74 anos de idade
João Líbero
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2020
Há 1 anos...

Sobre Nhá Quitéria: Era uma preta alta, magra, mas, musculosa e de idade indefinida. Passava uma vez por semana em nossa rua comprando tudo que podia e ainda tinha alguma utilidade.

Diziam que ela tinha sido escrava e que tinha uns 100 anos. Não sei se era verdade!

Não ria nunca e falava o essencial, num linguajar estranho, meio cantado; tinha a voz bem rouca. Mal dava para entender o que ela falava.

Contam os antigos que ela era uma moça alegre e vivia cantando pela fazenda, cortando cana, colhendo café, mandioca, etc...

Todos gostavam dela, principalmente dona Celeste a dona dela, uma mulher muito boa. Contam que uma vez ela fugiu do cativeiro e o dono dela pendurou-a pelo pescoço num travão da senzala, para dar exemplo a quem pensasse em fugir.

Mas, foi salva pela mulher dele, dona Celeste, por isso era rouca. Usava um lenço amarrado ao pescoço como os antigos boiadeiros. Acho que era para esconder a marca da forca.

Dona Celeste levou-a para trabalhar na casa como arrumadeira e proibiu o marido de maltratá-la novamente, com a ameaça de deixa-lo e voltar para Portugal.

Ela morava em uma casa que a dona dela deixou de herança para ela quando morreu. Ela já era livre, pois quando o marido morreu, dona Celeste deu liberdade para Quitéria e ela ficou como governanta da casa.

Dona Celeste tinha uma filha que foi estudar em Portugal, morava com uma tia, casou, era rica e nunca mais voltou ao Brasil. Assim quando morreu dona Celeste deixou a casa de herança para Quitéria.

Era originalmente um sitio na periferia da cidade, mas d. Celeste loteou e foi vendendo aos poucos e só sobrou aquela chácara de mais ou menos 1.000m2.

A casa ficava de um lado, com uma entrada lateral larga, quintal grande e uma cocheira no fundo para a égua de Quitéria e a carroça.

Aos sábados e domingos, seu terreno ficava lotado de pessoas que iam comprar ou trocar as coisas que ela tinha lá. Tinha cadeiras precisando de reparos, mas, ainda boas, mesas, camas, fogões, sofá, panelas, até artigos de colecionadores, livros antigos, alguns raros, revistas, discos, ferramenta, etc...

Ela aprendeu ler com dona Celeste, que fazia isso escondido do marido e por perceber que Quitéria era inteligente. O marido dizia que os escravos eram animais e não gente!

O dono de um supermercado do bairro, reformou a estrutura do estacionamento e deu a estrutura velha, com lona e tudo, para Quitéria, que pode assim trabalhar mesmo em dias de chuva.

Aos poucos Quitéria foi deixando de sair de carroça, pela limitação da idade dela e da égua, que veio a morrer poucos anos depois. Com isso ela aumentou o troca-troca, que pelas poucas necessidades dela, ia bem.

Quando ela morreu, deixou o terreno, a casa e seu negócio para a comunidade, que elegeu uma comissão de moradores, trocadas de dois em dois anos.

Hoje, no local fica a Feira da Barganha da cidade, com suporte da Prefeitura que fez melhorias no local.

Quando limparam a casa após sua morte, acharam um diário escrito por ela e descobriu-se o motivo da sua fuga. Ela amava um escravo, Jonas e queriam casar, mas, o dono vendeu Jonas que foi para outro estado.

Quitéria tentou fugir para ir atrás dele e quase morreu por isso. Devido a brutalidade sofrida, ela nunca mais foi a mesma, se tornando uma mulher calada e triste.


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Rua Nhá Quitéria
Acervo/fonte: Pedro Negrão / Jornal Cruzeiro do Sul
Data: 15/8/2011
Sorocaba/SP em 2011
Vila Barão


João Líbero25/12/2020 23:49:14
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