Diego Alvarez de Paz, foi um jesuíta que nasceu em 1561, em Toledo (Espanha), e faleceu em 17 janeiro de 1620, em Potosí (Bolívia).E curioso observar, entretanto, como, à medida que avan- ça do oriente para o poente, a imagem e a predicação do São Tomé americano sc enriquece de novos e mais fantásticos ele- mentos. Para começar, andaria ele, no Brasil, geralmente descal- ço, segundo o fazem crer as pisadas referidas em vários depoimen- tos, e levava, se tanto, um só acompanhante, que poderia ser outro discípulo dc Jesus ou ainda seu próprio anjo da guarda. Nóbrega também se refere a esse companheiro, dizendo que não lhe queriam bem os índios, mas ignorava a razão do malquerer. Já ao entrar no Paraguai, ele calça sandálias, a julgar pelas pegadas impressas na penedia vizinha a Assunção, mencionada por Lourenço Mendoza e Antônio Ruiz. Ao chegar ao Peru, já o encontram os índios usando uns sapatos semelhantes a sandálias, mas de três solas, como os que deixou perto do vulcão de Arequi- pa, depois de passar entre fumegantes lavas que escorriam como rio caudaloso. Na sola interna dos ditos sapatos ou sandálias, po- dia ver-se a marca do suor dos pés, e eram de homem tão grande que a todos causava espanto. “As quais relíquias”, escreve Antô- nio Ruiz, “se julgou comumente que eram do santo discípulo do Senhor. Uma dessas sandálias guarda-a consigo uma senhora principal, cm cofre de prata, e faz muitos milagres.” Acrescenta que o venerável Padre Diego Alvarez de Paz, também da Com- panhia, afirmava ter visto muitas vezes a sandália e pretendia ser tão grato o seu aroma e fragrância, que deixava longe outro qualquer olor 95 . Além das sandálias ou sapatos de tríplice sola, compreen- dia a indumentária do São Tomé peruano, segundo variados testemunhos, uma única túnica feita não se sabe se de algodão ou lã, ao parecer inconsútil e de cor tirante à do girassol.