 | | Arquivo Histórico Municipal (SP); Revista do Arquivo Municipal de São Paulo CLXXVI. Prefeitura do Município de SP |
Banda Infernal - Em Guarei, S. P., existiu a banda infernal desde antes de 1900 até cerca de 1920. Funcionava em tempos de carnaval, suas figuras usavam máscaras de papelão, os instrumentos eram latas, pandeiros, flautinhas de folha com seis buracos tocando pelo bico e não de atravessado, as quais se mercavam nas lojas a quinhentos réis, as mesmas de taquara do reino, instrumentos velhos, tudo. Passeava pelas vendas embriagando-se. À tarde havia as cavalhadas resumidas em tirar cabeças e argolinha. Colocavam na fronteira a banda verdadeira. Esta saudava o cavaleiro feliz com uma bela musiquinha. Aquela destemperava-se em vaia ao que errava.
A tradição mais remota desta banda vinha das cidades maiores. Sorocaba, S. Roque, que naturalmente, já a haviam abandonado. Infernal porque infernizava com as dissonâncias e arruídos, infernizava o cavaleiro sem ventura e, em todo o complexo das cavalhadas, luta entre mouros e cristãos, havia no subconsciente o céu e o inferno.
Ensaio - No silêncio do anoitecer o "bumbeiro" sai para fora da "sala da música" e bate. Ouve-se na pequena cidade e reunem-se os músicos, à luz do querosene, do acetileno e nestes últimos cinquenta anos, da eletricidade. Na cidade grande marca-se a hora. A sala é simples, e ressoa espantosamente como uma grande caixa. As estantes agrupam-se uma atrás da outra. Em bandas menores, são três ao longo de três paredes, deixando apenas o lugar para os bancos compridos. O baixo fica numa ponta. As estantes estão... [p. 71]