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1854
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Francisco Adolfo de Varnhagen
História geral do Brazil
1854, domingo
   
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70, 167, 172, 359, 360, 361, 362, 364 e 372

Francisco Adolfo de Varnhagen, "natural de Sorocaba, nascido em Ypanema", é chamado por alguns de "pai da História". Dentre as 559 páginas de sua monumental obra "História Geral do Brasil" existem apenas 5 menções a Sorocaba e 0 a Balthazar Fernandes.

O Sr. Varnhagen, na sua História do Brasil, diz o seguinte: "D. Francisco de Souza indo em 1610 á Biraçoiava (Ypanema), e vedo que não prosperava ali a vila que dez anos antes criara, ao mesmo tempo que espontaneamente se iam agrupando muitos moradores três léguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Beneditinos levantavam já um hospício, transferiu para alí o pelourinho, com ideias, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de São Felipe por gratidão ao soberano, que pouco antes o agraciara. [Diário de S. Paulo (SP) - 1865 a 1878, 06. 10. 1865. Página 2]

Martim Afonso não quis porém, limitar-se a fundar uma só vila. Á vista das informações que lhe deu João Ramalho assentou de reforçar esta contra qualquer tentativa de inimigo marítimo com outra povoação sertaneja, que ao mesmo tempo servisse de guarda avançada para as futuras conquistas da civilização. As duas vilas irmãs ficariam assim no caso de prestarem-se apoio uma á outra, segundo lhes viesse do mar ou da terra o inimigo, ao passo que a marítima requeria, ao mesmo tempo, socorros das naus do reino, a quem a seu turno socorreria.

De São Vicente para o interior a umas três léguas se levanta o continente, apresentando para o mar um paredão, em forma de serra, ás vezes elevada demais de dois mil pés. Decima manam várias riachos, dos quais um se despenha com tal fúria de longe que se vê branquejar a espuma de seus ferventes cachões. Chamavam-lhe os nativos de Itú-tinga ou cachoeira branca. As águas desses riachos, promiscuando-se com as salgadas do mar, recortam por tal forma em estreitos meandros todas as planícies debaixo que, vistas estas do alto ao longe, mais parecem marinhas de sal, que braços de mar ou de rios. - Á serra chamavam os nativos, como nós hoje, Paraná-piacaba, isto é, avistadora do mar: porque só o viam, até morrer no horizonte, quando aos cimos dela chegavam, cada vez que, em correrias, vinham á costa do sertão, onde preferiam fazer residência mais aturada. [Páginas 54 e 55]

Como sertanejo não adiantou Fernão Dias muito além dos terrenos já devassados; pois desde o princípio do século XVII havia bandeiras que chegaram ao Sabará. Em uma de setenta ou oitenta homens, empreendida por ordem de D. Francisco de Souza, havia até ido um tal de W. Glimmer, que disso nos deixou memória. [p. 68 e 69]

