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Mapas, cartas , portunalos de África, América, Ásia e Oceania - evolução
30 de dezembro2014atualizacaoerro
Registrado por Adriano Koboyama

Os portugueses descobriram a costa americana as verdadeiras “Antilhas”. Reconheceram sucessivamente as ilhas “Saya”, península Avelon; “Satanazes”, Terra Nova; “Antília”, Nova Escócia; “Ymana”, ilha Príncipe Eduardo, como pode ser comprovado pela Carta Náutica de 1424, onde estão gravadas nitidamente a data de 22 de Agosto de 1424 e o nome do seu autor, Zuane Pizzigano, um cartógrafo italiano de Veneza. Apesar do mapa ter sido feito por um italiano, os nomes das quatro ilhas – Antília, Satanazes, Soya e Ymana – estão escritas em português a testemunhar a ida e volta de navegadores portugueses a terras da América do Norte, antes de 1424! Esta descoberta das verdadeiras Antilhas deve-se ao Dr. Manuel Luciano da Silva!Quem foi Fra Mauro?!Foi monge dos Camaldulenses em Veneza, no Mosteiro de S. Michele de Murano. Aí desenvolveu o seu trabalho de cartógrafo (temos notícia de em 1443 estar a elaborar um mapa da Istria), chegando mesmo a deixar discípulos importantes, como é o caso de Andrea Bianco.É comumente considerado o melhor cartógrafo erudito medieval, pode-se dizer que apenas se encontra num estádio de maior avanço técnico e científico de muitos anteriores. A sua obra situar-se-á assim num momento de transição entre a Idade Média e a cartografia do Renascimento.A cartografia medieval, de um modo geral até ao século XIV, era basicamente esquemática e simbólica, sendo os seus mapas conhecidos por T–O, pois o mundo era apresentado por um círculo, em que no seu interior o T, formado por três rios, divide a Ásia, ao cimo, a Europa e a África, em baixo. Jerusalém situava-se quase sempre no centro.Este tipo de esquema vai-se tornando cada vez mais complexo e começa a surgir o Mediterrâneo mais ou menos correctamente representado, assim como as informações e legendas de carácter económico ou social se vão multiplicando pelos vários continentes representados.Ora, o planisfério de Fra Mauro é profícuo em tais características, o que leva a considerar que o seu autor represente o culminar deste tipo de cartografia, como já dissemos.O Planisfério de Fra Mauro, terminado em 1459, foi uma encomenda do Rei de Portugal, D. Afonso V.Sobre o seu pagamento há alguns documentos na Torre do Tombo e no Arquivo de Murano. Em Lisboa existe uma carta de quitação (Chancelaria de D. Afonso V, Lv. 1, fl.2) onde está inscrita a verba de 30 ducados para pagar aos pintores do mapa de Veneza.Em Murano aparecem 3 assentamentos relativos a pagamentos. Um de 28 ducados, de 8-II-1457, e outros dois de 1459 (17 de Março e 24 de Abril), um refere 2 ducados, e o outro afirma que o mapa está pronto.Veja-se agora as principais características de tão famoso mapa-mundo. As suas dimensões são bastante grandes, com 196 cm de diâmetro, ainda o podemos considerar um T-O, com a forma circular e um oceano a toda a volta, invulgarmente está orientado para Sul, ou seja o topo do mapa corresponde ao Sul, ou ao fim de África, o que David Woodward considera ser influência árabe.Relativamente ao centro temos o Mediterrâneo que está mais ou menos correcto, o que se deverá à influência dos portulanos e das informações de Ptolomeu.Os desenhos da Ásia, embora incorrectos, aparecendo bastante maior do que na realidade (outro dado de Ptolomeu), têm importantes legendas e informações de carácter comercial.Estas devem-se aos escritos de Marco Polo, que influenciam bastante o cartógrafo. Assim, aparecem referenciados o Cataio, o Cipango e a Insulíndia descrita por Polo. Na China aparecem os vários

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» e indicações acerca da Rota da Seda.Outra zona a que Fra Mauro atribui bastante importância é a da costa oriental de África, o Índico em geral, embora a Índia esteja bastante mal representada.Isto deve-se às fontes que utilizou, as informações dos comerciantes e viajantes árabes. Assim, interessa-se bastante pelo comércio e navegação dos muçulmanos até Sofala. Será este conjunto de informações que o levará a pensar que o Índico não é um mar fechado, é por isso que representa a África, a Sul, desligada de qualquer continente.Ora, tal facto é bastante importante, pois como o mapa se destinou a Portugal, será bem provável que a ele se tenha devido o plano de atingir a Índia das especiarias através da Costa Ocidental Africana, não apenas o reino de Preste João.Outro dado importante deste Planisfério é a referência às viagens portuguesas, principalmente ao Golfo da Guiné.Diz que a exploração daquela zona se deve ao Rei de Portugal, que recebeu cópias de cartas portuguesas com as novas informações geográficas. Tais dados levam Fra Mauro a afirmar, ao contrário de Ptolomeu e outros autores que a navegação e sobrevivência nas zonas tórridas era possível.Assim se verifica a importância deste Planisfério, pois mostra aspectos da cartografia medieval tradicional, que tenta conjugar com os novos dados da observação das viagens que os portugueses e outros iam fazendo.Biografia: Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses, 4ª Ed., Mem Martins, Europa-América, [s.d.]