TESTE
“Carvalhinho, o primeiro brasileiro” 19 de junho de 2019, quarta-feira
0:00"E o Carvalinho, hein" "Que Carvalinho?"0:02"O Carvalinho, cara, vai me dizer que tu não sabe quem é o Carvalinho!?"0:06"Não sei quem é Carvalinho nenhum". 0:09Eu tô há dois anos fazendo esse programa e tu ainda não sabe quem é o Carvalinho?0:14"Não, não sei quem é o Carvalinho!". 0:16Pelo amor de Deus, é a última vez que eu te explico quem é o Carvalinho. 0:21Cara, é porque tu ainda não leu o livro "Náufragos, Traficantes e Degredados". 0:25porra, desmarquei. 0:26Ehehe desmarquei mesmo. 0:28Cara, o Carvalinho é um personagem fundamental desse livro, se tu não leu o problema é0:33teu. 0:34Tá, tá bom, mas qual é a do Carvalinho?0:36Carvalinho é o primeiro brasileiro, o primeiro brasileiro!0:40Vem aqui conhecer a história dele tu vai gostar demais, é inacreditável!0:45Puta, esqueci de pensar a rima. 0:48Essa parte pode entrar junto. 0:50Mmmm. 0:51"Machadinho, machadinho, por favor não corte o carvalinho" "Machadinho, machadinho, por0:58favor não cortem o carvalinho" sabem que um cara um dia desses teve o desplante, o1:11desplante de dizer que as rimas estão cada vez piores nessa abertura. 1:14São rimas geniais, cara, são rimas fantásticas, e mesmo tendo sido a minha filha quem deu1:20essa, ela é perfeita, isso que ela nem sabe também a história do Carvalinho, que nem1:24tu não sabe, e tem tudo a ver com machadinho, cara, machadinho. 1:28Bom, essa história começa cara, ã em fevereiro de 1511 quando uma nau chamada Bretoa. 1:36Por que chamava Bretoa?1:38Porque tinha sido feita na Bretanha, na Bretanha, que é ali lá em cima na França, junto com1:43a Normandia e tal, um lugar onde faziam muitas naus e barcos e caravelas, embora as fizessem1:49também em Portugal. 1:50A questão é que a nau Bretoa pertencia a um consórcio, um consórcio que havia arrendado1:57a terra do Brasil. 1:59E por que que chamava terra do Brasil? Porque tinha pau brasil, embora a palavra Brasil não seja só diretamente ligada aBrasil, tal, blablá, isso é outro assunto. 2:08O fato é que essa nau chamada Bretoa veio para o Brasil para recolher pau brasil de2:16acordo com o trato, de acordo com o tratado, de acordo com ã, conforme o acordo que havia2:22sido assinado entre o Fernando, o Fernão de Noronha, o primeiro donatário do Brasil2:29que a gente chama de Fernando de Noronha, mas o nome original era Fernão de Loronha, 2:34era o nome autêntico, verdadeiro dele, que era um judeu converso, que era representante2:40em Portugal dos interesses da família Figa, que era uma das famílias mais ricas da Europa, 2:45os monopolistas da prata do Tirol, na Alemanha, riquíssimos, que tinham uma rede de casas2:51bancárias cuja sede, embora eles fossem alemães, ficava em Londres e esse Fernão de Loronha2:56era o representante deles em Lisboa, conhecia o rei Dom Manoel, papapá, e arrendou o Brasil3:04em 1502 até. era um contrato de três anos que ia sendo renovado, né, e ele, só ele, 3:11poderia explorar o pau brasil. 3:12O contrato dele foi renovado três vezes, acabou mais ou menos em 1511 e ele se associou. 3:17tá, não interessa!3:18Já tá ficando longa demais essa história!3:20Vai ler, vai ler, essa história tá toda aqui. 3:22 O fato é que a nau Bretoa, que pertencia a uma série de armadores, né, que investiam3:28no trato e no tráfico de pau brasil partiu em fevereiro, dia 6 de fevereiro de 1511 de3:37Lisboa para o Brasil. 3:38Quando eles partiram, só o capitão sabia pra onde eles tavam indo. 3:42 Ele, já em alto mar no dia 12 de março de 1511 foi que ele leu o "regulamento da nau Bretoa". o regimento, perdão, o regimento da nau Bretoa. E esse regimento da nau Bretoa cara, é um documento precioso, um documento incrível que sobreviveu ao tempo e são seis páginas dizendo o que a nau Bretoa vinha fazer no Brasil e de que forma as pessoas que estavam dentro daquele navio deveriam se comportar. 