"Amante não tem lar; Amante nunca vai casar"
Quarta-feira, 5 de Maio de 1852
Última atualização: 09/05/2021 02:17:37



Assim canta Marília Mendonça, mas a história de hoje mostra que o tempo, ah!, o tempo... Ele proporcionou tantas modificações ao longo do seu trotar.Domitila de Castro Canto e Mello nasceu a 27 de dezembro de 1797, em São Paulo. Filha de João de Castro Canto e Melo - o primeiro Visconde de Castro - e de Escolástica Bonifácia de Oliveira e Toledo Ribas, pertencia a uma tradicional família paulista. O casal teve seis filhos.


João de Castro do Canto e Melo (1797)
Acervo/Fonte: Wikicommons / Domínio público
1.º Visconde de Castro

Com apenas 15 anos, casou-se com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça e relatos dão conta de que ele era um homem violento, que a espancava e violentava, e de quem se separou em 21 de maio de 1824.


José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (1842)
Acervo/Fonte: Wikiwend
Barão de Cocais

Dessa união conturbada nasceram Francisca, Felício e João. A família acolheu Domitila, mas o ex-marido não desistiu dela.Sabia o que havia perdido e desejava que ela retornasse com ele a Vila Rica, e embora a forte e decidida Domitila pudesse não saber ao certo para onde ir, tinha todavia a certeza para onde não deveria retornar.

Em 1822, algo especial iria acontecer. Domitila conheceu Dom Pedro de Alcântara (1798 - 1834) dias antes da Proclamação da Independência do Brasil - em 29 de agosto de 1822.


Dom Pedro I
Data: Agosto de 1822
Acervo/Fonte: Simplício Rodrigues de Sá
Aos 24 anos de idade

O Príncipe-Regente voltava de uma visita a Santos quando recebeu, às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, duas correspondências (duas missivas; uma de sua esposa, a Princesa Leopoldina e a outra, de José Bonifácio de Andrada e Silva) que o informavam sobre as decisões da Corte Portuguesa, em que Pedro deixava de ser Regente para apenas receber e acatar as ordens vindas de Lisboa.


Maria Leopoldina de Áustria (1815)
Acervo/Fonte: Josef Kreutzinger
Aos 18 anos de idade

Obviamente, Pedro não aceitou. Aproximava-se a ruptura com as Cortes, especialmente da parte de José Bonifácio, que insistia em que o Brasil se separasse do Reino de Portugal e Algarves.Pedro e Domitila, ao se virem pela primeira vez, foram arrebatados por um sentimento incontrolável, e por 7 anos o amor os invadiu e se espalhou.


Marquesa de Santos aos 31 anos (1828)
Acervo/Fonte: Museu Paulista da USP
Domitila de Castro Canto e Mello

Há uma vasta troca de correspondências, onde Pedro é o Demonião e Domitila é sua Titila. Pedro, ao desembarcar no Brasil com sua família em 1808, no Rio de Janeiro, sentiu que aqui era seu lugar, seu paraíso.

Amar e ser amado, desejar e ser desejado eram suas características intrínsecas. Casado com a "Mãe do Brasil" - Dona Leopoldina - não controlava suas vontades, que para ele eram necessidades fundamentais.


Maria Leopoldina de Áustria (1814)
Acervo/Fonte: https://rainhastragicas.com

Domitila não era a única, mas era "ela". Uma paixão que não desgrudava, um "carrapatismo", algo incandescente, que nunca mais voltaria a sentir.


Marquesa de Santos (1826)
Acervo/Fonte: Francisco Pedro do Amaral
Em torno dos 29 anos de idade, ostentando a faixa da Ordem Real de Santa Isabel

Até com a irmã de Domitila se envolveu; ele não conseguia domar o potro que o habitava, mas para Domitila, durante 7 anos, sempre voltava.


Maria Benedita de Castro Canto e Melo (1857)
Acervo/Fonte: Domínio público
A Baronesa de Sorocaba

Foi concedendo visibilidade e ascensão a sua venerada. Domitila foi nomeada Dama Camarista de D. Leopoldina. Todos sabiam do caso, inclusive Leopoldina. Coitado de quem tentasse se interpor.Em 12 de outubro de 1826, aniversário do Imperador, o presente foi para sua "deusa": ele lhe concedeu o título de Marquesa de Santos, para alfinetar o santista José Bonifácio de Andrada e Silva.Nesse período, Domitila eclipsava a própria Imperatriz. O sonho de ser Imperatriz surgiu no coração da Marquesa após a morte de Leopoldina, mas… o povo detestava a quem eles imaginavam ter sido a responsável pela morte da amada Leopoldina.