OUTROS SERTANEJOS. PASCHOAL PAES NO TOCANTINS. que chegavam ao Sabará. Em uma de setenta ou oitenta homens, emprehendida por ordem de D. Francisco de Souza, havia até ido um tal W. Glimmer, que disso nos deixou memória ¹. Ao muito caso feito dos devidos serviços de Fernão Dias Paes, attribuimos em grande parte os descobrimentos immediatos de outros Paulistas: Lourenço Castanho Taques e Manoel Pires de Linhares, chegaram com outras bandeiras a Minas ²: Manoel Pereira Sardinha encaminhou-se para os sertões de Iguape e Paranaguá ³. Paschoal Paes de Araujo que se dirigiu para Goyaz, chegou com sua bandeira guerreadora dos Indios em 1673 ás cabeceiras do Tocantins, onde veio a fallecer (elevado ja a mestre de campo), depois de ter sua chegada produsido grande sensação no Pará, cujo governador lhe fez intimações ácerca da jurisdicção do territorio que pisava, e nomeou para lhe fazer frente uma partida as ordens de um Francisco da Mota Falcão. O principe soberano escreveu, talvez a pedido do governador do Maranhão, a seguinte carta 4:« Cabo da tropa da gente de S. Paulo que vos achaes nas cabeceiras do Rio do Tocantins e Grão Pará : Eu o Principe vos envio muito saudar. Tem-se-me dado parte de que assistis nesse districto com vossa gente, havendo aberto estradas desse sitio á villa de S. Paulo. E sendo-me juntamente presente, de que entre a gente que ahi governaes, alguma della tem descoberto minas de ouro e outros mineraes, e drogas desse sertão; e porque o serviço de as descobrir seria de igual conveniencia para este Reino, como para os descobridores dellas, vos hei por muito recommendado aquellas; e examinareis a certeza desta noticia tão importante, e me aviseis logo, mandando dois homens da vossa companhia praticos ao Pará ou Maranhão, ou por São Paulo, ou por donde julgardes ser mais conveniente virem com mais brevidade a este reino, remettendo-me por elles todas as noticias com amostra de pedras d'estes mineraes, que tiverdes achado ou descobrirdes, como tambem as drogas desse sertão, como relação distincta do sitio, e altura em que assistis, e o terreno que occupaes com a vossa gente 5. »1 Marcgraf, 1648; liv. 8. º, cap. 2. º2 An. do Rio de Janeiro, II, 220 e 221. 3 Ibid, II, 222. Sobre Taques v. Rev. T. XVIII, 206. 4 Ibid, II, 218. 5 " Escripta em Lisboa a 26 de abril de 1674. — PRINCIPE. "[p. 69]VIAGEM POR CAMAPUAN. MINAS DO CUIABÁ. 167com seus escravos, pouco amigos de Bueno, e cançadosdos sertões, julgando que ja ali lhes ficava perto o Mara-nhão, arrojaram-se em duas canoas no rio chamado aindahoje do Maranhão, e deixando-se rodar com a corrente, fo-ram ter pelas aguas do Tocantins abaixo, ao Pará, no fim dequatro mezes e onze dias; havendo passado trabalhos quemelhor se podem imaginar que referir ¹. Chegando S. Paulo as noticias de Goyaz e os serviços deBartholomeu Bueno ², foi ahi mandado por provedor dasminas o sertanista Lourenço Leme, levando comsigo, coma patente de mestre de campo, seu irmão João Leme. A es-tes se deve a primeira tentativa da communicação fluvialentre Itú e o Cuiabá pelo isthmo de Camapuan, ainda hojefrequentada, apezar de quanto nella se rodeia. O primeirocaminho seguido era pelo Tieté e Pardo, e das cabeceirasd´este por terra até o Cuiabá, ou simplesmente até o Ita-quira ou Piaguy, donde em canôas iam ao S. Lourenço eCuiabá. Tambem seguiam alguns pelo Rio-Verde, e até peloIvinheima e Mondego, trajecto que, pelos ataques dos Indiose dos Castelhanos, foi prohibido pelo governador RodrigoCezar. A nomeação de Lourenço Leme e seu irmão não forambem recebidas na recente colonia de Mato Grosso, cujospovos se levantaram contra elles, e acclamaram guarda mórdas minas a Paschoal Moreira. Lourenço foi morto pelossublevados; e João Leme remettido prêso para S. Paulo: eha quem assevere, não sabemos se com fundamento, quetransferido á Bahia fôra ahi decapitado. Entretanto as minas de Cuiabá apresentavam pinta demaior riqueza que todas as até ali descobertas. Miguel Su-til, filho de Sorocaba, no sitio que se chamou Lavras doSutil, parece que apanhára em 1725 o ouro a punhados, oque sabido por Paschoal Moreira passou ali com os seus etiraram mais de quatrocentas arrobas de ouro. Tal foi aorigem da fundação do novo arrayal denominado do BomJesus. Informada a Côrte pelo governador de S. Paulo detanta riqueza, mandou ³ que elle passasse ao Cuiabá empessoa, o que Rodrigo Cezar executou, partindo de S. Paulo, ao mesmo tempo que mandava de novo para Goyaz a Bar-¹ Noticia dada pelo dito Alferes Peixoot ao P. Diogo Soares datada da Passage das Congonhas em 25 de Agosto 1754. — M. ² Off. do Gov. de 27 de Out. 1722. ³ C. R. de 31 Out. de 1725. [p. 167]

OUTRAS HOSTILIDADES. MINAS GERAES. PAGA DOS QUINTOS. haviam escapado da anterior expedição, seguiram uns e outros viagem pelo Pardo, Paraná e Tieté, cuja navegação, por fazer-se hoje em dia quasi da mesma forma ¹ que então, deixamos de descrever; basta que o leitor saiba que no Tieté ha que vencer a cada passo caxoeiras e itaipavas, e que nesse tempo havia ainda para mais o perigo das assaltadas do gentio. Para castigar os Indios, fez o capitão general de S. Paulo, conde de Sargedas, preparar em 1735 uma expedição ás ordens do sorocabano Gabriel Antunes Maciel. Outra em 1734 ás ordens do marechal de campo Manoel Rodrigues de Carvalho, caindo sobre os Payaguás, os derrotou, ficando prisioneiros perto de trezentos d´elles. Apezar d´esta victoria, tornou a frota do Cuiabá a ser accommettida em 1736 e annos seguintes, bem que geralmenti com vantagens dos nossos, sempre agora prevenidos. Em 1736 ficou morto o cabo Pedro de Moraes, o valeroso Antonio Nascentes, e se distinguiu muito o pardo Manoel Rodrigues, mais conhecido por Mandu-Açú (Mané-co-grande. )Foi por causa dos repetidos perigos de assaltadas que em 1739 a camara de S. Paulo requereu á Côrte a abertura de um caminho ao Cuiabá por terra. No districto das Minas Geraes os factos todos se referem a variações no modo de tributar o ouro para a Côroa e providencias analogas, e maior ou menor resistencia que a ellas apresentavam os povos. Havendo o governo, em virtude das representações dos povos (e acaso de um motim que chegou a estalar no Serro, e que o soberano amnistiou em 12 de dezembro de 1715) desistido do seu empenho de regular o tributo na razão de dez oitavas de ouro annuaes por cada bateia que fosse admittida a trabalhar; admittiu em 1714 o cobrar das camaras na totalidade trinta arrobas d´ouro por anno. — Em 1719 ² se ordenou o tributo por meio do quinto pago em casas de fundição que se manda-____________________¹ Entre os contemporaneos descrevem essa navegação o acima mencionado Secretario do Governo Gervasio Leite Rebello, Antonio Pires de Campos e Manoel de Barros. Ricardo Franco d´Almeida Serra escreveu tambem sua viagem do Cuiabá a Porto Feliz (Pizarro, T. 9. º, p. 65 a 79); porém quem melhor fez essa derrota desde Villa Bella a S. Paulo foi o Dr. Lacerda. Vej. seu Diar. imp. em S. Paulo em 1841. ² Decr. de 4 e Prov. de 8, 11 e 16 de fevereiro. [p. 172]MEN DE SÁ não teve por successor um governador geral:teve dois. Em 1575 resolveu a coroa dividir o Brazil emdois estados, criando um novo das capitanias do sul, coma sede na cidade de S. Sebastião (Rio de Janeiro), e continuando a cidade do Salvador (Bahia) como capital do estado do norte. Para o governo do ultimo foi escolhido o conselheiro Luizde Brito d´Almeida; e para o do sul o Dr. Antônio Salema, que como acabamos de referir estava de correição em Pernambuco, onde recebeu a noticia. Antes de passar adiante, cumpre dizer que em quanto oBrazil chorava a morte do seu terceiro governador, soffreua perda do segundo prelado da diocese, 1). Pedro Leilão. Ambos haviam favorecido o ascendente nos negócios públicos dos padres da Companhia de Jesus. O ultimo lheslegou a sua livraria. Convocou Leitão o primeiro synodobraziliense, ao qual só concorreram clérigos da Bahia—nenhum lettrado ou canonista. Entretanto neste synodo resolveram-se várias mudanças nas Constituições de Lisboa, até ali em vigor, e se ordenaram alguns dias santos, differenles dos adoptados no kalendario metropolitano.

