qualquer assumpto, sem entrarem minuciosamente na materia de interesse. Sómente o assumpto referente á mineralogia, ou á ethnographia, que estuda, especialmente, os usos e costumes do povo que ahi vive, e, de preferencia, os meios de communicação sobre as rodo-vias necessarias á zona careceriam de enormes capitulos e conhecimentos fóra do commum. O presente trabalho foi escripto, tão sómente, para maior divulgação da zona, — motivo por que desejo dividil-o em diversos capitulos, evitando recapitular o que já disse em artigos anteriores e o que outros escriptores narraram, como deducções das suas valiosas investigações. E´ na mencionada faixa, e principalmente na parte sul da mesma, que estão situados os lugares donde irradiou a civilisação paulista. Foi, tambem, de um desses lugares, que partiu a primeira bandeira paulista em demanda aos inhospitos sertões sulinos, então povoados por tribus de indios bravios. Foi em um desses lugares, isto é, foi em Cananéa, extraordinario porto de mar, que abordou, em o anno de 1531, o primeiro portuguez, o celebre e nobre Martim Affonso de Sousa, que, em missão de alta responsabilidade, organisada por ordem de El-Rei D. João III, veio tomar posse definitiva do Brasil, já descoberto trinta e um annos antes por Pedro Alvares Cabral. Já muito antes dessa celebre expedição tinha-se a firme convicção de que sómente a importação do páu brasil, a que se refere Ruysch no letreiro de seu celebre mapa do anno 1508, não tinha um valor tão positivo como si se tomassem providencias de verdadeira colonisação com o intuito de se adjudicar á corôa lusitana a posse do paiz. Pensou-se em feitorias militares ou capitanias maritimas; julgou-se que a creação dessas instituições militares era sufficiente para impôr respeito aos piratas francezes, que, constantemente, cruzavam as costas brasileiras. Reconheceu-se, porém, serem ellas enormemente dispendiosas na sua manutenção e de pouco valor pratico, porque[p. 3 do pdf] “A expedição de Martim Affonso é a tentativa para encontrar outra solução mais facil ao problema da colonisação americana, e testemunha a reflexão e o largo descortino que presidiam aos vastos emprehendimentos coloniaes portuguezes. O capitão-mór vinha preparado para as diversas hypotheses de um programma de grande amplitude. O seu principal objectivo consistia na exploração do Rio da Prata e fundação, á sua margem, de uma primeira colonia (?) da America do Sul. O vento de uma tempestade mudou então os destinos da America do Sul. Si Martim Affonso tivesse podido attingir o estuario, o Brasil estender-se-ia, possivelmente, até aos confins do continente, embora, talvez, diminuido dos territorios ao norte do Maranhão. Mas os pampeiros atiraram á costa, junto ao riacho do Chuy, nas plagas sul-riograndenses, a náo capitanea, e o naufragio do primeiro povoador ficou demarcando a baliza do extremo sul do dominio portuguez. Dois annos depois, em 1534, a expedição de Pedro Mendonza lançava os alicerces de Buenos-Ayres”. * * * Ahi na terra cananéense este nobre lusitano encontrou alguns homens civilisados, talvez criminosos deportados em o anno 1501 ou 1502, entre os quaes figuravam o não menos celebre bacharel Chaves, denominado na nossa historia patria o Bacharel de Cananéa, julgando alguns historiadores nacionaes ser elle o conhecido João Ramalho, sogro do nosso primeiro cidadão paulista Tibiriçá. Estes desterrados foram, incontestavelmente, de enorme utilidade para Martim Affonso, pois, sendo conhecedores da lingua dos indios, que habitavam as proximidades do futuro e futuroso porto de Cananéa, serviram de interpretes a esses arrojados navegantes. [p. 5 do pdf] Tratemos dos outros, modestos autores, que serão de mais utilidade para aquelles que me quizerem estudar a vasta zona da grandiosa Ribeira de Iguape. Viagens e memorias sobre a zona ribeirinhaEm primeiro lugar deve ser mencionado o mineralogista M. P. de Andrade, que no seu Diario de uma viagem mineralogica pela Provincia de São Paulo no anno 1805, relatou minuciosamente sobre a parte mineralogica e geologica da rica zona. Segue o geógrapho allemão Carlos José Frederico Rath, que nos seus fragmentos geologicos e geographicos das Provincias de São Paulo e Paraná, descreveu as suas explorações, feitas nos annos 1845 a 1856. Este senhor tratou da zona que pretendemos estudar, dando descripção exacta do que observou e dos minerios que encontrou. Ha