5 de novembro de 2017, domingo Atualizado em 24/10/2025 19:34:26
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Pais e alunos da Escola Estadual Professora Ossis Salvestrini Mendes, que fica no Jardim Brasilândia, em Sorocaba, não confirmaram as acusações de doutrinação política e ideológica por parte de partidos e sindicatos dentro da unidade escolar, como forma de captar jovens para a militância política. A denúncia foi feita pela mãe de uma estudante da escola, durante audiência pública ocorrida no dia 9 de outubro, na Câmara de Vereadores, cuja pauta foi a discussão do projeto de lei sobre a chamada "escola sem partido", que tramita no Legislativo.Segundo o relato da mãe, a escola onde a filha estuda teria sido "dominada pela vereadora Iara Bernardi (PT) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT)". A vereadora e a CUT negam as acusações e afirmam que não fazem doutrinação política, ideológica ou partidária em escolas estaduais. Alegam ainda que o caso envolve um problema familiar, que foi exposto pela própria mãe na audiência pública. A Secretaria Estadual de Educação, questionada a respeito, afirmou que não há doutrinação nas escolas estaduais, já que as atividades escolares e as aulas são desenvolvidas de acordo com o currículo estadual. A direção da escola não quis se pronunciar.De acordo com o que foi apurado pelo Cruzeiro do Sul, a adolescente namorava um aluno da escola, de 17 anos, que em sua página no Facebook divulgava fotos e eventos ligados ao PT, a sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais, além de ser o presidente do grêmio estudantil. Já a mãe, que declara afinidade política com partidos e candidatos de direita, segundo as próprias postagens no Facebook, não teria aceitado o namoro da filha, que, por conta disso, teria saído de casa.Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que protege o menor de 18 anos de exposição e constrangimentos públicos, o Cruzeiro do Sul optou por não citar nesta reportagem o nome da adolescente, de sua mãe ou de pessoas ligadas a ela, por meio das quais a garota pudesse ser identificada.Como tudo começouO relato da mãe da aluna ocorreu no dia 9 de outubro, durante uma audiência pública na Câmara. No depoimento, que durou menos de cinco minutos, ela disse que tinha "perdido a filha" porque a adolescente saiu de casa dizendo que virou comunista. A mãe declarou ainda que a filha foi morar com um comunista, que seria o namorado da jovem. "A minha filha é uma menina criada numa família idônea, na moral e com conceitos religiosos, e infelizmente a gente colocou ela nessa escola. A minha filha está fora de casa. Ela está há 30 dias sem estudar e dentro da casa de um comunista", relatou a mulher na ocasião.Segundo a mãe, os representantes de partidos políticos e de sindicatos se aproveitam do momento de fragilidade dos adolescentes e "colocam ideologia dentro da mente deles", destruindo tudo o que os pais construíram. "A minha filha foi confundida e está com a mente completamente perturbada", afirmou. A mãe ainda pediu que os pais fiquem atentos porque eles (os comunistas) colocam ônibus na porta da escola e "levam seus filhos sabe Deus para onde". Para ela, os adolescentes são levados para serem doutrinados. "Eles levam para doutriná-los e colocar essas ideologias malignas na cabeça deles, que são adolescentes e estão fragilizados", denunciou.
A vereadora Iara Bernardi, citada nominalmente pela mãe, repudiou as acusações. "Eu, como vereadora eleita desta cidade, repudio veementemente essa afirmação, principalmente a tentativa leviana de determinados grupos de fazer uso político do fato para desviar o foco principal do debate que é a censura de professores em sala de aula", disse a vereadora. Segundo ela, seu advogado levará o caso à Justiça, "pois são acusações infundadas e ofensivas" ao trabalho dela e ao PT. Já a CUT informou por meio de nota que "representantes da subsede da CUT de Sorocaba nunca estiveram na escola estadual, mas que colocam-se à disposição desta ou de qualquer outra instituição para participar de debates sobre a luta pela democracia e pelas causas coletivas, "como a de um trabalho digno e por qualidade de vida na sociedade".