. CORTESÃO, Armando, Cartografia e Cartógrafos Portugueses dos séculos XV e XVI. (Contribuição para um estudo completo), vol.1, Lisboa, Seara Nova, 1935. IDEM, História da Cartografia Portuguesa, 2 vols., Lisboa, Coimbra, Junta de Investigações do Ultramar/ 1969-1970. GONÇALVES, Júlio, Motivos Portugueses no Planisfério de Fra-Mauro, Lisboa, Aca-demia das Ciências, 1961. NORDENSKIÖLD, A. E., Periplus. An Essay on the Early History of Charts and Saling-directions, Estocolmo, P. A. Norstodt & Söner, 1897. WOODWARD, David, HARLEY, J. B., The history of Cartography. Volume One. Cartography in Prehistoric Ancient and Medieval Europe and the Mediterranean, Chicago/Londres, The University of Chicago Press, 1987.Uma carta náutica portuguesa anónima de Circa 1471. Está guardada, com mais três, num estojo circular de cartão, na Biblioteca Estense, de Modena. As quatro Cartas, com várias outras. pertenciam ao fundo de Cartas geográficas do Palácio Ducal .de Modena, donde foram subtraídas em 1859, no momento da passagem da antiga à nova ordem de coisas. Recuperou-as o Dr. Giuseppe Boni, que em 1870 as doou à Biblioteca Estense . Está desenhada em pergaminho, muito bem iluminada; posteriormente foi montada, com as pontas -dobradas sobre a face superior. A Carta portuguesa mede 752 X 650 mm., e representa a costa atlântica da Europa e da África ocidental. desde a Normandia (França) ao Rio do Lago (Golfo da Guiné), com os Açores, a Madeira, as Canárias e as Ilhas de Cabo Verde, e ainda uma grande parte do Atlântico Norte oriental, entre Este. e ESE. da Bretanha tem a Carta -desenhada a Ilha Donayda, que representa uma das Ilhas Legendárias, místicas, do Atlântico Norte.2 - O Atlântico está absolutamente limpo de desenhos, que possam impedir o seu rápido emprego para a navegação; e nos continentes não se vêem os de animais ·e outros, que se admiram em muitas Cartas quinhentistas, nem tão pouco qualquer designação toponímica. As costas estão bem providas de toponímia genuinamente portuguesa, a qual se estende igualmente às ilhas Atlânticas, além disso, as ´costas mediterrânicas terminam no Sul da Espanha e no Cabo das Três Forcas (Marrocos). A letra da nomenclatura é do tipo cursivo das escritas portuguesas do século XV. De maneira que não pode existir a menor dúvida quanto a Carta náutica, destinada à navegação nacional para Marrocos, e para as costas africanas e ilhas atlânticas pelos nossos já então descobertas: aquelas costas vão do Bojador ao Rio do Lago, estas ilhas compreendem as dos Arquipélagos dos Açores, da Madeira e de Cabo Verde. Esta Carta náutica é pois portuguesa, tendo sido desenhada por um cartógrafo anónimo. É de aceitar que seja cópia da Carta padrão de el-rei dos armazéns da Casa da África, de Lisboa. Quanto ao ano da sua feitura inclino-me para Circa 1471, ano este, em que foi descoberto o Rio do Lago, término da nomenclatura da sua costa africana; desta forma a Carta, na frase feliz de Almagià: «é síncrona dos Descobrimentos

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». 3 - Rumagem. - O ,centro de construção da Carta é no encontro .do meridiano de Faro com o paralelo da Gran Canária. Fica este ponto no interior da África e marca-o uma artística rosa-dos-ventos, muito bem iluminada. É ele igualmente o centro da rumagem da Carta, o qual está circundado por dezasseis rosas-dos-ventos secundárias, seis das quais são também artisticamente iluminadas. As sete rosas iluminadas tem ao Norte a tradicional «flor de

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». Devo notar que uma das secundárias, a mais meridional, tem a Oeste mais outra «flor de

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» para o que não encontro qualquer explicação: seria engano do cartógrafo? O sistema de rumagem vem das Cartas mediterrânicas: mas o emprego .das 32 linhas dos rumos, correspondendo às 32 quartas da agulha, deve-se aos portugueses, que o iniciaram, conjunta ou seguidamente a terem principiado a bordo a prática das observações astronómicas para a determinação da altura do pólo (latitude). 4-Escalas. - Não tem a Carta qualquer escala de latitudes ou de longitudes. Não tem traçado o ,Equador, o que não admira porque o seu limite inferior o não atinge, nem tão pouco o trópico de Câncer. Ignoro o que possam significar um paralelo, que está traçado ao Sul do Cabo das Palmas, e um pedaço dum meridiano, que quase margina a parte inferior direita da Carta . . ´:tem aos cantos .da esquerda duas escalas das léguas, colocadas na direcção dos meridianos, com doze grandes divisões troncos das léguas - a de cima, ·e quinze a debaixo; ambas são coloridas e estão deformadas por motivo do encarquilhamento do pergaminho. Alguns dos troncos das léguas contêm ainda subdivisões cada um. O comprimento de cada tronco é em média de 107/10 mm. O trópico de Câncer não está