TESTE
*Tiros 1554, sexta-feira
COMO LOGO DEPOIS DETEREM FEITO PRESENTE DE MIM UM OUTRO NAVIOCHEGOU DA FRANÇA, CHAMADO KATHARINA DE VATTAUILLA, o QUAL POR PROVIDENCIA DE DEUS COMPROU-ME ICOMO ISSO ACONTECEU. CAPUT 52 Tendo estado mais ou menos quatorze dias no logarTackwara sutibi, em casa do rei Abbati Bossange, aconteceu — ioo, —um dia que alguns selvagens se dirigiram a mim e disseramque tinham ouvido tiros, o que devia ter sido em Iteronne, cujo porto também elles chamam Rio de Jennero. Como euentendi que um navio lá estava, pedi a elles que me levassempara lá, porque era de certo o do meu irmão. Disseram-me quesim, porém me detiveram ainda por alguns dias. Emquanto isso, aconteceu que os francezes, que tinhamvindo, ouviram fallar (pie eu estava entre os selvagens. O capitão mandou duas pessoas do navio em companhia de seis dosselvagens, que eram seus amigos no logar, as quaes chegarai, a uma cabana, cujo rei se chamava Sowarasií, perto das cabanas onde eu estava. Os selvagens me vieram dizer que duaspessoas tinham desembarcado do navio. Fiquei alegre e fui tercom ellas e lhes dei as boas vindas, na lingua dos selvagens. Vendo-me tão desgraçado, tiveram pena de mim e repartiramsuas roupas commigo. Perguntei-lhes porque tinham vindo. Responderam que por minha causa; tinham recebido ordem deme levar para o navio e estavam dispostos a usar de todos osmeios para isso. Então meu coração se alegrou reconhecendo aclemência de Deus. E elidisse a um dos dous, que se chamavaPerot e sabia a lingua dos selvagens, que elle devia declarar(pie era meu irmão e tinha trazido para mim uns caixões, cheios de mercadorias, e que elles me levassem a bordo parabuscar os caixões; e que accrescentasse que eu queria ficarainda com elles para colher pimenta e outras cousas mais, até que o navio voltasse no anno seguinte. Depois desta conversa, levaram-me para o navio, e meu senhor também foi commigo. No navio todos tiveram pena de mim em e trataram muito bem. Depois de estarmos uns cinco dias a bordo, perguntou-me o rei dos selvagens, Abbati Bossange, ao qual eu tinhasido dado, onde estavam os caixões, para me darem e podermos logo voltar para a terra. Contei isso mesmo ao commandante do navio. Este me ordenou que eu os fosse entretendoaté que o navio estivesse com toda a carga, para que senã ozangassem ou fizessem algum mal quando vissem que ellesme conservaram no navio, ou não tramassem qualquer traição; — 110 —tanto mais que tal gente não e de confiança. Porem meu senhorinsistiu em levar-me comsigo para a terra. Eu, porem, o entretive com a minha prosa e disse que não tivesse tanta pi essa;que elle bem sabia que quando bons amigos se reúnem não podem separar-se tão cedo; mas que quando o navio tivesse departir, havíamos de voltar para a sua casa; e assim o detive. Finalmente, quando o navio esteve prompto, reuniram-se osfrancezes todos do navio; eu estava com elles e o meu senhor, o rei, com os que tinha levado, também lá estava. 0capitão do navio mandou então seu interprete dizer aos selvagens que (-lie estava contente de me não terem morto depoisde terem-me tirado do poder de seus inimigos. Mandou dizermais (para com mais facilidade me livrar delles) que tinha mandado chamar-me para o navio, porque queria lhes dar algunspresentes por terem-me tratado tão bem. Egualmente erasua intenção persuadir-me que eu devia ficar entre elles porestar familiar com elles, e para colher pimenta e outrasmercadorias, para quando o navio voltasse Unhamos então combinado que uns dez homens da tripolação, que de algum modo se pareciam commigo, se reunissem e declarassemque eram meus irmãos e que queriam-me levar comsigo. Communicou-se isso a elles e que os mesmos meus irmãos não queriam que eu fosse com os selvagens para a terra, ; mas quevoltasse para a nossa terra, porque o nosso pai queria vermemais uma vez antes de morrer. O capitão mandou dizer que elle era o superior no navioe queria muito que eu fosse com os selvagens outra vez para aterra; mas que elle estava só e meus irmãos eram muitos, peloque nada podia fazer contra elles. Estes pretextos todos foramdados para que não houvesse desaccordo com os selvagens. Eeu disse também ao meu senhor, o rei, que eu queria muitovoltar com elle, porém elle podia bem ver que os meus irmãos não me deixavam. Começou então o rei a clamara bordo que eu voltasse no primeiro navio, que elle me consideravaseu filho e que estava muito zangado com a gente de Uwattibi, que me queria devorar. E uma das mulheres do rei, que tinha vindo a bordo, ioi I I Ipor elle obrigada a gritar sobre mim, como é o costume delles, e eu gritei também, segundo o mesmo costume. Após isso ocapitão deu a todos algumas mercadorias, que podiam valeruns cinco ducados, em facas, machados, espelhos e pentes. Comisso partiram para as suas casas, em terra. Assim me livrou o todo poderoso Senhor, o Deus deAbrão, Isaac e Jacob, do poder dos tyrannos. A Elle sejamdados louvor, honra e gloria, por intermédio de Jesus Christo, seu amado filho, nosso Salvador. Amen. lentemp:2-1-0 TOPO
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