Seguindo Salema para o seu destino, em fins do ditoanno de 1573, se juntou primeiro na cidade do Salvadorcom o seu par o governador Luiz de Brito, e ouvindo ambos o novo ouvidor geral Fernão da Silva e os padres daCompanhia, reconsideraram as disposições da lei ultima sobre a liberdade dos índios, em conformidade com as se- |EC. guintes determinações contidas n´uma carta regia a tal res -peito: "No que toca ao resgate dos escravos se deve ler tal moderação que não se impida de todo o dito resgate, pelanecessidade que as fazendas delles tem nem se permitiamresgates manifestamente injustos, e a devassidão que atéagora nisso houve. " [p. 272]

As conferências havidas sobre este assumpto produziramo accordo de 6 de Janeiro, com os dez artigos que passamos a resumir. O primeiro prohibia os resgates de géhteentre os índios mansos ou de pazes. Pelo segundo se excepluaram da prohibição os índios que depois de aldeadosse fossem para o mato, e andassem ausentes por mais deum anno. Limitava o terceiro a escravidão dos índios aosaprisionados em guerra manifestamente licita, e aos que, estando captivos de outro gentio, e com mais de vinte eum annos de idade, preferissem o captiveiro dos nossos. Pelo quarto se declararam defesos os resgates feitos semlicença dos governadores ou dos capitães; sendo incumbidos do exame delles os provedores, e mais dois indivíduos, eleitos em câmara no principio de cada anno. Dispoz-se pelo quinto que as pessoas vindas com os índiosde resgate, quer por mar, quer por terra, se apresentassemna respectiva alfândega antes de haver feito escala oucommunicado com alguém. Recommendou-se pelo sextoque os índios do resgate, nesta conformidade registados, que fugissem, seriam a todo tempo entregues a seus primeiros senhores, mediante a propina de mil reis, e a indemnisação das despezas. Pelo sétimo os índios resgatadosde que não houvesse registos declaravam-se forros. Pelooilavo se fixou que fossem consideradas guerras justas asque os governadores fizessem conforme seus regimentos, ou as que occasionalraente se vissem obrigados a fazer oscapitães, com voto dos officiaes da Câmara e outras pessoas de experiência, dos padres da Companhia, do vigárioda terra, e do provedor da Fazenda, de cuja resolução sedevia lavrar auto. O nono declarou forros os índios que oscapitães tomassem sem esla ultima cláusula, e as penas quesoffreriam, tanto elles capitães, como outros quaesquer indivíduos que fossem contra o que ora se deliberava. Mandou finalmente o décimo que os delinqüentes, sendo piões, fossem açoutados em publico, com baraço e pregão, e pagassem quarenta cruzados de multa; e sendo de maior qualidade, além da dita pena em dinheiro, fossem condemnados a dois annos de degredo; isto afóra as outras penas em que pudessem incorrer, segundo as ordenações, leis e regimentos do Reino.

Approvadas por todos estas disposições, seguiu Antonio Salema a tomar conta do governo do sul, que exerceu, bem como Luiz de Brito o do norte, durante quatro annos. — Ambos os governadores se distinguiram pelo empenho com que procuraram promover a exploração do paiz e afastar para mais longe a extremadura que separava a civilisação da barbarie. — As disposições supramencionadas a respeito dos Indios vinham favorecer a realisação desse empenho; por quanto os colonos se prestavam agora mui voluntariamente para todas as conquistas, como o mais seguro meio de adquirir as melhores terras e os braços para as beneficiar.

