(Para o "Correio Paulistano")Nos dias 1, 2 e 3 do futuro mez de abril, o Instituto Historico e Geographico de São Paulo realizará solennidades commemorativas do terceiro centenario de grande facto historico: A acclamação de Amador Bueno de Ribeira. E como ha poucos dias nasceu nesta capital um menino descendente desse rei-bandeirante, achei opportuno publicar a linhagem dessa criança, embora mui resumidamente, e com poucos commentarios biographicos das personalidades citadas, isso, para não me alongar. Extrahi os dados de trabalho genealogico que tenho em elaboração, e em o qual, partindo do anno de 1460, de pessoas nascidas e que residiram em Portugal, transporto-me e mmeus apontamentos, annos depois dessa data, aos primeiros habitantes de nosso paiz, e venho-os annotando até o presente, até 3 de março de 1941 — quando então incluo a essa estirpe "o mais joven descendente do rei-bandeirante". Amador Bueno da Ribeira, brasileiro, paulista, era filho, e neto de espanhol. Seu pai, Bartholomeu Bueno de Ribeira, nasceu em Sevilha. Seu avô, Francisco Ramires de Póres, também nasceu na Espanha. Vieram juntos, pai e filho, Francisco Ramires e Bartholomeu, para o Brasil, no ano de 1571. Bartholomeu Bueno de Ribeira aqui se casou, em 1590, em São Paulo, com a brasileira Maria Pires, filha do capitão Salvador Pires, e de Messia Fernandes; neta do português Antonio Fernandes, e da brasileira Antônia Rodrigues; bisneta do português Antonio Rodrigues (companheiro de João Ramalho), e da nativa brasileira batizada pelo padre José de Anchieta, com o nome de Antonia Rodrigues; e ter-neta do nativo brasileiro Piqueroby, chefe da aldeia Ururay, e de uma nativa, cujo nome é ignorado. Por conseguinte, Batholomeu, espanhol, casou-se com Maria Pires, e de sangue português e nativo, e desse casal houve 7 filhos: Amador Bueno de Ribeira (O aclamado); Francisco Bueno, Bartholomeu Bueno de Ribeira (o moço), Jerônimo Bueno, Maria de Ribeira, Messia de Ribeira e Isabel de Ribeira. Amador Bueno de Ribeira ocupou honrosos cargos de capitão-mór e de ouvidor da Capitania de São Vicente, no ano de 1627. Ficou célebre em nossa história por ter sido aclamado rei, em São Paulo, no dia 3 de abril de 1641. Havia aqui, nessa época, influente partido político, formado por poderosos e ricos castelhanos, dentre os quais, os três irmãos Rendons, d. Francisco de Lemos, D. Gabriel Ponce de Leon, natural de Guayrá, d. Bartholomeu de Torales, de Vila Rica do Paraguay, d. André de Zunega, D. Bartholomeu de Contreras y Rorales (irmão de André de Zunega), d. João de Espinola Gusmão, da província do Paraguay, e outros mais. Os componentes desse partido sobrescreveram termo de aclamação em 3 de abril de 1641, elegendo Amador Bueno da Ribeira, a rei de São Paulo. Ele, porém, recusou tão grande honra que lhe conferiram e com a espada desembainhada pronunciou as históricas palavras: "Viva D. João IV nosso rei, pelo qual darei a vida"! Deu vivas, como leal vassalo, a D. João IV, rei de Portugal, em quem restaurou-se a monarquia portuguesa de 60 anos de sujeição ao domínio dos reis de Castella. Era esse homem, embora brasileiro, de sangue espanhol, e conservou-se fiel a Portugal recusando ser rei. Por esse ato, e por outros serviços que prestou á pátria, legou um nome immorredouro a seus descendentes. Recebeu carta do Rei, D. João IV, agradecendo su ato de lealdade. Casou-se em São Paulo, com Bernarda Luiz, filha de Domingos Luis, português, por alcuhna "o Carvoeiro", e de Anna Camacho, brasileira; e por esta, neta de Gonçalo Camacho, português, e de (fulana) Ferreira, brasileira; e por esta bisneta do nobre português Jorge Ferreira, e de Joanna Ramalho, brasileira; e por esta, terneta de João Ramalho, português, e de Mbicy, nativa brasileira; e por Mbicy, quartaneta de Tibiriçá, chefe dos