Onde Foram Parar os TRENS do Brasil? Por Que o Brasil não tem Trens?
Autor: Tales
youtube.com/channel/UCTL0AARZAOSvs0xlQhvRuTQ
Fonte: Canal Elementar
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2020
Última atualização: 07/04/2021 03:29:28



Brasil, o nono país com a maior malha ferroviária do mundo, parece algo muito bom, estamos entre o top 10 mundial. Mas será mesmo? Se olharmos quem ocupa a décima posição temos a França, o que parece bem estranho. Afinal o Brasil é o 5º maior país em extensão territorial, já a França é 48º.

Ver mais
Estrada de Ferro Sorocabana (E.F.S.)
82 registros

O que é mais estranho disso tudo é que o Brasil é um dos maiores exportadores tanto de ferro quanto de alimentos, insumos pesados e volumosos que precisam ser transportados pelo país para chegar aos portos e seguirem seu destino por navios.

Quando comparamos novamente com a França fica claro o problema. O Brasil possui 1 KM de ferrovia para cada 285 KM² de território. A França possui 1 KM de ferrovia pra cada 21 KM². Podemos perceber no nosso dia-dia que os trens não são utilizados em grandes quantidades no Brasil, não é todo lugar que vemos uma linha férrea.

Porém nem sempre foi assim, mas o que raios aconteceu pra chegarmos no século 21 com uma infraestrutura férrea tão precária? E o quão caro sai pro Brasil não ter trens?

O Brasil inicia sua história com as ferrovias por volta de 1828, quando ainda no governo Imperial, leis foram criadas na tentativa de colocar algum trilho por aqui. Entretanto, os investidores da época não se arriscaram, foi só em 1854, com investimentos do Barão de Mauá, que o Rio de Janeiro teve sua primeira linha inaugurada, com aproximadamente 14 km de extensão.

Irineu Evangelista de Sousa
Barão de Mauá
28 de Dezembro de 1814
21 de Outubro de 1889

Mais ricos

A partir daí, o desenvolvimento das malhas ferroviárias só aumentou, chegando a ter quase 29 mil km de extensão nos anos 20. E é exatamente assim que está até hoje.

Com a chegada do governo de Getúlio Vargas na década de 30, o Brasil se voltou à construção de rodovias e as ferrovias foram estatizadas, e mesmo com investimentos de Juscelino Kubitschek no fim dos anos 50 para voltar a ampliação, as linhas nunca mais tiveram tanta atenção.

Getúlio Dornelles Vargas
19 de Abril de 1882
24 de Agosto de 1954

Presidente do Brasil, Senador, Advogado / formado em Direito, Ministro de Governo

Afundados em dívidas e sem novos investimentos, os administradores decidiram por fechar alguns ramos, desestruturando a malha brasileira. Bom, foi assim resumidamente que o governo brasileiro matou uma indústria, com estatização e a péssima gestão dos serviços públicos que já conhecemos, mas por que o Brasil não investe hoje em mais trens?

E será que seria interessante investir neles agora? De acordo com Fabiano Pompermayer, diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do IPEA , o meio de transporte mais econômico seriam as hidrovias.

As embarcações são eficientes com distâncias acima de 1000 km da costa, nesse caso, para regiões mais interioranas, os trens seriam a melhor opção, fazendo a junção desses dois sistemas, o Brasil teria uma rede de transporte de carga incrível.

E por que os investimentos continuam tão baixos? Pompermayer aponta que desde 2005, o governo brasileiro tenta reverter esse cenário, no entanto, vários fatores afetam a expansão ferroviária.

O primeiro deles é o alto valor para construção do sistema, que pode chegar a ser 4 vezes maior que o rodoviário. Além disso, a grande maioria dos projetos existentes, passam por zonas urbanas, o que além de impactar profundamente na estrutura da região, gera risco de acidentes em pontos onde ferrovias cruzam rodovias.

De fato construir uma ferrovia é mais caro e mais demorado que construir estradas, especialmente quando temos mão de obra especializada nisso. Porém como todo investimento temos que analisar o resultado a médio e longo prazo, segundo estudo da Ilos, empresa de consultoria logística, transportar 1.000 toneladas via trem custa R$ 43 por quilometro, já nas rodovias esse valor é de R$ 259, seis vezes a mais.

Outra queixa dos investidores é o curto período de concessão, por volta de 30 anos, sendo necessários no mínimo 60 para que sejam interessantes. Essa é a visão do IPEA quanto ao transporte de cargas, mas e os trens de passageiros?

Será que a população não seria beneficiada com isso? É claro que seria ótimo poder viajar de trem de uma capital a outra como é feito na Europa, entretanto, Pompermayer afirma que a densidade demográfica brasileira é muito baixa para esse tipo de serviço.

Quando comparamos com a China, que é um país com uma extensão parecida com a do Brasil, temos um cenário diferente. Pois a China tem uma população mais do que 6x maior que o Brasil, o que gera uma demanda de transporte de pessoas e de carga muito maior.

Segundo Pompermayer as únicas regiões com demanda suficiente pra tornar viável o serviço seria no ABC Paulista e no trajeto Rio-São Paulo. Apesar desses fatores serem utilizados atualmente para explicar o porquê não temos um grande sistema ferroviário, é difícil dizer que as rodovias sejam a melhor opção.

Isso porque elas também geram vários outros problemas e prejuízos. Para cargas serem transportadas por rodovias são necessários caminhões, que dependem de pessoas no controle - os caminhoneiros. E aí já viu, quanto mais o sistema depende de mão-de-obra, mais problemas pode gerar.

As rodovias são responsáveis pelo transporte de 75% da carga total brasileira, caso haja algum colapso do sistema, como exemplo a greve dos caminhoneiros em 2018, todo o fluxo no Brasil pode simplesmente parar, e nenhum outro sistema de transporte daria conta do recado.

E isso tudo aconteceu devido a alta do preço do Diesel, principal combustível utilizado nos caminhões. Ou seja, o sistema rodoviário possui várias características que, se modificadas, interferem expressivamente em sua eficácia.

Outro ponto é a manutenção das rodovias pelo Estado brasileiro. Atualmente, esse tipo de serviço é realizado através de concessões, o que pode gerar escândalos de corrupção, como superfaturamento de contratos, e com o alto volume de rodovias, a fiscalização também é dificultada, transformando o cenário rodoviário brasileiro em um buraco negro.

E tu pode estar se perguntando, mas o que isso me afeta? Por que devo me preocupar com o caminhoneiro parado lá em Rondônia? Pois é, se juntarmos a flutuação nos preços do Diesel, a corrupção, a necessidade de manutenção das estradas, contratação de mão-de-obra, acidentes, pedágios e vários outros problemas gerados, isso significa que o preço de mercadorias vão ser diretamente impactados, o que vai impactar no teu bolso.

Todo produto necessita de transporte de alguma forma, seja pra chegar ao consumidor ou pra receber os insumos pra fabricação. Por mais que não tenhamos o valor total de transporte discriminado no valor da compra de cada produto, ele está lá, seja pra chegar na prateleira do supermercado ou até mesmo se você comprar online, por mais que você pague o frete, o produto em si já tem custos de transporte, desde o processo de fabricação até pra chegar na loja ou depósito de onde o produto é enviado pra sua casa.

As ferrovias são mais estáveis nesses pontos, não dependem de tanta manutenção ou mão-de-obra. Se compararmos a quantidade de carga carregada então, os valores se tornam ridículos. A Abifer, a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária, em um artigo comparativo da logística brasileira, comparou o transporte por Trem versus Caminhão no Brasil, desta destacam 7 pontos:

Numa distância de 1 km, um caminhão consome 13 vezes mais energia que um trem para transportar uma tonelada de frete. Uma via férrea de um único par de trilhos equivale uma via expressa de 14 pistas paralelas.

Um comboio de 200 vagões transporta tanto quanto 400 carretas rodoviárias. Acrescentar um único trem de frete à rede equivale a retirar da circulação até 280 caminhões. Redução dos níveis de poluição do ar, sobretudo quando o transporte ferroviário for movido à energia elétrica.

No caso de locomotivas movidas a diesel, o reservatório tem capacidade para 15.000 litros. A maior parte dos trens pode percorrer mais de 1600 km sem precisar reabastecer.

Rodovias transportam 3 vezes mais cargas que ferrovias, mas o custo é 6 vezes maior. Segundo a mesma pesquisa, o percentual de transportes feitos por rodovias aumenta ao longo dos anos, apontando que em 2012 67% da carga transportada no Brasil foi por rodovias, enquanto apenas 18% foi por ferrovias.

Em 2006 esses valores eram 65% por as rodovias e mais de 20% por ferrovias. Além do sistema férreo não evoluir, o crescimento economico das últimas decadas gerou mais mercadoria, assim reduzindo sua participação no transporte de carga total.

Com essa análise, será que os “contras” ainda pesam tanto para não investirmos em ferrovias? Eu sinceramente acho que não. Então porque ainda insistimos nas rodovias? O Brasil escolheu assim?

E a resposta é deprimente. O Brasil não escolheu as rodovias como uma decisão pensada e fundamentada. Isso foi apenas resultado de anos e anos de má gestão. Por ser muito mais fácil e barato construir rodovias, estas foram crescendo sem concorrência, e as ferrovias foram se auto destruindo por falta de manutenção e competitividade.