4:12Cara, é um documento árido, é um documento chato de ler, por isso que você precisa depessoas que nem eu, porque eu li e interpretei pra você o regimento da nau Bretoa, que tu não ia ter o menor saco de ler. e em troca disso eu espero que pelo menos tu compre esse livro ou dê dinheiro pro meu canal porque eu tô aqui fazendo essas porra de graçapra ti e tô começando a encher meu saco e é verdade, depois a gente vai tratar sobre esse assunto, do meu desconforto de tu não dar dinheiro. 4:41O fato é que eles partem pro Brasil, né, com esse regimento, e é o seguinte: ali no4:46regimento dizia "estamos indo para o Brasil", só nesse momento que a tripulação ficou4:51sabendo que tava vindo pro Brasil, eles não sabiam pronde eles tavam indo. 4:54Podia ser pra África, podia ser pra Índia, podia ser. 4:58Não Japão eles não chegaram. 4:59Podia ser pra África ou pra Índia, ou podia ser pro Brasil. 5:01Era pro Brasil. 5:02Estamos indo para o Brasil para recolher toras de pau brasil, essas toras tem que ser recolhidas5:07no tempo mais rápido possível, elas devem ser acumuladas dentro do navio de forma mais. 5:14que caiba mais toras possível, nenhum espaço deverá ficar vazio e os marujos e demais5:20integrantes da expedição não podem ããã, como é, aquela palavra, é, dizer palavrão, 5:28tem um nome pra isso. não podem praguejar!5:31Não podem praguejar, não podem falar mal do nosso senhor Jesus Cristo, não pode cuspir5:36no chão. porra, não pode cuspir no chão!?5:39Quando chegar no Brasil só pode ir do barco até a feitoria e da feitoria até o barco. 5:44a feitoria era o estabelecimento, o entreposto comercial onde as toras de pau brasil já5:48estavam armazenadas pelos indígenas que eles levavam prali. 5:52Não pode falar com os indígenas, não pode comer nenhuma mulher indígena, não pode5:56isso, não pode aquilo, não pode aquele outro e não pode fugir pra terra, tem que dormir5:59dentro do navio, blablabláblablá, eram quarteis flutuantes, quarteis flutuantes cara, onde6:07os caras eram submetidos a uma rígida disciplina, rígida disciplina, e não podiam nada nada6:15nada, sendo primeiro punidos com penas pecuniárias, eram descontados do seu salário, depois com6:21chibatadas e depois com desterro, né, com degredo no próprio Brasil. 6:27Bom, o regulamento quando você lê já fica na cara o que os caras, tudo que eles faziam. 6:32eles praguejavam, eles cuspiam, eles transavam com as nativas, eles fugiam do barco. porque6:37né, se tá escrito "não pode" é justamente aquilo que as pessoas faziam ou tentavam fazer. 6:41Tá, o que interessa é que em abril eles chegam na primeira feitoria que tinha sido6:49criada, não a primeira, mas. Existiam só quatro feitorias no Brasil em 1511: uma em Pernambuco, onde ficava o melhor6:57pau brasil, com mais alta qualidade, né, o corante do pau brasil vindo de Pernambuco7:03era o melhor de todos, tanto é que chamava "bois de Pernambuque", em francês, "madeira7:08de Pernambuco", era assim que o pau brasil chamava, era chamado pelos franceses, que7:13aliás foi quem realmente lucraram com o pau brasil. depois tinha uma na Bahia de Todos7:17os Santos e aí tinha uma provavelmente em Cabo Frio, que algum dia falarei, uma história7:22muito incrível, fundada pelo Américo Vespúcio, em 1502, e outra, possivelmente, não se sabe, essa é misteriosa. essa história que chegaremos. no Rio de Janeiro, na baia de Guanabara, que talvez fosse a tal "Carioca", que deu origem ao nome, ao topônimo "carioca". Bom, eles chegam em abril na feitoria de, da Bahia de Todos os Santos, muito próximo de onde hoje é Salvador. E iniciam os tratos com os indígenas, as relações com os indígenas. porque cê sabe, eles davam basicamente machados, facas, miçangas e espelhos pros indígenas. 8:03Passou pra história como "índio quer apito, índio quer miçanga, índio quer guloseima". Não cara, é o seguinte: vou ter que abrir mais um parêntesis aqui, vou demorar uma8:13hora falando nesse episódio, não interessa, se tu quiser tu fica aí, se não quiser vai8:16pra outro canal, tu não vai encontrar nada nem próximo disso em nenhum outro canal. 