De Luiz de Brito duas são as emprezas guerreiras que nos cumpre historiar. A mais importante, e tambem por ordem chronologica a primeira, foi a do ataque e reducção do gentio das terras do Rio Real, ao norte da Bahia; com o que deixou prevenida a formação da capitania, depois chamada de Sergipe, nome do rio em que foi assentada a povoação, e que o recebera em virtude de ahi residir o morubixaba Sirigy (Ferrão de Serî), o qual, com outro chefe por nome Apiripé, agora se rendia a Luiz de Brito; havendo Suruby, outro principal do mesmo districto, caido no campo morto de uma balla. — Esta conquista fôra primeiro intentada pelo poderoso proprietario Garcia d´Avila, cujos campos de criar se extendiam para essas bandas do norte. Luiz de Brito vendo por um lado a Garcia d´Avila sem forças sufficientes, e por outro muitas vantagens que o Estado poderia tirar da occupação desse territorio tão abundante de páo-brazil, o qual cortado em dominios da Coroa não ficaria sujeito como em Pernambuco ao tributo da redizima aos donatarios, decidiu-se á empreza e a levou ávante com muita felicidade. A segunda aventura guerreira do mesmo de Luiz de Brito foi a de uma nova tentativa, semelhante a esta do Rio Real, sobre o Continente e em terras por prescripção ja tambem da Coroa, para o norte da ilha de Itamaracá. [p. 274]

E´ de saber que o districto fronteiro a esta ilha, que atéentão, em virtude da própria fertilidade das bordas do seucanal e dos rios que a elle vem desaguar, atlrahia continuamente bandoriasde índios indomitos, começava a prosperar, havendo nas immediações vários engenhos de assucar, cujos senhores se arriscavam aos perigos inherentes ávisinhança dos Bárbaros, em troco das muitas outras vantagens que tiravam, estabelecendo-se em uma das paragensmais férteis e mais bellas do littoral brazileiro ; tanto maisquanto a ilha fronteira lhes servia sempre de valhaòbutoseguro em caso de invasão dos mesmos Bárbaros. —Assima ilha de Itamaracá podia então considerar-se a atalaia dacivilisação brazileira avançando para o norte, da mesmaforma que mais tarde (e ainda agora) pela bondade de seuporto, e a excellencia e abundância das suas águas e provisões, se considerou como posição de muila valia para adefensa conlra um inimigo superior no mar. A importânciaque terá em nossa Historia esta ilha exige que desde jadediquemos á descripção delia algumas linhas. —Itamaracáé nome formado de duas palavras guaranis que significam "maracá de pedra"; chamando os índios, por pobreza delingua, ita ou pedra a todos os raetaes; e designando eravirtude da mesma pobreza por maracá todos os instrumentos músicos, mais ou menos dissonantes, começando pelosino \ que provavelmente seria o primeiro que os mesmosíndios ahi conheceram aos Europeos em algum barco oucapellinha. A algumas léguas ao norte de Olinda, a costa serecolhe pouco a pouco, formando um seio em que vãoafogar-se uns cinco rios caudaes. Em toda essa distancia, desde a foz do primeiro da banda do sul até á do ultimoao norte, que é o Maçaranduba conhecido por seu ancoradouro, enche por assim dizer o mencionado seio a ilha deItamaracá, que um estreito, mas profundo canal em voltascolleadas aparta do continente, ahi regado pelos Ires outrosrios, Igaraçú, Araripe e Tapirema. —0 desenho em plantada ilha lembra o de uma peta, ou antes o de um caju. Cortado de meio a meio longitudinalmente, e deitado com asemente ou castanha para o lado do norte, vereis em pontopequeno a ilha em relevo. No pé da frucla, do lado do sul, [p. 275]

O Sr. Varnhagen, na sua História do Brasil, diz o seguinte: "D. Francisco de Souza indo em 1610 á Baraçoiava (Ypanema), e vendo que não prosperava ali a vila que dez anos antes criara, ao mesmo tempo que espontaneamente se ião agrupando muitos moradores três léguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Beneditinos levantavão já um hospício, transferiu para li o pelourinho, com idéas, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de São Felippe por gratidão ao soberano, que pouco antes o agraciára. (Diario de S. Paulo, 06. 10. 1865. Página 2)

*As divisas clássicas das capitanias hereditárias estavam equivocadas, desde a sua propositura por Varnhagen Em trabalho anterior, Cintra (2013), mostramos que as divisas clássicas dascapitanias hereditárias estavam equivocadas, desde a sua propositura porVarnhagen, em 1854. [1]Foram os italianos que descobriram o Brasil? De certa forma, sim. Não se trata de defender a tese de Francisco de Varnhagen. Em 1854, ele afirmou que o primeiro europeu a visitar o litoral brasileiro fora o florentino Américo Vespúcio, em viagem realizada em 1499. Embora pesquisadores respeitáveis, como o italiano Riccardo Fontana, continuem acreditando que a frota de Vespúcio aportou no Rio Grande do Norte, a maioria dos historiadores acha que ela esteve apenas nas Guianas e pouquíssimos são aqueles que concedem ao padrinho da América a ventura de ter sido o primeiro a colocar os pés na Terra Brasilis. [2]

Deixemos porém agora por um momento as capitanias do norte, e acompanhemos o governador D. Francisco de Souza em uma excursão que faz ás do sul ou debaixo, como então se dizia, depois de confiar a segurança da Bahia ao capitão-mór Álvaro de Carvalho. No Espírito Santo tudo seguida em paz desde, que poucos anos antes, o logartenente Miguel de Azevedo reduzira pelas as o gentio alcunhado Guaitacá, que até ali com suas frequentes correrias molestara os colonos imbeles.