muitos annos topei no Archivo estadual algumas folhas soltas, escriptas por elle, cuja transcripção fiz para a Revista do Inst. Hist. e Geogr. de São Paulo. Consta-me haver elle ido até Yporanga e dahi seguido viagem a Apiahy, de accordo com a narração de velhos moradores dessa cidade, que o conheceram como homem systematico e culto. Si a memoria não me falha, contaram-me que Rath se occupou, igualmente, da entomologia, tendo nessa viagem colleccionado grande quantidade de insectos interessantes, cujo destino ignoro. Alguns dados escriptos por elle, ainda terei de mencionar neste despretencioso trabalho. Consta-me que Carlos Rath foi o primeiro homem de sciencia, que presumiu serem os sambaquis obra humana. Fixou residencia em São Paulo, onde deixou prole. Quasi desconhecido é o celebre viajante inglez Sir Richard Francis Burton, nascido na Inglaterra no anno 1821 e fallecido no anno 1890 em Trieste, que se aventurou a visitar, por conta da Sociedade de Geographia de [p. 6 do pdf]mos, porém, que a colonia é uma burla: o paiz é muito tropical para os Européos, principalmente para Suissos. As crianças sustentam-se de farinha, que faz que tenham os beiços tão amarellos como o rosto. Convem notar, que o homem da Europa nunca pode viver sem trigo. O snr. Schmidt fez tudo quanto póde a bem da colonia, mas nada logrou conseguir. A 20 de Dezembro chegarão a colonia de Cananéa os snrs. E. D. Street e Alexandre Nolasco, presidente da Camara Municipal, que vinhão de Cananéa. De 22 a 25 passamos, acompanhados desses senhores, por uma picada a nordeste de Cananéa. Chegando a barra do Pindaúba, achamos hospitalidade na casa onde estão alojados os snrs. von der Hof e Russel, e ahi passamos uma bella noite. Depois disto, atravessamos uma serra detestavel, e, se não tivessemos encontrado o sitio do snr. João Floriano, haveriamos por certo morrido. A 26 chegamos ao rio Batatal; felizmente achamos uma canôa, que nos conduziu á Ribeira. Ha um caminho por terra que conduz a Yporanga, mas atravessamos tres serras, e aquelles que as querem passar no mez de dezembro, se expõe a soffrer martyrios. Chegando ao rio Iguape, chamado rediculamente Ribeira, fomos até Yporanga. Passamos tres cachoeiras muito lindas, chamadas o Poço Grande, o Caracol e o Funil. Felizmente tinhamos comnosco o snr. João Paulo, subdelegado do lugar, muito interessado na cultura do algodão. Fez-nos uma descripção de tudo que ha de curioso n´aquellas paragens. A 29 de dezembro chegamos a Yporanga. E´ uma localidade que pode chegar a ser alguma coisa, se as minas de chumbo e de outros mineraes forem explorados. Desgraçadamente não o são. Depois de tres dias de um diluvio de Noé, montamos os nossos cavallos e fomos atéNota do Autor: Já naquella época era superstição corrente, que a côr amarella no habitante da zona era attribuida á farinha e não a ankylostomia, o que Burton, ignorava naturalmente por completo. [p. 7 do pdf]É na mencionada faixa, e principalmente na parte sul da mesma, que estão situados os lugares donde irradiou a civilização paulista. Foi, também, de um desses lugares, que partiu a primeira expedição paulista em demanda aos inóspitos sertões sulinos, então povoados por tribos de nativos bravios. Foi em um desses lugares, isto é, foi em Cananéa, extraordinário porto de mar, que abordou, em o ano de 1531, o primeiro português, o célebre e nobre Martim Afonso de Sousa, que, em missão de alta responsabilidade, organizada por ordem de El-Rei D. João III, veio tomar posse definitiva do Brasil, já descoberto trinta e um anos do Pedro Alvares Cabral. [Página 3 do pdf] ciosa, afim de serem applicadas como medida therapeutica para se livrarem de incommodos rheumaticos, dores de garganta etc. que affectam esses lugares. Sigamos para assumpto mais interessante: Ahi, na antiquissima cidade de Iguape, existe a primitiva Casa de moéda, isto é, a fundição onde eram cunhadas as antigas moedas de ouro, cujo metal precioso era catado ou bateado em todo o Ribeira acima e, levado para esse lugar, afim de ser transformado em meio circulante. Devemos ao nosso antigo consocio do Instituto Historico e Geographico de São Paulo, ao incansavel rebuscador de archivos, Ernesto Guilherme Young, interessantes dados sobre a mineração de ouro, como subsidio á historia de Iguape. Inicia o seu interessante trabalho, publicado no volume VIII da Revista do Instituto, com a versão, aliás