Pais não confirmamPais de alunos e estudantes da Ossis Salvestrini Mendes ouvidos pelo Cruzeiro do Sul não confirmaram as acusações da mãe da adolescente de 15 anos. No início da tarde de segunda-feira (30), o Cruzeiro do Sul esteve na escola e perguntou se os pais dos alunos tinham conhecimento de algum tipo de atividade feita por políticos e representantes de partidos dentro da escola, mas todos disseram que não. Além disso, eles também disseram que nunca viram a vereadora Iara Bernardi (PT) ou representantes da CUT na escola, fazendo palestra ou falando sobre política.A dona de casa Cristiane da Cruz Cecílio, 42 anos, tem um filho que estuda no último ano do ensino médio e disse que ele nunca comentou nada com ela sobre atividades políticas ou de partidos em sala de aula. "Eu não tenho conhecimento de que isso ocorre dentro da escola do meu filho. Nunca vi e ele também não comentou nada", afirmou. Segundo ela, o filho jamais afirmou que pessoas estranhas ou ligadas a partidos políticos e sindicatos frequentam a escola ou falam com os alunos sobre política e ideologias: "Que eu saiba, meu filho nunca participou de nada na escola que tenha ligação com partidos ou sindicatos."
O pai de uma estudante do primeiro ano do ensino médio, Waldemir Custódio Cardozo, 51 anos, disse que todo dia vai buscar a filha na escola e nunca soube da ida de políticos ou de representantes de partidos à escola. "Minha filha nunca comentou nada e também não vi nada disso aqui. Então, eu acho que isso de doutrinação não ocorre nessa escola", opinou. Waldemir afirmou ainda que a filha nunca participou de nada relacionado a partidos políticos na unidade escolar. "Que eu saiba, ela nunca foi convidada para participar de nenhum evento sobre partidos ou atividades políticas nem dentro da escola e nem em outros locais", disse o pai da estudante, que é vendedor. Segundo Waldemir, a filha estuda na Ossis desde a oitava série, e ele nunca viu ônibus em frente da escola para levar os estudantes a encontros de partidos políticos.Já a dona de casa Claudia Belo, 40 anos, tem um filho que está na sexta série e também negou que na escola ocorram atividades políticas promovidas por representantes de partidos ou outras pessoas. "Meu filho estuda há um ano aqui, mas ele nunca comentou nada sobre isso. Então, eu acredito que não existe isso de doutrinação política dentro da sala de aula. Eu pelo menos nunca fiquei sabendo e ele nunca comentou que tenha sido chamado para participar de eventos políticos fora da escola", afirmou Claudia.
Namoro proibidoO Cruzeiro do Sul ainda conversou, na semana anterior, com quatro estudantes da mesma sala da adolescente, que também negaram existir qualquer tipo de doutrinação política em sala de aula, seja por representantes de partidos, sindicatos ou por professores. A jovem C. R. C., 15 anos, estuda na mesma sala da adolescente e disse que tudo o que a mãe da jovem falou sobre doutrinação política na escola é mentira. "Nem a vereadora Iara e nem pessoas da CUT fazem propaganda política ou eventos na Ossis. Eu pelo menos nunca vi e também não fui chamada para participar de encontros políticos fora da escola", disse a estudante.Outra aluna, B. N. D., 15 anos, também afirmou que o relato da mãe na Câmara foi mentiroso. "O problema é que a mãe não aceitava o namoro da filha com um aluno daqui, que é presidente do grêmio estudantil e estava envolvido com política, mas isso não tem nada a ver com a escola", disse. O Cruzeiro apurou que a vereadora Iara Bernardi esteve uma vez na escola este ano, no dia 28 de junho, mas, conforme os estudantes, "somente de passagem", durante uma festa de hip hop. "Ela só passou na escola, falou com algumas pessoas e logo já foi embora. Não fez palestra e não falou de política ou sobre partidos de esquerda para os alunos", afirmou uma aluna.A mãe que denunciou a escola foi convidada para participar da audiência pública por meio do vereador Luís Santos, que é o autor do projeto de lei sobre "escola sem partido". Esse projeto prevê, entre outras coisas, que o professor, no exercício de suas funções, não pode se aproveitar da "audiência cativa" dos alunos para promover os seus próprios interesses, opiniões ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias. Ao anunciar a mãe para fazer o relato na tribuna, Santos disse que o caso serviria de alerta para os pais. A audiência pública foi transmitida ao vivo pela TV Câmara. Além disso, o depoimento foi gravado e disponibilizado pelo canal de vídeo YouTube, o que permitiu o seu compartilhamento também por redes sociais. Assim o depoimento da mãe ganhou destaque até em outras cidades por meio da internet.
Advogados negam conflito entre mãe e filhaOs advogados da mãe da estudante disseram ao Cruzeiro do Sul, em entrevista na semana retrasada, que não existia nenhum conflito familiar anterior entre mãe e filha. Eles receberam a equipe de reportagem no escritório deles, que fica na rua Aparecida, em Santa Rosália, porque a mãe não quis dar entrevista e também não permitiu que a filha fosse ouvida. Falando pela mãe, os advogados Lucas Gandolfe e Márcio Baldo conversaram com o jornal. Questionados sobre o motivo de a mãe ter aceitado expor o caso em audiência pública, disseram que a mulher "não tinha experiência" para administrar a situação. Os advogados afirmam que já protocolaram no Fórum uma ação judicial com pedido de busca e apreensão da adolescente para que ela retorne à casa da família.Sobre as denúncias apontadas pela mãe sobre a escola, a vereadora Iara Bernardi e a CUT, eles disseram que "a doutrinação da filha teria ocorrido por um determinado segmento político, não necessariamente em um espaço físico". "Existem fotos juntadas nos autos, por exemplo, em sindicatos, em reuniões em residências e em grupos e espaços abertos ao público. Os partidos políticos não foram especificados nos autos, em tese seriam de uma corrente ideológica mais à esquerda", disse Lucas Gandolfe.Os dois negaram que a filha tenha saído de casa por conta de desentendimento com a mãe, devido à não aceitação do namorado da adolescente. Lucas Gandolfe disse que o relacionamento entre elas era "excelente". "Inclusive existem declarações de afeto da própria filha à mãe nas redes sociais e isso também está no processo para provarmos que a relação era excelente, era maravilhosa até meados deste ano. Esses fatos aconteceram há poucos meses e foi apenas um ponto fora da curva no relacionamento familiar, e já está sendo solucionado", declarou. Segundo o advogado, a mãe está provando que o poder familiar é dela e que a afetividade, o amor e os laços familiares "sempre foram excelentes".
"São só palavras"No dia 24 de setembro (portanto, antes da audiência na Câmara), a filha fez uma postagem pública em sua página no Facebook, na qual relatou parte do drama familiar que ela estaria vivendo. Em um trecho, escreveu: "Boa noite ai para todos, seguinte... realmente é um drama, uma confusão em copo d"água. Acho que você se esqueceu de citar que: os que "estão" do seu lado são os mesmos que mandaram você me trancar em casa, que de certa forma ordenaram para me bater e me manter em cárcere. Como dito -- a justiça divina não falha --. Ameaças houveram de outras partes, tentativas de jogar o carro em cima do meu namorado e mensagens o xingando e dizendo que o iria matar também."Questionados sobre as acusações, os advogados da mãe negaram os fatos narrados pela filha na rede social. Márcio Baldo disse que as acusações feitas pela adolescente contra a mãe "são só palavras" e que ainda não existe comprovação de que os fatos ocorreram. "A menina, pela idade que ela se encontra hoje, ela é absolutamente incapaz aos olhos da legislação. A criança é incapaz, então, os pais são os responsáveis, por isso chave no portão. E foi exatamente por conta dessa liberdade que ela teve que ela se envolveu com a política e que aconteceu tudo isso", afirma o advogado.A adolescente também tinha publicado em sua página no Facebook um vídeo, no qual afirmou que tudo o que a mãe tinha dito na audiência pública era mentira. Porém, o vídeo foi apagado da página dela no início da semana passada, assim como fotos de protestos de esquerda contra o governo federal, e várias postagens também direcionadas a partidos de esquerda.Já na página do Facebook da mãe, constam postagens contra a chamada "ideologia de gênero", contra partidos de esquerda de modo geral, a favor do projeto "escola sem partido", a favor do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) como possível candidato a presidente em 2018, além de postagens sobre Direita São Paulo e Direita Sorocaba.
Drama familiar já era acompanhado pelo Conselho Tutelar O fato da adolescente de 15 anos ter deixado a casa da mãe supostamente por conta do namoro com um colega de escola já era de conhecimento do Conselho Tutelar de Sorocaba antes mesmo da audiência na Câmara ter tornado o caso público, no dia 9 de outubro deste ano. Segundo nota enviada ao Cruzeiro do Sul, o Conselho Tutelar teve conhecimento do caso no dia 5 de setembro, por meio de uma denúncia anônima. Portanto, mais de um mês antes do relato da mãe na audiência pública sobre o projeto de lei da "escola sem partido".De acordo com as informações do órgão, a denúncia anônima relatou que "a adolescente estava sofrendo agressões físicas e cárcere privado da genitora". Por conta disso, o Conselho Tutelar foi até a casa da família para apurar os fatos, onde foi constatado que "a família já estava sendo atendida pela Polícia Militar, juntamente com dois adolescentes", sendo um deles o rapaz L.D., de 17 anos, que seria namorado da jovem, e com quem ela supostamente estava morando quando saiu da casa da mãe.O órgão afirma ainda que no mesmo dia conversou com a adolescente, ainda na casa da mãe, e que ela negou as agressões físicas e o cárcere privado. "Toda a situação narrada foi acerca de conflitos familiares, face a proibição da genitora em relação ao namoro da filha" com L. "Face a ausência de violação de direitos, o Conselho Tutelar deixou o local, somente orientando a mãe que fizesse boletim de ocorrência na polícia contra possíveis agressões sofridas pelo marido supostamente praticadas pelo namorado da filha", diz nota do órgão.Ainda segundo o Conselho Tutelar, alguns dias depois, a mãe ligou e informou ao órgão que a filha tinha saído de casa, sendo orientada a procurar um advogado e ingressar com ação de busca e apreensão da jovem, o que foi feito pela genitora por meio de dois advogados, sendo que o processo tramita em segredo de Justiça.
"Em casa de parentes"O adolescente L.D. disse ao Cruzeiro do Sul que é legalmente emancipado e negou que atualmente esteja namorando a garota. Ele não quis ser entrevistado sobre o caso, mas confirmou que namorou a jovem, porém o relacionamento já acabou. L.D. também afirmou que a jovem não foi morar com ele e que ela estaria na casa de parentes, mas não informou o endereço.Ele disse ainda que não estuda mais na Ossis Salvestrini Mendes, mesma escola em que o adolescente estuda, e onde era presidente do grêmio estudantil. Afirmou ser coordenador de um movimento social intitulado Núcleo de Comando Estudantil (NCE), que ele afirma não ter vínculos partidários. Disse também que já foi filiado ao PT, mas que atualmente não era mais filiado ao partido. L.D. participou no ano passado do movimento estudantil que promoveu ocupações de escolas estaduais em Sorocaba, como na própria Ossis Salvestrini Mendes. Ele ainda mantém fotos da ocupação escolar em seu Facebook, e de participações dele em protestos contra o governo do presidente Michel Temer (PMDB).Na última quarta-feira (25), na página do Facebook do rapaz, foi publicada uma nota oficial do NCE, em que o movimento social fala sobre sua relação com partidos políticos. Um trecho da nota diz: "O NCE vem a público declarar que não há vínculo institucional da nossa entidade -- em si mesma -- com partidos políticos, e se havia em algum momento, agora não há mais."
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]