Tão de pazes ficou alguns cristãos se entranhavam centos de léguas pelos sertões. No Rio de Janeiro sabemos que estava D. Francisco de Souza em outubro de 1598. O comércio tomara aqui um prodigioso incremento com a sujeição a Castella, que fraqueara tacitamente ao Brazil, por meio do Rio da Prata, o trato com o Perú, de cujas minas vinham negociantes por fazenda, que pagavam á vista por preços enormes; e só quando aqui as não encontravam ia busca-las a Bahia e a Pernambuco. Do Rio fez D. Francisco a proposta para ereção da nova freguesia da Candelária, que pouco depois se criou. Seguiu para as vilas de São Vicente, Santos e São Paulo; e desta ao morro do ferro, onde poucos anos antes no vale chamado das Furnas, começára Afonso Sardinha dois fornos catalães, um dos quais ofereceu de presente ao mesmo governador. Segundo memórias contemporâneas nesse local próximo do Ipanema, chamado hoje Fábrica-Velha, levantou d. Francisco de Souza o pelourinho para uma vila, que depois de transferiu para outra paragem mais aquém.

Os paulistas começavam com algum ardor a acossar os nativos, devassando terras dos sertões do sul, onde também já lhes opunham os jesuítas, que noporto da Laguna acabavam de construir uma capela provisória, tratando pazes com o principal do distrito, por nome o Tacaranha. Estava D. Francisco ainda no sul, quando aportou no Brazil, o seu sucessor Diogo Botelho. [Historia geral do Brazil, 1854. Visconde de Porto Seguro (1816-1878). Páginas 312 e 313]

Pelo que respeita a D. Francisco de Souza, seguiu elle de Pernambuco para o sul, sem tocar na Bahia, conforme lhe fora recommendado, acaso por avexar menos D. Diogo. Do pouco que nos consta de seu meridional governo, até que o segundo anno nelle o surprehendeu a morte, um facto consignaremos, talvez de nenhuma importancia para o leitor, mas casualmente de mais alta (e seja-lhe perdoada a manifestação) para quem escreve estas linhas; pois que esse facto se refere ao pedaço de humilde chão, que mais de dois séculos depois, o viu nascer e começar a trabalhosa peregrinação deste mundo. D. Francisco indo em 1610 a Biraçoiava (Ipanema), e vendo que não prosperava ahi a villa que fez annos antes criára, ao mesmo tempo que expontaneamente se iam aggrupando muitos moradores tres leguas áquem junto a uma ponte do rio Sorocaba, onde os Benedictinos levantavam ja um hospicio, transferiu para ahi o pelourinho, com ideas, diz-se, de fundar uma cidade com o nome de S. Filipe, por gratidão ao soberano que pouco antes o agraciára. Em todo caso em vez deste nome prevaleceu o de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, ou simplesmente o de Sorocaba; proveniente talvez de muitas vossorocas ou barrancos que ha nas immediações. Dahi a pouco D. Francisco passava, por sua morte, a gosar do mais triste dos privilegios que havia obtido, succedendo-lhe seu filho D. Luiz de Souza [p. 321, 322]

Não se ocultou ao governador, nem á Relação, nem ao povo do Brzil o poderoso influxo que movia na côrte todo o negócio, com tanto êxito; e talvez dahi proviesse a luta que logo se apresentou D. Diogo a sustentar contra os Padres da Companhia, acusando-os pela sua demasiada e perniciosa ingerencia no governo temporal do Estado. Ouçamos as suas queixas:

"E de os eclesiásticos se meterem em governo vem a estas desaventuras; porque a causa principal do alevantamento de de Angola foram os Padres da Companhia; e agora neste interdicto também. deram parecer ao bispo. contra a jurisdição de V. M. "

E mais adiante acrescenta:

"E para que os Padres da Companhia entendam quanto dependem de V. M. é necessário que se lhe dê uma repreensão; pois comem tanto da fazenda de V. M. que só neste Estado tem perto de três contos de renda em que V. M. perde nodo modo de pagamento mais da terça parte, e o que grangeam com os Índios vale mais que tudo. destas cousas e d´outras mande V. M. informar e remdêe isto com lhe tirar as aldeias. e os Padres se quiserem ensina-los a ser cristãos logar lhes ficar sempre de faze-lo".

