Galeria de arte virtual denuncia monumentos históricos que homenageiam escravocratas brasileiros
Autor: Larissa Medeiros
Fonte: Globo
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
Última atualização: 03/12/2020 06:37:05

Plataforma foi desenvolvida por coletivos antirracistas para cobrar a retirada de mais de 150 monumentos.

Em 2020, a contestação a monumentos públicos que homenageiam figuras históricas ligadas à escravização de negros e de indígenas se seguiram aos protestos contra a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco em Minneapolis, nos EUA.



"Entregar escravo à Luiz Matheus Maylasky"
Data: 20 de Agosto de 1868
Acervo/Fonte: Correio Paulistano

Alguns foram derrubados, outros foram retirados pelas autoridades, e há os que serão expostos como manifestação. É o caso da Galeria de Racistas – Expondo a arte do Racismo, lançada na semana passada pelo coletivo Historiadores Negros Teresa de Benguela, pelo site antirracista Notícia Preta e por um grupo de publicitários negros.



Inauguração do monumento a Luiz Matheus Maylasky (1958)
Acervo/Fonte: Coleção Antônio Francisco Gaspar / Oficina Geo-Historica Adolfo Frioli
Jardim Maylasky

Segundo Jorge Santana, integrante do coletivo, a iniciativa possibilita questionar a real história de pessoas que foram exaltadas por anos, de forma errônea, na história do abolicionismo brasileiro.

— É necessário questionar por que pessoas que tiveram envolvimento direto com a escravidão e que fizeram apenas pequenos atos para a abolição, se tornaram heróis, quando, na verdade, tiveram mais tempo de envolvimento com a escravidão do que com a luta do abolicionismo. Essa minimização do protagonismo negro deixa explícito o apagamento da luta dos nossos povos — analisa o historiador.



Rua São Bento (1970)
Acervo/Fonte: Antônio Carlos Sartorelli
Estátua de Balthazar Fernandes


A ideia de criar uma lista com os nomes racistas é de Thais Bernardes, CEO do Notícia Preta e responsável pela comunicação visual do projeto, ao lado do grupo de publicitários. Segundo ela, a vontade surgiu após acompanhar os ataques estrangeiros contra estátuas racistas e questionar este tipo de conduta no território brasileiro.



Escravizados e o Mosteiro São Bento
Data: 27 de Abril de 1778
Acervo/Fonte: Biblioteca Digital UNESP
Ordem p/ José de Almeida Leme. Sobre os escravizados no Mosteiro São Bento


— Nossa ideia inicial era mapear apenas dez estátuas para uma matéria jornalística e, durante a pesquisa, os historiadores do coletivo conseguiram mapear mais de 150. Com isso, acabou virando um site e, hoje, nosso projeto destaca esses monumentos para que a sociedade brasileira veja, ao longo da história, como ela exaltou escravocratas e pessoas racistas e para que possamos rever a nossa história e o nosso posicionamento diante dessas representações — explica.



População de Sorocaba (1794)
Acervo/Fonte: Almanak Histórico Literário do Estado de SP


O estudo, conduzido durante cinco meses pelos historiadores, traz fotos, resumos e a localização desses monumentos que representam o tráfico de escravos, o genocídio e o apoio ao regime escravocrata em vários períodos da história brasileira. À princípio, estão expostos apenas 35 nomes, entre eles Tiradentes, Cristóvão Colombo, Bartolomeu Bueno e Bento Gonçalves. Além das figuras já expostas no site, também serão aceitas denúncias realizadas pela própria plataforma da galeria.



População de Sorocaba (1832)
Acervo/Fonte: Almanak Histórico Literário do Estado de SP


Segundo Camila Fogaça, historiadora e também integrante do coletivo, a permanência dessas figuras perpetua o racismo que, hoje, já não combina mais com os debates sociais ocorridos nos últimos anos.

"As pessoas já estão repensando esses espaços públicos e suas atuações. Não cabe mais andar e estar submisso em lugares que possuem monumentos que não têm o mínimo de significado para você. Quando a gente silencia, perpetua uma estrutura racista que não cabe mais na sociedade", ressaltou Camila, na live de lançamento da galeria.

Para mudar este cenário, a iniciativa também elaborou o projeto de lei popular, protocolado por deputados federais negros, que visa à retirada desses monumentos das ruas, a proibição de novas representações similares e a criação de obras em homenagem aos indígenas e negros que lutaram contra a escravidão.

— Esse projeto é extremamente importante para o Brasil, que teve como marca 350 anos de escravidão. Fomos o último país do continente americano a abolir a escravatura, somos a maior nação negra fora de África e, mesmo assim, nós não tivemos uma política pós-escravidão de memória à verdade e justiça, tanto para reparar as pessoas negras no que tange a terra, dinheiro e indenização quanto no processo histórico. Por isso, precisamos rever a história, reparar os erros do passado escravagista brasileiro e, com certeza, esse projeto será um passo inicial — finaliza.

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
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