Leite Penteado e Ubaldino do Amaral: “Libertar e educar os filhos dos escravizados”
Fonte: APONTAMENTOS SOBRE MAÇONARIA, ABOLIÇÃO E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS DE ESCRAVOS NA CIDADE DE SOROCABA NO FINAL DO SÉCULO XIX
Sábado, 7 de Agosto de 1869
Última atualização: 06/12/2020 23:27:25

Ubaldino do Amaral, perante os líderes sorocabanos, apresentou uma proposta, redigida por ele e Antonio Leite Penteado. Segue o resumo dos principais tópicos da proposta:



Ubaldino do Amaral Fontoura (1868)
Acervo/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

* Banquetes, ceias e copos d`agua estão absolutamente proibidos. Devemos destinar o dinheiro à Caixa de Emancipação. Assim como o valor da iniciação e da mensalidade.

* O valor acumulado nessa "caixa" será exclusivamente destinado à libertação de crianças do sexo feminino de 2 a 5 anos de idade.



José Leite Penteado (1869)
Acervo/Fonte: Geni.com

* As crianças assim libertadas ficarão sob nossa proteção;

* Serão criadas escolas para adultos e menores. As escolas serão noturnas; mantidas pela oficina para o ensino gratuito das primeiras letras.



Grupo de maçons da Perseverança III (1859)
Acervo/Fonte: Aleixo Irmão
Destaca-se, da esq. p/ a dir., de pé: Vicente Guariglia 2º, Leopoldo Machado 3º, João José da Silva 4º e, sentado, José Padilha de Camargo 1º

A proposta redigida pelo Venerável Leite Penteado e por Ubaldino foi aprovada porunanimidade.

A proposta sugere a libertação de filhos de escravos e a construção de escolas destinadas aos filhos de escravos e escravos.



Rua São Bento (1929)
Acervo/Fonte: Domingos Alves Fogaça
Esq. c/ a rua leite penteado

Para tanto, seriam proibidos os banquetes e foi sugerida a construção da caixa emancipatório destinada a libertação de filhos de escravos.

Sobre a égide do binômio libertação e educação, a Loja Maçônica Perseverança III distinguia-se da Loja Constância.



Alunos da Escola Noturna (1869)
Acervo/Fonte: Aleixo Irmão
Localizava-se na esq. da rua São Bento c/ a rua Barão do Rio Branco

O pesquisador e maçom Aleixo irmão afirma: “Essa propositura mostra a distância entre a Perseverança e aqueles que ficaram na Constância, teimosos em não se definir, no momento histórico em que a própria política nacional impunha ação e lutar pelas reformas da estrutura social e econômica do país (1999, p. 58).

A mesma luta vai ser liderada por Rui Barbosa na Loja América oito meses depois. Rui Barbosa apresentou no Grande oriente Brasileiro um projeto de Abolição com o intuito de torná-lo um projeto de lei geral e obrigatória para toda a maçonaria brasileira.

O projeto composto de 12 artigos propunha entre outras coisas a educação popular destinada aos filhos de escravos.

No primeiro artigo do documento, o texto afirma que a Maçonaria deveria propagara luta contra o servilismo e expandir a educação popular, utilizando para tanto os recursos intelectuais da imprensa, da tribuna e do ensino. O segundo artigo afirma:

Todas as Lojas maçônicas sujeitas ao Grande Oriente do Brasileiro, assim presentes como futuras, não poderão alcançar nem continuar a merecer o título e os direitos de oficinas regulares e legítimas sem que adotem pelo mesmo modo esses dois princípios sociais, compremetendo-se a trabalhar por eles com eficácia e tenecidade (Rui Barbosa, 1871).

O projeto de Rui Barbosa propunha punição as Lojas que não integrassem o movimento encabeçado pela Maçonaria. No artigo 5o afirma:

Nenhum individuo poderá mais obter o título e os privilégios de legitimo maçom sem que primeiramente, antes de receber a iniciação, declare livres todas as crianças do sexo feminino que daí em diante lhe possam provir de escrava sua.


O projeto procura cercar de todos os lados e construir uma consciência libertária a partir da obrigatoriedade. Este projeto fará parte, portanto, da construção do ideal maçônico no final do século XIX.

O terceiro artigo propunha a capitação de recursos financeiros pelas Lojas e a construção de uma verba especial reservada ao alforriamento de crianças escravas.

Esta verba era destinada para a construção e escolas populares e escolas noturnas. As escolas populares deveriam ser freqüentadas pelas crianças e as noturnas pelos adultos.

A Loja Perseverança III antes do projeto de Rui Barbosa já havia estabelecido este projeto emancipatório e educacional.

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