Mistério da cabeça encontrada na Praia
Diário da Noite
Terça-feira, 9 de Fevereiro de 1960
Última atualização: 15/12/2020 02:38:29



Colocada dentro de um balde, que depois foi colocada dentro de uma geladeira com água e formol, a cabeça do homem encontrada na Praia Grande, está causando, nesta cidade e em Santos os maiores e mais emocionantes comentários, já que, em tempo algum, achado tão macabro originou tantas e tão desencontradas hipóteses.



Misteriosa cabeça encontrada na praia (1960)
Fonte: Jornal da Noite

Tudo começou as primeira horas da tarde do dia 6, quando um garoto, que transitava à beira-mar, na Praia Grande, entre Solemar e Mongaguá, encontrou, semi-sepultada na areira, uma cabeça humana.

O reto do corpo, que se supunha estar nas proximidades, não foi encontrado. A cabeça não apresentava senão leves sinais de deterioração, muito embora fossem visíveis as marcas de mordidas de peixes.

O fato como não poderia deixar de acontecer, obrigou o delegado desta cidade, Sr. Vasnconselos de Camargo, a tomar providências essenciais, que implicavam na remoção da cabeça para o Gabinete Médico Legal de Santos.

Evidentemente, tendo em mãos apenas uma cabeça humana, aquela autoridade policial pouco ou quase nada poderia fazer no sentido de penetrar no mistério que se apresentava. Ainda assim, tomou medidas que pudessem, no futuro, solucionar o fato.

A cabeça humana

A cabeça encontra-se, atualmente, numa das geladeiras do Gabinete Médico Legal de Santos, só as vistas do médico Décio Brandão. Trata-se de uma cabeça de homem da raça branca, aparentemente de 31 a 35 anos de idade.

O couro cabeludo apresenta restos de cabelos nas regiões frontais e ocipital. São cabelos lisos, curtos, de cor castanho claro. Nas órbitas, ainda se encontram os olhos, embora com a cor da iris embaçada pela putrefação.

O nariz e pequeno e afilado. Na cavidade bucal e língua, sem anomalia, apenas sofreu leves transformações naturais da decomposição. A arcada dentaria apresenta 31 dentes, sendo que o maxilar superior mostra-se com a a falta de um incisivo direito, provavelmente por defeito congênito.

Supõe-se que o "dono da cabeça" na sua segunda infância, tenha perdido aquele dente, ocorrendo que os laterais, com o tempo, tenham ocupado o espaço deixado pela sua falta, o que permite que aparente, sem um exame mais demorado, uma dentadura perfeita.

Enquanto que o maxilar superior apresenta 15 dentes, o inferior possui 16. Todos eles muito bem implantados e otimamente desenvolvidos. Apenas no molar inferior direito, a um exame mais cuidadoso, verifica-se a existência de uma pequena carie, assim mesmo superficial.

Os pavilhões auriculares foram comidos por peixes ou outros animais marinhos. Na região frontal esquerda há um pequeno ferimento de forma oval, de meio centímetro, no seu maior diâmetro. Outros ferimentos são encontrados na região malar, nos lábios superior e inferior, provavelmente causados pelo atrito da cabeça contra superfícies ásperas.

O bigode é raspado e a barba feita, com falhas à esquerda do maxilar inferior e a direita da face, também na região maxilar. As vértebras cervicais não apresentam, a um exame rápido, sinais de terem sido cortadas, mas sim, desligadas da vértebra por arrancamento.

A FAB auxilia nas investigações

Assim que as primeiras noticias sobre o macabro encontro foram publicadas, o major comandante da Base Aérea de Santos, entendeu que deveria proceder a uma verificação. Este seu interesse como ponto de partida o fato de estarem desaparecidos, há mais de 40 dias, dois aviadores.

Levantando a hipótese de que a cabeça poderia perfeitamente pertencer e um deles, aquele militar designou o tenente Paulo Abate para auxiliar as investigações e investigar, como bem o entendesse o fato.

A Morte dos Aviadores

No dia 23 de novembro do ano passado, em um avião DC-3 da NAB (Navegação Aérea Brasileira) o major Gustavo Pereira Nunes, da 1a. Zona Aérea, RJ, foi designado para proceder a exame periódico do co-piloto daquele companhia, Edyvan Vieira de Melo.

Quando o aparelho sobrevoada a região entre as Ilhas do Paio e das Rosas, cessaram as suas comunicações coma torre de controle. Momentos depois, aviões da FAB, sobrevoando o local, nada encontraram que pudesse indicar ter o aparelho caído naquela região, porém dias depois, foram encontrados, boiando nas águas, uma roda de avião e um dos seus tanques de gasolina.

Os dois aviadores, então, foram considerados como tendo sido vitimas do desastre. Na mesma ocasião, escafandristas da Marinha, tentaram localizar os restos do aparelho da NAB com o fito de encontrar em seu interior, os dois pilotos. Nada conseguiram.

Correntes Marítimas

Por mais que o desastre tenha ocorrido no Rio de Janeiro, não se pode deixar de lado a possibilidade de a cabeça encontrada na Praia Grande pertencer a um dos pilotos, já que as correntes marítimas do Atlântico, nas cotas brasileiras, compreendida entre os Estados do Rio e SP, seguem em direção ao Sul.



Como a cabeça apresenta vários ferimentos n os lábios, nas faces e no frontal, muito embora não se perceba a existência de ossos fraturados, a hipótese de se tratar de um dos pilotos mais se alicerçou depois que se supos que aquele ferimentos tivessem sido provocados durante o impacto do avião com a água., ocasião em qu eo piloto bateu com o rosto contra o para-brisa ou cujos estilhaços tenham atingido o aviador.

"Não é o meu filho!"

O médico legista Décio Brandão de Camargo apresentou o macabro achado a vários oficiais da FAB sediados em Santos e que conheciam o major Gustavo Pereira Nunes. À primeira vista, estes não tiveram duvidas de encontrar, na cabeça humana, muita semelhança com a conformação facial e craniana da cabeça do major tragicamente desaparecido.

O pai do major morto, que pé médico no Rio de janeiro, ao ver a foto da cabeça, não teve duvidas, em colocar um ponto final na questão, dirigindo-se ao médico legistas com os seguintes termos:

"Não se trata do meu filho. Não é meu filho!"

Mistério

Uma vez afastada a hipótese de se tratar da cabeça do oficial morto naquele desastre, já que poucas são as possibilidades desa cidade outo caminho a seguir, senão enveredar no emaranhado do macabro achado.

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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
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