conhecida por todos que conhecem a historia da nossa terra: “Não podemos duvidar, que uma das primeiras, senão a primeira expedição organisada com o fim especial de procurar ouro no Brasil, partiu no dia 1. º de Setembro de 1531 da frota commandada por Martim Affonso, quando ancorada ao pé da Ilha do Abrigo, em frente á Barra de Cananéa; porém deixando de lado essa expedição, que foi trucidada pelos indigenas, e baseados sómente no que pode ser provado por documentos existentes, é innegavel, que uma das primeiras localidades d’onde se extrahio ouro nesse paiz, foi a visinhança de Iguape. Por uma carta escripta no dia 26 de Outubro de 1635 vê-se, que n’aquelle tempo o povo de Iguape usava do ouro em pó em suas transacções commerciaes. Pelo menos é o que se infere da leitura da dita carta”. Já no meu trabalho publicado no anno 1908 pelo Exm. º Snr. Dr. Carlos Botelho, dd. Secretario de Agricultura, baseado em affirmações de velhos moradores de Apiahy, dizia que era tanto o ouro que circulava na zona, que se tornava enfadonho aos empregados do commercio pesarem, constantemente, o que lhes offereciam em pagamento, e que nos bailes os moços atiravam pó desse metal nos cabellos de suas namoradas! Young continúa transcrevendo os documentos encontrados e diz: “Por tradicção consta que o povo, na occasião da mudança nos annos immediatamente anteriores á 1637, fizera a sua custa, isto é, pagando com ouro em circulação, (Nota do Autor) a Igreja, a casa para as sessões da Camara e a cadeia, e uma outra casa para servir de officinas para a fundição de ouro. Esta tradicção é confirmada por grande numero de documentos existentes nos archivos da Igreja, da Camara e do cartorio, faltando, somente, esclarecer a época exacta da construcção da referida casa para servir de officinas, provando, porém, esses documentos que as officinas se achavam funccionando na occasião em que Pedro de Souza era administrador das minas”. Ora, para se levantarem edificios como os citados, já se carece de uma avultada quantidade de ouro, pois, gratuitamente, não se poderiam levantar igrejas e outros edificios, visto que, apezar de ser a devoção do habitante do lugar bastante grande, o operario necessitava de alimento e roupa, bem como os fornecedores de materiaes deveriam ser pagos, independente do trabalho, apparentemente gratuito, do escravo. Para demonstrar a quantidade de ouro que passava pela fundição de Iguape, diz o nosso relator o seguinte: “. pela prova que exhibe no exame das contas da quantidade ouro, que passou pelas officinas, as quaes demonstram que os Quintos reaes, recebidos do dia 17 de Fevereiro até o dia 31 de Dezembro de 1678, ou durante o espasso de 317 dias, foram mil seiscentas e oitenta e uma oitavas (1681 oitavas), provando assim que a quantidade apresentada para ser quintada era de 8405 oitavas. [p. 14 do pdf] Não podemos duvidar que a quantidade de ouro, que passava pela officina, nunca representou o verdadeiro valor da extracção, tanto mais em vista do que se diz na Provisão deixada pelo D. Pedro de Unhão Castel Branco. Esta Provisão passada no dia 6 ou 7 de Agosto de 1675, ao mandado de Pedro Unhão Castel Branco, Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca, prova que havia desfalque na renda da officina, proveniente do ouro em pó que não era todo apresentado para quintas, como tambem por não se contar as fracções que rendiam as parcellas menores de meia oitava". Para esclarecimento do que ficou dito, seja-me licito observar, que a oitava pesava, antigamente, quatro grammas e a Quinta eram os 20 % de impostos cobrados pelo governo portuguez pela extracção do faiscante metal. Tambem seja dito de passagem que o mencionado corregedor Pedro Unhão foi um desses grandes homens, que julgava prestar um inestimavel beneficio, mandando queimar o archivo existente em Iguape, ou para encobrir as proprias faltas ou pelo méro gosto de satyro!Pois bem, si esse senhor Unhão não tivesse mandado exterminar o citado archivo, que não deveria ter sido tão pequeno, os nossos conhecimentos da zona, talvez mesmo do Brasil, teriam sido bem mais completos. Para arrematar o que Young diz sobre a extracção de ouro da zona, transcrevemos o seguinte topico da sua interessante collectanea de documentos:"E´ pena, que não seja possivel organisar uma estatistica da quantidade de ouro extrahida das minas desse districto; porem por um grande numero de termos