Mais de um ano antes, em 20 de janeiro de 1610, havia o governador ponderado ácerca da "má natureza destes padres e pouca razão com que se queixavam dos governadores passados, e quão pouca verdade falavam em tudo, não tratando mais que de curar suas queixas, e ofuscar a verdade". [P. 324]

Por vezes temos nesta obra feito referência, com o nome de Biraçoiava, de um famoso morro de ferro próximo de Sorocaba, a que hoje chamam Araçoiaba. Não foi só predileção, aliás desculpavel, pelos sítios que primeiro feriram a nossa vida e fizeram palpitar o coração:

É que nas entranhas desse morro, que os antigos diziam conter tesouros encantados encantados, jaz ainda escondida, só em ferro, uma das maiores riquezas latentes do Brasil, e talvez do universo todo. (Página 359)

ORDENS PARA A VINDA DE MINEIROS. e Varnhagen, que para empregar-se no Brazil haviam sido admittidos no real serviço, e ao mesmo tempo deu novas ordens para que no norte da Europa se engajassem tambem mestres praticos fundidores e de refino, etc. O primeiro dos tres officiaes supramencionados que chegou ao Brazil, e se apresentou ao conde Linhares, foi o joven capitão d´engenheiros Varnhagen, então cheio d´ardor, de ambição e de esperanças. — A confiança que ao dito conde inspirou, deduzirá o leitor, melhor que de palavras nossas, das seguintes instrucções, com que o mandou examinar o morro de ferro; e cujo original temos presente:Instrucções. «Havendo V. terminado os seus arranjamentos a respeito dos soldos e gratificações com que S. A. R. lhe manda assistir, é S. A. R. Servido que V. na companhia do inspector das Minas de S. Paulo, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, parta immediatamente para aquella capitania, para examinar as minas de ferro de Sorocaba, a quantidade e qualidade de ferro que dellas se póde tirar, a qualidade de fornos que convem estabelecer, a difficuldade que haverá em fazer promptamente os martelos, e os fornos de refino, e os mais estabelecimentos necessarios para se pôr em movimento a extracção do ferro coado e do ferro forjado, de que tanto se necessita; juntamente com o orçamento de toda a despeza que será necessaria para levar esse estabelecimento ao maior ponto, a qual será indispensavel para que elle possa concorrer ao aprovisionamento, não só da capitania de S. Paulo, mas ainda de todo o Brazil, que tanto necessita desse tão util, como necessario metal. » V. conhecerá as mattas e bosques reservados, ha muitos annos, para o serviço e trabalho desta mina; e verá se os julga sufficientes, calculando tambem sôbre a facilidade que o paiz possa permittir para a sua reproducção: em caso que julgue que os mesmos se podem e devem augmentar com outros terrenos que lhe fiquem visinhos, V. não se esquecerá de o propor, para ser presente a S. A. R. o Principe Regente N. S. » V. procurará ver se ha aguas com que possa mover os martelos, e até se a sua queda permittiria o uso de bombas, por cujo meio se supra vantajosamente o dos folles. » Procederá V. tambem ao exame rigoroso da mina, fará [p. 360]

INSTRUCÇÕES DO CONDE DE LINHARES A VARNHAGEN. os convenientes ensaios do que da mesma se póde esperar, e da sua grandeza; para depois combinar a mesma com a quantidade de carvão, e ver a extensão que se pode dar ao producto desejavel do mesmo ferro. » Examinando V. a qualidade da pedra e do tijolo que poderá fazer-se, orçará com a maior exacção a despesa que será necessario fazer-se para tirar todo o partido esperavel de tão uteis minas, e para as pôr na sua devida acção e movimento. » V. procurará examinar, seja pelo seu companheiro o inspector Martim Francisco de Andrada, seja pelo governador e capitão general de S. Paulo, seja pelas pessoas do paiz, de quem fizer conhecimento, se haverá particulares que queiram tomar acções e formar uma companhia que se encarregue desta despeza, no caso que seja consideravel, e que V. julgue seja mais conveniente que a Fazenda Real entregue esta exploração a mãos particulares, do que a faça por sua propria conta. E´ este o objecto que S. A. R. manda recommendar muito a V. que consiste no exame, se seria mais conveniente que a Fazenda Real faça toda esta despeza por sua conta e tirar da mesma todo o lucro, ou que a entregue a uma companhia de particulares, que a faça trabalhar por sua conta, fazendo as necessarias despesas para todo este estabelecimento, encarregando a V. de expor a este respeito tudo o que se lhe offerecer, depois de conhecer a localidade e circunstancias do paiz onde existem as mesmas minas. » Não se esquecerá V. de examinar se no paiz ha sufficientes braços para os trabalhos que se vão emprehender, ou se será necessario procural-os fóra da capitania. » Ao governador e capitão general, na carta que lhe remetto, manda S. A. R. recommendar que assista a V. não só com as cavalgaduras que justamente pedir, mas ainda com todos os auxilios ¹. »Com estas instrucções foi Varnhagen embarcar-se, com o seu companheiro Martim Francisco, na Sepetiba; onde em uma canoa, como as dos antigos Indios, se dirigiu pela costa até Paraty, e dahi pela villa da Cunha a S. Paulo. Logo seguiu para a mina de ferro, em abril desse anno de 1810, ¹ Segue: "Secretaria d´Estado, 21 de fevereiro de 1810. Conde de Linhares. "HIST. GER. DO BRAZ. TOM. II. 46 [p. 361]em companhia não só do dito Martim Francisco, como do capitão general Horta. Na mina demoraram três semanas. Ainda muitos anos depois não se lhe havia a Varnhagen apagado da ideia a impressão que lhe fez o morro d´Araçoiaba, que conceituava um dos mais ricos depósitos de ferro que existem no orbe. Nem mina se pode chamar a um tal montão de mineral, em que este se colhe á superfície da terra, e sem profundar em poços ou galerias subterrâneas.

