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Principais líderes da Soka Kyoiku Gakkai foram presos
Terça-feira, 6 de Julho de 1943

Com o início da Segunda Guerra Mundial e a entrada do Japão nesse conflito, todos os cidadãos foram obrigados a abraçar o xintoísmo que doutrinava o povo a devotar a vida ao Imperador. Makiguti e Toda, como principais líderes da Soka Kyoiku Gakkai, começaram a sofrer crescente pressão do Estado xintoísta e, em 6 de julho de 1943, foram presos e encaminhados para o Centro de Detenção de Sugamo[4] acusados de violação às leis de Preservação da Paz e de Segurança Nacional,[1] por sustentarem posições consideradas intransigentes, defendendo o antimilitarismo e, sobretudo, a liberdade religiosa.

Em 1903, aos 32 anos de idade, Tsunesaburo Makiguchi publicou, pouco antes da Guerra Russo-Japonesa, a obra "Geografia da Vida Humana".

A mentalidade da sociedade japonesa da época pode ser simbolizada pela atitude de sete famosos acadêmicos do Japão, da Universidade Imperial de Tóquio, que fizeram uma petição ao Governo para que endurecesse sua postura com a Rússia, inflamando ainda mais a população à guerra.

Já Makiguti, um professor desconhecido, enfocava a comunidade local, mas com a consciência da cidadania global.Aos 42 anos, Makiguchi foi nomeado diretor de uma escola primária em Tóquio e, durante os vinte anos seguintes, desenvolveu algumas das mais notáveis escolas públicas de Tóquio.

Uma das maiores influências no pensamento de Makiguti foi o filósofo americano John Dewey, em cuja filosofia se baseou para criar uma mudança no sistema educacional japonês. Um franco defensor da reforma educacional, Makiguti encontrava-se sob constante vigilância e pressão das autoridades.

Em 1928, aos 57 anos, Makiguchi conheceu o budismo e sentiu que havia encontrado, nessa filosofia, os meios pelos quais poderia concretizar os ideais que buscara durante toda a vida — um movimento pela reforma social por meio da educação.

Em 18 de novembro de 1930, Makiguchi e seu discípulo e também professor, Jossei Toda, publicaram o primeiro volume do livro "Sistema Pedagógico de Criação de Valores" (Soka Kyoikugaku Taikei). Eles decidiram chamar a editora de Soka Kyoiku Gakkai ("Sociedade Educacional de Criação de Valores") e formaram um grupo para empreender atividades educacionais e religiosas, o qual foi a instituição precursora da Soka Gakkai.

Makiguti pretendia publicar doze volumes da obra. O primeiro foi lançado em 1930. O segundo, em 1931, o terceiro em 1932 e o quarto, em 1934. Os oito volumes seguintes jamais foram publicados. Dez anos se passaram desde o lançamento do quarto volume até o falecimento de Makiguti na prisão em 1944.

A visão de Makiguti passou por uma grande mudança nesse período por ter se convertido ao budismo de Nitiren Daishonin. Seu interesse por essa filosofia era tão grande que ele passou a se dedicar totalmente às atividades da Soka Gakkai. Ele via nela a possibilidade de propagar seus ideais humanísticos em prol da educação.

Em 1935, o estatuto da Sociedade Educacional de Criação de Valores ficou pronto. O artigo 1º estabelecia o seu nome e o artigo 2º estipulava que seus objetivos estavam voltados para as pesquisas relacionadas à criação de valores, ao desenvolvimento de professores altamente capacitados e à reforma do sistema educacional do país.

Em julho de 1936, o primeiro dos seminários foi promovido pelo grupo no alojamento Rikyobo, no Taissekiji. Em 1937, Makiguti, Toda e mais de cinquenta pessoas realizaram uma cerimônia no Auditório Meikei de Tóquio, marcando um novo início para a organização, e assim instituindo oficialmente a Soka Kyoiku Gakkai.

Iniciou-se também um grande movimento de propagação do Budismo Nitiren com a realização de reuniões de palestra, que logo se tornou uma atividade tradicional da organização.

Em 1940, foi realizado um segundo encontro. A organização havia atingido o número de quinhentas famílias, sendo necessária uma revisão em seus regulamentos. Makiguchi foi nomeado presidente e Toda, diretor-geral.

Nessa época, eclodiu a Segunda Guerra Mundial, com a invasão da Polônia pelos nazistas. As tropas do Japão também avançavam, invadindo a China e a Coreia.

Observando o desenrolar dos acontecimentos, Makiguchi criticou abertamente a política do governo japonês de unificar todos os ensinos ao xintoísmo, religião oficial do governo.

Como conseqüência, em junho de 1943 os líderes da Soka Gakkai foram convocados a comparecerem ao Taissekiji. Nessa ocasião, o clero sugeriu que os membros da organização acatassem a decisão do governo e abraçassem "provisoriamente" o talismã xintoísta.

Makiguchi ficou indignado com essa proposta, que feria totalmente o espírito do budismo de Nichiren Daishonin. Em vista disso, todas as atividades da Gakkai passaram a ser vigiadas pela polícia Especial de Segurança.