traçado, como disse, mas passa na Angra dos Cavalos, 24º Norte (arredondamento de 23º 27´ Norte), ao Sul do Bojador, segundo Pacheco Pereira, a latitude do Cabo das Palmas é 4° Norte. à diferença de 20°, entre estas latitudes, correspondem na Carta 310 mm. ou 29 troncos das léguas. Não pode admitir-se que o grau fosse de 16 2/3 léguas que os portugueses usavam quando iniciaram no mar a prática da determinação da latitude pelo Norte (Polar) e pelo Sol - porque então aos 20 graus de diferença de latitudes corresponderiam 333 1/3 léguas, e ao tronco 11 1/2 léguas ( 333 1/3), dimensão abstusa, como o dr. Duarte Leite já concluíra para a Carta de Cantino.De forma que o grau era já de 17 1/2 léguas: correspondendo os 20 graus a 350 léguas, o tronco a 12 léguas, e a subdivisão a 2 2/5 léguas. Como a Carta de Cantino emprega o mesmo tronco de 12 léguas, e ambas as Cartas foram copiadas das Cartas padrões de el-rei, segue-se que o tronco de 12 léguas devia ser o oficial quando as duas Cartas foram confeccionadas. Como 20°, cerca de 2.222 quilómetros, estão representados na Carta náutica por 310 mm., a escala é muito aproximadamente de 1:7.500.000. 5 -Bandeiras. - Nove bandeiras iluminadas ornam a Carta: duas portuguesas, uma bretã e seis diversas. As portuguesas estão colocadas em África: uma na Ilha de Arguim, onde já existia uma fortaleza feitoria, ·e outra no local de a Mina do Ouro, local em que se estabelecera o resgate do ouro pouco antes da Carta ser desenhada. A bretã está situada na Bretanha, então ducado independente. As outras seis, todas colocadas em África, devem pertencer a chefes indígenas locais. 6-Igrejas.- O ignorado cartógrafo desenhou três igrejas na sua Carta. A primeira na Bretanha, sendo possível que simbolize qualquer importante igreja do ducado. A segunda, em frente de Lisboa, representa a Sé da Capital. A terceira, em terra de Marrocos, deve indicar a da Santa Maria de África, de Ceuta. Só raríssimas Cartas fixam alguns nomes, muito poucos, de descobridores, seus descobrimentos e até os respectivos anos em que os efectuaram. A Carta náutica, existente em Modena, não pertence a essas raríssimas Cartas, mas é ela a melhor Fonte portuguesa para a denominação, localização e sua consequente identificação dos Descobrimentos marítimos da costa africana, com D. Henrique -até 13 de Novembro de 1460- do Bojador à Serra Leoa; e com D. Afonso V -até 1471- da Serra Leoa ao Rio do Lago. Poucas são as Fontes coevas para o estudo dos Descobrimentos marítimos até 1471.1484, recorte do mapa de Pedro Reinel. De notar a costa ocidental africana do capo Lopo Gonçalves até ao rio Zaire (rio poderoso), correspondente à 1ª viagem de exploração marítima da guarnição do navegador Diogo Cam (Caão)Na corte dos reis D. João II e D. Manuel I de Portugal, ponto de encontro de gentes de todas as raças e proveniências, os escravos negros da Senegâmbia e Guiné, baptizados, instruídos e casados com criadas mestiças ou até brancas, formavam uma elite, em que os mais aptos poderiam especializar-se em variados ofícios, de criados da alta nobreza a músicos e artistas. De 1470-80 até c.1540, distinguiu-se um grupo de habilíssimos entalhadores de marfim da Serra Leoa, criadores da arte híbrida chamada “afro-portuguesa” - primeiro exemplo duma arte colonial de origem europeia desde os Fenícios e Romanos... Pela sua inteligência no desenho e alta capacidade técnica, os filhos recebiam educação na escola do Paço, eram libertos e podiam seguir uma profissão liberal. Deve ter sido esse o caso de Pedro Reinel, ou “Reinol” (i.e, já nascido no Reino), e seu filho Jorge, formados nas matemáticas e cosmografia, que viriam a tornar-se os fundadores e melhores representantes da “escola” de Cartografia manuelina. A esses dois negros oriundos da Pedro e Jorge Reinel (at.1504-60) Terra Brasilis (Nova Série), 4 | 2015 12 Serra Leoa devemos a primeira representação detalhada e realista do litoral do Brasil, e uma imagem mítica do seu interior.notar a costa marítima do cabo Lopo Gonçalves ao rio Zaire (rio poderoso), na sequência da 1ª viagem de exploração da guarnição de Diogo Cam. o recorte deste mapa assemelha-se ao mapa de 1485 de Pedro ReinelO primeiro documento cartográfico do Cabo de Stª. Catarina 2º latitude Sul, Gabão, à Ponta Redonda Farol do Giraúl, baía de Moçâmedes, Namibe em Angola latitude 15º 13´ Sul e log. 12º 11´. Este. Zona explorada pela guarnição do navegador Diogo Cam, (Caão) a Sul do Equador, durante a primeira viagem de exploração marítima, (1482 -1484), ao longo da costa ocidental africana, existente no British Museum, Martellus Germanus, HenricusSobre este cartógrafo pouco se sabe, dada a escassez de dados biográficos existentes sobre o mesmo. Sabe-se ser de nacionalidade alemã, o seu nome latinizado acrescentava o aposto “germanus”. Henricus Martellus Germanus operou em Itália, na cidade de Florença, no último quartel do século XV, na oficina do gravador e impressor de cartas náuticas, Francesco Rosselli.Alguns autores, entre os quais Roberto Almagià, admitem que Martellus