nativos de Inhapuambuçú, localidade situada perto de São Paulo. Advirto que o pai de Bernarda Luis, sogro de Amador Bueno de Ribeira, era homem importante, cavaleiro da ordem de Cristo. Esse apelido de "o Carvoeiro" não lhe foi dado por ser ele comerciante ou fabricante de carvão, e sim, por ter nascido em Portugal, em Marinhota, frequesia de Santa Maria da Carvoeira. Carvoeiro” não lhe foi dado por serelle commerciante ou fabricante decarvão, e sim, por ter nascido em Por-tugal, em Marinhota, freguezia de San-ta Maria de Carvoeiro. Nove foram os filhos de Amador Bueno de Ribeira e de Bernarda Luis, e vou me referir apenas a um delles, de nome Amador Bueno (o moço), o qual se casou em 1638, com Margarida de Mendonça, filha de Francisco deMendonça e de Maria de Góes, o que falleceu em São Paulo, em 1683, deixando 5 filhos, dentre elles: Maria Bueno de Mendonça, que foi casada com Balthazar da Costa Veiga, natural de São Paulo, filho de Jeronymo da Veiga, e de Maria da Cunha, fallecido no anno de 1700. Este casal deixou 11 filhos, dentre os quaes: Margarida Bueno da Veiga de Mendonça, bisnetade Amador Bueno de Ribeira e de Bernarda Luis. Margarida foi casada primeiramente com Bartholomeu daCunha Gago, em 1698, em São Paulo, e em segundas nupcias, com Manuel da Cruz, não tendo havido geraçãodeste segundo matrimonio. Do primeiro houve 3 filhos: - Maria Portes de El-Rei; - Bartholomeu da Cunha Gago Antonio de Cunha Portes de El-Rei; - Francisca da Cunha Portes. Maria Portes de El-Rei nasceu em Taubaté, efalleceu em Pindamonhangaba, em1777. Foi casada com Manuel Cubasdo Prado, tambem de Taubaté, e fal-lecido em Pindamonhangaba, em 1726. Houve deste casal 4 filhos, e dentreos quaes, o mais velho, Bartholomeuda Cunha Bueno, que em 1737 se casou em Guaratinguetá com Maria de Lima Barbosa, tendo este casal resi-dido muito tempo em Pindamonhanga-ba. Tiveram 6 filhos, sendo Maria Bueno de Lima a 2. a filha a qual se casou com seu parente, José do Rego de Siqueira, em 1771, em Pindamonhangaba. Tres foram seus filhos: Anna, Antonio e Manuel Bueno de Siqueira. Anna Bueno de Siqueira nasceu em 1775, e se casou em 1793 com Claro Francisco Rodovalho, nascido em 1768, tendo este casal 3 filhos: Albino Francisco de Toledo Rodovalho, José de Toledo Rodovalho e Candida Francisca Bueno de Toledo Rodovalho, (ou Candida Francisca Bueno, como era conhecida por pessoas de minha familia). Candida nasceu no anno de 1800, e foi casada com o cap. Antonio Luis Rodrigues, portuguez da cidade de Lisbôa. Foram 9 os filhos deste casal, a saber: Boaventura Luis Rodrigues (meu avô); Alvaro Luis Bueno; Francisco Luis Rodrigues Bueno (avô do padre João Baptista da Palma, actual vigario de Piedade); Claro Luis Bueno (ou Claro Luis Rodrigues), padre do Convento do Carmo, fallecido em 13-4-1894; Alexandre Luis Rodrigues; Maria Luis Rodrigues; Amelia Luis Rodrigues; Theodora Luis Rodrigues e Gertrudes Luis Rodrigues. Boaventura Luis Rodrigues nasceu em Areias, Estado de S. Paulo, em 1819, casou-se em 1839, com Marianna Galvão de França, nascida em Areias, em 1824, filha de Maria Galvão de França e de seu 2. º esposo, José Faustino Ferreira, portuguez, escrivão nessa localidade. Residiu este casal em Silveiras, onde Boaventura era negociante de animaes, criador e agricultor, isso até 1869 mais ou menos, pois aproximadamente em 1870, juntamente com outros seus irmãos e cunhados passou a residir em Itapetininga, onde foi estabelecido com loja de fazendas, durante 1 anno. De 1871 a 1883 Boaventura morou em Tatuhy, onde foi durante 11 annos agente do correio, e durante 1 anno secretario da Camara Municipal. Em 1884 passou a residir em Pereiras, e novamente foi ahi nomeado agente do correio, cargo que occupou durante mais 14 annos. Em 1897, muito doente como se achava, teve de se