Wildcard SSL Certificates
www.brasilbook.com.br
                  



Apoio o comércio local
Adm Pocoyo
   
  Comentar  Meu álbum
Assassinato de Rudolf Dafferner: Nazismo, homossexualismo ou policial corrupto?
30 de janeiro de 1973, terça-feira
•  Imagens (4)
  
  
Foram cinco dias de angustia e terror para a família de Rudolf Daffferner, desde que o industrial paulista desaparecera em seu próprio carro, um Dodge Dart com o qual se dirigia para Sorocaba, a fim de fazer pagamentos de sua firma.

Além da polícia, que estava de sobreaviso, somente o telefone representava uma esperança: qualquer chamada provocava medo, pois através dele poderia vir a notícia fatal, ou a alegria.

Da hábitos simples, com 54 anos de idade, conduta rigorosamente normal, muito bem casado, Rudolf Dafferner desaparecera misteriosamente na terça-feira, dia 30 de janeiro.

Abasteceu o seu carro num posto da capital e seguiu para o interior do estado, levando cheques nominais no valor de 15 mil cruzeiros e alguns trocados para pequenas despesas.

Sua empresa gráfica, a Catu Limitada, tinha a aberto recentemente uma filial em Sorocaba e isso exigia do diretor -técnico da firma uma série de viagens. Naquele dia, Rudolf tomou a Rodovia Castelo Branco, mas não chegou em Sorocaba. Horas mais tarde, enquanto a sua família dava queixa no 12o. distrito, funcionários da Catu percorriam a rodovia, tentando localizar o carro enguiçado em algum trecho, ou mesmo tombado em algum principio.

Os rádios e jornais noticiaram o desaparecimento e um interminável plantão policial se estabeleceu pois recentemente um outro empresário paulista desaparecera em condições semelhantes, até que fora encontrado morto, à beira de uma estrada.

Naquela primeira noite, o telefone tocou duas vezes, e por duas vezes ninguém falou do outro lado da linha. No dia seguinte, a hipótese do sequestro oi levantada. Mas queria teria interesse em cobrar uma alta quantia pela vida de Rudolf?

"Meu poi sempre foi apolítico", explicava Ralf, o filho mais velho. "Nunca teve nenhum problema desse tipo. Alguns insinuam que possa ter sido qualquer ligação com o nazismo, mas ele vive desde os 7 anos aqui em São Paulo, é naturalizado, nunca se envolveu em causa partidárias. "

Com o passar do tempo, outra hipótese, esta mais romântica, foi levantada: talvez o industrial tivesse se desiludido da vida metódica que levava e tivesse dado uma de adolescente, saindo de casa sem aviso prévio.

Mas seu irmão, Walter, presidente da firma, garantia que não havia ninguém mais fiel à esposa e ao lar do que Rudolf. "Além disso vivíamos uma fase de grande prosperidade e Rudolf estava satisfeitíssimo, tanto em casa como no trabalho". Dizia o irmão.

Os cem quilômetros que separam a capital de Sorocaba foram vasculhados pela polícia, parentes e funcionários da empresa. O passado de Rudolf foi meticulosamente esmiuçado pelas autoridades, com finalidade de desvendar o mistério.

Todos tinham presente o recente massacre do industrial Amante Neto, e temia-se que Rudolf tivesse um fim igual embora por motivos diferentes. "Nunca aconteceu nada de anormal em nossa firma. " Explica Walter. "Impossível pensar em alguma vingança de funcionários. Rudolf ia duas vezes por semana a Sorocaba, sempre em serviço. Nas viagens que fazia nunca parava nem dava caronas para estranhos, com exceção de soldados da Polícia Militar".

Na quinta-feira, a mulher do industrial estava dopada de tanto tranquilizante que lhe receitavam. Ela entrava em crise nervosa que lhe lembravam a mania de Rudolf em dar carona a soldados.

Um vizinho lembrava a também recente história do líder sindical que fora assassinado por três soldados da PM e cujo corpo foi jogado numa represa da Light. Por coincidência, este caso ocorrera nas proximidades de Sorocaba e a polícia só descobriu o crime muitos dias depois do sumiço da vítima.

Na sexta-feira, correu um boato de que um telefonema exigia 500 mil cruzeiros pelo resgate do industrial. Apesar dos esforços da família e da polícia, não houve confirmação do fato. No sábado, o desespero tomou conta de todos.