Varnhagen propendendo desde logo a que a empresa se fizesse por ações, tomando nestas interesse o governo por metade, dirigiu ao conde de Linhares a carta que de que passamos a transcrever alguns períodos:

"Em meio (diz Varnhagen) de uma planície que se estende da serra de São Francisco (ramo da que pela costa do Brasil se prolonga em direção geralmente de norte a sul) até o Rio Tietê, se levanta uma enorme montanha de cerca de três léguas de extensão, tendo de largura metade desta distância. Fraldejam-a, pelo nascente e poente, os dois ribeiros de Ipanema e Sarapuy, cujas águas, provenientes da mencionada serra, buscando o norte, se vão despejar, pela margem esquerda, no rio Sorocaba, o qual, igualmente pela margem esquerda, vae entrar no Tietê, depois de haver contornado pelo norte a referida montanha, que, em virtude do mineral de que toda consta, chamam vulgarmente o Morro do Ferro.

Não direi quanto se eleva sobre o mar porque não tenho barômetro, e, pouco habituado a avaliar alturas a olho, receio enganar-me. Entretanto crê-se que io cimo dele não deve ficar muito menos de mil pés sobre a planície que rodeia este último. O núcleo do morro é de granito; e de norte a sul, isto é, no sentido longitudinal é cortado por três grossos (proximamente de três braças de pujança) veeiros de ferro, já magnético, já especular. Há porém, aos lados e pelo meio, bancos de xisto, de vários grés, de pedra calcária escura, de marnes de azul de Prussia, de pederneira, de grunstein, e até de formações auríferas.

O estudo geognóstico deste distrito é digno de ocupar por muitos meses a atenção dos mais sábios geólogos. Dos altos morros manam alguns ribeirões, porém o mais notável é o chamado da Fábrica Velha, ou do Valle das Furnas, por seguir por uma espécie de caldeira, ou algar que ás vezes, parece cratéra de um vulcão. Sobre a cima do principal cabeço ha uma lagoa que chamam aqui Dourada, na qual o povo diz aparecerem fantasmas, que, guardam os tesouros nela escondidos. O mineral solto á superfície do morro é tanto e tão rico que creio só dele se poderia, por mais de cem anos, alimentar a maior fábrica do mundo, sem recorrer a trabalho algum mineiro. "[Página 362]

ORDENS PARA A CREAÇÃO DO NOVO ESTABELECIMENTO. ao principe regente, que, em presença de tão bons informes, julgou vería em breve cumpridos os seus desejos neste assumpto. Logo, por carta regia de 4 de dezembro de 1810, foi creado um estabelecimento montanistico de extracção do ferro das minas de Sorocaba, por meio de uma companhia de accionistas (entrando o governo com metade das acções), que seria dirigido pelo mencionado Hedberg. Acerca deste individuo, do que houve de vergonhoso em seu contracto ¹, e de como abusou desde o principio das boas intenções do conde de Linhares, nada diremos. Baste saber que llegado com os seus ao Rio, partiram para S. Paulo, devendo auxilial-os no seu primeiro tirocinio, e logo regressar ao Rio apenas as machinas estivessem em andamento, o proprio Varnhagen, que pouco depois foi escolhido para procurador dos accionistas particulares, cargo que lhe deu um logar de membro da Junta administrativa do estabelecimento. Reuniu-se esta junta pela primeira vez em 9 de fevereiro de 1811. Seguiram outras sessões, mui a pezar de Hedberg, que, em presença das mecommendações do conde de Linhares, havia llegado a figurar-se que teria carta branca para gastar, por conta do thesouro publico e dos particulares possuidores de acções, sem dar contas nem satisfações a ninguem; e desde principio respondeu de máu grado a todas as perguntas que acerca de seus projectos lhe fez a mesma junta. Faziam parte desta, além do dito Varnhagen, o integro Martim Francisco, e o prudente paulista marechal Arouche, ao depois grande apreciador e amigo de Varnhagen, como nol-o evidencêa a correspondencia de ambos que possuimos. Hedberg que não era homem d´estudos, que não estava a par dos progressos da sciencia metallurgica na Europa, que de minas de ferro não entendia mais que o saber lidar com fornilhos como os que tinha na Suecia, declarou á junta que se propunha construir varios desses fornilhos. Acudiu Varnhagen ponderando-lhe os inconvenientes de taes meios, geralmente abandonados para as industrias em grande, pela menor economia do combustivel e escaço producto de metal, comparativamente aos fornos altos, ¹ O consul Bayer aproveitou-se desta occasião para saldar, á custa do paiz de que era agente, certas sommas que lhe devia Hedberg, dono fallido de umas forjas. Deste assumpto trata extensamente o Sr. Vergueiro. [p. 364]