de Vereança e de entrega dos Quintos Reaes, que existem nos livros da Camara de 1731 a 1752, juntamente com os livros de assentos da officina, que remontam ao anno 1668, creio que será aquem da verdade, calculando a extracção em quinze mil oitavas por anno. " [p. 15] Revista Commercial, 24 de janeiro de 1866: O algodão na Ribeira de Iguape - A Ribeira de Iguape foi uma das zonas que cultivaram o algodão com intensidade e vantagem, fato esse pouco conhecido no nosso Estado. Os interessados nessa planta voltarão, por certo, as suas vistas para essa invejável zona, afim de se reiniciar essa rendosa cultura. Dizia o correspondente da Revista Commercial que, em Iporanga, se tinha dado grande desenvolvimento ao plantio ao algodão e que corria o boato de que os plantadores, acreditando na fertilidade da terra, acabavam de plantar mais de 150 alqueires de semente e que esperavam, ainda, mais quantidade dela para ultimarem as plantações inciadas, devendo-se tal mudança, efetuada na lavoura dessa freguesia, ao critério e inteligente expediente tomados pelo subdelegado Fingão. Naquela época estava a guerra contra o Paraguay em plena atividade. Afim de incrementar o plantio da importante fibra, esse subdelegado publicou um ukase, isto é, um edital livrando todo indivíduo de ser recrutado para ser enviado ao campo de guerra, se plantasse uma uma certa quantidade de semente de algodão. Naquela época, o nosso caboclo respeitava a lei; para, porém, fugir de suas obrigações militares, escondia-se - frequentemente no mato. Essa ukase veio, porém, a gosto de muita gente: saíram de seus esconderijos para plantar a famosa planta fibrótica! Itapetininga, se bem que já serra-acima deve ser ainda considerada pertencentes á zona da Ribeira, pelo menos naquela ocasião era bem mais fácil chegar-se a Santos pela Ribeira de Iguape do que por Sorocaba, São Paulo, etc. Para isso era necessária a construção de uma estrada de rodagem a Sete Barra, de onde a mercadoria seria transportada por água até Santos. Por onde essa estrada passava, ignorado, julgando, porém, ter passado por Capão Bonito e seguido, depois, diretamente, a Sete Barras. Efetivamente existe ainda esse traçado; como, porém, jamais passei pelo mesmo, ignoro se está em condições de rápido transito. Diz o missivista o seguinte: "Depois da grande seca porque passamos, tem chovido de modo a satisfazer os lavradores, cujas plantações tem melhorado muito, principalmente, a do algodão, pelo que a safra promete ser abundantíssima. Também tem crescido as águas nas máquinas de descaroçar, que estavam quase paradas. Já temos não menos de oito, entre prontas e por acabar, sendo duas dentro da cidade, tocadas por animais e porção não pequena de algodão já beneficiada tem sido remetida por Santos, o qual poderia ter ido pela estrada das Sete Barras, se estivesse em termos. (. ) O nosso futuro está decididamente na conclusão desta estrada, e nas mão e no poder da Assembléia Provincial está a fazer-se a felicidade de mais de trinta mil pessoas". Uma outra correspondência de Xiririca, datada de 9 de dezembro de 1865, nos confirma positivamente o que acaba de dizer, quanto á distância mais curta para Santos e algo sobre a picada, a que já me referi, quando em linhas anteriores tratei de Sete Barras. "Acabam de passar por esta vila 180 fardos de algodão, que da Fachina com destino ao Rio de Janeiro por Iguape, vieram de Yporanga, remetidos pelo tenente-coronel Fiuza, como ensaio, afim de praticamente conhecer-se as despesas e fazerem-se desde aquele lugar até seu embarque no porto de mar, e compara-las com as indispensáveis quando se busca pelos estiados de cima da serra por Sorocaba, São Roque o porto de Santos. Sei de boa fonte que o tenente-coronel Fiuza ficou satisfeitíssimo com o resultado, porquanto realizou uma economia de 75% em vista do que outros muitos lavradores de Fachina, São João, Apiahy, etc. vão dirigir sua exportação pela Ribeira. Se o movimento este ano já não for tão grande quanto deveria ser, se abrangesse a totalidade da produção, selo-a para o vindouro, pois que a deliberação ora tomada, teve lugar já depois de vendida quase toda a safra a pessoas de São Paulo e Santos. O tenente-coronel Fiuza; sempre incansável em procurar melhorar as comunicações entre a Fachina e a Ribeira, evitando assim as cachoeiras do Caracol, Poço Grande e Funil, as quais em certas fases são de temer, quando