O Crime de Cravinhos - Razões do Recurso Contra a Sentença de Pronúnciade DE Sá BARRETTO, Fábio ; MEIRA JR. João Alves e DE MATTOS, CamilloAno: 1920Nº de Páginas: 195 pp. Editora: Edição do autorNo dia 22 de maio de
1920, no lugar conhecido por “Espraiado”, nos limites de Cravinhos com Ribeirão Preto, foi encontrado um cadáver, não tendo sido possível a identificação. A vítima tivera o rosto descarnado, as orelhas e as línguas cortadas e mutilações no crânio. Apresentava ainda inúmeros ferimentos nas costas e uma perfuração no ventre. Depois de muitas controvérsias e investigações, o crime foi imputado, como mandante, à poderosa fazendeira Iria Alves Ferreira, proprietária da fazenda “Pau Alto”, situada nas proximidades, tendo como comparsas os administradores Alexandre Silva e Virgílio Bin e José Sant’Anna. Iria e Alexandre Silva vieram a ser pronunciados e presos. A versão que se espalha é de que uma filha de Iria, numa das frequentes viagens a Paris, havia se apaixonado por um vigarista, casado na França mesmo e logo depois, ao descobrir o mau caráter do esposo, o abandonara na Europa e retornara para o Brasil, onde acaba tendo um destino ainda mais infeliz – morre de gripe espanhola, na epidemia de
1919. O marido francês deixado na Europa, identificado pelos jornais populares como Alphonse Defforge, ao ficar sabendo da morte da mulher, teria vindo ao Brasil atrás de sua parte na herança. E chegando E chegando aqui, teria sido torturado e morto a mando da sogra. Levada a uma cela especial em São Paulo, por causa da sua idade, então quase 70 anos, Iria Alves Ferreira passa pela maior humilhação de sua vida. Em setembro de
1920, depois de permanecer quase um mês em silêncio, os advogados de Iria iniciaram intensa campanha pela sua inocência nos jornais. Fábio Barreto, Camillo de Moraes Mattos e Meira Júnior, todos pertencentes à elite ribeirão-pretana e ao grupo político do Cel. Joaquim (Quinzinho) da Cunha Diniz Junqueira, cunhado de Iria, assumiram a defesa da fazendeira. Os três advogados viriam a ser importantes políticos em Ribeirão Preto. Uma das teses da defesa era que Iria estava sendo acusada justamente por ser rica, para ser exibida como um exemplo da imparcialidade da polícia e das autoridades do Judiciário. E isso era alardeado em matérias pagas nos jornais. No decorrer do processo a ré foi pronunciada para ir a Juri. Seus advogados apresentaram recurso contra a pronúncia e, como era de praxe na época, o divulgaram em forma de livro. [https://www. plataformaverri. com.