no século XVIII o Jê ainda estava utilizando os caminhos. Eventualmente, claro, o Tupi-Guarani usou também o caminho. Facilitava a locomoção e eles o usavam. O fato deles (os Guaranis)terem guiado Aleixo Garcia e Cabeza de Vaca, por exemplo, nãosignifica que eles foram os autores do caminho. Apenas conheciamesses caminhos e os utilizavam, assim como os europeus passarama utiliza-los (CHMYZ apud GABARDO,
2004, p. 22). Esta é a primeira teoria sobre os Jês como construtores do caminhode Peabiru e, justamente por este motivo, possui características totalmentediferentes das demais difundidas no meio acadêmico. O que lhe dá muito crédito é ofato de ser defendida com base em indícios arqueológicos e não apenas relatoshistóricos e suposições, como a da nação Guarani. 2. 3 TRAÇADO DO CAMINHOComo já comentado o caminho de Peabiru era composto por ramaisprincipais e secundários. A exata posição geográfica do caminho é hojedesconhecida, porém a mais precisa descrição é encontrada no livro ‘Sobre oItinerário de Ulrich Schmidel’, escrito por Reinhard Maack em
1959. Paraconfeccionar tal obra baseouse nos relatos de viagem de Ulrich Schmidel, escritospor esse em língua alemã e que descreve sua viagem a América do Sul no séculoXVI. Segundo Ulrich o caminho vinha do atual litoral paulista, em SãoVicente, passando por Itú, Piratininga e Sorocaba rumo ao rio Paranapanema, seguindo uma das principais nascentes do rio Ribeira, acima dos Campos de Castro, onde se localizava a famosa aldeia de índios guarani Abapany. Havia ainda umramal que iniciava em Cananea e margeava o rio Ribeira até encontrar com oprimeiro ramal descrito. Um outro ramal vinha de Santa Catarina do rio Itapucu e da baía deSão Francisco percorrendo a faixa litorânea de Santa Catarina em direção aonoroeste nos atuais Campos Gerais, passando por Tindinquera (Araucária de hoje) eA-tibagy-ba (Tibagi) e que se encontrava com o aldeamento Abapany.
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