13975§ Capítulo I“Uma Bandeira em Araraquara em 1723. O ‘Picadão de Cuiabá, de Pimenta Bueno, em 1837. Sesmarias e posses nesta região.”
O conhecimento do recanto paulista em que vivemos começou em 1723. Um bandeirante de fama, Sebastião Sutil de Oliveira, juntamente com um seu irmão e o padre Frutuoso da Conceição conseguiram licença para organizar uma bandeira e procurar ouro nas imediações de Araraquara, que estava localizada em pleno sertão e onde só havia índios. Vieram e deixaram vestígios de mineração citados por vários cronistas antigos.
Por esse tempo, governava São Paulo D. Ro-drigo Cezar de Menezes. Esse governador pensou em abrir caminho por terra para as minas de Cuiabá, em Mato Grosso, minas essas muito ricas e recentemente descobertas. Havia comunicação pelo Rio Tietê, mas era muito penosa por causa das quedas d’água desse rio. Além disso, somente um caminho terrestre resolveria bem o transporte de tropas e materiais.
Abriram-se na época vários caminhos em sentido a diversas direções como Goiás, Sul do Brasil e Mato Grosso.Para que se tenha ideia da lentidão da conquista da terra quando a população é pouca citaremos apenas uma estrada que foi aberta em nosso território em 1837, época bem recente e que permanece na tradição oral.
Essa estrada cortou sesmarias e posses com suas sedes distantes e isoladas. Em 1837, de Araraquara até as barrancas do Rio Paraná, não existia nenhuma povoação, apenas cons-tam pousos de monções à beira das quedas d’água do Rio Tietê.
Chamava-se essa via de comunicação Picadão do Cuiabá, e foi aberta por Joaquim Francisco Lopes, irmão do guia Lopes[p. 11]
Estrada do Avanhandava;Estrada do Sertão;Caminho do Sertão;Estrada Reiuna;Ponte Reiuna;Estrada Velha de Pedras à Araraquara;Estrada do Taboado;Estrada dos Fugidos;Estrada da Estiva;Estrada Velha do São Bento e outras.Muitos, como é fácil de verificar são os sinônimos.“NO CAMINHO DAS PEDRAS...”Fundação de ItápolisComo acontece de um modo geral com as cidades sertanejas, Itápolis foi fundada seguindo os mesmos parâmetros.Após ser fundada a capital de São Paulo e estabelecida a comunicação com o litoral, iniciavam-se as conquistas de terras desconhecidas.Para desenvolver riquezas, fazia-se necessário o braço do trabalhador. Com esse pensamento, o paulista partiu em busca do índio para torná-lo seu escravo, embrenhando-se pelas matas inóspitas de um sertão desconhecido.Para atingir suas metas, percorriam caminhos dos rios, picadas ou trilhas feitas pelos índios. [p. 13]
(permuta por dois animais), foi passada em documento particular datado de 13 de março de 1838; Antonio Ferreira de Sousa, em 15 de julho de 1843, vendeu ao Sargento Amaro José do Vale sua posse da Fazenda da Grama; além de Antonio Batista Gil que também vendeu sua posse da Fazenda Cachoeira do Ribeirão dos Porcos a Francisco Pinto de Sousa em 12 de fevereiro de 1833.Antes dessa compra da Fazenda Boa Vista do São Lourenço, pouco se sabe do local, a não ser que em 1723, no governo de Rodrigo Cezar Meneses, uma bandeira partiu de São Paulo a caminho de Goiás e Mato Grosso à procura de ouro.Na rota para Goiás, cortando o sertão paulista, fica nossa região, sendo possível acreditar que o chefe da Bandeira, Sebastião Sutil de Oliveira e o irmão Padre Frutuoso da Conceição por aqui passaram e provavelmente das terras desfrutaram por algum tempo, depois rumaram em busca de ouro, deixando abertos os caminhos, dos quais a História não tem registro, num período de pouco mais de