IDADE DO FERRO. ARTEFACTOS. COROA REAL. CONCLUSÃO. uma ordem do dia, de todo dimittido do serviço imperial. — Se o uso do ferro, posterior ao do cobre, e muito posterior ao das cunhas de pedra, marca na historia dos homens uma idade de maior civilisação, é certo que o seu fabrico, — o saber converter, principalmente em ponto grande, em massa maleavel e cortante uns pedaços de pedra apanhados do morro, é só concedido aos povos ja bastante adiantados na industria. Digam embora a tal respeito em contrario quanto queiram os chronologistas, com as suas idades de ouro e de ferro. Deixou Varnhagen o estabelecimento com um credito em favor deste de quatorze mil cruzados de metal fornecido ao governo, e com uns sessenta mil cruzados em artigos armazenados. Além de munições de guerra e instrumentos aratorios e pregaria, etc. — se haviam executado obras delicadissimas de ferrocoado, e entre outras mencionaremos caixas de rapé com o retrato d´elrei, castiçaes, quadros com os bustos de Schiller, de Göthe, e até um pequeno baixo-relevo da conhecida cêa de Da Vinci, tudo tão primorosamente feito, de um negro enfumado tão brilhante, como os mais delicados artefactos de ferro que a Prussia fornece ao commercio. Destes artefactos nenhum infelizmente possuimos; mas ha muitas casas em Sorocaba, em S. Paulo e até no Rio onde ainda se conservam, e sentimos que nenhum exista no museo nacional; juntamente com coroa real de ferro, que ahi se mostra, tendo sido enviada por Varnhagen a elrei; e a recepção e destino lhe foram annunciados por um aviso do ministro Thomaz Antonio de 13 de novembro de 1820. Basta porém sobre este assumpto. E se nos alargámos demasiado; se a penna não poude conter-se a seguir os impulsos do coração; se dissemos mais do Ipanema e do seu benemerito engenheiro do que desejavam saber os leitores, desculpa merece quem a um e a outro, depois que a Deus, deve a glória de ser subdito brazileiro, e por conseguinte a de haver podido offerecer aos mesmos leitores esta historia, ainda que imperfecta, fructo de annos de pesquisas e meditações. [p. 372]Pag. 321 - D. Francisco de Souza faleceu a 10 de junho de 1611. Em ausência do seu primeiro sucessor D. Antonio de Souza, tomou pose do governo do sul o imediato também seu filho D> Luiz de Souza. Nomeado Gaspar de Souza governador do Brasil por C. de 1 de março de 1612, se lhe deu o alvará de 9 de abril seguinte, revogando a provisão que eximira de sua obediência as capitanias do sul. Deste modo a anexação veio a efetuar-se de novo com a chegada de Gaspar de Souza ao Brasil, deixando D. Luiz o governo; e substituindo-o, na administração das minas, o velho governador do Rio, Salvador Correa de Sá, com o regimento de 4 de novembro de 1613. D. Luiz de Souza recolhendo á Corte, soube ai fazer valer os seus direitos e obteve o ser nomeado em 1616 para sucessor de Gaspar de Souza no governo do Brasil todo. No tempo de Gaspar de Souza deu elrei do alv. de 21 de dezembro de 1612, cedendo ao governador um quinto do valor das prezas que se fizessem. [p. 492,
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8 fontes

1º fonte - 1867
José Joaquim Machado de Oliveira (1790-1867); Quadro histórico da província de S. Paulo até o anno de 1822, 1897. José Joaquim Machado d´Oliveira (1790-1867)



2º fonte - 1878
Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen, de João Capistrano de Abreu



3º fonte - 13 de dezembro de 2010, segunda-feira
Eduardo Bueno; O Descobrimento foi parceria com a Itália. Eduardo Bueno - (revistaepoca.globo.com)



4º fonte - 2011
Gilson Sanches (n.1962); Histórias ilustradas de Ypanema e do Araçoiaba



5º fonte - 27 de agosto de 2021, sexta-feira
Facebook; Estrada Real - Brasil - Facebook

Muitos meses a atenção dos mais sábios geólogos. Dos altos morros manam alguns ribeirões, porém o mais notável é o chamado da Fábrica Velha, ou do Valle das Furnas, por seguir por uma espécie de caldeira, ou algar que ás vezes, parece cratera de um vulcão. Sobre a cima do principal cabeço ha uma lagoa que chamam aqui Dourada, na qual o povo diz aparecerem fantasmas, que, guardam os tesouros nela escondidos. O mineral solto á superfície do morro é tanto e tão rico que creio só dele se poderia, por mais de cem anos, alimentar a maior fábrica do mundo, sem recorrer a trabalho algum mineiro.

6º fonte - 9 de dez. de 2022, sexta-feira
Biografia de Francisco Adolfo de Varnhagen, Lucia Maria Paschoal Guimarães, usp.br/labteo/varnhagen consultado em 09.11.2022



7º fonte - 4 de maio de 2023, quinta-feira
Wikipédia; Francisco Adolfo de Varnhagen, historiador brasileiro. Consultado em Wikipédia



8º fonte - 7 de set. de 2026, segunda-feira
G1; Varnhagen: historiador e Visconde sorocabano ajudou a criar a imagem de D. Pedro I como herói da Independência




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Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama