Apereatuba - Corruptela de apereá-tyba, préas em abundância; São Paulo (Dr. T. Sampaio). Apoteribú - Corrupção de apitera-ibú, fonte ou manancial do meio; pode ser ainda potyra-ibú, hoje se pronuncia Potribú, arroio ou fonte das flores; São Paulo (Dr. Theodoro Sampaio). [Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 23] Itapucu - Barra de ferroCaucaia - Serra, entre os municípios de Cotia e de Una (Ibiúna); no estado de São Paulo, nas cabeceiras do Sorocá-Mirim, um dos afluentes do Rio Sorocaba. Caucaia - Ribeirão do Estado de São Paulo, afluente do Rio Vargem Grande, tributário do Sorocá-mirim. (Página 96)[0] Cachoeira Guaxingú no rio Sorocaba; no município de Tatuí. "Guaxingú", diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Gu-alí-ng-ii, atalho em resvaladouro. De "gu", recíproco, para exprimir de uma á outra margem; "alí", atalhar, rodear; "ng", intercalação nasal; "ii", resbalar. Alusivo a ser aí um dique com tão forte desnivelamento que, para muitos, é mais um salto do que uma cachoeira. Lagoa Guaxingú em um campo, entre os municípios de Campo Largo e de Sorocaba. (página 149) Hibapaára - Lugar á margem direita do rio Sarapuhy, no Estado de São Paulo, mencionado em um documento de 14 de julho de 1601 como tapera. "Hibapaára, diz o Dr. João Mendes de Almeida, corruptela de Ib-apá-á, ramo torcido e quebrado. De ib, árvore; apá, torcer, torcido; á, quebrar. Alusivo ao costume que os nativos tem de assinalar, por maio de ramos torcidos e quebrados, a rota que seguem nas matas, e mesmo nos campos, quando há árvores para isso; afim de que outros os possam seguir ou eles possam voltar ao mesmo lugar de onde saíram". IBIRAPOERA. Aldeamento indígena no logar que é hoje villa de Santo Amaro; no Estado de S. Paulo. Foi fundado em 1560, pouco mais ou menos pelo padre José de Anchieta. "Ibirapoera, diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Ibirá-puêra, pau podre. De ibirá, arvore, pau. madeira; puêra, o mesmo que cucrá, partícula de pretérito. A traducção litteral é — o que foi arvore, o que foi pau, o que foi madeira. Allusivo a existir então nessa região muito pau podre, próprio para lenha". [Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 153] (morro plano). Morro em ramificação da Serra da Mantiqueira, no município de São Bento do Sapucahy-mirim, estado de São Paulo. Da planura desse moro avista-se todo o curso do rio Parahyba, desde a cidade de Jacarehy até a cidade da Bocaína. Rio Itapeva é afluente da margem esquerda do Rio Sorocaba, noi município desde nome. Faz barra logo abaixo do salto de Votorantim. Segundo o Dr. J. M. de Almeida, esta palavra significa "lugar de muitas pedras". (Página 171) Itapucú - Composto de itá-pucú, pedra comprida, rocha extensa, penha longa; barra de ferro (Dr. Theodoro Sampaio). O Dr. J. M. de Almeida, que escreve que também Itapucú, diz, em relação a cachoeira do rio Paranapanema: "Ytá-pucú, pedra larga. De ytá, pedra; pucú, larga". Itapuvú. Lugar á margem direita do rio Sorocaba, ao Norte do município. É o mesmo Itapebussú. "Itapuví, diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de Ytá-pé-ibiy, morro plano, baixo. De ytá, pedra, penha; "pé", plano, chato, "ibiy", baixo. Alusivo a ser esse lugar um planalto pouco elevado, vide "Itavuvú". [“Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil”, 1935. Alfredo Moreira Pinto. Página 173] ITAVERAVA. Rio do Estado de S. Paulo, affl. da margem dir. do Bacuruvú, entre os muns. de Conceição dos Guarulhos e de Mogy das Cruzes. O Dr. J. M. de Almeida, que escreve Itaberaba, diz que essa palavra é corruptela de Itá-abi-rá-bae, contrahido em Itá-´ti-rá-bae, desigual, desnivellado, formando degráus. De itá, estante, degráu; abi, desigual; rá, sem nivel; bae (breve), para formar participio. Allusivo a ser sucessivamente encachoeirado, com degráus. ITAVUVÚ. Logar em que foi edificada a extincta villa de S. Philippe (1600-1610). No territorio que depois constituiu a circumscripção municipal de Sorocaba; 18 kils. mais ou menos, distante da cidade deste nome, ao norte. E´ o mesmo Itapebussú e Itapuvú. « Itavuwú, diz o Dr. J. M. de Almeida, corruptela de ytá-biy-biy, morro granitico muitissimo baixo. De ytá, pedra, penha; biy, baixo, não alto, repetido para exprimir superlativo. ITAYAÓ. Corruptela de ytá-yaóg, morro granitico apartado. De ytá, pedra, penha; yaóg, apartar (Dr. João Mendes de Almeida). ITAYPÚ. Composto de itá-y-pu, pedra onde a agua estronda ou faz estrepido (Dr. Theodoro Sampaio). Vide Itaipú. ITAYUBÁ. Composto de ytá-yuba, pedra ou metal amarello, ouro (Dr. Theodoro Sampaio). Vide Itajubá. ITAYUBARANA. Composto de ita-yuba-arana, pedra ou metal amarellado, o ouro falso, o cobre (Dr. Theodoro Sampaio). ITERONNE. Graphia primitiva de Niteroy, segundo Hans Staden; corrupção de y-terô, agua em seio ou em concavo, enseada, ancoradouro (Dr. Theodoro Sampaio). ITI. Affls. do rio Una da Aldêa, pela margem esq. ; no mun. de Iguape e Estado de S. Paulo. Ha o Itingoçú e o Itimirim. Iti, corruptela de y-ty, atado, cingido. De y, relativo; tu, atar, cingir, apertar. Allusivo a correrem entre margens graniticas altas. Com effeito, esses rios correm entre rochas e sobre pedras, passando ás vezes por baixo destas. O primeiro, isto é, o Itingoçú, que é o maior, é denominado por alguns tambem Despraiado; mas o Despraiado é seu affl. Vide Despraiado. O segundo, isto é, o Itimirim, que é o menor, é muito veloz na correnteza. Nascem no morro Guacunduba (Dr. João Mendes de Almeida). ITINGA. Um dos tres braços principaes, o mais septemtrional, que formam o rio Gurupy, que separa os Estados do Maranhão e do Pará. E´ tambem denominado rio Branco (Gustavo Dodt). Recebe o Tucumandiua. [p. 176]PARANAPI ACABA. Composto de paraná-apiacaba, vista do mar, donde se vê o mar, miramar; S. Paulo (Dr. T. Sampaio). O Dr. João Mendes de Almeida diz: “Paranapiacaba. Nome atribuído á serra marítima, Cubatão. E alguns o limitam á parte mais alta dessa serra”. Os dois documentos que podiam nomear esta serra, eram os títulos de sesmaria de Pedro de Góes e de Ruy Pinto; aquele, de 10 de outubro de 1532, este, de 10 de fevereiro de 1533. Qualquer destes títulos não menciona o nome Paranapiacaba; e o primeiro limita-se a referir-se á “serra que está sobre o mar” — som nomeá-la. Só em 1674 o padre Lourenço Craveiro, reitor do colégio dos Jesuítas em S. Paulo, anotando o primeiro daqueles títulos, escreveu que aquela “serra que está sobre o mar” é a Paranapiacaba. Mas, em nota do padre Lourenço Craveiro, não prova senão que já naquelle tempo, em 1674, o nome Paranapiacaba era attribuido á serra Cubatão. Li as duas Informações do padre José de Anchieta, 1584 e 1586, e nelas não vi o nome Paranapiacaba. Na primeira ele escreveu: “Para o sertão, caminho do Noroeste, além de umas altíssimas serras que estão sobre o mar, tem a vila de Piratininga ou de S. Paulo, 14 ou 15 léguas da vila de S. Vicente. ” Na segunda, foi escrito: “A quarta vila da capitania de S. Vicente é Piratininga, que está 10 ou 12 léguas pelo sertão e terra a dentro. Vão lá por umas serras tão altas, que dificultosamente podem subir nenhuns animais, e os homens sobem com trabalho e ás vezes de gatinhas por não despenharem-se ” (Vide o nome Cubatão). A verdade é outra. O nome Paranapiacaha era disignativo do caminho entre Piratinin e o porto próximo á foz do rio Mogy. (Vide o nome Mogy e Piaçagoera). Paranapiacaha, corruptela de Pê-rá-nai-piá-quah-a, passagem do caminho do porto de mar. De pê, superfície; rá, encrespada, formando a palavra pê-rá, mar; nai, porto; piá, caminho; guab, passar, que com o accrescimo de a (breve), forma o infinitivo, o qual, não tendo caso, significa a acção do verbo em geral, passagem, segundo a licção do padre Luiz Figueira, em sua Arte de grammatica da lingua brasílica. No titulo de sesmaria de Ruy Pinto, ha referencia ao porto próximo á fóz do rio Mogy, que foi denominado pelos portuguezes Porto das almadías e também Porto de Santa Cruz; e o nome tupi do porto era y-pia- çába, corrompido em Apiaçaba, logar do apartamento do caminho. De ?