tenha trabalhado em associação com Rosselli, concluindo aquele estudioso italiano que uma parte da obra cartográfica de Martellus Germanus se radica na obra de Rosselli, não obstante Armando Cortesão admitir que “apenas se pode conjecturar” a eventual associação entre os dois cartógrafos.De importância fundamental para a história da cartografia quatrocentista, avulta o planisfério de raíz ptolomaica, da autoria de Henricus Martellus, datado de c. 1489, inserido no Insularium Ilustratum Henrici Martelli Germani, de que se conhecem quatro cópias:no British Museum, na Biblioteca da Universidade de Leiden, no Musée Condé de Chantilly, e na Biblioteca Laurenziana de Florença.A raiz ptolemaica na obra deste cartógrafo foi observada por O. A. W. Dilke a propósito do grande mapa-múndi manuscrito, datado de c. 1490, com assinatura “Opus Henricus Martellus Germanus”, que se guarda na Biblioteca da Universidade de Yale, divulgado em 1963 por Alexandre Vietor.Dilke deduz que o cartógrafo, ao utilizar a Segunda Projecção de Ptolomeu na execução desta carta, foi “aparentemente a primeira pessoa que optou por este procedimento”.Na carta de Martellus, de c. 1489, encontram-se registados os resultados da segunda viagem de Diogo Cão, quando este navegador, em 1486, erigiu o seu quarto padrão em “c. de padrom”, actual Cape Cross, Namíbia e chegou a “serra parda”, bem como as consequências da viagem de Bartolomeu Dias de 1487-88, no decorrer da qual descobriu a costa africana para além do término da última viagem de Diogo Cão, dobrou o Cabo da Boa Esperança e, tendo passado pela “ilha de fonti”, aportou a “rio do Infante” em pleno Oceano Índico.Neste planisfério, as viagens efectuadas pelos dois navegadores portugueses são evocadas por três legendas.Na legenda inscrita sobre o Golfo da Guiné, diz-se: “Hec est Uera forma moderna affrice secundum discripcione Portugalesium Jnter mare Mediterraneum et oceanum meridionalem”.Esta legenda é bastante elucidativa da moderna configuração do continente africano, entre o Mediterrâneo e o Índico.Uma segunda legenda elucida-nos sobre a colocação do referido quarto padrão no Cabo do mesmo nome, quando da última viagem de Diogo Cão, e refere: “Ad hunc usq; montem qui vocatur niger per venit classis secundi regis portugalie cuia classis perfectus erat diegus canus qui in memoriam rei erexit colunam marmorea cum crucis ab mõte nigro et hic moritur”.A terceira e última inscrição, diz respeito à dobragem do Cabo e à chegada de Bartolomeu Dias à “ilha de fonte” e observa a data de 1489, portanto, imediatamente a seguir à viagem deste navegador.Reza a legenda: “ Hunq usq ad Ilha de fonti pervent ultima navegatio portugalesium. anno. d. ni. 1489,O monumento cartográfico da autoria de Henricus Martellus inscreve-se num grupo de cartas vulgarmente designadas por “luso-ptolemaicos”, que procuram conciliar uma cartografia de natureza prática, que tem por base a observação directa dos lugares e uma cartografia de raiz erudita e humanística, que ainda prevalecia nas oficinas dos cartógrafos onde Ptolomeu era modelo a observar.O facto de Martellus Germanus ter elaborado o seu mapa-múndi a partir de originais portugueses desaparecidos, realça o seu excepcional valor, dada a escassez de monumentos cartográficos portugueses executados no século XV. Dada a abundante presença de estrangeiros na corte de Lisboa, interessados no comércio das nossas espécies cartográficas, o pretenso cuidado dos monarcas portugueses teve limitados ou nulos efeitos. Segundo Armando Cortesão, baseado em estudos de H. Winter e E. G. Ravenstein, Martim Behaim ter-se-á inspirado no mapa de Martellus na construção do seu Globo. “A Cartografia Portuguesa dos Séculos XV e XVI”, in História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal, vol. II, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1986, pp. 1061-1084. CORTESÃO, Armando, Cartografia e Cartógrafos Portugueses dos Séculos XV e XVI, Lisboa, Seara Nova, 1935. IDEM, História da Cartografia Portuguesa, vol. II, Lisboa, 1970, pp. 204-209. GUERREIRO, Inácio, “A viagem de Bartolomeu Dias e os seus reflexos na Cartografia Europeia Coeva,”, in A Viagem de Bartolomeu Dias e a Problemática dos Descobrimentos, Actas do Seminário realizado em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, de 2 a 7 de Maio de 1988, pp. 133-143.Martim Beahim, (Martinho da Boémia)Comerciante alemão e cartógrafo, Martim Behaim ou Martinho da Boémia, como lhe chamam nos textos portugueses da época, nasceu em 1459, em Nuremberga, Alemanha.Em 1484, Martim Behaim estabeleceu-se em Portugal, tendo nesse mesmo ano participado na segunda viagem do navegador Diogo Cão até a S. Jorge da Mina no Gana, que, investido na qualidade de embaixador do reino de Portugal e de D. João II, tinha como objectivo descobrir o caminho marítimo para o Índico, através da costa africana.Em 1490, Behaim regressa a Nuremberga onde, com a experiência entretanto adquirida, começa a trabalhar na construção de um globo terrestre, designado pelo próprio de

