Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV 1896, quarta-feira
— 14 —no tomo 1. º fl. 36 debaixo da época de 1516 até oanno de 1525, q. e Martim de Souza Gov. or e Cap. amGen. al do Brazil enviava a hù homem de confiançachamado Aleixo Garcia q. e acompanhado de seu f. oe de outros tres Portuguzes, tomára a derrota ao Oc-cidente, e chegára ao Rio Paraguay (Note V, Rev. mano papel q. e lhe envio, q. e hé a carta do Cabido daCid. e de S. Mig. l da Prov. a de Tucumàa pag. 3. a infine, o q. e se diz de Aleixo Garcia, q. e bem conferecom o q. o deste Portuguez narra a Historia de Char-levoix). E que da grandeza de sua felicid. e no Perúe regresso ao Paraguay, mandará avizo a D. Martimde Souza deixando-se ficar com seu filho, e hù Por-tuguez mais: Que com a chegada dos Portuguezes, sahira hùa trópa de 60 Portuguezes, e m. tos Indios, debaixo da conducta de Jorge Sedenho p. a se hiremjuntar com Aleixo Garcia &, porq. qd. o chegou atropa ja o Gentio havia morto o Garcia e seu com-panheiro, e só não matarão ao f. o de Garcia e os 60 Por-tuguezes, com os Indios todas perecerão. Entra o annode 1526, e narra o Autor, q. e Sebastião Gaboto viera deEspanha (Note V. R. ma, q. e este Sebastião Gaboto éraPiloto Mór da Corôa de Castella, de onde sahiu em1525, e no anno de 26 chegou ao Rio da Prata e su-bindo por elle fundou hùa Torre ou Forte na margê Occi-dental do mesmo Rio chamado Forte do EspiritoSancto. Antes deste Piloto tinha vindo de Cartellaem 1515 João Dias Soliz a descobrir novo cam. o p. aas Malucas, e chegou ás Ilhas de S. Gabriel no Rioda Prata, onde dizem fez actos de posse, q. e não teveeffeito por se conhecer, q. e já era de Portugal peloseu prim. o descobridor Americo Vespucio; o q. e tudovejo no Manifesto, q. e fez o Ministerio em 1681 jaaqui iniciado) ao descobrim. to do Rio da Prata, esubiu por elle até o sitio da tragedia, e morte deAleixo Garcia, e seus dous companheiros, e se vio[p. 14] Carta de Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777) ao Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800): (. ) que este porto e Fortaleza que fundou Moschera foi em Cananéa, não dentro da Ilha, mas junto, ou defronte dela. Por este rio entravam os antigos sertanejos á conquista dos Carijós, Tupis, e Gentio chamado dos Patos; e por ele entrou o venerando padre João de Almeida, que recolheu com numeroso Gentio de nação Guarumines, que os aldeou em São Paulo em Maruery, como relata Vasconcelos na vida deste Santo Varão. [Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV, 1896. Página 15] A 1 de dezembro de 1607, verberava-se em Câmara a atitude de Belchior Rodrigues, ferreiro instalado em Ibirapuera, com forja. Anunciava querer estabelecer-se na piassava das canoas, onde desembarcavam os carijós vindo a São Paulo em busca de terra, porquanto poderiam levar ferro. [História Geral das Bandeiras Paulistas, 1924. Afonso Taunay. Página 255] Parece que havia firme propósito da parte dos historiadores em ocultar a origem indígena de Amador Bueno da Ribeira. pelo lado espanhol, o que é mais discutido e analisado por esses escritores coloniais, apenas conseguiram estes traçar a sua origem a duas gerações, sendo seu pai Batholomeu Bueno e seu avô D. Francisco Remires. [Carta de Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777) ao Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800). Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV, 1896. Página 38] Piqueroby, cacique, chefe ou rei de uma das tribos Guaynases, que ocupavam a costa marítima de São Paulo no começo do século XVI. — 34 —Aqui aportou em 1531. Esta ultima Antonia Rodrigues era filha de Piquiroby, cacique, chefe ou rei de uma das tribus Guayanases, que occupavam a costa maritima de S. Paulo no começo do seculo XVI. A fidalguia de Amador Bueno, pelo lado de seu avô D. Francisco Ramires, não era mais esclarecida do que a de muitos outros fidalgos paulistas da mesma epocha; a sua proeminencia entre os paulistas não lhe vinha, portanto, por esse lado. A sua acclamação para rei de S. Paulo, em 1641, foi devida principalmente ao seu caracter, mas em parte tambem ao facto de circular nas suas veias o sangue real de Piquiroby, que tinha sido um dos legitimos senhores do territorio paulista. A descendencia de Antonia Rodrigues, filha de Piquiroby, convertida ao catholicismo e casada com Antonio Rodrigues, «alcançou a bemaventurança da multiplicação e de successivas nobilitações pelo entrelaçamento com muitas familias de alta fidalguia». Esta multiplicação foi tão vasta, tão extensa, que hoje abrange os Estados de S. Paulo, Rio de Janeiro e Capital Federal, Minas Geraes, Paraná, Santa Catharina, Rio Grande do Sul, Goyaz e Matto-Grosso. O cruzamento foi tão generalisado e deu-se em tantas direcções, que já a Nobiliarchia Paulistana, escripta por Pedro Taques, ha mais de cem annos, não era mais do que a historia desta vastissima prole. Não desmerece essa descendencia a mistura do sangue da filha de Piquiroby; esta mistura, pelo contrario, mais a illustra, porquanto, sem ella as familias mais illustres desta grande parte do Brazil seriam, sim, brazileiras, por terem nascido aqui, porém faltara-lhes-ia a sainete brazilico, que só o sangue daquella bella princeza selvagem foi sufficiente para dar-lhe, não existindo até hoje, na successão de tantas gerações, outra raiz, além della, que as prenda ao sólo da TERRA DE SANTA CRUZ. — Dr. João Mendes — Notas Gemalogicas. (N. da R. ) [p. VERAS
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