/, relativo; pia, apartar caminho; caba, verbal de participio, o mesmo que áha, para exprimir logar, modo, instrumento, causa, fira, intuito, fazendo çaha, segundo a regra ensinada pelo já citado padre Luiz Figueira. O porto permaneceu — porto das almadias — conforme a denomi- nação dada no titulo de sesmaria de Ruy Pinto, ou — porto das canoas — conforme a denominação geral, até que, já neste século, foi feito o aterrado com as pontes necessárias. Também, nesse titulo de sesmaria, a serra de que se trata não teve menção por seu nome. Eis o que está escripto: “E dahi (o porto referido) subirá direito para a serra por um lombo que faz, por uma agua branca, que cahe do alto, que chamam Ytutínga, e, para melhor se saber este lombo, entre a dita água branca por as ditas terras não se mette mais de um só valle, e assim irá pelo dito lombo acima, como dito é, até o cume do serro alto, que vae sobre o mar, e pelo dito cume irá pelos outeiros escalvados, que estão no caminho que vem de Piratinim”. Portanto, o nome Paranapiacaba ficou com a serra, por ter sido abandonado o caminho. Este caminho foi exactamente o escolhido para o traçado da estrada de ferro de Cubatão á cidade de S. Paulo >. Frei Gaspar da Madre de Deus diz que este nome significa — sitio donde se vê o mar. (Página 233) PARNAHYBA. Não se trata de Paranahyba; nem com este nome ha affluente algum do rio Tietê no mun. do Parnahyba, como o pretendeu Azevedo Marques, em seus Apontamentos Históricos, Geographicos, Biographicos, Estatísticos e Noticiosos da Promncia de S. Paulo, á força de querer explicar o nome Parnahyba. Ao principio suppuz que fosse corruptela de Piâ-nát-bo, logar do porto do caminho: de piâ, caminho; fiái, porto; bo (breve), para exprimir logar. Com effeito, defronte da banda do rio Juquery, como reza um documento antigo, em que Melchior da Costa pediu uma sesmaria de terras para suas duas filhas, quando já casado com Suzana Dias, devia existir um porto: e alli era estabele- cida com fazenda a dita Suzana Dias, ao passo que o pedido de Melchior da Costa, em 1610, foi para o logar da actual villa. Sem duvida era ahi o logar da passagem do rio Tietê, de uma para outra margem. Mas, o nome Parnahyba tem outra verdadeira explicação. É corruptela de Páu-n-eii-bo, logar de muitas ilhas. De "páu", ilha; “n”, por ser nasal a palavra anterior; "eii", muitos; "bo" (breve), para exprimir logar. Alusivo a uma cachoeira, extensa e estrondosa, acima da vila, no rio Tietê, semeada de ilhotas cobertas de matas. É mesmo vizinha da vila essa cachoeira. Entre as ilhotas ha vários canais, e alguns de difícil pratica. Como que para moderar a impetuosidade das águas, a natureza colocou, mais abaixo da cachoeira, uma pedra chata, ou ilha granítica, de certa extensão e largura, conhecida por “Itapeya” ou “Ytá-pé-bae”. De encontro a essa pedra ou ilha granítica, as águas, que descem em catadupas, quebram-se espumantes. Tal ê a origem do nome corrupto Parnahyba. A cachoeira é a hoje conhecida por “Cachoeira do Inferno”. (Dr. João Mendes de Almeida). Vide Paranahyba. [p. 235]PIRATININGA. Nome antigo da pov. que depois foi mudado em S. Paulo, e é hoje a cidade — capital deste nome. O nome Piratininga é derivado do affl. do rio Tieté, pela margem esq. tambem conhecido pelo nome Tamanduatehy (Vide o nome Tamanduatehy). Com effeito, em escripturas antigas é mencionado o rio Piratininga; e em outras, do mesmo tempo, o rio Tamanduatehy. O rio, portanto, tinha esses dous nomes; e é facil explicar esse facto, sendo sabido que esta região foi disputada por mais de uma nação indigena, e cada qual, para exprimir o signal da conquista, mudava aos logares os nomes anteriormente dados pela nação vencida, sem que todavia a esta deixassem de ficar em lembrança. Quando Martim Affonso de Souza aportou á Bertioga, em 1531, encontrou no littoral até Ararapira a nação tupi, a qual, sem duvida, havia vencido a nação guayanaz ou goia-ná, que ahi e em serra acima dominava. E se, em 1531, não fossem da nação tupi os dominadores de Piratininga, os de Bertioga não lhes teriam mandado aviso, afim de que acudissem com as precisas providencias; e de Piratininga desceram Tibiriçá e João Ramalho, acompanhados de centenas de indigenas, para fazerem o reconhecimento. Em uma Informação existente na bibliotheca de Evora, em Portugal, e attribuida ao padre José de Anchieta, que então era o provincial do Brasil, foi escripta a seguinte noticia: «Na (capitania) de S. Vicente, que é de Martim Affonso de Souza, á qual elle mesmo foi ter com a armada, depois de haver nella alguns poucos e antigos moradores, e accrescentou muito, houve capitães, ordinariamente, assim como nas mais capitanias, postos pelos senhores; nunca nella houve guerras com os Indios naturaes que se chamam Tupis, que sempre foram amigos dos portuguezes, salvo no anno 1562, que uns poucos do sertão por sua maldade (ficando a maior parte amiga como d´antes) deram guerra a Piratininga, villa de S. Paulo. ». Nesta Informação são declaradas as nações de indigenas, predominantes em cada capitania. — Em 1559, escrevia a Thomé de Souza, governador da Bahia, o padre Manoel da Nobrega: "O anno passado me escreveram que vieram os Castelhanos a vingar a morte de alguns Christãos e indios Carijós, que os Tupis de S. Vicente haviam morto, havendo o capitão do Paraguay feito pazes entre os Tupis e Carijós, que não lhe cumpriram, pelo qual vieram Castelhanos e Carijós a vingar isto e foi a mortandade tanta que fizeram nos Tupis que despovoaram o rio Grande, e vinham fugindo para o mar de S. Vicente, com medo dos Castelhanos". Este rio Grande é o rio Tieté, cujo significado é esse. — A villa Piratininga não estava ainda então installada, pois que só foi em 1560: E, a este respeito, vale a pena transcrever o que, na mesma já citada Informação, o padre José de Anchieta dizia: "No anno de 1554, mudou o padre Manoel da Nobrega os filhos dos Indios ao campo, a uma pov. nova chamada Piratininga, que os Indios faziam, por ordem do mesmo Padre, para receberem a fé". Tudo isso [p. 251]SOROCABA. Corr. çoroc-aba, subs. verbal de çorog, rasgar, romper, ou o rasgão, a ruptura, allusão ás escavações e erosões naturaes do solo nesse logar; S. Paulo (Dr. Theodoro Sampaio). Sorocaba, corruptela de Çorógc-aba, logar rasgado. De çoróg, rasgar, romper, mudado o g em c, ou accrescentado este a aquelle, para formar o participio com caba, segundo a licção do padre Luiz Figueira, em sua Obr. cit. (Dr. J. M. d´Almeida). SOROCABA. Pequeno rio que desagua no Mar Pequeno, no mun. de Iguape e Estado de S. Paulo. SOROCABA. A´s 3 horas da tarde do dia 14 de maio de 1898 deixei a cidade de S. Paulo e dirigi-me á cidade de Sorocaba, tomando ao lado da