cem anos.Os dados passam a ser confiáveis a partir dos Castilho que eram criadores de cavalos e venderam a Fazenda Boa Vista para Pedro Alves de Oliveira.Assim sendo, a fazenda comprada por Pedro Alves de Oliveira consiste no berço de nossa Itápolis. O Alferes ergueu a Capela Velha do Espírito Santo do Ribeirão dos Porcos. Doou 12 alqueires e três quar-tas de terras ao Divino Espírito Santo. A fazenda passou a se chamar Boa Vista do São Lourenço. Em 20 de outubro de 1862 estava fundada a cidade de Itápolis pelo Alferes Pedro Alves de Oliveira, data em que o juiz de Araraquara homologou o inventário de Pedro, pela morte de sua mulher Maria Jerônima Soares, com quem teve 12 filhos. Surgiu o Patrimônio do Espírito Santo, localizado dentro e a leste da Fazenda Boa Vista, à beira do Ribeirão dos Porcos, rente à estrada velha de Novo Horizonte. Devido à malária que grassava por ali, Pedro, o fundador da cidade, transferiu-se para onde hoje é a cidade de Itápolis, erguendo o povoado Espírito Santo do Córrego das Pedras, doando 112 alqueires de terras para o Patrimônio.Tornou a casar-se, desta vez com Ana Luiza de Jesus e tiveram mais três filhos. Continuou cedendo seus terrenos com a finalidade de povoar a região. No ano de 1891, quem veio proceder à instalação do município, em meio a muita festa, foi o coronel Rodolfo Augusto de Moura, então presidente da Câmara Municipal de Araraquara. Foi ele quem deu posse ao primeiro Conselho da In-tendência de Boa Vista das Pedras. Como intendente, Antonio da Silva Florêncio Terra deu a primeira nomenclatura das ruas da Cidade em 22 de março de 1892 e os primeiros passos para encaminhá-la dentro da ordem e do progresso.Família numerosa e abastada, os Amaro tiveram decisiva influência no desenvolvimento da região. Mais de um Amaro fundou povoações nos arredores. Nova América, Tapinas, Quadro, Vila Alicina, Mon-jolinho, São Lourenço, Borborema, Novo Horizonte, Itajobi, Urupês (Mundo Novo), Marapuama, Vila Açaí (pertencente a Itajobi), Vila Cajado (Tijuco Preto) e outras, todas resultaram da influência direta e fecundante de Itápolis. Fácil é aquilatar a grandeza da extensão territorial que as localidades citadas abrangem, da sua população e sua riqueza. Itápolis foi de tudo isso a célula geradora.Após 32 anos, Boa Vista das Pedras passou à categoria de cidade, graças ao projeto do vereador Victor Antonio Lagrotti, o qual foi apresentado à edilidade na reunião do dia 21 de outubro de 1894. Estavam pre-sentes e votaram com o autor do projeto os seguintes vereadores: Vicente Gallo (presidente da Câmara), Lino da Costa Machado, Thomé Francisco de Passos, José Belarmino Pereira e Benedito Patrocínio de Carvalho.Já na categoria de cidade, Boa Vista das Pedras inicia seu desenvolvimento. Não há notícias de lutas por causas de limites ou posses, a não ser as perdas e reconquistas da Comarca para Ibitinga, a cidade vizinha.Somente no ano de 1910, quando a cidade se chamava Pedras, graças a uma Lei que favoreceu os locais já considerados “Termos” a instalarem as Comarcas, é que o problema se resolveu. Então, a cidade que se chamava Pedras conquista definitivamente a sede da Comarca, passando a denominar-se Itápolis.Itápolis é um hibridismo, isto é, vocábulo com diferentes raízes, “ITA” do Tupi Guarani, significa pedra e “POLIS” do grego, significa cidade.Portanto, esta cidade teve quatro denominações: Espírito Santo do Córrego das Pedras, Boa Vista das Pedras, Cidades das Pedras e Itápolis. [p. 15]