Alguns historiadores, tirando illações duma cartado padre Balthazar Fernandes, datada de 1568, queremque João Ramalho tenha fallecido em meio desses indigenas, pouco depois dessa data. [0]O que nos interessa aqui não é desconstruir cada utilização das cartas que se fezno debate do IHGSP (poderíamos elencar diversos outros exemplos). Mais importante éconsiderar como a leitura que se fazia era aleatória, retirando fragmentariamente asinformações desejadas e desconsiderando a totalidade da carta e sua relação contextual eintertextual, completando as lacunas temerariamente com especulações diversas. Vejase, como um dos muitos exemplos, nesse mesmo texto de Francisco de CamposAndrade, a conjectura que faz o autor para refutar as afirmações de uma carta do padreBalthazar Fernandes, de 22 de abril de 1568:
E não só contra doenças e andaços, contra fome e mingua, "porque esta pobre gente é tão miserável e coitada, diz o Padre Balthazar Fernandes, que espera lhe demos do nosso", que não tinhammuitas vezes, pois, no principio, viviam de esmolas. Vinham, talvez, "a tanta miséria, esse Gentio, que, de fracos e magros, morriam por esses mattos." "Acontecia, diz ainda o Padre LeonardoValle, de lançar-se um para beber água e ficar ali, sem mais se poderlevantar, e assim morrer." "A causa desta pobreza, disse o PadreJorge Rodrigues, é por a terra em si ser pobre." Este não era nadaenganado consigo, e de nós, como nós todos, e ha mais de cincoséculos. [1]
CARTA DE BALTHASAR FERNANDES DO BRASIL, DA CAPITANIA DES. VICENTE, A 22 DE ABRIL DE 1568.Santos. — S. Vicente. — Piratininga. — Itanhaen. — Trabalhos ãa Companhia. — Conversão ãe um velho portuguez.PAX Christi.O que se offerece depois da derradeira que se escreveu do que Nosso Senhor obra pólos seus ministros nesta capitania de S. Vicente é que todos os nove que aqui estamos, scilicet:oito Padres e um Irmão, quatro dos quaes estão no campo, em umlogar que se chama Pyratininga, e os cinco aqui, nos occupamosnos ministérios de que a Companhia usa assi em casa, pera comos delia, como fora de casa, pera com os próximos.
E começando pelos de casa: emquanto nella estamos, os quecostumam andarem por fora na conversão do Gentio e ajuda es- ^piritual dos próximos, e os que nella ficam, vivemos conforme ao nosso instituto, na oração, no recolhimento, na obediência, mortificaçÕes e mais penitencias. E os que andam por fora, quando lá se acham também têm suas meditações, exames e orações, no qual tudo cada um trabalha de se aperfeiçoar em o Senhor como pôde.
Andamos de continuo bafejando (248) sobre estas pobres almas, assi do Gentio como dos Brancos, com confissões, pregações, doutrina, pondo paz e fazendo concórdia entre os discordes e baptisando entre o Gentio os que estão in extremis e alguns innocentes, filhos dos que são christãos.
Dos homens brancos que estão nestas quatro povoações que ha nesta capitania, scilicet: em S. Vicente, em Santos, em Piratininga, em Itanhaem (249), quasi todos, ou ao menos a maior parte, confessamos: de S. Vicente, onde está o collegio, pera Santos, continuamos freqüentemente, como foi esta quaresma, aonde residiram dous dos nossos pera lhes pregarem e confessarem com as quaes cousas se serviu Nosso Senhor, polo proveito que disso resultou nas almas, e o Senhor foi mais glorifiçado nellas.
Quanto é acerca dos Gentios: dos nossos que estão em Pyratininga, dous delles se oecupam em os ir visitar ás suas aldêas, que estão umas duas léguas da povoação, onde os nossos vão em um dia e vêm no outro, quando não ha necessidade alguma que os force a estar mais; ensinam-lhes a doutrina e um dialogo que ha na lingua, ao pé da cruz que está dentro na aldêa, tangendo-se pera isso a campainha primeiro, e se lhes faz ás vezes também uma pratica em que se lhes dá noticia das cousas da Fé, e particularmente se falia também a cada um, andando pólos lanços de suas casas pera tirar do estado de condemnação os christãos que estão amancebados, e os que vivem bem pera os confirmar nisso, e os outros que não recebem água do bautismo pera os incitar e mover a isso.
E tanto maior diligencia nos obriga a caridade pôr no acima dito, quanto maior é o descuido que têm os índios desta terra nisso, porque acontece muitas vezes que morrem, ora seja de doença, ora de mordedura de cobras (que são cá mais peçonhentas que bibras), ora de suas guerras, ora de qualquer outro caso, sem a mulher pera com o marido, nem o marido pera com a mulher e filhos porem nisso algum remédio ou nos mandarem chamar, por onde morrem alguns ao desemparo, com nós ainda andarmos sobre elles.