Os parentes pensaram em alugar um helicóptero para sobrevoar a Rodovia Castelo Branco. Helmut, um dos filhos, teve um desabafo:"Agora não adianta mais nada!Temos que esperar que os urubus comecem a rondar um trecho, para podermos descobrir o corpo".

Na madrugada do domingo, foi noticiado que o Dodge Dar e um suspeito tinham sido localizados na cidadezinha de Urânia, perto da divisa com o Mato Grosso. Inicialmente, a família não acreditou na notícia.

Mesmo assim, anotaram o nome do sequestrador, o cabo Marco Antônio Marques, e consultaram o departamento pessoal da firma para saber se algum ex-funcionário da Catu Limitada tinha esse nome.

Mas a polícia tinha a presa em mãos. Levado para São Paulo, Marco Antônio foi severamente interrogado pelo próprio secretário de Segurança, o General Sérvulo da Mota Lima.

À tarde do mesmo dia, domingo, uma notícia liquidou com todas as esperanças da família Dafferner: o corpo de Rudolf fora localizado num matagal situado no km 111 da Rodovia Castelo Branco.

O crime ocorrera na própria terça-feira e o cadáver já estava em decomposição. Enquanto a polícia removia o cadáver para a capital, a família foi assaltada por diversas versões que procuravam explicar a morte de Rudolf, e a forma pela qual fora massacrado.

A polícia mantinha reservas a respeito, na esperança de poder descobrir se havia outros implicados no crime. Entre as versões que surgiram, sobretudo, revoltou os familiares de Rudolf: a do homossexualismo da vítima. A história, falsa ou não, teria sido contada pelo próprio assassino:

"Durante todo o trajeto, depois que me deu carona, Rudolf começou a fazer perguntas sobre assuntos pessoais e me convidou para um encontro assim que tivesse resolvido os seus problemas em Sorocaba. Aproveitando esse tipo de conversa, sugeri que ele entrasse no matagal. Rudolf recusou-se a me pagar e por isso eu o matei".

Assim que cometeu o crime, Marco Antônio Marques confessou ter disparado três tiros contra o industrial, ele tomou o volante do carro e dirigiu-se para Urânia, cidade onde vivera a sua infância.

Desfilava tranquilamente com o Dodge Dart, comunicando aos mais conhecidos que estava rico, trabalhando como cobrador de duplicatas nas horas vagas. Até que a notícia do desaparecimento do industrial chegou a Urânia. Um sargento do destacamento local leu a história do Dodge Dar e suspeitou do cabo. Quando foi conferir a placa, levou um susto.

"Prendi Marco Antônio e avisei a capital. Fui depois ao hotel onde ele estava hospedado e facilmente descobri os dois cheques de 15 mil cruzeiros". Sentindo-se perdido o policial assassino adotou a tática do despistamento, contando diversas versões para embaralhar o caso. Apesar de interrogado severamente, ele se recusava a indicar o local do crime. Até que, cansado, resolveu colaborar com as autoridades. Viajando de heliopático, conseguiu localizar o matagal onde, logo em seguida, foi encontrado o corpo de Rudolf.

A mulher da vítima, ainda com alguma esperança, levantou a hipótese: estando em decomposição, talvez o corpo fosse um outro. Mesmo assim, apesar do estado do cadáver, os filhos de Rudolf puderam reconhecer o pai: inclusive, os óculos ainda estavam no rosto comido pelos vermes.

Dentro de seus hábitos inflexíveis, de sua vida metódica, assentada em valores estabelecidos, o industrial cometera um erro que lhe foi fatal: não dava caronas a estranhos, confiando apenas em quem tivesse uma farda.

E naquele dia, 30 de janeiro de 1973, deu carona a um homem fardado.

facebook. com/ sorocaba24hrs/ posts/
0 fontes

lentemp:4-3-122

1973, há 53 anos...
    Registros  (95)
    Imagens  (122)
    Pessoas  (39)
  Temas   (68)
Direto ao ano:
..  



TOPO

  História  (33054)
  Cidades  (713)
   Imagens  (14157)
  Pessoas  (10468)
  Temas  (1478)
Direto ao ano:





TEstando
        
        
Criado por Adriano César Koboyama