Seu amado - protetor devoto - rompe com ela e futuramente contrairia núpcias com D. Amélia de Leuchtenberg.


Amélia de Leuchtenberg (1830)
Acervo/Fonte: Retrato por Friedrich Dürck
Segunda Imperatriz do Brasil

A poderosa e perspicaz Marquesa é descartada por quem ela imaginava que a considerava ser a estrela de maior relevância.

Podemos imaginar como ela se sentiu... Durante aqueles sete anos tiveram cinco filhos, dos quais dois chegaram à idade adulta: Condessa do Iguaçu e Duquesa de Goiás.


Condessa de Iguaçu (1852)
Acervo/Fonte: Ferdinand Krumholz (1810–1878)
Maria Isabel de Alcântara

Interrompo o relato sobre Domitila para informar que tivemos quatro ducados no Império: Duquesa do Ceará e Duquesa de Goiás (filhas de Domitila e Dom Pedro), Duque de Santa Cruz (irmão de D. Amélia e futuro genro de Dom Pedro) e o mais famoso dos duques: Duque de Caxias, mas este no II Império.Retomando Domitila... Não deve ter sido fácil, e pensando no futuro de seus filhos, resolveu ser racional: exigiu a parte dos seus bens e seu dinheiro para se refazer. Quem do primeiro esposo levou golpes de faca, agora recebia de seu Demonião o pior dos golpes. Retorna a São Paulo.Refaz-se. Era inteligente, forte, uma pessoa inoxidável. Sabia que poderia demonstrar seu valor aos que não acreditavam em seu potencial.Conheceu um novo amor no Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (1794 - 1857), com quem se uniu em 1833, casando-se oficialmente na cidade de Sorocaba em 14 de junho de 1842.


Rafael Tobias de Aguiar, o Brigadeiro Tobias (1842)
Acervo/Fonte: Museu Histórico Sorocabano

Tobias de Aguiar, conhecido como o "Reizinho de São Paulo", era um político e rico fazendeiro sorocabano. A base de sua fortuna era o comércio de muares, mas com o tempo acabou diversificando seus negócios com fazendas de açúcar, gado e criação de equinos. A pelagem tobiana foi criada por ele. Titila nasceu para brilhar!! Seu casamento com Rafael Tobias de Aguiar durou 24 anos.


Aclamação de Rafael Tobias de Aguiar (1842)
Acervo/Fonte: Quadro de Ettore Marangoni
Rua São Bento. Esquina c/ a rua Barão do Rio Branco

Durante a Revolução Liberal foi preso no Sul do Brasil. A Marquesa encaminhou correspondência a D. Pedro II, para que pudesse ficar na prisão com o marido e dele cuidar.Naquele instante, D. Pedro II percebeu os motivos que levaram seu pai a se encantar pela dama paulista. Em 1844, o casal retornou a sua residência, pois Rafael Tobias havia sido anistiado. Ela teve mais 6 filhos. Ficou viúva em 1857. Na última fase de sua vida foi uma senhora devota e caridosa,procurando socorrer os desamparados, protegendo os miseráveis e famintos, cuidando de doentes e de estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no Centro da cidade de São Paulo.A Casa da Marquesa tornou-se referência na sociedade paulistana, animada com bailes de máscaras e saraus literários.Faleceu a 3 de novembro de 1867 e está sepultada no Cemitério da Consolação, na Capital Paulista. Durante muitos anos, o acordeonista e compositor de "Chalana" - Mário Zan - cuidou com amor do túmulo da Marquesa; hoje ele está sepultado em frente, como se compusesse a Guarda dela.

Na canção "Chalana", Mário Zan fala de um amor que não se concretiza, pois a moça se vai sem se despedir; assim se deu com Pedro e Domitila, que não viveram felizes para sempre.

O "para sempre" um dia terminou, mas ambos continuaram suas trajetórias e escreveram novas páginas, e é possível - eu quero acreditar - que dentro de seus corações tenham conservado lembranças que sempre despertaram saudades quando se recordavam dos bons tempos vividos.Fátima Fabiana Bibliografia: REZZUTTI, Paulo: Domitila, a verdadeira história da Marquesa de Santos.

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1740 - 1826

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
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