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1 de jan. de 2026, quinta-feira
   
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O mapa da imagem é um documento cartográfico colonial muito importante para o estudo de São Paulo, Minas Gerais e dos caminhos do interior no início do século XVIII. E há uma correção importante em relação à identificação que às vezes aparece na internet: este não é um mapa de 1758 de José Gonçalves da Silva. A imagem corresponde a um detalhe do “Mapa das Minas do Ouro e S. Paulo e costa do mar que lhe pertence”, geralmente datado de c. 1714–1717/1720 e conservado na Biblioteca Nacional. A autoria é considerada anônima, embora o mapa seja frequentemente atribuído a Félix de Azevedo Carneiro e Cunha.

1. Qual é o mapa?

O título é:

“Mapa das Minas do Ouro e S. Paulo e costa do mar que lhe pertence”

A Biblioteca Nacional possui o exemplar catalogado como CEH 2788. A carta manuscrita mede aproximadamente 51, 1 × 61, 8 cm e é uma aquarela colorida. A data é particularmente interessante. Não existe uma data escrita no mapa que permita simplesmente dizer “1717”. Os estudos o colocam aproximadamente entre 1714 e 1720, sendo c. 1717 uma das datações mais aceitas.

Há uma razão bastante forte para essa datação: o mapa apresenta Pitangui, criada em 1715, mas não apresenta São José del-Rei/Tiradentes, criada em janeiro de 1718. Por isso, os pesquisadores consideram provável que o levantamento seja de 1717.

2. Quem fez?

Aqui existe uma questão historiográfica interessante. O mapa não traz assinatura nem data. Por isso, alguns catálogos o registram simplesmente como anônimo. Entretanto, existe uma forte atribuição a:Félix de Azevedo Carneiro e CunhaEle era militar e, em 1719, o Conselho Ultramarino registrou uma consulta para que o rei mandasse agradecer a Félix de Azevedo pelo zelo com que havia “desenhado um mapa de Minas”, concedendo-lhe ainda uma ajuda de custo de 100 mil réis. Por isso, a formulação mais segura para o Brasilbook seria:

“Mapa anônimo, provavelmente elaborado por Félix de Azevedo Carneiro e Cunha, c. 1717. ”Eu evitaria afirmar categoricamente “autor: Félix de Azevedo”, porque a própria documentação cartográfica não traz essa assinatura.

3. O que aparece no trecho enviado?

O recorte é particularmente interessante porque concentra a representação de São Paulo, litoral vicentino e uma grande rede de caminhos para o interior. Entre os topônimos que consigo ler estão:

- S. VINCENTE — São Vicente
- Povoação de S. Paulo — São Paulo
- Ald. das Miguel — Aldeia de São Miguel
- Povoação de S. João
- Città di S. Filippo
- N. S. de Monserrate
- Fort. Aldea
- Peñuação de magomcrim
- Rio de Biritiba
- Rio de
- Rio Muti
- Serra de Paran.
- Estrada de Curitiba
- Estrada de Igu.
- Estrada de Paran.
- Estrada de Antonio
- Estrada de Guar.
- Barra de Ararap
- Il. de Cananea
- Barra do Sul
- Barra Norte
- Lago de Parag.
- Barra de
- Pio de Roio

Algumas grafias estão muito deterioradas no original/reprodução e precisam ser tratadas com cautela.

4. O mais importante: as “estradas”

Para o Brasilbook, esta é uma das características mais valiosas desse mapa. Ele não representa apenas rios, serras e povoações. Ele procura representar as conexões entre os núcleos coloniais. Por isso aparecem repetidamente as palavras:“Estrada”e os caminhos são desenhados como linhas que atravessam o território. Isso é extremamente significativo porque mostra que, no início do século XVIII, São Paulo já aparece cartograficamente como um ponto de articulação entre o litoral e o sertão. Os estudos sobre o mapa observam justamente a representação dos primeiros caminhos e dos itinerários que ligavam São Paulo às regiões das Minas.

5. São Paulo aparece muito pequena — mas o território ligado a ela é enorme

Observe a inscrição: “Povoação de S. Paulo”

Ela aparece como uma pequena localidade em meio a uma enorme área de serras, rios e caminhos. Isso é interessante porque mostra uma característica da ocupação paulista: o tamanho físico da povoação não correspondia à extensão do espaço percorrido por seus habitantes. A documentação cartográfica desse período mostra São Paulo conectada às rotas que atravessavam a Mantiqueira e chegavam às Minas. Um estudo da UFMG observa que o roteiro representado no mapa coincide em grande medida com o caminho descrito por Antonil em 1711 entre São Paulo e as Minas.

6. O mapa foi feito justamente num momento histórico extraordinárioEle pertence a uma conjuntura muito específica:1709 — criação da Capitania de São Paulo e Minas do Ouroe1720 — separação de Minas Gerais de São Paulo. Ou seja, o mapa registra praticamente o território antes da divisão administrativa de 1720. Isso explica o título:“Minas do Ouro e S. Paulo”Naquele momento, Minas ainda estava integrada administrativamente à capitania de São Paulo e Minas do Ouro.



7. “Città di S. Filippo” é um ponto que merece muita atenção. Esta é uma das inscrições mais interessantes do recorte. Está escrito: “Città di S. Filippo”, ou seja: “Cidade de São Felipe”

Ela está representada no interior, ligada a uma rede de caminhos. Isso merece uma investigação específica, porque não devemos automaticamente transformar “Città di S. Filippo” em uma cidade moderna ou assumir sua localização atual.