as canoas são tripuladas por canoeiros mal fragueiros, segundo a explicação mal usada. [Página 16 do pdf] Naquella occasião era bem mais facil chegar-se a Santos pela Ribeira de Iguape do que por Sorocaba, São Paulo, etc. Para isso era necessaria a construcção de uma estrada de rodagem a Sete Barras, de onde a mercadoria seria transportada por agua até Santos. Por onde essa estrada passava, ignoro, julgando, porém, ter passado por Capão Bonito e seguido, depois, directamente, a Sete Barras. Effectivamente existe ainda esse traçado; como, porém, jámais passei pelo mesmo, ignoro si está em condições de rapido transito. Diz o missivista o seguinte:“Depois da grande secca porque passamos, tem chovido de modo a satisfazer os lavradores, cujas plantações tem melhorado muito, principalmente, a do algodão, pelo que a safra promette ser abundantissima. Tambem tem crescido as aguas nas machinas de descaroçar, que estavão quasi paradas. Já temos não menos de oito, entre promptas e por acabar, sendo duas dentro da cidade, tocadas por animaes e porção não pequena de algodão já beneficiada tem sido remettida por Santos, o qual poderia ter ido pela estrada das Sete Barras, se estivesse em termos. O nosso futuro está decididamente na conclusão desta estrada, e nas mãos e no poder da Assembléa Provincial está a fazer-se a felicidade de mais de trinta mil pessoas”. Uma outra correspondencia de Xiririca, datada de 9 de Dezembro de 1865, nos confirma positivamente o que acaba de dizer, quanto á distancia mais curta para Santos e algo sobre a picada, a que já me referi, quando em linhas anteriores tratei de Sete Barras. “Acabão de passar por esta villa 180 fardos de algodão, que da Fachina com destino ao Rio de Janeiro por Iguape, vierão por Yporanga, remettidos pelo tenente-coronel Fiuza, como ensaio, afim de praticamente conhecer-se as despezas e fazerem-se desde aquelle lugar até seu embarque no porto de mar, e comparal-as com as indispensaveis quando se busca pelos estiados de cima da serra”. É, portanto, uma das mais urgentes necessidades desta comarca e dos municípios de serra acima que com eles confinam, a confecção da estrada de Yporanga a Batatal, a qual pela bondade do solo deve ser muito pouco dispendiosa, e de grandes resultados, uma vez que se entronque no Jaguary, na estrada que de Iguape vem pelo Jacupiranga, ali se parte pelos Quararhy e Turvo, para Cananéa, e continuando até esta vila, vem ligar-se ao Paranapanema. [Páginas 16 e 17 do pdf] tantes enchentes no Ribeira, os desastres que occorriam não eram raros. Deve-se presumir que o lugar tivesse sido fundado no anno 1700; presumia, porém, Young, que o Ivaporunduba fosse mais antigo, pois, erradamente, affirma que os 80 homens enviados no anno de 1531 por Martim Affonso de Sousa, em busca de ouro, tivessem sido trucidados nesse lugar. Depois de algumas horas de attrahente viagem, chega-se á moradia da Exma. viuva José Julio da Silva, que, devido aos nossos antigos laços de verdadeira amizade não nos deixa sahir tão depressa como desejavamos: na hospitaleira casa precisamos descansar alguns dias e contar as mais recentes novidades da época. Foi esta bondosa senhora quem me proporcionou, pela segunda vez, agradavel e instructiva excursão ao rio dos Pilões, e é, francamente, nesse rio, que se póde apreciar com mais attenção, a nossa grandiosa natureza. E’ natural essa observação, — pois, sendo aquelle rio bem mais estreito, a grandiosidade da natureza concentra-se em área menor do que no Ribeira, que é, talvez, quatro vezes mais largo que o rio dos Pilões. Aqui, a variedade da flora é simplesmente deslumbrante e a paisagem, devido á serenidade do rio e ás diversas figuras formadas pelos continuos e apparentes movimentos das cadeias de montanhas, é, incontestavelmente, grandiosa. Arvores de lado a lado do rio trocam os seus cumprimentos, entrelaçando-se com os de bellas epiphytas e outras interessantes trepadeiras, e com as suas flôres multicoloridas formam grossas grinaldas, como si pretendessem saudar o viajante que, pela primeira vez, vem apreciar esse conjunto inegualavel. Affirmam os moradores das margens do Rio dos Pilões que as suas terras não são tão ferteis como as da Ribeira, porém, ouvindo-se, durante a agradavel prosa que se mantem com um dos lavradores da zona, que um litro [p. 27 do DATA:01/01/19390 fontes
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