*Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV 1896, quarta-feira
Carta de Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777) ao Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800): (. ) que este porto e Fortaleza que fundou Moschera foi em Cananéa, não dentro da Ilha, mas junto, ou defronte dela. Por este rio entravam os antigos sertanejos á conquista dos Carijós, Tupis, e Gentio chamado dos Patos; e por ele entrou o venerando padre João de Almeida, que recolheu com numeroso Gentio de nação Guarumines, que os aldeou em São Paulo em Maruery, como relata Vasconcelos na vida deste Santo Varão. [Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV, 1896. Página 15] A 1 de dezembro de 1607, verberava-se em Câmara a atitude de Belchior Rodrigues, ferreiro instalado em Ibirapuera, com forja. Anunciava querer estabelecer-se na piassava das canoas, onde desembarcavam os carijós vindo a São Paulo em busca de terra, porquanto poderiam levar ferro. [História Geral das Bandeiras Paulistas, 1924. Afonso Taunay. Página 255] Parece que havia firme propósito da parte dos historiadores em ocultar a origem indígena de Amador Bueno da Ribeira. pelo lado espanhol, o que é mais discutido e analisado por esses escritores coloniais, apenas conseguiram estes traçar a sua origem a duas gerações, sendo seu pai Batholomeu Bueno e seu avô D. Francisco Remires. [Carta de Pedro Taques de Almeida Pais Leme (1714-1777) ao Frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800). Publicação Oficial de Documentos Interessantes para a História e Costumes de São Paulo. Vol. IV, 1896. Página 38] Piqueroby, cacique, chefe ou rei de uma das tribos Guaynases, que ocupavam a costa marítima de São Paulo no começo do século XVI. — 34 —Aqui aportou em 1531. Esta ultima Antonia Rodrigues era filha de Piquiroby, cacique, chefe ou rei de uma das tribus Guayanases, que occupavam a costa maritima de S. Paulo no começo do seculo XVI. A fidalguia de Amador Bueno, pelo lado de seu avô D. Francisco Ramires, não era mais esclarecida do que a de muitos outros fidalgos paulistas da mesma epocha; a sua proeminencia entre os paulistas não lhe vinha, portanto, por esse lado. A sua acclamação para rei de S. Paulo, em 1641, foi devida principalmente ao seu caracter, mas em parte tambem ao facto de circular nas suas veias o sangue real de Piquiroby, que tinha sido um dos legitimos senhores do territorio paulista. A descendencia de Antonia Rodrigues, filha de Piquiroby, convertida ao catholicismo e casada com Antonio Rodrigues, «alcançou a bemaventurança da multiplicação e de successivas nobilitações pelo entrelaçamento com muitas familias de alta fidalguia». Esta multiplicação foi tão vasta, tão extensa, que hoje abrange os Estados de S. Paulo, Rio de Janeiro e Capital Federal, Minas Geraes, Paraná, Santa Catharina, Rio Grande do Sul, Goyaz e Matto-Grosso. O cruzamento foi tão generalisado e deu-se em tantas direcções, que já a Nobiliarchia Paulistana, escripta por Pedro Taques, ha mais de cem annos, não era mais do que a historia desta vastissima prole. Não desmerece essa descendencia a mistura do sangue da filha de Piquiroby; esta mistura, pelo contrario, mais a illustra, porquanto, sem ella as familias mais illustres desta grande parte do Brazil seriam, sim, brazileiras, por terem nascido aqui, porém faltara-lhes-ia a sainete brazilico, que só o sangue daquella bella princeza selvagem foi sufficiente para dar-lhe, não existindo até hoje, na successão de tantas gerações, outra raiz, além della, que as prenda ao sólo da TERRA DE SANTA CRUZ. — Dr. João Mendes — Notas Gemalogicas. (N. da R. ) [p. DATA:01/01/1896 https://brasilbook.com.br/imagensx/13180
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