Aconteceu que indo eu a uma aldêa em companhia de outroPadre, no caminho, ou antes que lâ chegássemos, nos disseram al4 9 9 BALTHASAR FERNANDESguns índios que vinham de lá que já não fadava uma índia gentia; fomos nós, todavia, a correr e bradamos pela pobre: a quedantes não fadava fadou, e apparelhamol-a pera a bautisarmosnaquelle pouco tempo; acabado de a eu bautisar, quasi logo deua alma a seu Creador; recebeu minha alma grande consolação disso. Bemdito seja Nosso Senhor.Estando uns Padres de noite em uma aldêa, aconteceu que pariu uma índia, e tinha determinado de não levantar o filho quepariu do chão, mas deixal-o morrer, por se vingar desta maneirado barregão, por não querer vir com ella do certão pera estes índios que estão junto de nós; ouvindo logo os Padres chorar o menino, fizeram-no levantar, e, querendo-o depois matar, tomou-selhe e bautisaram-no, dando-se a criar; morreu todavia o meninoinnocente de doença e vai-se á Gloria; bemdito seja o Senhor.Bautisaram-se quatro in extremis, que morreram em mui bomestado; parece que Deus os tinha predestinados e não ha duvidasinão que muitos outros Deus tem predestinados destes que porventura comem carne humana, que isto é o que nos consola: queacontece muitas vezes negocial-o Deus de maneira que parecia serimpossivel de uma certa maneira.Nestas partes do Brasil podemos dizer com verdade que ajudamos a levar a cruz do Christo como Ciryneu, porque os trabalhadores desta terra são desenxabidos, mas por outra parte dá Deustodo junto. Andamos ordinariamente descalços, passando águas,que ha muitas nesta terra, e isso não uma vez sinão freqüente;passamos caminhos e matos mui trabalhosos, e muitas vezes nãotemos nem um punhado de farinha da terra pera comer, porqueesta pobre gente é tão miserável e coitada que espera que lhe demos nós do nosso, quanto mais dar-nos ella do seu! porque não notem, quare non sunt soUciti ãe crastino (250). Pois si porventuradesejam trabalhos próprios de Deus, cá se prantam e se colhe e secome na Gloria.Si porventura acontece algum achar-se in extremis, si nos dãorecado, quando quer que seja, quer chova, quer faça sol, quer denoite, quer de dia, uma légua e mais corremos quanto podemospera chegar ao pobre com o remédio assi da alma como do corpo.5 0 0 LXIII. — CARTA DE S. VICENTE (1568)Aconteceu que, dando-nos recado de uma índia que não erachristã que estava pera morrer de parto, tanto que o soubemos fomos muito depressa; chegando, já quasi não fadava; apparelhemol-a e baptisamol-a, e depois que acabamos de entender na curaespiritual, entendemos também na corporal pola necessidade assio pedir, por remédios que lhe fizeram pera beber; e quiz o Senhorpor sua misericórdia que uma e outra obrassem, ao que pareceude fora.A virtude da paciência se exercita cá também muito, porquese tem experimentado que o que ha de tratar com estes Gentiosha-lhes de soffrer suas cousas, passar por seus avesos sob pena deentornar tudo; e esta é a arma com que cá pelejamos, soffrendo-os,pois que Deus os soffre, esperando a sua hora.Vêm de uma légua e duas algumas vezes á missa, especialmente polas festas, e algumas vezes tornam em jejum pera suascasas por não ter quem lho dê, si lho não damos.São mui aborrecidos á gente branca; somente a nós, que ostratamos bem e os empáramos e livramos das unhas dos lobos, nostêm amor e se dão bem comnosco. Porventura si não foramos, houvera já mui poucos entre nós, porque ha muitos salteadores e nãotêm tanta ousadia andando nós no campo.
Um homem branco que ha 60 annos que está nesta terra entre este Gentio, que agora é quasi de cem annos, estando entre os índios e vivendo não sei de que maneira e não querendo nada de nossas ajudas nem ministério, deu-lhe Deus de rosto com um accidente, além de muitos corrimentos e pontadas que tinha.
Veiu então um filho seu que pousava daqui uma légua a dizer-nos que seu pai morrera; e suspeitando nós que não seria ainda morto, foram dous Padres cedo a correr por águas que estavam polo campopor-onde haviam de passar, por ser grande a cheia. Chegados a casa do miserável velho, que não queria nada de Deus, veio Deusa visitar com os nossos, porque o que estava dantes já morrendo em mau estado, acudiu-lhes Deus com a confissão, que elle fez boa,pondo-se em bom estado e commungando; mas não morreu daquelle accidente, sinão anda pera isso apparelhado e posto na verdade,esperando por sua hora que cedo lhe virá.
5 0 1 BALTHASAR FERNANDESDo certão dentro, onde ha muito Gentio, vieram aqui algunsPrincipaes, a quem se deu noticia da Fé, de que elles gostarammuito, tendo capacidade pera entender o que lhes diziam". Iamcom determinação de trazerem suas mulheres e familia e aindamover outros a que também se viessem pousar aqui perto; porventura que se abrirá por aqui algum caminho de serviço de Deus, sias guerras que atéqui sempre houve, e os arreceios que ainda
22 de abril de de 1568, segunda-feira (Há 458 anos)
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ra têm delia, cessarem. Até agora houve commercio com elles, indolá os Brancos, levando-lhe resgate de ferramenta, trazendo cerapolo troco e escravos e redes; mas tornou-se esta entrada agora atapar por certos perigos que se temem.Com a escravaria dos homens brancos se tem cuidado de osconfessar e doutrinar, no qual se vê fruito claramente pera gloria de Deus.Entre os Brancos ha algumas pessoas que se confessam a miúdo e commungam, especialmente aonde temos o collegio e nas outras partes quando lá imos, pelo qual estão suspirando. Aos; Gentios não bautizamos, ainda que nol-o peçam como pedem, si nãoapparelhamol-os pera quando for tempo pera isso.Isto é o que se offereceu ao presente; resta pedirmos a todosos Padres e Irmãos que nos encommendem em seus santos sacrificios e devotas orações ao Senhor da messe, pera que acrescenteassi os obreiros como ella de cada vez mais, com maiores fruitosem Sua Santa Egreja, pera o qual pedimos também ser encommendados em seus santos sacrificios e orações.Do Brasil, da capitania de S. Vicente, aos 22 de Abril de 1568.Por commissão do padre reitor Joseph de Anchieta.Servus inutilissimus.F I M
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]