estação ingleza, na Luz, a estrada de ferro Sorocabana. De S. Paulo até proximo á estação de Osasco a estrada percorre uma extensão toda margeada de casas. De Osasco até Sorocaba contém ella as estações de Buruery, Cotia, S. João, Pinheirinhos, S. Roque, na cidade deste nome, Mayrink, de onde segue o ramal que vae até S. Pedro, passando por Piracicaba e Itú, Pantojo, Rodovalho, com uma grande fabrica de cimento em construcção, Piragibú e Passa Tres. A talvez seis kilometros de distancia descortinei a illuminação da cidade, que logo desapparece pelas curvas da estrada. A´s 7 1/2 da noite cheguei á estação de Sorocaba, onde tomei um carro, dos muitos que alli estacionam, e fui me hospedar no hotel Vicente, o melhor da cidade. Toda a região atravessada pela linha ferrea desde Osasco até Sorocaba é quasi inculta, notando-se apenas algumas plantações de milho. TOPOGRAPHIA. E´ a cidade de um bonito aspecto, situada a O. da capital do Estado, da qual dista 111 kilometros, construida em amphitheatro, sobre uma collina de 30 a 40 metros de elevação sobre o nivel do rio Sorocaba, que a meva, muito sinuoso, tendo junto da cidade 530 metros de altitude. De qualquer parte que o observador occupe vê desdobrarem-se deante de si os mais risonhos e encantadores panoramas. Em virtude da collocação da cidade, as ruas são quasi todas em suave ladeira, rectas, largas e compridas na maior parte, estreitas outras e tortuosas muito poucas, todas muito limpas, macadamisadas, com sargetas de pedra e passeios calçados com pedras de Itú. As casas são ainda na sua maior parte do systema antigo, mas vão sendo substituidas por predios modernos, contando já a cidade muitos de excellente e solida construcção e de bonita apparencia. As praças são vastas e algumas arborisadas. Une as duas partes da cidade uma ponte de ferro de 72 metros de extensão, de cinco vãos, e descansando sobre pilares e encontros de alvenaria de pedra. A cidade não tem esgotos, nem agua canalisada, servindo-se a população da pessima agua do rio Sorocaba ou da que é vendida nas ruas em carrocinhas, que a vão buscar á chacara do finado Francisco Ferreira Leão. E´ a cidade illuminada a kerozene, mas se-lo-á brevemente á luz electrica, para o que já se acham assentes os postes e collocados nelles os fios conductores e as lampadas. Pena é que Sorocaba seja uma cidade triste e de vida tão monotona; ha pouco movimento nas ruas e as familias vivem em um retrahimento que contrista. Entretanto o povo é bom, generoso e hospitaleiro. Delle conservo as mais gratas recordações. Possue Sorocaba o edificio da Camara Municipal, as egrejas Matriz, do Rosario, S. Benedicto, Santo Antonio, Santa Cruz e mosteiro de S. Bento, o Recolhimento de Santa Clara, um grupo escolar, tres fabricas de fiação, uma de estamparia no Votorantim, uma a vapor de calçado, tres de chapéos, cinco de cerveja, cinco de moveis, tres typographias, um banco, duas fabricas de velas, uma de louça, tres de fogos, duas de sabão, cinco de massa, uma de sellins, uma de carroças, duas de carros, quatro officinas de alfaiate, nove de ferreiro, tres de latoeiro, seis barbeiros, nove padarias, 25 botequins, 129 casas de seccos e molhados, 19 sapatarias, 15 açougues, uma photographia, quatro refinações de assucar, tres ourives, 19 lojas de fazendas, quatro pharmacias, tres ferradores, seis estabelecimentos mixtos de molhados e fazendas, dous armadores, oito casas de generos alimenticios, cinco lojas de ferragens, tres depositos de madeiras, dous marmoristas, tres marceneiros, dous vidraceiros, dous relojoeiros, dous bilhares com botequim, tres casas de couros e arreios, uma serraria de madeira a vapor, uma loja de roupas feitas, duas olarias, quatro restaurantes e tres hoteis, sendo o mais importante, pela fina sociedade que recebe, o Vicente. Tem ainda a cidade 1. 770 predios, quatro medicos e tres advogados, duas lojas maçonicas, a Quinze de Novembro e a Perseverança Terceira. Possue ainda o theatro S. Raphael, em ruinas, e duas sociedades recreativas, o Club dos Aymorés e o Club União, ambas com bilhares e diversos jogos licitos e muito frequentadas. A cidade é banhada pelos rios Sorocaba e Supiriry e pelos corregos Itararé, Tavacahy e Itabacahy. Tem a cidade agencia de correio, e, além do telegrapho da Sorocabana, mais o estadual, que a põe em communicação com diversas cidades do Estado. RUAS. Tem a cidade actualmente 54 ruas, umas situadas á margem esquerda e outras á direita do rio Sorocaba. A mais comprida é a Floriano Peixoto, antiga rua da Penha, tendo 900 metros de extensão, com largura irregular, recta e em ladeira. Começa na rua das Flores e termina na Coronel Moreira Cesar. Seguem-se as ruas Direita, S. Bento, com a Camara e o recolhimento de Santa Clara; Commercio, antiga Cadeia; Ponte, Rosario, antiga Commercio, e Passagem das Tropas; Flores, com o Grupo Escolar; Coronel Tamarindo, antiga Sete de Setembro; Intendencia, Dr. Piza Guimarães, ruas recem-abertas e situadas na Villa Guimarães; Prazeres, Padre Luiz, antiga Rosario e depois Municipal; General Carneiro, antiga Serrado; Memoria, Ypiranga, antiga dos Pinheiros; Treze de Maio, antiga do Z, pela fórma que tem; Santa Gertrudes, Coronel Moreira Cesar, antiga Independencia; Cesario Motta, antiga Esperança; Jacurupava, Violas, Alegre, Redempção, antiga S. Francisco; Rica, com uma bica, de S. Bento, que fornecia agua á população; Santa Clara, Boa Vista, Coronel Cavalleiros, antiga Nova Constituição; Santa Cruz, com a capella do mesmo nome e o Asylo de S. Vicente de Paulo; Itararé, Brigadeiro Raphael Tobias, antigo becco do Theatro; Conselho, Matriz, Santo Antonio, com a fabrica de tecidos Nossa Senhora da Ponte; Hospital, Estação, Piques, Cemiteryo, Ipanema, Bom Jesus, com a Capella de S. Benedicto; Aldeia, Liberdade, Supiriry, Margem, S. Paulo, antiga Contagem das Tropas; Aurora, Boa Morte, com uma egreja em construcção; Morros, Carmelitas, Votorantim, Santa Maria, com a fabrica de tecidos deste nome; Olaria, José Manoel, Quitanda, antiga Amargura. BECCOS E TRAVESSAS. Inferno, da Via Sacra, S. Benedicto, S. Francisco, Iporanga, Equador, Tanque, Porto dos Cavallos, da Matriz e travessa do Bom Jesus. LARGOS. Matriz, com um chafariz no centro e dos lados a matriz e os bellos predios do Sr. Antonio Xavier de Araujo, o primeiro predio da cidade, e o do Sr. Francisco Grandino; Santa Cruz, de S. Bento, com a egreja e o convento de S. Bento; Frei Barauna, com o jardim publico; Independencia, Santo Antonio, Municipal, Santa Gertrudes, Rosario, com a egreja deste nome e uma importante fabrica de calçados; Boa Morte, Santa Cruz, Assunguy, Supiriry e Cemiteryo. EGREJAS. Matriz. A Matriz fica situada no largo do seu nome e ao lado do Gabinete de Leitura Sorocabense. E´ um templo grande, sem belleza no seu exterior. Tem quatro janellas, uma unica porta de entrada e acima do entablamento dous triangulos, um menor e outro maior, tendo no vertice deste uma cruz. Possue uma torre á esquerda e abaixo della um mostrador e uma janella. O seu interior é simples, as paredes despidas de ornatos, os pulpitos e as tribunas sem gosto artistico; em compensação, porém, os altares possuem obras de talha bonitas e douradas e as imagens honram ao esculptor que as esculpiu. Tem a capella-mór, com quatro tribunas, duas das quaes fingidas, um rico altar com a Senhora da Ponte, padroeira, no centro, tendo á direita S. João e á