8:20Quando os portugueses chegaram no Brasil em 1500 ou talvez provavelmente antes disso. 8:26quando os europeus chegam no Novo Mundo, eles encontram com povos indígenas que viviam8:29na Idade da Pedra. 8:31Ou seja, eles só tinham pedra, eles não tinham metal. 8:34E os portugueses e europeus em geral já chegam depois de terem passado da idade do bronze8:41pra idade do ferro, eles tinham objetos de ferro, e quando os índios veem aqueles objetos8:47de ferro os índios piram, porque isso significa um avanço na humanidade de 300 mil anos, 8:53400 mil anos, sai da idade da pedra pra idade do ferro instantaneamente, então os índios9:07não eram burros. e quando eles viram faca, faca era bom de matar, matar ah ah ah, e além9:35de ser bom de ah ah ah matar, ainda servia pra cortar o peixe, cortar fruta, pra cortar9:40isso, cortar aquilo. 9:41Outra coisa que eles piraram, isso é um parêntesis, já falei num episódio lá sobre o cabelo, 9:45é pente!9:47As mulheres especialmente, mas os homens também piraram se penteando, se penteando, se penteando9:52e olhando no espelho também. e aí olhavam ali o espelho e tal. mas acima de tudo os9:58machados, cara. as facas, os machados e os anzóis. 10:02Os anzóis também piraram eles. Eles tinham anzóis mas não eram tão bons quanto os anzóis de metal. E então, por exemplo, pra derrubar uma árvore de pau brasil com um machado de pedra, se levava de três a quatro horas, e pra derrubar com um machado de metal levava vinte minutos. 10:48 Então, pô, os índios pois é. Então os índios queriam, queriam, queriam coisas de ferro e tal e trocavam por pau brasil. Eles derrubavam o pau brasil, era em toras que tinham mais ou menos um metro e cinquenta, pra serem transportadas, e um peso médio de 35, 40 quilos cada uma delas, e elas ficavam armazenadas dentro dessas feitorias, onde morava apenas um único feitor que ficava sozinho quase toda a maior parte do ano. os índios abatiam as árvores de pau brasil, derrubavam o pau brasil por volta de dezembro, janeiro e fevereiro e os navios que saíam11:36sempre de Lisboa em março, como é o caso desse, como é o caso do Cabral, que saiu11:39no dia 9 de março de 1500, esse aí saiu no dia seis de março de 1511. chegavam11:49mais ou menos em abril, que nem o Cabral chegou em abril!11:52Ehhhh, que lógica, né. 11:53E aí recolhiam o pau brasil, demoravam um tempo porque tinham que carregar, bababá, 11:58enchiam o navio até os gargumilho, e voltavam pra Portugal com a carga, preciosa carga de12:07pau brasil. 12:08Só que junto eles também levavam papagaios, onças, jaguatiricas, e macacos, saguis, que12:15valiam um dinheirão lá. 12:17Depois eu chego nessa parte, tá, não interessa, não enche meu saco, eu vou voltar pros animais. 12:20E aí eles então estão ancorados em. 12:24Na baia de Salvador. 12:26Cara, não tô nem na metade do episódio, vai demorar mais de uma hora esse, não enche12:29meu saco, eu falo o quanto eu quiser, se quiser desliga, vai pra outro canal, tu não vai12:31encontrar isso em nenhum outro canal. 12:34Aí ele, eles tão lá na Bahia de Todos os Santos quando o feitor do navio percebe que12:42desapareceram seis machados. 12:44Seis mach. não sei se é bem seis, não interessa. 12:49Desapareceram acho que seis mesmo machados, e algumas facas. 12:52Ou seja, alguém roubou pra comercializá-las diretamente com os indígenas. 12:57Cara, era assim, era um quartel como eu falei, não podia desaparecer uma agulha, inclusive13:02tinha, sério, o número de AGULHAS que vinha dentro do navio estava no regimento, era um13:08negócio assim capitalista selvagem, era cara, tudo anotado, não tem essa de roubar uma13:13agulha que eu sou teu patrão, seu animal! 