*Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol XXI. 1916-1921, 1924 1924, terça-feira
— 105 —S. Vicente cu Capitania de Itanhaen — a qual, na opinião do mesmo Pedro Taques, “não admittia competencia em todo o reino de Portugal. ” (6) Não ousaremos contestar, ou negar, a existencia dessa Carta Regia ou desse Acto do Marquez de Pombal de 1753–1754, annexando o resto da Capitania de Martim Affonso aos dominios reaes, simplesmente pelo facto de não termos podido vêr e manusear esse documento; extranhamos, entretanto, que nem Taques e nem Fr. Gaspar, que com tanto interesse se occuparam do litigio entre as duas donatarias, não tivessem feito a menor referencia ao tal Acto do ministro de D. José I que deveria ter posto um termo á velha demanda!Occupar-nos-emos ainda deste assumpto, provando a não existencia desse Acto, quando tivermos ensejo de analisar os actos da Corôa e dos capitães-generaes, na incorporação da vasta região da Capitania de Itanhaen á de S. Paulo. A Donataria de Martim Affonso de Sousa chamava-se “Capitania de S. Vicente” e abrangia cem legoas de costa e sertão, divididas em duas partes, uma das quaes começava na Barra de Bertioga e terminava doze legoas ao sul de Cananéa no logar denominado — Ilha do Mél, na barra do Lagamar de Paranaguá. Diz o Foral ou alvará desta doação, concedido por D. João III, a 20 de Janeiro de 1535: “Estas quarenta e cinco legoas (do Sul) começarão no Rio de S. Vicente (Bertioga) e acabarão doze legoas ao sul da Ilha de Cananéa e no cabo das ditas doze legoas, (na Ilha do Mél) se porá um padrão, com as minhas armas. ” Este padrão, (diz Pedro Taques, na sua mencionada obra escripta em 1772), “agora descobri, em Paranaguá, Affonso Botelho de Sousa, andando na diligencia da fundação de uma nova fortaleza: o dito padrão é uma pedra e nella esculpidas as reaes armas de Portugal. (Vid. mappa topographico da villa e fortaleza de Paranaguá, que vae no capitulo respectivo. ) A outra parte, ao norte, que se compunha de cincoenta e cinco legoas, diz ainda o mesmo “Foral”, começava, de treze legoas ao norte de Cabo Frio (Rio Macahé) e acabava na barra do rio Curupacé. O rio Curupacé é hoje conhecido pelo nome de Juquiriquerê, e fica ao norte de São Sebastião. (6) — Na estreita zona de dez a doze legoas que comprehendia a secção da Capitania de Santo Amaro (Rio Carapacé a Barra de Bertioga) só havia então duas villas: São Sebastião, no littoral e Mugy, em Serra-Acima. Entretanto, nessa venda ficaram comprehendidas não só as villas de São Vicente e Santos como as de São Paulo, Parnahyba e as demais que se achavam nessa zona. [p. 105]Pedro Collaço Villela, foi quem concluiu a segunda Igreja matriz de São Vicente e mandou gravar a inscrição, na pedra da frontaria, que agora se acha no Museu Paulista, que diz: "Pedro Collaço Villela, me mandou fazer na era de 1559. ". Foi este governador que, em nome de Martim Afonso, concedeu as terras do rocio á vila de São Paulo de Piratininga. [Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol XXI. 1916-1921, 1924. Página 287] IMAGEMS:512907512906512914512915512908512912512909512910512911512913 https://brasilbook.com.br/imagensx/12907
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