esquerda S. Roque. Perto do arco cruzeiro pende uma lampada de prata. [p. 277]cisco em adoração; em outro S. José; nos da esquerda, em um o Coração de Jesus, tendo em baixo S. Luiz Gonzaga, á direita S. Miguel e á esquerda S. Vicente de Paula; em outro, Nossa Senhora das Dores e Santa Rosa, e em outro, finalmente, o Senhor dos Passos e S. Sebastião. No consistorio, que fica á esquerda da egreja, há um altar com um nicho, e nelle o Sagrado Coração de Jesus, o Senhor na prisão, Nossa Senhora das Dôres e o Senhor Resuscitado. Abaixo do altar fica o Santo Sepulchro com o Senhor Morto. A sacristia, que fica á direita da egreja, possue um retabulo da Conceição e aos lados S. Francisco de Assis e S. Francisco de Paula. Consultámos o livro do tombo da Matriz, o qual tem a data de 1747, constando delle que a freguezia foi meada em 1646 e erecta canonicamente em 20 de janeiro de 1797. EGREJA DO ROSARIO. Fica situada na praça do seu nome e contigua ao Collegio Diocesano, a que pertence. E´ um templo pauperrimo e feio, tanto no interior como no exterior. Tem na frente cinco janellas e uma velha e pouco decente porta de entrada. Na ultima janella do lado direito ficam dous pequenos sinos. Tem tres altares, um com a Senhora do Rosario, que occupa o altár-mór, e mais dous collateraes, com a Sacra-Familia e Nossa Senhora da Graça. CAPELLA DO BOM JESUS OU S. BENEDICTO. Na esquina das ruas do Bom Jesus e das Flores. E´ um templo sem gosto nem belleza, tem tres janellas, a porta da entrada e um altar com as imagens do Senhor Bom Jesus e de S. Benedicto. Seu interior é decente. Estão construindo ao lado uma torre. RECOLHIMENTO DE SANTA CLARA. Na rua de S. Bento, esquina da do Padre Luiz e defronte da de Santa Clara. Começou em 1811, no edificio que actualmente occupa, ao lado da egreja de Nossa Senhora do Rosario, doado pelo capitão Salvador de Oliveira Lima, sob condição de terem nelle jazigo os seus descendentes. Foram fundadores do recolhimento D. Manoela de Santa Clara e sua irmã D. Rita de Santa Ignez, naturaes de Sorocaba, que se acham sepultadas nesse mesmo recolhimento, tendo D. Manoela fallecido a 31 de maio de 1833 e D. Rita a 9 de setembro de 1842. Começou com seis educandas, o que foi autorizado por alvará de D. João VI, de 22 de junho de 1810. Tem actualmente 30 freiras. O recolhimento é pauperrimo, mantendo-se com o aluguel de algumas casas, que produzem a renda mensal de 700$ a 800$000. A egreja annexa ao recolhimento é um templo por demais pobre: tem a capella-mór com quatro tribunas fingidas e um altar com o Santissimo Coração de Jesus no throno; abaixo Nossa Senhora do Rosario e aos lados Santa Clara e S. Francisco de Assis. No corpo da egreja ficam: um pulpito, dous altares com o Senhor Bom Jesus e Nossa Senhora do Carmo, e o côro das freiras. Do lado do Evangelho ficam o confessionario e a sacristia. Nos fundos da egreja existe um deposito de ossos e 14 jazigos, acima dos quaes ha uma pedra marmore com a inscripção seguinte: « 1886. Estes carneiros foram edificados sendo regente a Madre Dona Ignacia da Trindade e syndico Joaquim de Almeida Pedroso ». MOSTEIRO DE S. BENTO. No largo do mesmo nome. E´ um edificio gasto pelos annos e sem o menor gosto esthetico. Tem quatro cellas em cada um dos dous pavimentos, desoccupadas actualmente, pois o convento está abandonado. A egreja fica á esquerda do convento; tem na frente tres janellas e a porta da entrada. A torre fica á esquerda e tem dous sinos. O seu interior nada offerece de notavel. Possue a capella-mór com um altar, em que se acham as imagens de Sant´Anna no centro e São Bento e Santa Escholastica aos lados. No corpo da egreja ha dous pulpitos e dous altares, um com Santa Gertrudes e outro com a Senhora do Pilar. Ao lado da capella-mór fica a sacristia, onde se achaa sepultura do P. M. Pregador Fr. Vicente da ConceiçãoRocha, fallecido a 18 de fevereiro de 1882. CAPELLA DE SANTO ANTONIO. Fica no largo do mesmo nome. E´ um templo de feio aspecto e de pobre ornamentação. Tem na frente duas janellas e a porta de entrada. Possue a capella-mór com duas tribunas fingidas e um altar com Santo Antonio, S. Joaquim e Nossa Senhora da Conceição. No corpo da egreja ficam dous altares com o Senhor do Bomfim e Nossa Senhora da Boa Morte. Ao lado direito da capella-mór existe a sacristia. CAPELLA DE SANTA CRUZ. Fica no largo de seu nome, no fim da rua Itararé e ao lado da rua de Santa Cruz. E´ um templo velho, acaçapado, com as paredes ennegrecidas e com um interior bastante lugubre; foi reconstruido em 1877. Tem na frente duas janellas e a porta de entrada e ao lado uma janella com tres sinos e uma porta. Possue o altar-mór com um pequeno quadro de S. Vicente de Paulo no centro e Nossa Senhora das Dores e S. José aos lados. No corpo da egreja ha dous altares, com o Senhor Bom Jesus e Nossa Senhora do Carmo. Ao lado direito da capella-mór existe a sacristia, que é um pardieiro; o tecto não é forrado, nem o chão assoalhado. Na frente da capella-mór fica um cruzeiro e nos fundos, e na rua de Santa Cruz, o Asylo de S. Vicente de Paulo, ainda em construcção. CAMARA MUNICIPAL. A Camara Municipal funccionava antigamente na rua da Cadeia, hoje do Commercio, no predio que é actualmente occupado pela Loja Maçonica Perseverança Terceira, tendo-se mudado para o predio actual, na rua de S. Bento, a 26 de julho de 1862. Occupa um predio velho, sem gosto artistico, modestamente mobiliado e sem as precisas mecommodações. Nelle funccionam todas as repartições meunicipaes e o Jury, sendo a parte terrea occupada pela cadeia. No pavimento superior, á direita, existe a sala das sessões com um retrato do Marechal Floriano Peixoto e o Archivo, onde se acha um oratorio com a imagem de S. Jorge; no centro a Collectoria e á esquerda a sala do Jury e a em que dão audiencia os Juizes. O rendimento da Camara é annualmente de 150:000$000GABINETE DE LEITURA SOROCABANO. Está estabelecida esta importante instituição litteraria em um predio proprio na praça da Matriz, esquina da rua de S. Bento. Foi fundado a 13 de janeiro de 1867. Dispõe de cinco salas, todas mobiliadas com gosto, estantes, mesas de leitura e os mais accessorios indispensaveis a uma boa bibliotheca. Das paredes pendem diversos mappas geographicos, quadros de historia natural e retratos, entre os quaes o de D. Pedro II, do Marechal Floriano, de Sadi-Carnot e o de Maylasky, um dos fundadores do Gabinete. Possue cinco mil volumes encadernados e mil e duzentos em brochura, todos de obras escolhidas. O Gabinete dispõe de um fundo de 52:000$ e tem uma renda mensal, producto da contribuição dos socios, de 400$000. Ao lado esquerdo funcciona o Club dos Aymorés. MERCADO. Fica no largo de Santo Antonio, entre as ruas deste nome e do Padre Luiz. Consta de um telheiro, circumdado por diversos estabelecimentos mecommerciaes. Abaixo do telheiro ha 17 taboleiros com aves domesticas, verduras, fructas e outros productos da pequena lavoura. ESTAÇÃO DA ESTRADA DE FERRO. E´ um edificio regular, de nove janellas no segundo pavimento e seis portas e duas janellas no primeiro. No pavimento terreo funccionam, á esquerda, o telegrapho, á direita um restaurante, ficando no centro a entrada e sahida dos passageiros e a bilheteria. No andar superior ficam os meescriptorios. A´ esquerda da estação fica um vasto armazem para recebimento das mercadorias; á direita, as officinas de mereparação das