 impediram-me de subir o Morro Explosivo. No entanto, o resultado de muitas indagações locais foi que, há apenas quinze anos, viram-se chamas erguendo-se do morro, e o fenômeno veio acompanhado de estrondos ou explosões que se propagaram pelo rio até a serra oposta, em Bananal Pequeno.

Espero que volte a ter notícias minhas. Caso este relato sobre um vulcão adormecido no sul do Brasil venha a ser confirmado por uma exploração minuciosa, a descoberta será de grande valor sob o ponto de vista geográfico. E estas linhas poderão, talvez — caso eu não consiga levar meu projeto adiante —, levar outra pessoa, mais capaz, a empreender a tarefa. Lembre-se de que não faz nem meio século que a comunidade científica europeia declarou que não se encontrariam formações vulcânicas — e muito menos vulcões — neste magnífico Império.


O APÓSTOLO THOMÉ E O BRAZIL

São Tomé foi o apóstolo que duvidou de Cristo, ele é conhecido pela Igreja como "O Incrédulo". Por duvidar dar chagas de Jesus, Tomé foi enviado aos lugares mais distantes da Terra. Existem mitos de sua passagem em todas regiões que a Igreja Católica esteve...

É por demais conhecido o fato de que toda a empresa marítima portuguesa foi expressa pelos contemporâneos em linguagem religiosa e, mais ainda, missionária. Os contemporâneos nos dão a impressão de que, para eles, o maior acontecimento depois da criação do mundo, excetuando-se a encarnação e morte de Jesus Cristo, foi a descoberta das índias.

Hernani Donato: “Essa saída de Portugal ao mundo, a série de descobrimentos, posseamento e agarramento as terras conquistadas, tinham um fundo religioso mais do que um fundo imperial".

Vasco da Gama inicia a primeira viagem marítima da Europa à Índias. [24641]8 de julho de 1497, quinta-feira

um intenso fogo acompanhado de espessas nuvens de fumaça, sem, entretanto, queimar a vegetação existente naquele morro.

3º fonte - 1863Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro; Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro, tomo XXVI

A vinda do Apóstolo São Thomé á estas partes da América, e principalmente ao Brasil e ás regiões do Paraguay, está baseada em tais fundamentos, que d´ela não se pode duvidar. Faltam monumentos antigos que testifiquem a vinda de São Thomé, e por tanto a tornem perfeitamente certa, mas é inegável que a tradição constante e uniforme de diversas nações do novo mundo, os sinais e vestígios, e o nome de São Thomé conhecido desde tempo imemorial por elas, fazem probabilíssima sua vinda a estas regiões. [28021]

Muitos autores, e entre eles o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), trataram deste ponto.Os nativos acolheram bem os europeus, Nóbrega fica surpreso. Mais ainda quando percebe que esses mesmos nativos procuravam a casa de culto e de catequese como se aquilo fosse um hábito antigo."Os nativos levam Nóbrega até um local sagrado. Alí haviam marcas de pegadas nas pedras, as quais apontavam os nativos e dizem "Zumé", Pay Zumé.

Chegado ao Brasil em 29 de março de 1549, o padre logo escreveu uma carta, em 10 de abril, ao seu superior em Coimbra informando a grande notícia: São Tomé esteve no Brasil!

"Eles dizem que São Tomé, a quem chamam de Zamé, passou por aqui. E isto ficou dito pelos seus antepassados. E que suas pegadas estão marcadas, próximas de um rio, das quais eu mesmo fui ver, para maior certeza da verdade e vi, com meus próprios olhos quatro pegadas, bem marcadas com seus dedos."

O Rei de Portugal ordenou a Vasco da Gama encontrar o sepulcro do apóstolo.

SOROCAbaFrancisco Adolfo de Varnhagen Foi Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878), depois barão e visconde de Porto Seguro, natural de Sorocaba, que identificou o túmulo de Pedro Álvares Cabral.Em setembro de 1839, 319 anos após o falecimento de Cabral, Varnhagen, aos 23 anos de idade, seguiu "pistas" que o levaram a Igreja de Nossa Senhora da Graça, distrito de Santarém, Portugal. Porém a ossada do navegador português não estava lá.