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». Na época e mesmo antes, não havia conhecimento da existência de qualquer mapa cartográfico em forma de globo. Em 1261, Giovanni Campano, notável matemático italiano, escreveu um tratado - Tractus de Sphera Solida - onde descreve o processo de manufactura de globos de madeira ou de metal. Toscanelli, na sua Carta de Navegação de 1474, refere ao globo como a melhor forma de prever a distância entre o continente europeu e a Ásia. Igualmente, Cristóvão Colon tinha o globo terrestre como um dos símbolos nas suas embarcações.Em 1492, no ano em que Colon traçou o caminho marítimo até às Caraíbas, América Central, Martinho da Boémia termina a construção do globo terrestre. Utilizando os conhecimentos adquiridos em Lisboa, inspirou-se no mapa de Martellus Germanus de 1489 para construir o globo. Defendeu a ideia de alcançar a Ásia pelo Ocidente, ignorando portanto a existência do Continente Americano. A distância do Faial(ilha do arquipélago dos Açores até Cipango (Japão) seria mais ou menos a mesma do que a do Faial a Lisboa. Esta ilha, aliás, figura como a Nova Flandres. O globo de Behaim representa, assim, a transição entre o conhecimento cartográfico antigo e o moderno, ou seja, a visão tradicional é parcialmente substituída pelo conhecimento empírico dos portugueses.Actualmente, o globo terrestre encontra-se no Museu Nacional de Nuremberga, na Alemanha, daí ser também designado de Globo de Nuremberga e tem cerca de 51 centímetros de diâmetro, sendo a sua estrutura recoberta por gomos de papel pintados a tempera por Georg Glockendon, o

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». Martinho da Boémia morreu em 1507.A carta portuguesa mais antiga que se conhece assinada e datada está arquivada na Yale University, em New Haven (EUA) [É de 1492 e o seu autor é Jorge de Aguiar, piloto e mais tarde Capitão de naus das Índias no final do século XV e princípio do século XVI.Para iniciarmos a nossa abordagem à carta de Jorge Aguiar, vamos recordar dois modelos que estimam o valor da declinação magnética em 1500 no Mediterrâneo e costa leste do Atlântico Norte. Nestes dois modelos é possível verificar uma concordância no facto da declinação magnética ser nula nos Açores e na margem oriental no Mediterrâneo.Curiosamente na carta de Jorge de Aguiar surgem duas rosas-dos-ventos (?) muito simples, sem flor-de-lis e aparentemente com uma agulha bem desenhada, apontando o Norte. A primeira destas duas rosas, surge perfeitamente alinhada com a linha agónica (declinação nula) que passaria nos Açores em 1500.Recordemos o que diz João de Lisboa no capítulo IX do Tratado da Agulha de Marear, “Em que se declara como havemos de tomar este meridiano Vero….”:“Hás-de saber que este meridiano vero, onde as agulhas verdadeiramente ferem o pólo do mundo árctico, divide a Ilha de Santa Maria e a ponta da Ilha de São Miguel….”O desenho desta rosa muito peculiar e o seu posicionamento na carta faz com que legitimamente possamos colocar a pergunta se não seria já conhecido o fenómeno da variação da agulha na época (1492) em que Jorge de Aguiar desenhou a carta.Uma segunda rosa, cujo desenho é idêntico ao da primeira, parece indicar a linha agónica que passava pelo Mediterrâneo embora se estime que na época esta passasse mais para oriente, na costa oriental do Mediterrâneo, e não no centro do Mediterrâneo como parece surgir na carta de Jorge de Aguiar. No entanto não deixa de ser um indício que parece indicar alguma semelhança no que se pretendia assinalar com estas duas rosas.Pela terceira vez, e no decurso de uma reunirão internacional que os portugueses têm conhecimento da existência das raríssimas cartas portuguesas quatrocentista conhecidas.Foi num congresso internacional de geografia que Marcel Destombes revelou a Fontoura da Costa que em Modena havia uma carta portuguesa do último quartel do século xv, e foi no congresso internacional dos descobrimentos que em Lisboa, em 1960, V. Bernard nos deu a conhecer a carta de Pero Reine! de c. 1483 que esta em Bordeis. Agora, pela forma que todos viram, sabemos da ate aqui ignorada carta de Jorge de Aguiar de 1492, e os portugueses devem estar gratos a Vietor e Washburn por esta importante revelação.Mais uma carta portuguesa do século xv, e mais uma sem graduação de latitudes ...No aspecto estilístico, afigura-se particularmente interessante a multiplicidade de tipos de rosas-dos-ventos, sobretudo a dupla representação de rosas de tipo mediterrâneo (maiot-quino?) e Atlântico (com a curiosa escrita dos nomes dos ventos); a dupla figura na grande rosa central e particularmente significativa.Ao mesmo tempo que se vêem os traços da origem mediterrânea da cartografia náutica portuguesa, nota-se já um novo estilo, Atlântico sobretudo, com a característica flor-de-lis que encima uma das rosas.E também de assinalar, numa bandeira logo ao Sul da península de Cabo Verde - clara alusão a doação feitapor D . João II de parte da Guiné ao duque de Viseu D. Manuel, a volta de 1486.Tantos motivos de