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Incêndio destruiu Picasso, Portinari, Matisse...
8 de julho de 1978, sábado
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Inaugurado em 1958, o Museu de Arte Moderna oferecia um acervo de mais de mil peças, que se destruiu em quase 90%, e ainda recebia algumas exposições itinerantes quando da tragédia, como “Arte Agora”, trazendo cerca de 25 artistas latino-americanos.

Entre eles, 80 telas do artista uruguaio Torres Garcia – todas destruídas, desaparecendo assim quase que integralmente todo o trabalho da vida do artista. No acervo, obras dos maiores nomes da história da arte moderna, como Matisse, Dalí, Picasso, Miró, Klee, Magritte e Portinari, além de centenas de obras de outros artistas brasileiros.

Tudo virou cinza e brasa – assim como também desapareceria no fogo o prestigiou do Brasil por algumas décadas no cenário internacional de arte. O museu só seria reaberto em 1982.

Segundo relatos testemunhais da época, o incêndio propriamente começou às 3h40, e durou cerca de duas horas e meia, sendo controlado pelos bombeiros. Não houve vitimas, e a estrutura do incrível prédio projetado por Affonso Eduardo Reidy não sofreu abalos significativos – o local foi liberado pela manhã do dia 9.

Acontece que, assim como o Museu Nacional era um dos maiores centros de pesquisa e formação científica do mundo, o MAM também se afirmava como um dos mais importantes centros de formação e difusão de arte e cultura do país, e a perda na época de tal local e principalmente de tal acervo não poderia ser contornada por qualquer compensação financeira ou seguro.

O fogo teria começado na sala onde o grupo chileno “Águas” havia feito uma apresentação, e se alastrado rapidamente por conta do vento para o corredor e, em seguida, para o piso superior.

No terceiro andar, as salas de administração e a biblioteca do museu foram atingidas em seguida, para depois queimarem o cinema, o arquivo e ainda outras salas menores. Assim como hoje, à época rapidamente as explicações e acusações para justificar o ocorrido se proliferaram para todos os lados: o dinheiro era escasso, a administração seria amadora, o descaso era total.

Estimou-se à época que a coleção destruída valia em torno de 10 a 15 milhões de dólares, e os danos no prédio foram avaliados em 7, 5 milhões de dólares – valor que hoje, numa correção simples, se aproximaria dos 100 milhões de dólares no total.

Trata-se, porém, de uma estimativa fria, e que não leva em conta o inestimável valor simbólico, histórico e memorial, esses perdidos para sempre. Algumas esculturas e cerca de 50 pinturas puderam ser recuperadas do incêndio, mas o MAM precisou praticamente se reinventar do zero para seguir existindo.
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