memachinas e na frente, entre a linha ferrea e a estação, uma serraria. CEMITERIO. Fica desviado da cidade, bem localizado no alto do Piques. [p. 278]Foi construido em 1862. E´ todo murado, bastante grande, muito limpo e com bonitos mausoléos. Tem uma capella com um altar de Nossa Senhora da Piedade. No alto do portão da entrada occorre a seguinte inscripção:Dormiuntet requiescant in pace DominiDo logar em que está situado avista-se a cidade por inteiro. O antigo cemiterio era ao lado do mosteiro de S. Bento, tendo sido bento a 4 de fevereiro de 1826. JARDIM MUNICIPAL. Occupa uma grande área, comprehendida entre as ruas Alegre, Santa Gertrudes e Cesario Motta e uma travessa. E´ todo gradeado de ferro; tem quatro entradas e no centro um elegante pavilhão com um coreto para musica. Está zelosamente tratado. Possue bellas ruas plantadas de magnolias e outras arvores e bonitos canteiros, onde vicejam odorantes flores. A um dos lados, na rua de Santa Gertrudes, fica a capellinha de S. João. CHACARA DA SAUDE. Essa chacara, uma das mais apraziveis vivendas de Sorocaba, é propriedade do Dr. Nicoláo Vergueiro. Nella existe um parreiral com 40. 000 cepas, occupando uma área de oito alqueires. A plantação foi iniciada em 1888, com muitas qualidades de uvas européas e americanas. A experiencia, porém, demonstrou serem mais apropriadas ao clima da cidade duas qualidades de uvas americanas, a Norton´s Virginia e a Blak July, ambas introduzidas, ha mais de 30 annos, no Estado de S. Paulo, pelo fallecido Sr. Fogg. Por emquanto só a terça parte do parreiral está produzindo e permitte o calculo de uma pipa de 500 litros por 250 pés. Os vinhos produzidos são o Sangue Paulista e o Caboclo, que são muito saborosos, podendo rivalisar com os melhores que importamos da Europa. IMPRENSA. O primeiro jornal que se publicou em Sorocaba foi o Cometa, cujo primeiro numero appareceu a 8 de fevereiro de 1852. Seguiram-se depois o Defensor, em 1852; o Monitor, em 1856; o Araçoyaba, em 1866; o Sorocabano, em 1870; o Americano, em 1871; o Sorocaba, em 1872; o Ipanema, em 1872; a Gazeta Commercial, em 1874; a Voz do Povo, em 1875; o Colombo, em 1876; a Gazeta de Sorocaba, em 1878; o Diario de Sorocaba, em 1880; o Alfinete, em 1891; a Voz do Povo, em 1892, e o Quinze de Novembro, em 1893. Além desses jornaes, appareceram outros, cuja existencia foi ephemera. INSTRUCÇÃO. Além do Grupo Escolar Antonio Padilha, que me funcciona na rua das Flores, esquina da rua Raphael Tobias, mantém mais o Estado uma aula nocturna, que funcciona no Grupo Escolar, e escolas nos bairros do Cerrado, Jundiaquara, Sarapuhy e Votorantim. Ha na cidade diversos collegios particulares, o Collegio Diocesano e uma aula nocturna, mantida pela loja maçonica Perseverança Terceira. POPULAÇÃO. A população da cidade é de 11 a 12. 000 habitantes e a do municipio de 20. 000. Ha na cidade cêrca de 2. 000 italianos. A população é pacifica, ordeira e amante do trabalho. As familias occupam-se em fabricar redes e objectos proprios para montaria. A classe proletaria emprega-se nas fabricas. Sorocaba é uma cidade pobre; rarissimas são as fortunas que nella se encontram, e essas mesmo pequenas. FABRICAS DE FIAÇÃO E TECELAGEM. A cidade tem tres fabricas de fiação e tecelagem: a de Santa Rosalia, a de Santa Maria e a de N. S. da Ponte. SANTA ROSALIA. Esta fabrica, de propriedade do Sr. Francisco de Paula Mayrink, esta situada em um plateau e occupa um vasto edificio, á margem do rio Sorocaba e da estrada de ferro Sorocabana, a pouco mais de um kilometro da cidade e com a frente voltada para o nascente. Tem o edificio 201 metros de frente e 150 de fundos. [p. 279]FAZENDA ITUPARARANGA. Pertence esta fazenda, cuja árca é de 675 alqueires de terras, ao Banco União de S. Paulo, e nella são explorados os seus calcareos para o fabrico de cal e preparo de pedras para mobilias, ornamentações, monumentos e architectura. Actualmente funccionam em Itupararanga tres fornos contiguos de capacidade de 10 toneladas cada um de cal extincta, ou cinco de virgem para a queima da cal, achando-se em construcção outros fornos. Não exigindo a extracção do calcareo grande trabalho, por achar-se á flor da terra, torna-se extraordinariamente remuneradora a exploração dessa industria. Sendo o calcareo de Itupararanga um carbonato de calcium saccaroide, e encontrando-se variedades de côres, todas ellas recebendo facil e duradouro polimento, foi nessa fazenda montada uma serraria para o córte e outros machinismos para o preparo dos seus marmores. As jazidas mais abundantes são de marmores brancos e negros, encontrando-se tambem negros com pequenos filetes brancos, negros com pontos brancos, negros-brancos e roseos, negros e roseos, brancos e roseos, brancos com manchas azuladas, cinzentos, etc. Contém actualmente as serrarias de pedras os seguintes apparelhos: tres serras de caixilhos capazes de receberem blocos de 3m, 8 por 1. 2+1. 5; um grande torno, um pollidor e um pequeno para balaustre, duas plainas e um polidor universal para o preparo do marmore; uma serra circular e duas pequenas talhadeiras de ardosia, além de pequenos apparelhos para preparo de facas e de outros ferros que cortam o marmore. Está o Banco em trabalhos para o aumento de mais tres serras em caixilhos. E´ esse estabelecimento illuminado pela electricidade para o trabalho durante a noite. Uma turbina da força de cem cavallos põe os diversos machinismos em movimento. Ultimamente os productos da serraria de pedra do Itupararanga têm tido alguma extracção; grande numero de ladrilhos já tem sido exportado, algumas escadas já têm dahi sahido e para a architectura está em execução todo o embasamento de um grande edificio na cidade de Santos. Para monumentos funebres tem sido empregado, dando solenne aspecto, o marmore negro. Grandes jazidas de ardosias, encontrando-se tambem na fazenda do Itupararanga, são reduzidas em ladrilhos que têm obtido grande procura para terreiros de café e passeio de ruas. Encontra-se tambem nessa fazenda, mas ainda não aproveitado, o grande salto, na distancia de 200 metros, offerecendo uma differença de nivel de um metro e sendo a quéda principal de 57 metros. O SALTO DE ITUPARARANGA. Reside em Itupararanga um cidadão verdadeiramente notavel pela elevação de talento, robustez da illustração e pelos dotes moraes que ornam o seu caracter e o seu coração. E´ o Dr. Calixto de Paula Souza, moço ainda, pois conta 39 annos, distincto engenheiro encarregado da exploração das ricas jazidas no Itupararanga e presidente da Camara Municipal, em cujo cargo tem se salientado pelos muitos melhoramentos que ha feito em beneficio da cidade. Em companhia desse illustre cavalheiro me dirigi a visitar o importante salto. A estrada de ferro de Votorantim vae sómente até ás jazidas de marmore. Dahi por diante faz-se a viagem a cavallo. O Sorocaba ao atravessar a serra precipita-se em profundissima grota, talhada no granito, onde as aguas se premam e contorcem, em enorme vortice, cabindo sobre pedras artisticamente buriladas e cobrindo-as de brancas espumas aureoladas de tenues vapores. E´ impossivel imaginar scena mais grandiosa da que então eu contemplava. A agua, precipitando-se por uma só quéda de 56 metros de altura, com enorme estampido, para depois formar um segundo salto de 18 metros e logo após constituindo pequenas corredeiras, é de um magestoso effeito. Acha-se perdido esse