interesse, colhidos apenas em rápida análise!Muito obrigado a Vietor e a Washburn pelo magnifico presente que trouxeram a essa reunirão! assina Cortesão.1502, Juan de la CosaEste mapa é um dos mais preciosos da época dos descobrimentos. Foi elaborado pelo navegador e cosmógrafo espanhol Juan de la Cosa (1460-1510). Participou da primeira (1492) e da segunda expedição de Colon, bem como da expedição de Alonso de Ojeda, em 1499.Em 1500, após seu regresso, começou a confeccionar seu famoso mapa-múndi. Em baixo da ilustração de São Cristóvão, escreveu: Juan de la cosa la fizo en el puerto de S: ma en año de 1500 (Juan de la Cosa o fez no porto de Santa Maria no ano de 1500).Posteriormente, Juan de la Cosa fez outras viagens. O mapa foi actualizado, com novas descobertas, até por volta de 1508. Registou as descobertas de Colon, Cabral, Cortes Reais e Vasco da Gama.O mapa foi elaborado numa época de revolução nos entendimentos da geografia do Planeta. Em 1500, ainda não se concebia a existência do Oceano Pacífico. Nos primeiros anos do século 16, a América era entendida, por quase todo mundo, como uma extensão da Ásia. Assim, as feições da costa americana era uma adaptação do que se conhecia do leste asiático. O Brasil foi muito confundido com a Austrália. Esse mapa foi manuscrito em couro de boi e mede 96 x 183 cm.Foi encontrado, em 1832, numa loja de Paris, pelo Barão Charles Athanase Walckenaer.Em 1853, após sua morte, o mapa foi adquirido pela Espanha.Está actualmente no Museu Naval de Madrid.1502 Planisfério anónimo dito de Cantino O chamado "Planisfério dito de Cantino" de 1502, é um dos mais antigos mapas da era dos descobrimentos.É uma cópia do "padrão real" e foi desenhado por um cartógrafo Português, da casa da Guiné e da Mina(mais tarde Casa da Índia) em 1502. Demonstra o elevado grau científico com que os portugueses trabalhavam durante os descobrimentos. Foi obtido clandestinamente por um espião chamado Alberto Cantino.Esta personagem pagou 12 ducados de ouro ao cartógrafo e enviou-o para Itália, para Hércules d´ Este, Duque de Ferrara.É o primeiro mapa que apresenta a costa do Brasil a costa da América do Norte com a Flórida, a Gronelândia e a Terra Nova, Madagáscar, Índia, Malásia e Golfo da Tailândia.Foi a primeira vez que estão representadas num mapa as linhas do Equador e do tratado de Tordesilhas. A África está espantosamente bem desenhada, tendo em conta que só tinha sido circum-navegada por três vezes (mas a última armada - a de João da Nova ainda não tinha regressado a Lisboa). No entanto a Europa, em relação à África, não está desenhada correctamente, está mais curta.Deve-se ao facto de, na altura, se utilizarem medidas comprimento diferentes:Na Europa cada grau era medido duma maneira e na África foi utilizada outra medida.No séc. XVI as escalas eram de 18 léguas por grau ou de 20 por grau.Na escala de 18 cada légua media 6173 metros (cada grau eram 111.114 metros).Na escala de 20 cada légua media 5.555 metros( cada grau media 111.100 metros)O mapa está desenhado em três escalas diferentes das que eram habituais; 18,5 ; 22,5 ; e 24.Apresenta ainda outros enigmas que são falados nas fotos de pormenor.O mapa encontra-se na biblioteca Estense, em Modena, Itália. A carta de marear de 1504 de Pedro Reinel (arquivada na Bayerische Staatsbibliothek, Munique), famoso cartógrafo português, é a carta mais antiga conhecida por ter uma escala de latitudes. Na realidade a carta apresenta duas escalas de latitude, sendo uma desenhada ao largo da Terra Nova e orientada obliquamente.A escala oblíqua apresenta um ângulo de 22º 30’ em relação ao Norte, valor muito aproximado daquele que se estima quer seria o valor da declinação magnética (15º W a 25º W, de acordo com diversos modelos) naquela zona em meados de 1500.Supomos que o ângulo da escala de latitudes resulta indirectamente da adaptação da escala de latitudes aos territórios já previamente desenhados e não da imposição prévia de um ângulo (duas quartas) no desenho da própria escala. Na realidade Pedro Reinel adaptou a uma carta já existente uma primeira escala de latitudes. Tinha boas referências para a construir, as latitudes das várias ilhas do Arquipélago dos Açores, o mesmo em relação a Cabo-Verde, Canárias, Madeira, etc. No entanto percebeu que as latitudes e os rumos navegados que os pilotos portugueses lhe forneciam para os pontos mais importantes da costa da Terra Nova (como por exemplo o Cabo St.John e o Cabo Spear, como hoje são conhecidos) não se ajustavam à primeira escala, daí tendo seguramente surgido a engenhosa ideia de ajustar uma escala oblíqua na carta.Discordamos que se diga de forma peremptória que esta escala oblíqua não representa um primeiro testemunho do conhecimento explícito dos desvios das agulhas. Concordamos com a opinião de que esta escala oblíqua resulta do reconhecimento por parte dos desenhadores das cartas de marear das dificuldades em cartografar correctamente a esfericidade da terra, mas não afastamos em absoluto a hipótese de já existir um conhecimento