13:16Tu imagina um machado, né!13:18Aí criou aquele climão, papapá, quem é que roubou o machado, quem é que roubou o13:21machado, blábláblábláblá, né, e aí tiveram que ir pra feitoria de Cabo Frio. 13:28Foram pra feitoria de Cabo Frio, né, porque eles tinham posto só metade da carga ali13:32porque tinha uma carga maior em Cabo Frio. 13:34Eles chegam em Cabo Frio por volta de junho de 1500 e. ou julho de 1511, não é, e13:40aí ali, no Cabo Frio, é feito um julgamento, o feitor e o capitão do navio, se sabe o13:47nome, eu esqueci, não interessa não enche meu saco, vai pesquisar, lê o livro "Náufragos, 13:50Traficantes e Degredados", essa história está toda ali, e aí fazem ali um tribunal, 13:54um julgamento e se descobre que quem teria roubado os machados foi o. foi o. 14:05Carvalinho, cara!14:06O Carvalinho!14:08O Carvalinho!14:09O João Lopes de Carvalho, Carvalinho, teria surrupiado, junto com um outro cara chamado14:17Pero Anes, os porras dos machados. 14:21Então eles são condenados a ficarem no exílio em Cabo Frio. 14:26Ahaha ruim né cara, ou tu volta pra Lisboa no inverno ou tu fica no Cabo Frio. 14:33Não, mas os cara não queriam né, até porque eles ficaram jurando inocência. 14:40"Não fui eu, não fui eu, não fui eu" e até hoje não se sabe se foi, se foram eles14:45ou se não foram eles, pelos desdobramentos da história, porque agora nós estamos chegando14:48talvez no início do começo da metade desse episódio. 14:52E aí eles juram inocência. 14:55Eles ficam um tempo em Cabo Frio e teriam se mudado pro Rio de Janeiro, tá. 15:00Aí tem uma história tão grande que eu não vou te contar porque ninguém na real sabe15:04qual é a origem real do nome "Rio de Janeiro", eu até sigo a teoria do Francisco de Adolfo15:09Varnhagen que é o patrono da história brasileira, o cara que escreveu em 1854 e diz que foi15:15a expedição do Américo Vespúcio, de 1502, que deu o nome "Rio de Janeiro", mas é uma15:19história meio controversa, tem outro cara que eu admiro muito chamado Joaquim Veríssimo15:23Serrão que diz que o nome Rio de Janeiro começa a nascer com o Carvalinho, com o Carvalinho, 15:30sim, porque eles. e também tem uma controvérsia enorme que eu vou falar num outro episódio15:34se a feitoria essa que chamava feitoria do Cabo Frio não seria a tal feitoria da Carioca, 15:40que era localizada na baía, no Flamengo, na praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, que15:44deu origem ao termo "carioca", blábláblábláblá, que é uma história enorme e que se tu continuar15:50depositando dinheiro. 15:51TU NÃO TEM DEPOSITADO no canal Buenas Ideias eu talvez faça. 15:55Se bem que tive uma ideia melhor. eu vou fazer essa história da carioca só pros membros16:00do canal, só praqueles que pagam aliás uma micharia, quanto que é, cinco reais, sete16:05reais, SETE REAIS, por mês, pra ser membro desse canal!16:10Então só as pessoas, né, Letícia, não é uma boa ideia, tu tá prestando atenção?16:13As pessoas aqui nem prestam atenção, elas tem o dom, a chance de me ver falando tudo16:17ao vivo, de improviso, sem nenhum corte e assim nãaa, ficam desatentos. 16:22Presta atenção. 16:23Sete míseros reais. 16:24Então só vou contar essa história da carioca, que é uma história incrível, da origem16:29da feitoria que deu bababá, pros membros do canal, porque sim, eu sou um elitista. 16:33Sete reais, não enche meu saco. 16:35Então agora que eu fechei esse parêntesis, eu não vou continuar, eu não vou abrir, 16:39eu concluí o seguinte: eu vou contar a história do Carvalinho. vou contar pra você, vou16:43contar aqui na parte aberta, não vou contar só pros membros, mas eu só vou contar na16:47segunda parte do episódio, cara, porque tu não acredita tudo que vai acontecer com o16:53Carvalinho no Rio de Janeiro e partir daí. 16:55Então fique ligado que, em seguida, já emendado nesse, na próxima semana, você vai conhecer17:04e vai acompanhar a inacreditável saga do primeiro brasileiro, o piloto João Lopes17:10de Carvalho, 17:23o nosso carvalinho! lentemp:3-2-40 TOPO
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