Água milagrosa, valsa e cantoria no cemitério de Sorocaba 22 de outubro de 1929, terça-feira
Foi publicado no jornal Diário da Manhã, do Ceara, que, em 1929, um boato curioso se espalhou rapidamente por Sorocaba: vozes entoavam canções e hinos ao som de instrumentos maviosos. E nas profundezas da noite, ecoava pelos campos o mistérios daqueles ritmos que empolgavam os defuntos, fazendo-os sair de seus jazigos para, em danças vertiginosas, celebrarem num sabbath encantado, ritos estranhos e cerimônias arcanas. Há tempos atrás, no mesmo cemitério, repentinamente, surgira uma fonte milagrosa no tumulo de, uma pessoa, que em vida fora extremamente boa. E a água que brotava da pedra nua e fria curava todas as enfermidades dos olhos, desde que o crente tivesse fé em Deus e cultivasse a memória da santa pessoa, cujos restos mortais ali se encontravam sepultados. O segundo fenômeno mais misterioso, impressionou profundamente toda a cidade. Alguns pessoas descrentes ou ousadas foram até o cemitério, e fora, do circulo de pedra que encerra os túmulos, esperaram com a noite toda os sons encantados. De repente passaram a ouvir uma rhapsodia arcana, uma dança macra, estavam todos atentos, quando, de repente, uma voz vibrante, em falsete, canta a valsa "Ramona". A maioria das pessoas fugiu rapidamente. De fato, a valsa Ramona, cantada no cemitério depois da meio noite, não era muito tranquilizadora para as pessoas supersticiosas. Outros tiveram coragem de enfrentar o mistério e penetraram no cemitério. Na noite tenebrosa, aconteceu então, um fato estranho que os fez gelar de horror. Mal haviam entrado no cemitério, caminhando sobre os túmulos, começou a cair uma verdadeira chuva de flores e coroas, Esses corajosos não conseguiram resistir e fugiram dominados pelo pavor. No dia seguinte, na cidade não se falava outra coisa. Iniciou-se uma formidável romaria e o povo aglomerou-se nas imediações do cemitério. A polícia resolveu então agir e, depois de varias pesquisas conseguiu efetuar a prisão de Os Os indivíduos que simulavam a voz feminina para cantar a vala Ramona, durante a noite, assim procediam em consequência de uma aposta, cujo motivo era mostrar coragem. Verificando o sucesso da extravagante ideia, comentada por toda a cidade como sendo um fenômeno, continuaram agindo, atraindo para o cemitério grande parte dos habitantes. Os implicados no fato prestaram contas as autoridades. Fonte: Diário da Manhã (CE) facebook. com/sorocaba24hrs/ DATA:22/10/1929 https://brasilbook.com.br/imagensx/6858
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