razoável dos desvios sofridos pelas agulhas, do noroestear e nordestear das agulhas de marear. Existem alguns factores de dúvida que deverão ser estudados com mais profundidade, como iremos tentar fazer, nomeadamente o facto de o desenhador da escala oblíqua ter atribuído exactamente o valor de duas quartas ao ângulo da mesma escalaO trabalho desenvolvido pelos pilotos e cartógrafos portugueses em cartografar e desenhar nas cartas de marear a Gronelândia e a Terra Nova foi notável.As naus envolvidas nessas viagens partiram maioritariamente dos Açores, navegando grandes distâncias por mares muito agrestes, o Atlântico Norte. O tradicional método de desenhar novos territórios nas cartas existentes (oriundas dos portulanos) através das singraduras e das léguas navegadas incorria em muitos mais erros do que quando se navegava ao longo da costa de África, que era uma navegação fundamentalmente em latitude e com declinação magnética geralmente moderada. Um dos problemas que se colocava logo à partida, era o facto (desconhecido para os pilotos) de que na época a declinação magnética era nula nos Açores e aumentava com a navegação para Poente atingindo valores muito elevados (aproximadamente 20 º a 25º W) na Terra Nova.O PLANISFÉRIO DE MAIOLLO DE 1504. De :ROBERTO LEVILLIERNova prova do itinerário de Gonçalo Coelho-Vespúcio, à Patagónia, na sua viagem de 1501-1502 (*).(*) . Texto espanhol traduzido pela Lic. Sónia Aparecida Siqueira (Nota da Redacção).Ao entrar na exposição vespuciana de Florença, em princípios de Julho de 1954, fiquei admirado à vista do conjunto cartográfico.Ir além dos cinco mapas que formam o grupo de 1502, directamente derivado da viagem que comento, encontrava-se entre eles, ocupando lugar de honra, um planisfério que uma etiqueta oficial indicava ser de Maiollo, datado de 15(3?)4. Procedia da Biblioteca Federiciana de Fano. Já à distância, havia reconhecido no perfil atlântico do hemisfério austral, grande semelhança com Kunstmann II, Pesaro e Hamy. Pude verificar, aproximando-me, que a nomenclatura da região atlântica meridional concordava com a de Kunstmann II, Cavério e Waldseemüller, desde o Cabo de Santa Cruz, ao Norte, até Cananor, ao Sul, (estamos a informar àcerca da costa Leste da América do Sul). Numa vitrina vizinha, estava a única cópia existente da edição de 1507 de Waldseemüller, com o título: América.Em frente ao Maiollo exibia-se o planisfério de Cavério. Dum lado, Salviati e Juan Vespúcio. Faltava apenas Juan de la Cosa para encontrarem-se reunidas os fac-similes de Hamy, Cantino e Juan de la Cosa (que chegou depois da inauguração), as mais importantes imagens do Novo Mundo, associadas à viagem austral. Essas peças únicas e originais, pertencem às bibliotecas italianas e estrangeiras.Foi estranho ver que o mapa de Maillo surpreendesse, pois nunca havia sido reproduzido. No grande salão do Palazzo Vecchio levei tempo estudando-o, medindo-o e fazendo-o fotografar, até conseguir uma boa cópia do hemisfério meridional, do mesmo tamanho do modelo. No mês de Agosto em Veneza, procurei e encontrei na Biblioteca do Convento de São Marcos a respectiva bibliografia, e em começos de Outubro entreguei à Revista L´Universo do Instituto Geográfico Militar de Florença, um breve estudo sobre o mapa de Maiollo, antes um conjunto de reflexões de um historiador de viagens austrais, que a análise técnica de um cartógrafo. Este publicou com o título de Il Maiollo di Fano alia mostra vespucciana Deixando de lado os problemas de projecção e de construção do mapa, consagrei-me somente a quatro pontos:1.°) a configuração do hemisfério austral;2.°) a toponímia da costa dessa região;3.°) a legenda que marca a data e a assinatura do autor, e4.°) o sentido da legenda Tera de Gonçalvo Coigo vocatur Santa Croxe, ou seja: Terra de Gonçalo Coelho chamada Santa Cruz (2).Vista a bibliografia conclui-se que o mapa era ´conhecido pelo menos há um século, mais pelo nome do que alguma vez tivesse sido analisado. Uzielli e Amat de San Filippo (3) registam-no em catálogo como sendo de 1504, numa ´simples anotação, baseada no elenco das cartas geográficas reunidas na exposição de Veneza em 1881. Harrisse (4) e Nordens-lciold (5) já não puderam encontrá-lo e declararam perdido o que acreditam ser um atlas. Por essa razão provavelmente, e por estar arquivado na biblioteca duma pequena povoação adriática, passou despercebido até que o Prof. Sebastián Crino o descrevesse num curto estudo, em 1907, sem reproduzi-lo (6) . Sabe-se que o sr. Luigi Massetti o havia doado à Biblioteca de Fano em 1862. Cita as três legendas principais sem delas tirar conclusão histórica, calculada a escala em 1:20.000.000 que sugere a data de 1534. A razão que dá para atribuir ao mapa-múndi essa data, parece lógica, mas não era a exacta. O reputado polígrafo Desimoni descobriu um convénio subscrito por Maiollo nesse ano, no qual se comprometia a entregar antes de 1535 ao editor Lomellini uma carta náutica do mundo (7), e o prof. Crino deduziu dessa circunstância que"essendo stata composta