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Banana, a fruta mais brasileira que não nasceu aqui
13 de dez. de 2024, sexta-feira


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13/12/2024AUTOR(A)Equipe Brasiliana IconográficaUm dos símbolos mais conhecidos do Brasil, a banana está espalhada por todo o mundo tropical e tem sua presença registrada na Ásia e na África milhares de anos antes de Cristo. É a fruta fresca mais consumida no Brasil e no mundo. Duas correntes de estudiosos disputam a origem da banana no Brasil. A visão mais aceita diz que a banana, vinda do Sudeste Asiático e do Oeste do Pacífico, teria chegado ao Oriente Médio, depois à África e, de lá, teria sido trazida ao Brasil pelos portugueses nos primeiros anos da colonização. A outra corrente defende que os indígenas que viviam aqui já conheciam e consumiam a banana, chamada por eles de pa´kowa (que em tupi significa folha de enrolar), antes da chegada dos colonizadores. Segundo esses estudiosos, a fruta, também já conhecida pelos Incas, teria sido introduzida na América pelos chineses que teriam chegado por aqui antes dos europeus. "A bananeira (Musa sp. ) originária do sudeste asiático e introduzida ao longo das primeiras décadas de colonização teve rápida dispersão em todo o Brasil e chegou a ser considerada nativa por alguns dos primeiros cronistas", afirmam os pesquisadores Bernardo Tomchinsky e Lin Chau Ming no artigo "As plantas comestíveis no Brasil dos séculos XVI e XVII segundo relatos de época" (Rodriguésia. Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, n. 70, 2019). No mesmo artigo, afirmam que a primeira citação da banana no Brasil ocorreu em 1555, na obra de André Thevet (1516-1592), Les singularitez de la France Antarctique, publicada na França em 1557 (gravura acima). "Na ocasião do descobrimento do Brasil, os indígenas já consumiam banana (. ) Na forma in natura supostamente se tratava da cultivar Branca (que deu origem à cultivar Prata) e que havia ainda outra cultivar chamada de Pacoba, rica em amido, que era consumida cozida ou assada e substituía o pão para os nativos. Durante o Brasil colônia, juntamente com os escravizados trazidos da África, sabe-se que outras cultivares chegaram até as terras brasileiras, como a banana Nanica", afirma a engenheira agrônoma Andrea Ribeiro Rodrigues Rosa em sua tese de doutorado Desempenho agronômico de nova cultivares de banana (Musa spp. ) na região de Piracicaba (SP) (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2016). Segundo o pesquisador e agrônomo português José Eduardo Mendes Ferrão (1928-2022), autor do livro A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses (Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1992), ainda são necessários muitos estudos para esclarecer e preencher as lacunas da historiografia da banana. Fato é que a bananeira, de fácil cultivo, se espalhou rapidamente por quase todo o território brasileiro e passou a ser cultivada pelos indígenas em suas aldeias, pelos africanos nos engenhos de cana-de-açúcar e por toda a população nos quintais das casas e áreas livres nas cidades para seu consumo. "A bananeira se encontra nas florestas virgens, cultivada pelos selvagens, que com ela cercam suas cabanas. Algumas, primitivamente cultivadas pelas tribos nômades e abandonadas em seguida, dão frutos que se tornam a presa dos caçadores ou dos animais frugívoros. Cultivam-se no Brasil duas espécies de bananas; uma chamada de banana-de-jardim ou de São Tomé é a menor e extremamente saborosa, a outra, banana indígena ou da terra, muito maior, mas de gosto inferior", observou Jean-Baptiste Debret (1768-1848) em seu livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2016), publicado em Paris em 1835. O pintor francês, que esteve no Brasil entre 1816 e 1831 e se dedicou a retratar a banana em mais de uma gravura (acima) de sua obra, também afirmou: "Esse fruto, muito abundante no Brasil, constitui o alimento generalizado de todas as classes desde o selvagem, o escravo e o indigente até o rico proprietário". Diferentemente da cana-de-açúcar, originária da Oceania e também trazida pelos portugueses, a banana passou a ser cultivada de maneira comercial no Brasil somente no início do século XIX. "Os primeiros plantios comerciais de banana ocorreram no estado de São Paulo e foram realizados na proximidade da cidade de Santos, entre 1800 e 1850. A história registra em 1803 na cidade de Cubatão como sendo a primeira lavoura extensiva de banana", afirma a engenheira agrônoma em sua tese citada. Na gravura acima, do alemão Carl Friedrich Philipp Von Martius (1794-1868), publicada por volta de 1859, vemos uma plantação de bananeiras perto do Rio de Janeiro. A banana teria chegado à Europa, levada pelos romanos no século I a. C. mas, apesar de extensamente consumida na Ásia, África e América, só começou a se tornar popular entre os europeus no final do século XIX. Muitos artistas viajantes que percorreram o Brasil nesse século se encantaram com a presença dessa fruta na paisagem, como o inglês Charles Landseer (1799-1879), no desenho acima, e a inglesa Marguerite Tollemache (1818-1896), abaixo. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor de bananas, atrás da Índia, China e Indonésia, e os principais importadores são Estados Unidos e Europa.

DATA:13/12/2024 fontes

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