afastar do serviço, sendo nomeada para substituil-o, sua filha, Eduarda Henriqueta França, a qual foi agente durante 1 anno mais ou menos. Em 17 de maio de 1898, Boaventura Luis Rodrigues falleceu santamente, em Pereiras, tendo 79 annos de idade. Levou sua vida a fazer beneficios, e curava com homeopathia, gratuitamente, preenchendo assim a falta de medicos daquella época. Sua esposa, Mariana Galvão de França, após sua morte, passou para Conchas, junto com a filha Eduarda, onde esta foi nomeada professora, e ahi permaneceram quasi um anno. Em setembro de 1899 ellas foram morar em Tatuhy. Mariana falleceu nesta cidade, em casa de sua filha Rita França de Azevedo, no dia 30 de dezembro de 1915, com 91 annos de idade. E Eduarda Henriqueta França, que com sua prodigiosa memoria muito me vem auxiliando na elaboração de meu trabalho genealogico — reside em Tatuhy, desde 1899. Mariana é da familia de frei Antonio de Sant´Anna Galvão de França — cuja canonização o Papa está preparando. A irmã de frei Galvão — Anna Joaquina Galvão de França, casada com o alferes Felix Gomes de Siqueira, portugues de Algarve, era sua avó, isto é, mãe de Maria Galvão de França, que era por sua vez a mãe de Mariana Galvão de França. Dos parentes mais proximos, ainda existentes, desse grande santo frei Galvão, deve ser hoje a minha tia Eduarda Henriqueta França, á qual já me referi linhas atrás. Foram 11 os filhos de Boaventura Luis Rodrigues e de Mariana Galvão de França: Antonio Theodoro França, Maria Candida França, Anna Clemencia França, Maria Hortencia França, Claro Eugenio França, João Baptista França, Elyseu Rodrigues de Toledo, Maria Carmelina França, Rita França, Aurelio Victor França, e Eduarda Henriqueta França. Tenho annotada toda a descendencia destes 11 irmãos, mas, vou me referir somente a: Rita França de Azevedo, que se casou com Martiniano Rodrigues de Azevedo, natural de Castro, Paraná. Este casal passou quasi toda sua vida em Tatuhy, onde por muitos annos Martiniano foi agente do Correio, tal como seu sogro e fôra, tendo sido tambem avaliador do fôro, proprietario da empresa funeraria, vereador municipal, por muitos annos thesoureiro da Sociedade Beneficente dos Morpheticos. Era muito relacionado, e manteve largo circulo de amizades com ricos e pobres. Conheciam-no pelo appelido de "Timbio". Falleceu em S. Paulo, em 13-2-1926, tendo sido sepultado em Tatuhy. Sua esposa, verdadeiramente catholica, muito caritativa, muito dedicada dona de casa e habil florista, falleceu santamente, em Tatuhy, em 10-3-1937. Deixou este casal 6 filhos: Mario França de Azevedo, actual presidente da Associação Commercial de S. Paulo, casado com Zulmira de Campos Azevedo; Oscar Azevedo, commerciante em Tatuhy, casado com a professora Semiramis Turelli Azevedo; Octavio Azevedo, por alcunha "Bimbo", funccionario publico residente em Tatuhy, casado com Julieta Fogaça Azevedo; dr. Astor Azevedo, engenheiro civil, residente em Tatuhy, casado com Eisde K. Campos Azevedo; Paulo Sylvio Azevedo, professor e inspector federal do ensino, casado com a professora Luisa Dias Azevedo; José Celso de Azevedo, industrial residente em S. Paulo, casado com Celia Teixeira de Azevedo, professores. Do casal Mario-Zulmira ha 4 filhos: Milton Mario de Campos Azevedo, casado com Dinah Oliveira; dr. Mlecio Martiniano Azevedo, medico; Gilberto Juvenal de Campos Azevedo; Lucia de Campos Azevedo. Do casal Octavio e Julieta ha 1 filho: Octavio Martiniano. Do casal Astor-Eisde ha: Rubens Astor e Beatriz de Campos Azevedo. Do casal Paulo Sylvio-Luisa houve uma filha fallecida criança: Sylvia Luisa. Do casal José Celso-Celia ha um filho: José Celso de Azevedo Junior, "o mais jovem descendente do acclamado de 3-4-1841, pois nasceu agora em 3-5-1941".
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