Em cartografia colonial, especialmente mapas sertanistas, determinados nomes podem representar:

- povoações;
- arraiais;
- aldeamentos;
- lugares;
- referências de caminhos;
- denominações administrativas;
- ou localidades que posteriormente desapareceram ou mudaram de nome.

Há outro detalhe importante: a cartografia desse período apresenta distorções consideráveis. Os pesquisadores apontam que, apesar da aparência de precisão proporcionada pelas coordenadas, existem distorções importantes tanto na costa quanto na rede hidrográfica.

Portanto, não se deve usar a posição gráfica de “Città di S. Filippo” como coordenada geográfica precisa.

8. O litoral também é muito revelador.

No canto esquerdo do recorte aparece:“I. de Cananea”— Ilha de Cananéia. Também aparece:“Barra de Ararap”e as indicações:“Barra do Sul”“Barra Norte”Isso mostra que o cartógrafo utiliza o litoral e suas barras como elementos de referência para estruturar a representação do território. A costa, entretanto, é uma das partes em que o mapa apresenta problemas de precisão. Estudos modernos ressaltam que a linha costeira possui distorções consideráveis. Portanto, ele é excelente para estudar toponímia, caminhos e percepção territorial, mas não deve ser tratado como uma carta topográfica moderna. 9. A presença das serras é enormeObserve a quantidade de pequenas montanhas desenhadas. Isso não significa que cada desenho corresponda necessariamente a uma serra individual. É uma maneira pictórica de representar o relevo. E isso é especialmente importante para São Paulo porque a passagem entre o litoral e o planalto era condicionada pelas serras. O mapa, portanto, apresenta uma espécie de:litoral - Serra - planalto - sertão - MinasEssa relação é fundamental para compreender a expansão paulista. 10. O mapa também é um documento sobre circulaçãoEu classificaria este documento em quatro camadas:1. HidrografiaRios, barras, lagoas e cursos d´água. 2. RelevoSerras e áreas montanhosas. 3. OcupaçãoPovoações, aldeias, fortificações e outros núcleos. 4. CirculaçãoEstradas e caminhos. A quarta camada talvez seja a mais interessante historicamente. O mapa não está apenas dizendo:“Aqui existe São Paulo. ”

Ele está dizendo, na prática:“Daqui partem caminhos que conduzem a diferentes partes do território. ”11. Um detalhe importante para a pesquisa sobre SorocabaHá algo que deve ser investigado cuidadosamente antes de utilizar este mapa para sustentar qualquer afirmação sobre Sorocaba. Sorocaba não aparece claramente identificada neste trecho. Isso não significa que a região não esteja representada. Significa apenas que é necessário localizar o mapa completo, identificar a posição dos rios e caminhos e então reconstruir a correspondência com a geografia atual. Isso é particularmente importante porque o mapa apresenta uma rede de caminhos e rios bastante deformada. O próprio estudo cartográfico alerta que a rede hidrográfica está muito desfigurada e que o mapa deve ser entendido como uma representação sertanista, e não como uma carta geográfica de precisão moderna. 12. Uma característica extraordinária: ele mostra o Brasil antes de Minas Gerais existir como capitania separadaEsse talvez seja o maior valor histórico do documento. Quando olhamos o mapa hoje, temos tendência a enxergar:São Paulo - Minas Geraiscomo duas regiões naturalmente separadas. Mas o mapa mostra justamente o período em que essa separação ainda não existia administrativamente. A Capitania de São Paulo e Minas do Ouro havia sido criada em 1709, e em 2 de dezembro de 1720 D. João V determinou a separação dos governos de São Paulo e Minas. Portanto, este mapa está entre os documentos que ajudam a visualizar o território antes dessa ruptura administrativa. 13. Uma correção importante sobre a identificaçãoVocê já havia relacionado anteriormente este tipo de mapa a José Gonçalves da Silva e a aproximadamente 1758. Depois de conferir fontes especializadas, eu separaria os dois documentos. Este da imagem:“Mapa das Minas do Ouro e S. Paulo e costa do mar que lhe pertence”- c. 1714–1717/1720- manuscrito- Biblioteca Nacional- CEH 2788- aproximadamente 51, 1 × 61, 8 cm- autoria oficialmente não identificada- frequentemente atribuído a Félix de Azevedo Carneiro e Cunha. José Gonçalves da SilvaÉ necessário verificar separadamente o mapa de meados do século XVIII ao qual você se referiu anteriormente. Não devemos atribuí-lo a este documento. Essa distinção é importante para o Brasilbook porque uma ficha com “José Gonçalves da Silva, 1758” associada a esta imagem provavelmente misturaria dois mapas diferentes. ConclusãoEste mapa é uma fonte excepcional para estudar:- São Paulo no início do século XVIII;- formação territorial da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro;- caminhos para as Minas;- circulação pelo interior;- antigas estradas paulistas;- hidrografia;- toponímia;- aldeamentos;- povoações;- relação entre São Paulo e o litoral;- configuração territorial imediatamente anterior à criação da Capitania de Minas Gerais. Para o Brasilbook, uma possibilidade especialmente interessante seria pegar cada topônimo visível neste recorte, identificar sua forma original, localizar aproximadamente sua posição atual e cruzá-lo com os eventos e fontes já existentes no Brasilbook. Isso poderia revelar relações entre os caminhos representados no mapa e registros documentais dos séculos XVI, XVII e XVIII.

https://brasilbook.com.br/imagensx/VERAS
LUCIA
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Cassius Marcellus Clay Jr.
1942-2016
Cássius Clay é nome de escravo, não o escolhi, não o quero. Sou Muhammad Ali, um nome livre.

Fonte: ERRO!

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Dúvidas, críticas ou sugestões: Adriano César Koboyama