Julieta Chaves, a Santinha de Sorocaba
Autor: Aluísio de Almeida
Fonte: Revista "Investigações" Ano II - Março - Nº15 - 1950
https://facebook.com/santinhajulieta/
Quarta-feira, 1 de Março de 1950
Última atualização: 28/11/2020 03:42:19

O assassino de Julieta, 1899 – Julieta era uma menina de 7 para 8 anos de idade, filha de Júlio Chaves, residente no subúrbio além da rua da Boa Vista. À tardinha de 18 de março de 1899, saiu para comprar ovos e não voltou mais.

À noite de 22, chegou a noticia ao delegado Manuel Januário de Vasconcelos do aparecimento do cadáver, a 100 braças da residência dela. “Do exame a que se procedeu – diz o jornal – resultam suspeitas de que se trata de um crime revoltante, bárbaro, cheio de hediondos pormenores”.

O povo visitou o necrotério, aos magotes, tornando impossível a autopsia. Sabendo que fora preso um italiano indigitado, cercou a cidade. O povo queria linchar o inocente. Todo o destacamento foi posto à porta da cadeia, de armas embaladas.

O industrial Manuel José da Fonseca e outros homens notáveis, entre os quais monsenhor João Soares do Amaral, pacificaram os exaltados. Fazendo uma rápida alocução, aquele sacerdote teve estas palavras: “Quem sabe se entre vós se encontra o verdadeiro criminoso!”... “A estas palavras – diz o jornal – João Pinto se aproximou de monsenhor Soares e beijou-lhe a mão”.

Era escuro e este ato de arrependimento passou despercebido e só depois os que o viram lhe deram o verdadeiro sentido.

João Vieira Pinto, professor substituto no grupo escolar, escapou essa noite para Piedade, em casa dos pais. É de uma boa família, um caso a estudar.A 25 de Março, o povo continua em revolta. Chega de São Paulo, um grande reforço para o destacamento.Continuam as buscas e suspeitas.E então, de repente, a 26 de Março começou a correr a noticia de que João Pinto desaparecera.

Uma busca em sua casa mostrou no soalho manchas mal apagadas com cinza, no poço uma esteira e suas roupas.

Segue uma pequena escola para Uma; antes de lá chegar informam-lhe que o moço fora para Piedade. O promotor desta cidade não permitiu a prisão do moço, porque os soldados não estavam munidos de precatório do juiz de direito.

Soltam vários detidos por suspeita. Faz-se a precatória e há o cuidado de fazer o moço entrar na cadeia durante a noite de 27 para 28.

O “Diário Popular” e “El Diario Español” de São Paulo fizeram reportagens errôneas. O “Fanfulla” atacou a policia, que prendeu italianos inocentes.João Pinto negou o crime. De fato, encontrou o cadáver no quintal de sua casa, puxou-o para o vizinho, daí a esteira e a roupa suja. Fugira de medo.

A 2 de Abril o doutor Reinaldo Porchat assume a delegacia e faz proceder a autopsia, e volta no mesmo dia a São Paulo. No dia 3, chamam-no por telegrama: o réu “confessara ao alferes Teles de Menezes e ao prof. Joaquim Izidoro de Marins. Disse que a menina foi comprar ovos em sua casa, levou-a ao pomar; resistindo, matou-a e, só três dias depois arrastou o cadáver à chácara do tenente Alfredo Cardoso. Porchat retirou-se de uma vez.

Saiu um boletim acalmando os ânimos, e o velho Maneco Januário reassumiu o posto. A 4 de Abril chegaram um sargento e dois “guardas cívicos” de São Paulo com uma guia para levarem um preso. Só oralmente diziam que era João Pinto.

Mas Manuel Januário era jornalista desde 1870, republicano... inteligente. Não entregou o preso!Em Maio, “por conta própria e espírito científico”, o dr. Alcântara Machado veio fazer “estudos antropológicos” em João Pinto.A 22 de Agosto reuniu-se o júri, presidido pelo íntegro juiz Pereira Barros, sendo promotor Armando de Sousa Barros.

Foi advogado do réu o doutro Brasílio Machado, um grande nome. Um dia para interrogatório e leitura do processo. O réu negou, de novo, o crime.Dia seguinte: das 6 às 7 horas da noite, acusação do promotor.

Brasílio Machado falou das 7:30 às 11. Disse que a paixão que dominou Vieira Pinto foi a impetuosidade, que Sthendal denominou “golpe”. Quando o criminoso deu fé, estava com a criança morta. Houve réplica e tréplica. À meia-noite, retiram-se os jurados à sala de votação. 28 anos. O réu caiu prostrado.

Epílogo: Julieta Chaves é favorecida pela piedade popular, que até hoje venera seu túmulo. O primeiro já era de mármore. O atual chega a ser rico, oferta da família Scarpa.

E João Pinto cumpriu a pena em São Paulo, foi um preso modelo. Saindo para a liberdade, ganhou a sua vida como motorneiro ou cobrador de bonde, na Capital, onde, às vezes, o reconheciam velhos sorocabanos. Vivia até há pouco, aposentado.

* Texto Transcrito da Revista "Investigações" Ano II - Março - Nº15 - 1950Foto do livro " A martyr Julieta" de V.Nogueira Chaves pertencente ao memorista Antônio Francisco Gaspar com matéria do jornal Cruzeiro do Sul sobre o lançamento do mesmo anexada ao livro.Acervo do Museu Histórico de Sorocaba

Temas relacionados
Casos chocantes
Manuel José da Fonseca
Luís Castanho de Almeida
Aluísio de Almeida
Galerias de imagens
Cemitérios sorocabanos
24 imagens
Casos chocantes
107 imagens
“Sorocabanos” históricos
216 imagens
Crianças
235 imagens

testeselect * from materias where id = 118
1 de Janeiro de 1980
Chacará dos Padres
18 de Dezembro de 2020
Onde Foram Parar os TRENS do Brasil? Por Que o Brasil não tem Trens?
1 de Janeiro de 2021
Esclarecimentos sobre a Casa dos Padres
1 de Janeiro de 1900
A ESTRADA DOS PROTESTANTES E OS PRIMEIROS PRESBITERIANOS EM VOTORANTIM
1 de Janeiro de 1900
Praça 9 de Julho, Largo de Pito Aceso e outras histórias
18 de Fevereiro de 1981
Sobre o rompimento do "tancão" da vila Barão/Nova Esperança
10 de Fevereiro de 2021
O mistério da Casa dos Padres, que assombrou gerações em Sorocaba e Votorantim
12 de Agosto de 2017
Documentário mostra "descoberta" de um marco oculto de Sorocaba


Novas imagensExibir por anoGalerias de imagensArtigos MatériasTemas
Hoje na HistóriaProcurar no siteCidadesReceber atualizaçõesBiografias por categoria
Página no FacebookAutores Biografias<


BRASILBOOK - http://www.brasilbook.com.br
Agradecemos as duvidas, criticas e sugestoes
Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
Simone Garcia
João Libero
Amora G. Mendes, Matheus Carmine