salto no meio de mattas e entre medonhos despenhadeiros e quasi inaccessivel pelas agruras do caminho. BAIRROS DO MUNICIPIO. Agua Vermelha, Itapeva, Itupararanga, Cerrado, Salto, Ipanema das Pedras, de cima e do meio, Jacurupava, Inhambirú, Sarapuy, Jundiaquara, Rio Acima, Votorantim, Morros, Cubatão, Arvore Grande, Boa Vista, Passa Tres, Caputera, Inhoayva, Apparecida, Piragibú, Piragibú de Baixo, Cajurú, Terra Vermelha, Itajurú, onde Balthazar Fernandes lançou os fundamentos da povoação, Indaiatuba, Itanguá, Villeta, com uma estação da estrada de ferro, Cagiré, Lavras Velhas, Olaria, Vossoroca, Santo Antonio, Avecuia, Ipatinga, Caguassú, Ilha e Salto do Pirapora. Nesses bairros existem quatro serrarias de meideiras, uma olaria a vapor, uma serraria de marmores a vapor, oito olarias simples, 18 fornos de cal, sendo tres continuos, 15 fabricas de aguardente e 58 negocios de fazendas, seccos e molhados. Desses bairros têm capella o Cerrado, a Apparecida, Piragibú de Cima, Cajurú, Inhoayva, Caputera, Nossa Senhora dos Remedios, Itapeva, S. Francisco, Indaiatuba, Santa Rita, e Passa Tres. ESTRADAS DE FERRO. Sorocabana. Atravessa a cidade, tem ahi as suas officinas e uma estação situada entre a de Passa Tres e de Villeta. Via Ferrea Votorantim. A necessidade que tinha o Banco União de S. Paulo de dar facil e rapida sahida aos productos de sua fabrica em Votorantim e aos das industrias exploradas na Fazenda Itupararanga, obrigou-o a construir essa via ferrea de bitola de 0m, 60. Até Votorantim as condições do seu traçado me permittiram desviar todas as difficuldades; mas, desse ponto até o seu final, kilometro 16, junto á serraria de marmore, foram taes os accidentes do terreno que grande movimento de escavações teve-se necessidade de effectuar para o preparo do seu leito. As condições technicas do seu traçado até o kilometro 14, Fazenda Itupararanga, que é utilizado pelo publico, são as seguintes: bitola 0m, 60, declividade maxima 3 %, raios minimos das curvas 60 metros. Tem tres estações: Sorocaba, Votorantim e Itupararanga. A linha tem 16 kilometros de extensão até ás jazidas de marmore. De Sorocaba á Fabrica Votorantim o seu percurso é de 7 kilometros e até á Fazenda 14 kilometros. Prolonga-se a linha de Itupararanga ás jazidas de marmore em uma extensão de 2. 600 metros, mas o seu trafego [p. 281]Em 1654 foi a villa de Sorocaba fundada, elevado o pelourinho por despacho de D. Francisco de Souza, Governador naquella época. Em 1661 dirigiu o capitão Balthazar Fernandes a seguinte petição:« Diz o capitão Balthazar Fernandes, morador na nova povoação de Sorocaba, villa de Nossa Senhora da Ponte, que elle, como povoador, em nome dos mais moradores, trata de levantar pelourinho na dita villa, que será meia legua do lugar que levantou o Sr. D. Francisco, que Deus tenha, Governador deste Estado, como tambem necessitam de justiça para se poderem governar, como leaes vassalos de Sua Magestade, e que uma e outra cousa se não póde obrar, nem conseguir sem expressa ordem de V. S. para o que V. S. lhe faça mercê conceder o reduzido em sua petição, visto redundar tudo em augmento desta repartição e serviço de Sua Magestade e augmento de seus moradores, prevendo V. S. — Receberá mercê. »Essa petição teve o seguinte despacho:« O Ouvidor desta Capitania faça averigução do conteudo na petição e da quantidade de moradores casados que ha nesta povoação e de tudo me informe para poder deferir o total. S. Paulo, 2 de março de 1661 — Sá. »Em virtude desse despacho foram inquiridas a 2 de março de 1661, em presença do Ouvidor da Capitania de S. Vicente, Antonio Lopes de Medeiros, diversas testemunhas, dando em seguida o Ouvidor o despacho seguinte:« O escrivão deste juizo leve este summario ao Illm. Sr. Governador Geral desta repartição para que pelos ditos das testemunhas tome exacta informação e proveja como lhe parece de justiça. S. Paulo, 3 de março de 1661. — Lopes. »Despacho do Governador:« Vista a meação feita pelo Ouvidor desta Capitania com alçada, Antonio Lopes de Medeiros, e a bem do dito Foral dos Donatarios e haver meu antecessor D. Francisco de Souza levantado pelourinho no dito districto, mando se lhes passe provisão na fórma que pedem. S. Paulo, 3 de março de 1661. — Sá. »Azevedo Marques diz: « A´ cerca de sua fundação ha o seguinte: Em 1600 o Governador Geral das minas, D. Francisco de Souza, em resultado das explorações que fez na Capitania de S. Vicente e nas minas de Araçoyaba, resolveu fundar uma povoação nas vizinhanças das ditas minas. Este facto se comprova, além de outros fundamentos historicos, com o documento que abaixo transcrevemos e consta do Livro 3º de sesmarias existentes no cartorio da Thesouraria de Fazenda: « Illm. Sr. Governador Geral — Diz Francisco Rodrigues que elle é morador na villa de S. Paulo e que está de caminho para o termo de Biraçoyaba, a povoar e lavrar mantimentos como outros moradores que lá vão, e porquanto não tem terras por serem já todas dadas pelos capitães passados, por isso pede uma legua de terra em quadra pela ribeira de Carapoy, começando a dita data da tapera de Hibapaara, rio abaixo Carapoy, resalvando as pontas e voltas que o rio fizer, ficando a dita data da banda do sul do dito rio, visto ter muitos filhos e filhas para agalhar, e haver muitos annos que está na terra, achando-se nella em todos os rebates e guerras que nella se fizeram, á sua custa, e de mais resultar com a sua povoação muito serviço a Sua Magestade e ao descobrimento das minas de ouro e prata e mais metaes que por V. S. serão, com ajuda de Deus, descobertas. » Despacho. « Dou ao supplicante as terras que pede. S. Paulo, 14 de julho de 1601. — D. Francisco de Souza. »« E´ pois certo que o Governador Geral D. Francisco de Souza (que falleceu em S. Paulo em 1611) intentou fundar alli uma povoação e que chegou mesmo a estabelecel-a pelos annos decorridos de 1600 a 1610, com o fim de dar desenvolvimento á exploração das minas, mas sobrevindo-lhe a morte, não progrediu a referida povoação, antes decahio rapidamente até extinguir-se de todo: essa povoação chamou-se Itapeboçú ». « Em 1654 o paulista Balthazar Fernandes e seus genros André de Zunega e Bartholomeu de Zunega, hespanhóesConstando ao Governador Salvador Corrêa de Sá que Balthazar Fernandes tinha mudado o pelourinho para outro sitio, fez baixar a seguinte Provisão:« Porquanto D. Francisco de Souza, meu antecessor, Governador Geral que foi desta repartição, mandou levantar pelourinho na dita villa de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba, e por me constar que o Capitão Balthazar Fernandes, morador antigo destas Capitanias, se foi por aquelle Districto com outros muitos moradores, e trataram de mudar o dito pelourinho para outro sitio mais accommodado, dentro do mesmo limite, onde tem sua povoação e numero de 30 casas, que, conforme as doações dos donatarios desta Capitania, lhes concedeu o poderem formar villas, deixando-lhe de terreno de uma a outras de 4 legoas; e porque todas estas cousas concorram nesta nova povoação, e assim me haverem representado, por sua petição, os moradores daquella povoação, que mandando pelo Ouvidor desta Capitania, fazer informações juridicas, constou de todo o referido; e porque entre as mais cousas que me pediram foi licença para elegerem officiaes na camara na via costumada, hei por bem, em conformidade dos foruns se faça á dita eleição comparecer pessoas graves; pelo que hei por bem nomear para juizes o dito Balthazar Fernandes e Paschoal Leite Paes, para vereadores André de Zunega e Claudio Furquim, para procurador Domingos Garcia e para escrivão da Camara Francisco Sanches, que servirão este anno de 1661 e nos tempos costumados se farão as eleições pela via ordinaria. Com que tudo assim ordeno por serviço de sua Magestade, augmento das terras dos donatarios e conveniencia dos moradores; e outrosim, mando que esta minha Provisão se registre no livro da Camara que ha de servir. Em firmeza do que lhe mandei passar a presente, sob meu signal e sello de minhas armas, a qual se cumprirá tão pontualmente como nella se contém, sem duvida nem interpretação alguma. Dada e passada nesta villa de S. Paulo, aos 3 dias do mez de março de 1661, e se registrará onde pertencer. Thomé Veiga a fez por mandado do dito Sr. Salvador Corrêa de Sá e Benevides ». Foi Sorocaba elevada á categoria de cidade pela Lei Provincial n. 5 de 5 de fevereiro de 1842. E´ Comarca de terceira entrancia, creada pela Lei Provincial n. 39 de 30 de março de 1871 e classificada pelos Decretos n. 4. 731 de 3 de junho de 1871, 4. 890 de 14 de fevereiro de 1872 e 262 de 14 de março de 1890. A cidade de Sorocaba foi onde se manifestaram os primeiros actos da rebellião de 1842. Deram motivos a essa rebellião, segundo foi affirmado pelo Ministro Manoel Alves Branco, depois Visconde de Carvalhaes, causas por muito tempo accumuladas, paixões por muito tempo exacerboldas. Os chefes do movimento revolucionario deram-lhe como causa a Lei de 3 de dezembro de 1841, que reformou o Codigo do Processo Criminal, e a que criou o Conselho de Estado. Os projectos que consignavam taes medidas levantaram grande celeuma na Camara dos Deputados. Dissolvida esta a 1 de maio de 1842, reuniram-se os chefes da opposição e deliberaram disputar pelas armas o predominio de suas idéas; mas esse alvitre só foi adoptado pelos opposicionistas de S. Paulo e Minas. No Rio de Janeiro foi logo instituida uma sociedade secreta, que devia ramificar-se por todo o paiz com o fim de generalizar o movimento, que teve seu inicio em Sorocaba no dia 10 de maio de 1842, com a recusa por parte da Municipalidade de empossar as autoridades nomeadas em virtude da Lei de 3 de dezembro de 1841. No dia 17 daquelle mez proclamou-se a revolta em Sorocaba, onde era acclamado Presidente da provincia o Coronel Raphael Tobias de Aguiar, um dos chefes do partido em opposição e paulista de merecimento por seu prestigio social e virtudes. Reunida a Camara Municipal, deliberou lavrar a acta seguinte, que vai com a orthographia do original:« Acta da reunião da Camara Municipal a requisição do Povo e Tropa reunidos hoje nesta cidade Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1842, vigesimo segundo da Independencia e do Imperio do Brazil nos Paços da Camara Municipal desta cidade de Sorocaba, onde se reuniram em consequencia do rebate que o Povo e Guardas Nacionaes fizeram tocar, todas as Autoridades Civis e Militares, o Batalhão das ditas Guardas Nacionaes e mais Ci-[p. 282]dadãos deste municipio, os quaes todos attendendo ao estado de coacção em que se acha Sua Magestade o Sr. D. Pedro II, Imperador Constitucional do Brazil, dominado pela facção que curando unicamente dos seus interesses, tem levado este Imperio as bordas do abysmo, em que vai ser submergido, reduzido ao misero estado da do Ceará e Parahyba em administração tirannica do Proconsul que como delegado dessa facção o tem governado e opprimido, e conhecendo que convém quanto antes salvar o throno do Sr. D. Pedro II, e a Constituição que temos jurado, propuzeram como medida de salvação a nomeação de um Presidente interino desta Provincia e unanime e expontaneamente proclamaram o Sr. Coronel Rafael Tobias de Aguiar para o dito cargo a quem autorisaram para Administrar em nome de Sua Magestade o Sr. D. Pedro II, Imperador Constitucional, até que o mesmo Augusto Senhor livre-se da coacção em que se acha e nomêe um Ministro da confiança Nacional; e outro sim que a Assembléa Geral Legislativa tinha derogado as Leis, que tendo sido feitas contra a Constituição do Imperio. Igualmente autorisaram ao dito Exm. Presidente nomeado para que tome todas as providencias que julgar convenientes para salvar a Provincia dos orrores de Anarchia a que vão conduzi-la as ditas Leis suspendendo a sua execução. No mesmo acto e por uma deputação de tres de seus Membros mandaram os ditos Vereadores convidar ao mesmo Exm. Sr. Coronel Rafael Tobias d´Aguiar para o indicado fim e comparecendo elle e sendo-lhe dictadas as condições de sua nomeação, prestando juramento, que lhe foi differido pelo Presidente da Camara de defender o Imperador e a Constituição athé a ultima extremidade. Se deu este acto por findo e para constar se lavrou a presente Acta, que assignáram os ditos Vereadores com o Exm Sr. Presidente nomeado, Autoridades e mais cidadãos que se acharam presentes e que tiveram parte no dicto acto, eu Elias de Oliveira Cesar Lima, Secretario da Camara que escrevi. — Rafael Tobias d´Aguiar. — José Joaquim Lourda, Presidente da Camara. »(Seguem-se 300 assignaturas. )A 20 de junho, porém, entrava em Sorocaba, sem achar a minima resistencia, o chefe das forças legaes, então Barão de Caxias e procedia á prisão de alguns compromettidos na rebellião, entre os quaes o ex-regente e senador Diogo Antonio Feijó As forças rebeldes haviam-se dispersado na vespera, retirando-se o chefe Coronel Tobias de Aguiar para a Provincia do Rio Grande do Sul, onde alguns mezes depois foi preso, sendo-lhe restituida a liberdade em virtude do Decreto de 14 de março de 1844 que amnistiou aos compromettidos na revolta. A comarca de Sorocaba comprehende os termos de Sorocaba e Campo Largo. DIVISAS. Confina este municipio ao N. com o de Porto Feliz; a NE. com o de Itú; a E. com o de S. Roque; a SE. com o de Una; ao S. com o da Piedade; e a SO. com o de Campo Largo. As divisas com o municipio de Porto Feliz foram determinadas do modo seguinte pela Lei Provincial n. 28 de 5 de julho de 1869: Da fazenda que foi do Capitão-Mór Moraes, hoje do Capitão Julio Lopes de Oliveira, seguir-se-á pela estrada que vai de Itú pela dita fazenda á fabrica de ferro do Ipanema, passando pelo lugar denominado Cruz e seguindo pela estrada do bairro do Indayatuba até o corrego do Areão e por este abaixo até ao rio Sorocaba. Estas divisas foram modificadas por diversas Leis provinciaes, que decretaram a passagem de fazendas de um para outro municipio. As divisas com o municipio da Piedade foram traçadas do modo seguinte pela Lei Provincial n. 51 de 10 de Abril de 1872: Começando na serra de S. Francisco, no ponto em que divide com S. Roque, seguem por ella até o lugar denominado Morro Cavado, e dahi a rumo direito, passando junto de uma paineira, em terras de Manoel José Domingues a dar em um tope de pedras nas terras de Joanna Maria de Souza, e deste ponto ao lugar mais alto da campina dos mesmos e ao alto do Quilombo, indo ter ao pasto de João Antonio dos Santos, e seguindo á beira do campo do finado Almeida, passando por entre os sitios dos finados Braga e Caetano Prestes a dar na ponta da serra no cafezal velho do coronel Lopes de Oliveira e por esta, deixando a casa de Honorio de Camargo á esquerda e a de Vicente Lacerda á direita, segue pela estrada que vae ao Pilar ficando á esquerda Paulino Mendes da Rosa; atravessa o rio Turvo, e passando por terras de Salvador Rodrigues Pereira, atravessa a estrada que vai para Sarapuhy, deixando as casas de José de Almeida Lara, Francisco Marcellino para a esquerda, e a de José Gago á direita, cahindo no rio Claro, e subindo as suas cabeceiras que vão ter no sertão; ficando assim (refere-se á Piedade) dividida pela direita do mesmo rio com a freguezia de Sarapuhy e pelas suas cabeceiras com Santo Antonio do Juquiá. As divisas com o Municipio de Campo Largo foram estatuidas pela Lei Provincial n. 46 de 10 de abril de 1865 nos termos seguintes: Principiam na barra do ribeirão Ipanema, no Sorocaba, seguindo ribeirão acima até á barra de um corrego pelo lado esquerdo, e por este acima até á sua cabeceira em um banhado perto do portão da fabrica de S. João do Ipanema, deste banhado seguem pelo vallo e portão da dita fabrica até um corrego que serve de aguada no sitio que foi de José Quirino de Oliveira e por este corrego abaixo até ao ribeirão Ipanema, ficando todo o terreno da fabrica deste lado para Campo Largo; subindo o ribeirão Ipanema até á barra do Ipanemirim, e por este acima até o passo do Barreiro e corrego acima, passando pela frente do collegio do professor Francisco de Paula Xavier de Toledo até á sua cabeceira junto á casa do finado Laguna, ficando esta pertencendo a Sorocaba, e atravessando a estrada do Jundiacanga, proximo ao portão até á cabeceira de uma vertente, que desagua no rio Pirapora, e por este abaixo até fazer barra no rio Sarapuhy. Sobre suas divisas consultem-se ainda as Leis Provinciaes de 9 de fevereiro de 1842, n. 36 de 1 de março de 1846, n. 31 de 25 de abril de 1865, de 8 e 19 de julho de 1867, n. 82 de 15 junho de 1869 e n. 64 de 13 de abril de 1880. ASPECTO GERAL. O territorio estende-se por montanhas e por planicies. Toda a região de S. e SE. que se apoia na serra de S. Francisco, limite do municipio por um lado, é bastante accidentada, retalhada por valles e fundas grotas e muito irrigada; a zona do centro N. e NO. abrangendo um cerrado de dous terços da superficie do municipio, é uma grande planicie que o rio Sorocaba e os seus pequenos affluentes cortam em sulcos mais ou menos profundos, differindo umas dezenas de metros do nivel geral das terras, cujo pendor é na direcção do curso do rio Sorocaba. A linha mais profunda de todo o territorio do municipio, segue rumo de NNO. SERRAS. A elevação mais importante do solo do municipio é a denominada serra de S. Francisco. Com encostas ingremes, talhadas em altos paredões de granito, essa serra é como uma chapada que alguns corregos retalham em varios sentidos, sem que todavia a linha geral da cumiada, observada de certa distancia, deixe aquella regularidade monotona, caracteristica das altas planicies. Observada de Sorocaba, a serra de S. Francisco, com altitude entre 900 e 1. 000 metros, parece uma gigantesca muralha sem solução de continuidade, abrangendo um quarto do horizonte. De suas encostas, quasi a prumo, descem fios d´agua, formando pequenas, mas lindas cascatas, como a do rio Cubatão, que, aliás, se avista de grande distancia. O rio Sorocaba corta, entretanto, essa serra de SE. para NO. ; a grande brecha que o rio ahi tem por leito é estreita e profunda, apresentando a serra em geral aspecto massiço e uniforme. A serra de Inhoahyba outra elevação do territorio, parece prolongamento da de S. Francisco na direcção de NO. não obstante ser de constituição inteiramente diversa. Uma lombada de terras altas, formada de schistos antigos, corre parallelamente ao massiço granitico da serra de S. Francisco, erguendo-se-lhe quasi do sopé e deixando apenas de intervallo um sulco profundo e estreito, onde correm alguns ribeirões. O terreno montanhoso e perturbado prolonga-se assim desde meados daquellas serras até ás proximidades da cidade de Sorocaba. RIOS. O municipio conta, além do rio que lhe dá o nome, grande numero de ribeirões de cerca de 20 a 25 kilometros de curso. O rio Sorocaba, que nasce nas terras altas, situadas entre os municipios de Una e Cotia, entre as serras da Caucaia e S. Lourenço, tem em sua origem o nome de Sorocá-mirim. Emquanto tem este nome recebe o Vargem Grande, o Sará-sará, o Laranjeiras, o Carmo e o Rio Abaixo. Depois que se lhe junta o Sorocabussú pouco acima de Una, toma o nome de Sorocaba, com que vae meandrar na [p. 283]margem esquerda do rio Tiete. Desce a serra de S. Francisco, que limita o seu curso superior, formando muitas cachoeiras e saltos, dos quaes os mais notaveis sao os de Itupararanga e Votorantim. Entre esses dous saltos recebe o Sorocaba, pela margem direita, o Cubatão, que desce da serra de S. Francisco e tem de curso nove kilometros, pouco acima da foz deste o Agua Vermelha e o Lageado, acima da queda do Votorantim, os corregos da Capella e do Paiol e abaixo deste salto, pela margem esquerda, o ribeirão do Itapeva. Ao passar pela cidade já tem o Sorocaba 15 a 20 metros de largura, que se atravessa por excellente ponte de ferro de 75 metros de extensão e cinco vãos, lançada sobre pilares e encontros de alvenaria de pedra. Abaixo da cidade o rio, muito sinuoso, vai recebendo as aguas de pequenos ribeirões e corregos, como o Itararé, o Tavacahy, o Itabacahy, o Supiriry, que rodeia a cidade pelo lado do N. o Piragibú, que traz as aguas dos ribeirões do Varejão e do Pirajibú-mirim, o Fundo, o Caaguassú, o Itanguá, o Olaria e a Ipanema, que, vindo dos campos da vizinhança da serra de S. Francisco, abastece de agua a fabrica de ferro e serve de limite ao municipio. O mais consideravel affluente do Sorocaba, dentro do municipio, é o Piragibú, que collecciona as aguas que vertem das serras de S. Francisco, Inhoahyba, Varejão e terras altas das proximidades de S. Roque, onde elle tem origem. Em seu curso atravessa algumas mattas e forma cascatas e cachoeiras muito pittorescas, aliás, pouco conhecidas. O Sorocaba, em seu curso, recebe ainda o Una, o Tatuhy, o Guararapó e o Sarapuhy e forma, além dos saltos citados, as cachoeiras das Tres Ilhas e a de Juru-mirim. Suas margens, especialmente no municipio de Tieté, são de terra roxa de excellente qualidade. O Sorocaba acima do Votorantim corre em um leito muito pedregoso e muito apertado, parallelo ao Cubatão, em uma extensão de nove kilometros, mais ou menos, e com uma differença de nivel de 30 metros a favor deste ultimo. A largura do Cubatão e a estreiteza do Sorocaba, que corre ás vezes em apertadas gargantas de seis metros, indica ser o actual leito do Cubatão o primitivo leito do Sorocaba, e que causas geologicas transformaram os leitos dos dous rios. A estrada de Ferro Sorocabana atravessa quatro vezes o rio Sorocaba. LAGOAS. No municipio ha muito poucas lagôas e estas pequenas como as da Itinga, Ipatinga e uma outra sem denominação, que fica nas cabeceiras do rio Cubatão, na fazenda de Francisco Rosas. A do Itinga está situada perto do bairro deste nome, em terrenos de campo, é muito limpa e redonda; a do Ipatinga está tambem situada em terrenos de campo e jaz entre o ribeirão Itanguá e o rio Ipanema, porém mais proxima deste, conta 300 metros em seu maior diametro. CONSTITUIÇÃO GEOLOGICA. Os terrenos do municipio são em parte graniticos, em parte compostos de grés e schistos. VERAS
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![]() Fonte: ERRO!
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