Makiguti não se intimidou e isso resultou na prisão dele, de Toda e de vários líderes da organização, acusados de violarem a Lei da Preservação da Paz e de desrespeitar os santuários xintoístas.

Devido à pressão, somente Makiguti e Toda mantiveram-se firmes e irredutíveis. Makiguti foi enviado à prisão de Sugamo e submetido a interrogatórios, sendo privado de todos os direitos, até de escolher seu próprio advogado, sofrendo diversos tipos de privações.

Debilitado pela desnutrição, no dia 17 de novembro de 1944, Makiguti pediu aos carcereiros que o transferissem para o ambulatório da prisão, onde logo entrou em coma e faleceu por volta das seis horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, aos 73 anos de idade.

Após ser libertado da prisão, em 3 de julho de 1945, Josei Toda deu continuidade aos ideais de Makiguchi, reformulando e construindo a base da organização, que passou a se chamar Soka Gakkai (Sociedade de Criação de Valores). Em 1948, durante uma reunião de palestra - principal atividade da organização onde se realizam diálogos de vida a vida e discussões sobre a aplicação do Budismo na vida diária, Josei Toda se encontra pela primeira vez com Daisaku Ikeda.

Impressionado com os nobres ideais de Toda, suas respostas claras e convictas e sua visão de um modo correto de se viver, Daisaku decide tornar-se seu discípulo, acompanhando-o em todos os empreendimentos delineados para a propagação do Budismo de Nitiren Daishonin.

Jossei Toda assume como presidente da Soka Gakkai em 3 de maio de 1951, quando lançou, como objetivo de sua vida, a expansão do budismo de Nichiren Daishonin para 750 mil famílias. Na ocasião, a organização contava com apenas 3 mil famílias e muitos dos presentes acharam que este objetivo nunca seria alcançado.

Ele passa a viver num ritmo alucinante a fim de reconstruir a Soka Gakkai. Edificou organizações de base, realizou reuniões de palestra por todas as partes do Japão, orientou os membros sobre diversos assuntos, fez visitas às famílias e fundou as Divisões Feminina, Feminina de Jovens e Masculina de Jovens.

Ainda no ano de 1951, visando a comemorar os setecentos anos do estabelecimento do Verdadeiro Budismo, Toda anunciou o projeto de publicação da coletânea completa das escrituras de Nitiren Daishonin (Gosho Zenshu). Com o auxílio de seu discípulo, Daisaku Ikeda, a obra foi lançada em 28 de abril de 1952.

Em 1957, o número de associados ultrapassou 765 mil famílias. No dia 8 de setembro daquele ano, foi realizado um festival esportivo pela Divisão dos Jovens denominado "Festival da Juventude". Nessa ocasião, Jossei Toda proferiu sua famosa "Declaração pela Abolição das Armas Nucleares" para as 50 000 pessoas presentes no Estádio Esportivo de Mitsuzawa e a deixou como principal testamento para os jovens.

Em 16 de março de 1958, Jossei Toda liderou, pela última vez, uma atividade. Essa data ficou conhecida como o "Dia do Kosen-rufu", ocasião da transmissão da tarefa de realizar a paz mundial à Divisão dos Jovens, mais precisamente a Daisaku Ikeda.

Duas semanas depois, no dia 2 de abril de 1958, Josei Toda encerrou sua nobre existência aos 58 anos de idade, após concluir todos os seus empreendimentos.

Com o falecimento de Toda, alguns duvidavam que a Soka Gakkai sobrevivesse, mas a determinação e o empenho de Ikeda fez com que as dúvidas se dissipassem no coração dos companheiros, devolvendo-lhes esperança e dando novo impulso à organização.

Em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assumiu a terceira presidência da Soka Gakkai. A data simboliza a unicidade de mestre e discípulo e o espírito primordial do budismo Nichiren.

Decidido a impulsionar o Kosen-rufu mundial, no mesmo ano ele parte para o exterior para estruturar a organização e estreitar os laços de amizade entre os povos — missão que vem sendo cumprida até hoje.

Com o grande desenvolvimento em nível mundial da organização, foi fundada, no 26 de Janeiro de 1975, na Ilha de Guam, a Soka Gakkai Internacional.

Desde então, o budismo de Nichiren Daishonin foi difundido para diversas culturas e países através das atividades da Soka Gakkai, estando hoje presente em 192 países e territórios, perfazendo cerca de 13 milhões de associados praticantes em todo o mundo (2009).

Dos 192 países, somente em 70 países a Soka Gakkai é reconhecida oficialmente, seja por motivos religiosos ou por não haver uma estrutura de organização. Recentemente, a SGI-Portugal estruturou-se como organização religiosa, apesar de haver praticantes lá desde a década de 1980.

Além de dialogar com líderes mundiais (cerca de 1,7 mil personalidades), Daisaku Ikeda fundou diversas instituições como a Associação de Concertos Min-On, o sistema educacional Soka, o Museu de Arte Fuji de Tóquio, o Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia (Cepeam), entre outros, empreendimentos estes reconhecidos em todo o mundo.


Dkdj
Acervo/fonte: Filosofia da Vida Diária
Data: 3/1958
Brasil/Brasil em 1958
1958.03.01-ikeda-with-mentor.jpg

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