São bem conhecida entre nós as ricas minas do ferro de
Guiraçuyába (que desde os tempos de D. Francisco de Souza, sétimo Governador Geral do Brasil, tem feito muita bulha, sem nenhum proveito) descobertas por Afonso Sardinha, que nelas estabeleceu uma forja regular para a Fazenda Real, e cometidas à administração daquele Fidalgo, que havendo-se retirado para Lisboa no fim do seu Governo em
1602, voltou para São Paulo em
1609 com o cargo de Governador, e Administrador Geral de todas as Minas descobertas, e por descobrir nas três Capitanias, do Espirito Santo, Rio de Janeiro, e São Vicente, e promessa do Título de Marques das Minas (que alcançou o Neto do mesmo nome) e outros Despachos, que se deviam verificar depois de cinco anos de trabalho com a qualidade Juro, e Herdade: falecendo porém em
1611, tudo se perdeu, e pelo Regimento de 8 de agosto de
1618 se entregaram com aquelas todas as outras Minas á industria dos Povos; mas oprimidos com o enormíssimo tributo do quinto. Daquele tempo em diante, apenas se trabalharam as Minas de Ouro, e nenhuma pessoa se aplicou ao aproveitamento dos outros metais inferiores, porque não podiam suportar, sobre as despesas da exploração, e subsequente manufatura, o peso daquela imposição.
(. ) Por si mesmo se recomenda este ramo de industria fabricante, e que só depois de aperfeiçoado, poderá suportar os regulamentos fiscais proporcionados aos da mesma Suécia, sendo ainda para refletir, que as Minas de
Guiraçoyába se fazem particularmente recomendáveis pela sua situação local nas serranias imediatas aos Rios Iguape, e Sorocaba: por aquele podíamos navegar o ferro, e muitos efeitos agrários, por todas as Costas do Brasil, como fica notado; e por este, pelos concluentes do Tiete, Paraná, e Paraguay, se pode navegar, o mesmo ferro excedente dos nossos usos, á todas possessões espanholas, com as conveniências que cada um pode facilmente perceber.
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