Além disso, estima-se que houve forte pressão das empresas petroleiras e de fabricantes de caminhões sobre o governo, fazendo com que o Brasil se “esquecesse” dos trilhos. Ainda hoje, a má gestão afeta os novos projetos.

Ferrovias que deveriam ser entregues, ainda estão em construção, sem ter ao menos uma projeção de gastos para a finalização, ou seja, vários projetos estão em construção e mesmo os órgãos federais não conseguem fazer uma estimativa dos valores ou do tempo de finalização dos projetos.

O mesmo acontece com as rodovias, e isso prejudica e muito o desenvolvimento no setor de transportes do Brasil. Um dos escândalos descobertos em 2012 no país foi o superfaturamento da Ferrovia Norte-Sul que provocou, de acordo com matéria da Istoé, um rombo de aproximadamente 1 bilhão de reais.

O Brasil é o único país do mundo onde predomina-se o sistema rodoviário. Nenhum outro país escolheu ter esse sistema como principal. Se compararmos com os Estados Unidos, a malha ferroviária é nove vezes maior que a brasileira, com 293 mil km de extensão.

Países menores que o Brasil, como França, Alemanha e Índia também possuem redes mais desenvolvidas que as nossas.

A Rússia em 2019, possuía 81% do transporte realizado por trens, no Canadá 46% e no Brasil míseros 15%. Então, podemos perceber que não depende realmente do fluxo de pessoas, do tamanho do país, ou do seu grau de desenvolvimento, e sim, de boas gestões.

Caso o Brasil decidisse por inverter essa situação, o cenário nacional de transportes mudaria drasticamente. Isso para começar nos grandes centros, com a diminuição dos caminhões atrapalhando o trânsito, redução da poluição e roubos de carga.

Foi estimado também, que com a substituição gradual, o Brasil teria uma economia de até 30% em transporte, devido a maior capacidade de carga dos trens. Bom, se tu quiser saber a minha opinião eu acho que sim, o Brasil precisa e muito dos trens.

Existe bons argumentos quanto ao transporte por caminhões, é mais flexível e é fácil de organizar, porém custa muito caro no produto e pro setor público manter as estradas, afinal o maior desgaste nas estradas é justamente no transporte de cargas.

Já os trens reduzem muito o custo de transporte e de manutenção, mas por outro lado eles tem destino fixo, então de qualquer maneira vai precisar ligar a outros meios de transportes pra chegar no destino final.

Então sim, eu acredito que o Brasil precisa de mais trens, muito mais, mas trabalhando em conjunto com os serviços por estradas, mar e ar, cada um operando onde é mais eficiente.

Porém o problema central não é o custo e prazo como muitos apontam, é o político que não quer investir em um projeto caro que vai terminar só depois do mandato dele, ou que nem vai ser concluído porque muito político gosta de abandonar obra da administração passada.

Mas me diz ai, o que tu acha sobre o transporte com trem no Brasil? Ou então o quanto isso te indigna, seja com paralisação de caminhoneiro ou político que sempre pensando nele ao invés do país?


Temas relacionados
Irineu Evangelista de Sousa
Barão de Mauá
1814 - 1889
Getúlio Dornelles Vargas
1882 - 1954
Estrada de Ferro Sorocabana (E.F.S.)
Ferrovias
Galerias de imagens
Estrada de Ferro Sorocabana (E.F.S.)
96 imagens
Estação Ferroviária de Sorocaba
68 imagens
Ferrovias
46 imagens
Estações Ferroviarias
20 imagens

testeselect * from materias where id = 162
1 de Janeiro de 1980
Chacará dos Padres
18 de Dezembro de 2020
Onde Foram Parar os TRENS do Brasil? Por Que o Brasil não tem Trens?
1 de Janeiro de 2021
Esclarecimentos sobre a Casa dos Padres
1 de Janeiro de 1900
A ESTRADA DOS PROTESTANTES E OS PRIMEIROS PRESBITERIANOS EM VOTORANTIM
1 de Janeiro de 1900
Praça 9 de Julho, Largo de Pito Aceso e outras histórias
18 de Fevereiro de 1981
Sobre o rompimento do "tancão" da vila Barão/Nova Esperança
10 de Fevereiro de 2021
O mistério da Casa dos Padres, que assombrou gerações em Sorocaba e Votorantim
12 de Agosto de 2017
Documentário mostra "descoberta" de um marco oculto de Sorocaba


Novas imagensExibir por anoGalerias de imagensArtigos MatériasTemas
Hoje na HistóriaProcurar no siteCidadesReceber atualizaçõesBiografias por categoria
Página no FacebookAutores Biografias<


BRASILBOOK - http://www.brasilbook.com.br
Agradecemos as duvidas, criticas e sugestoes
Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
Simone Garcia
João Libero
Amora G. Mendes, Matheus Carmine