História geral do Brazil antes da sua separação e independência de Portugal, 1877 1877
“Chega o momento de cumprirmos a promessa que demos ao leitor de consagrarmos uma secção especial à história dos grandes progressos da mineração de ferro no Brazil, durante o reinado. Apesar da justificável impaciência que tínhamos em executar o promettido, não quizemos alterar a ordem natural dos successos, e aguardamos resignados que se nos apresentasse o turno, como effectivamente ora se nos apresenta”. VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. Historia Geral do Brazil antes da sua separação e independência dePortugal. Tomo segundo. 2ª ed. Rio de Janeiro: E&H Laemmert, 1877, p. 1153. Por morte de Manuel Telles Barreto, recaiu o governo emmãos do bispo D. Antônio Barreiros, associado ao provedormor da Fazenda Christovam de Barros, que já, com o titulode capitão, governara o Rio de Janeiro, e era filho do primitivo donatário do Ceará, depois primeiro provedor mór daFazenda do Estado, o mallogrado Antônio Cardozo de Barros, morto ás mãos dos selvagens de Sergipe, em companhia doprimeiro bispo do Brazil D. Pedro Fernandes Sardinha. A estréa destes dois governadores interinos foi poucoafortunada. Acabava Christovam de Barros de assentar-seda cidade para o Reconcava, a fira de recolher esmolas para [p. 372] Era chefe ou morubixaba principal em todo esse districtoum índio nos documentos antigos designado por Mbapeva outambém Baepeba. Passou este chefe a postar-se, com a todaa sua gente, que se calculou chegar a uns vinte mil frécheiros, na Várzea de Vazabarrís, perto do littoral, e ahi se fortificouem três cercas ou tranqueiras que se prestavam mutua defensa. Avançaram contra ellas os nossos, entrincheirando-se igualmente por sua parte, e tomando-lhes a água de que bebiam, /roue custou várias escaramuças, com perda de uma e outraparte. Seguiram-se dois ataques dos nossos á primeira e se-. gunda das cercas, que não deram mais resultado do que novasperdas de gente de ambos os lados, maior porém da dos contrários, que não tinham artilheria. A final, vendo Baepebaque o sitio continuava apertado, e falto de água, resolveu-se aemprehender um ataque, effectuando, a um tempo, uma arrancadade todas as suas três cercas. Para transmittir as ordens ásduas outras cercas, escolheu vários emissários, que se exposeram a atravessar o campo pelos nossos occupado, e dois dellesconseguiram chegar a seu destino. Saíram pois os das duas outras cercas, como retirando-se, e queriam os nossos perseguil-os; mas Christovam de Barrosnão lh´o consentiu e mandou apenas contra elles os de cavallo, que eram em número de sessenta. Deste modo se apertoumais o sitio contra a única cerca restante, na qual estavaBaepeba. Este, vendo-se mais apertado, resolveu a abrir-secaminho a ferro e fogo; e assim o poz por obra, na noite dodia de Anno Bom (I o de janeiro) de 1590. — Tomados deSurpreza, retiraram-se os nossos a principio; mas animadospela presença e instâncias de Christovam de Barros, obrigaramos inimigos a recolher-se de novo á cerca. E, entrando nellaapoz elles, mataram uns mil e seiscentos, e fizeram captivosuns quatros mil, fugindo ainda muitos para o sertão. p)esassombrado assim todo o districto de inimigos, passouistovam de Barros a cuidar no melhor modo de o asseJprar e povoar. Junto á foz do próprio rio de Sergipe, actual"ftóudiba, sobre o isthmo que perto de mar fôrma ahi o de-´Sague do Poxim, levantou um forte, que ainda annos depoiserajjreeonhecido com o nome de forte velho, e junto a elle fundou um verdadeiro arraial, a que ja deu o nome de cidade. De modo que da „fortaleza e cidade de S. Christovam do riode Sergipe" datou várias sesmarias, começando pela, antesdoação, que, em 9 de abril (de 1590), fez a seu filho AntônioCardozo de Barros (para não dizer a si próprio) „de todasas terras desde o mesmo rio até o de S. Francisco". — E, depois de haver distribuído outras terras, deixando ahi porcapitão a Thomé da Rocha ´, dos que o ajudaram na empreza, e incumbindo a Rodrigo Martins de perseguir o gentio, quese havia escapado para a banda do norte do mesmo rio deS. Francisco, se recolheu á Bahia. Os pastos de Sergipe eram de bastante boa qualidade, eos moradores começaram logo a metter gado nelles; e, comtanta fortuna, que dahi a poucos annos, esta nova capitaniaabastecia de bois os engenhos da Bahia e até os de Pernambuco. Os primeiros moradores não se deram entretanto muitobem no local escolhido pelo fundador da colônia, e preferirampassar-se a um outeiro na outra margem2, fazendo ahi novafortaleza, e levantando a igreja matriz, com a invocação também de S. Christovam, como a primeira, que, em honra dodito fundador, Christovam de Barros, deram igualmente ánova cidade. Como as terras ao norte do rio de S. Francisco eram dePernambuco, não tardaram em oppor-se a Rodrigo Martinsuns chefes de bandeira, que se diziam autorisados )elo donatário dessa capitania. Foi um delles Francisco Barboza daSilva, que, proseguindo nas emprezas em que andava contraos índios, e em que fora já uma vez desbaratado, veiu nellasa perder a vida. Succedeu-lhe Christovam da Rocha, que [p. 377, DATA:01/01/18770 fontes
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