1854O estudo geognóstico deste distrito é digno de ocupar por muitos meses a atenção dos mais sábios geólogos. Dos altos morros manam alguns ribeirões, porém o mais notável é o chamado da Fábrica Velha, ou do Valle das Furnas, por seguir por uma espécie de caldeira, ou algar que ás vezes, parece cratéra de um vulcão. Sobre a cima do principal cabeço ha uma lagoa que chamam aqui Dourada, na qual o povo diz aparecerem fantasmas, que, guardam os tesouros nela escondidos. [Página 362]

2º fonte - 15 de mar. de 1856, sábadoFrancisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); “Sumé: Lenda mito-religiosa americana. Recolhida em outras era por um índio moranduçara, agora traduzida e dada luz com algumas notas por um paulista de Sorocaba”

Moranduçara (ou morandysara / morandudara) é um termo de origem Tupi Antigo que significa "o que conta histórias", "narrador" ou "aquele que relata notícias". A palavra é composta pelas raízes moranduba (notícia, história, relato) e o sufixo -ara (aquele que faz a ação).Na história da literatura brasileira, esse termo ficou famoso por aparecer na capa da obra Sumé: lenda mito-religiosa americana (1855), escrita pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

E eu começava a sentir como um pezadello. E via que a mente se me offuscava, e que eu nada mais sabia de Sumé.Por fim ouvi uma voz que dizia: "Contenta-te de seres moranduçara do que sabes, que é quanto tens de transmittir á prosteridade. Sumé irá para outras terras; por que aos surdos não é possivel fazer que oução as palavras do Senhor."E uma lingua de fogo se vio no mais alto cimo do morro de Biraçoyaba, que parecia como a chamma de um vulcão.E o monte se derretia em lavas de ferro.E ahi se formava uma especia de cratera ou algar (1) cujas cinzas quentes, depois se apagavão com as aguas de uma lagoa (Lagoa dourada, onde o povo do Ipanema, ainda não ha muito, julgava que apparecião phantasmas, que guardavão thesouros escondidos).E ouvi a mesma voz de antes dizer-me:"Ali esconderás o legado que deveis deixar ás gerações vindouras, para que os homens tenhão mais uma prova da misericordia divina, que é de toda a eternidade, e durará até o dia de juizo." — Amen.F. A. V.(1) O valle das Furnas.(2)




1º fonte - 1854
Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); História geral do Brazil



2º fonte - 15 de mar. de 1856, sábado
Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878); “Sumé: Lenda mito-religiosa americana. Recolhida em outras era por um índio moranduçara, agora traduzida e dada luz com algumas notas por um paulista de Sorocaba”



3º fonte - 1863
Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro; Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico Brasileiro, tomo XXVI



4º fonte - 24 de jan. de 1866, quarta-feira
The Anglo-Brazilian Times/RJ



5º fonte - 31 de dez. de 1876, domingo
Foi aberto o tráfego até Villeta, atual George Oetterer e chegava até Ipanema



6º fonte - 1940
Antônio Paulino de Almeida; Memória Histórica de Xiririca (El Eldorado Paulista), Antônio Paulino de Almeida



7º fonte - 2 de abr. de 1945, segunda-feira
Jornal “Diário da Noite”/SP; O morro vomita fogo como um vulcão



8º fonte - 3 de abr. de 1945, terça-feira
Jornal A Manhã; Vulcão - Jornal da Manhã/RJ



9º fonte - 5 de abr. de 1945, quinta-feira
Jornal O Globo Expedicionário



10º fonte - 1977
Eduardo Hoornaert; História da Igreja no Brasil, 1977. Eduardo Hoornaert



11º fonte - 29 de jul. de 2015, quarta-feira
YouTube; Morro de Votupoca - Vulcão ou Mito



12º fonte - 17 de jul. de 2018, terça-feira
Hernâni Donato (1922-2012); Expedição Peabiru - Pay Zumé



13º fonte - 22 de abr. de 2024, segunda-feira
Olhar Digital; Como um vulcão (inativo) pode mudar a história do Brasil. Por Pedro Spadoni, em olhardigital.com.br



14º fonte - 15 de abr. de 2026, quarta-feira
Universidade de São Paulo; PROJETO DE PESQUISA “A ORIGEM INDIANA DO MITO DE SÃO TOMÉ NA LITERATURA COLONIAL BRASILEIRA”



15º fonte - 24 de ago. de 2026, segunda-feira
G1; Brasil tem vulcões? Marcas de erupções ainda estão pelo país



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Alunos da Escola Noturna*
01/01/1869
02/02/2026 05:24:51
Aleixo Irmão
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Direto ao ano:





Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama