1º fonte/1º registro -
Autor: João Ribeiro
Título: História do Brasil, 1914. João Ribeiro
Data: 1914Depois chegaram às cabeceiras do Rio dos Patos,onde acharam canoas de cascas em que desceram oito diassaindo numa bela baía donde viram o mar. Aí encontraram os índios Carijós, que depois de uma derrota pediramo auxílio dos portugueses de São Vicente que, vindo sob ocomando de Martim de Sá, capturaram outra vez o fujãoKnivet.Num capítulo, tratando especialmente dos índios, quevêm no original inglês e falta na tradução publicada pelo Instituto Histórico (por ter sido omitido na tradução holandesa, donde esta foi tirada), Knivet dá mais algumasinformações sobre essa expedição.Sem precisar a data, diz que teve lugar uns cinco ou seis anos depois de sua captura pelos portugueses do Rio de Janeiro, e que esteve nove meses no sertão com Martim de Sá e onze meses entre os índios. Além de Paraeua se encontram os índios Molopaque, que empregam ouro nas suas linhas de pescar no Rio Pará, oitenta léguas adiante do Rio Paraeua, sendo o metal encontrado na terra preta chamada Taiaquara, de uma montanha seca chamada Etepararange. Na aldeia, na margem do Rio Iawary, donde Martim de Sá voltou, foram encontradas pepitas de ouro, pedaços de cristal e pedras coloridas de azul. Na viagem no sertão, depois da volta da expedição,Knivet e os seus companheiros passaram muitas montanhas, onde encontraram tanto ouro que se convenceram que estavam na província do Peru e na vizinhança de Cusco. Depois de dois meses, chegaram à grande montanha de cristal onde se deu o incidente da passagem do rio encanado e o encontro com os Tamoios. A marcha para o mar com estes foi através da província de Tucumã, que é toda arenosa. Depois depassada esta região chegaram a um grande rio que corre deTucumã para o Chile, onde se ocuparam durante quatrodias em fazer canoas, por estar o rio cheio de jacarés.No outro lado do rio havia uma montanha chamada “de todos os metais” que tinha sido visitada por espanhóis e portugueses e onde Pedro de Charamento tinha fincado uma grande cruz com o nome do rei da Espanha que Knivet substituiu pelo da Rainha da Inglaterra. Aí também havia uma pequena igreja com imagens. Julgaram estar em território espanhol do Rio da Prata e daí tomaram caminho para o mar. [Páginas 168, 169, 170 e 171] [
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2º fonte/1º registro -
Autor: Ana Aparecida Villanueva Rodrigues
Título: OS MARCOS GEOGRÁFICOS COMO REFERÊNCIAS NA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO PAULISTA. O caso do morro do Lopo e os núcleos urbanos no “Caminho de Atibaia”, no século XVII. Ana Villanueva (data da consulta)
Data: 01/03/2024Os índios guarulhos chamavam este local de “ty-baia”, que significava “manancial saudável”. Existem outros registros de índios no local, conforme explica Cassalho, descrevendo a história do pirata inglês Antonio Knivet, que esteve na aldeia dos Tamoios em aproximadamente 1598, nas imediações ou confluência do Rio Jaguari com o rio do Peixe (maior afluente da margem esquerda do Jaguari), próximo ao local onde hoje está Igaratá.
Knivet fazia parte da expedição do famoso pirata Cavendish, e escreveu a história de sua viagem que foi publicada em inglês no início do século XVIII. Foi náufrago e prisioneiro de Salvador Correa de Sá. Antonio Knivet integrou a bandeira de Martim de Sá, saindo do Rio de Janeiro em 1597, passando por Parati, Ubatuba, até o planalto. Ficaram aproximadamente um mês nas proximidades de São José dos Campos.
A situação era de fome, pois nas aldeias só havia batata, e já haviam morrido 180 homens. A desordem e a indisciplina completaram o desastre. Nas margens do Jaguary dispersou-se a expedição e por outros trilhos começou a viagem de regresso. Antonio Knivet relatou sua viagem dizendo que desceu por uma semana o rio Jaguari com bandeirantes que procuravam seus inimigos Tamoios. A partir daí caminharam rumo sudoeste:
(...) fomos ter a uma montanha grande e selvagem e chegamos a um lugar cujo solo seco e de uma cor escura, crespo de colinas e penhascos, onde vários ribeiros tinham ai suas origens.A montanha era o morro do Lopo e, conforme Teodoro Sampaio, o rio seria o Guaripocaba de Bragança Paulista.
[Página 10]Nos relatos de Knivet, este diz que permaneceu entre os canibais tamoios por um ano e onze meses, e ficou vivo porque os índios acreditavam que ele era francês. Como os tamoios eram aliados dos franceses contra os portugueses, devoraram apenas os bandeirantes. Além disso, Knivet ajudou os tamoios contra a tribo dos temiminós.
Na região entre Camanducaia, Itapeva, Extrema, Joanópolis, Vargem, Piracaia, Bom Jesus, Nazaré, Igaratá, São José dos Campos e região, peregrinavam então os índios Tamoios, Temiminós e os Tupiniquins. [
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