da carta in esame Giug no 15 4, due mesi dopo cioe dell´atto notarile su ricordato se la cifra mancante tra il 5 e il 4 come non senta verosimiglianza puo supporsi, sia un 3 completamente obliterado". Várias razões, que se verá mais adiante, se opõem a esta conjectura. A que formulará depois o Prof. Giuseppe Caraci é igualmente infundada. Num artigo em que se ocupa de outros mapas de Maggiolo, dedica algumas linhas a este, à sua data e aos que o haviam precedido no exame ou menção do planisfério (8). Com tal ênfase generalizadora de que soe usar, rejeita sem dar razão alguma, a data de 1504, e assevera: "La data dei atlante (ainda acredita ser um atlas) e senza dubbio piu tarda; l´equivoco fu possibili perche nella sotoscrizione la terza cifra del milesimo e illegibile e fu credeta un zero". Notará o leitor que o senza dubbio tem, como o equivoco, tão pouca justificação como aquilo de que "il piu antico lavoro finora conosciuto di Vesconte resta il notissimo atlante del 1511".(1)— Revista do Instituto Geográfico Militar. Ano XXXIV, no 6, Novembro ou Dezembro, 1954. Florença.(2)— Na referida legenda nota-se com facilidade a região do Norte do Brasil.(3) Studi biografici e bibliografia sulla storia della geografia in Itallta. Roma, 1882.(4)— The Discovery of North America. Londres, Paris, 1892.(5)— Periplus. Estocolmo, 1897. (6)— Notizie sopra una carta de navigare di Visconte Maiollo. Boletim da Sociedade Geográfica de Roma, t. III, 1907.(7) — Elenco di certa et atlanti nautici di autora Genovesa. Giornale linguistico, lige 1875(8)-Di un atrante poco noto di Vesconte Maggiolo (1549) . Bibliofilia, Florença, janeiro-fevereiro 1951.O exame do hemisfério austral de Maiollo e sua comparação com as outras representações já citadas do novo mundo, oferece sólidos fundamentos para associar este planisfério à primeira cartografia derivada do périplo de Gonçalo-Coelho-Vespúcio de 1501-1502 e autoriza assim mesmo a fixar-lhe a data de 1504.Enviou-me uma fotografia do planisfério, que não utilizei por parecer-me que as obtidas em Florença, tanto do conjunto como das partes que me interessavam, eram mais pormenorizadas e claras.O mapa de Maiollo tem 1,40 m de comprimento por 0,895 m de altura, uma espessura do bordo direito e do esquerdo 0,915 m .Carece de graduações de latitude e longitude, não está incluída a ilha de Cuba, somente chega até a Índia pelo Oriente.A forma ´da costa atlântica americana ao Sul do Equador, é a mesma de Pesaro, Hamy e Kunstmann II, sobretudo a deste último, pela sua inflexão SSO. Termina uns graus mais ao Sul de um estuário ou golfo denominado por Kunstmann II e Cavério, e mais tarde Waldseemüller: Rio Jordán, este é o nome que Maiollo também lhe dá, enquadrando-o, como os anteriormente citados, entre Pináculo Detentio (Pináculo de Tentación) ou seja o cerro ´de Montevidéu e Rio Santo António.Já se demonstrou em América la bien llamada e em El Nuevo Mundo (9) com uma vasta cartografia, que essa enseada representa o sítio do primeiro nome cristão do Rio da Prata, chamado até então Paranaguazú ou Huruay pelos índios .Cavério, mapa assinado, Kunstmann II, sem as Di un atlante sconoschno di Vesconte Maiollo (1548) . "L´Universo", Setembro de 1926.(9)— 2 vols. Kraft. Buenos Aires, 1948 e Editorial Nova, Buenos Aires, 1951 sinatura, mas datado de 1502 pelos mais eminentes cartólogos se unem a Maiollo, datado e assinado, para certificar que ao redor ,de 1502 e 1504 foi atingido e descoberto o Rio da Prata.E os três planisférios assim (10) Waldseemüller marcam também a presença em sua nomenclatura de Cananor, como extremo fim da expedição descobridora da Patagónia .Do ponto de vista da toponímia, Maiollo é muito satisfatório (11) . Quanto à configuração, se conserva a inflexão SSO de Pesaro, Kunstmann II e Hamy, não leva a costa atlântica até a alta latitude de Cananor. Possivelmente por má informação diminui duns 10 graus ao Norte da latitude do Cabo Agulhas, se é que não há demasiada extensão Norte-Sul do continente africano. Cavério e Hamy são, entre os mapas citados de 1502, os únicos que marcam latitudes, e o segundo o faz com características curiosas.Publiquei Hamy, fazem anos, na parte que mais interessava ao meu estudo (12) . Reproduzi a África também, para demonstrar que a costa atlântica descia frente ao continente negro, algo mais ao sul que o Cabo Agulhas (35°) mas a graduação da escala .acabou ilegível na cópia fotográfica, e a imprensa a devolveu pedindo que se aclarasse. Um desenhista o fêz, sem reparar no facto realmente insólito de que esse mapa apresenta duas linhas equinociais. Uma começa no Oriente e termina pelo meridiano de Alexandria, e a do Ocidente termina na costa oriental da África, cinco graus ao sul da anterior.O paralelo marcado 35°S na escala oriental, passa com toda exactidão pelo cabo terminal da África, mas na mesmíssima altura, na escala ocidental, se lê: 30°.Segundo Gallois, a linha que vem de Este a Oeste é a de Ptolomeu, e a que vai de Oeste a Este a dos navegantes modernos. O desenhista ao esclarecer as cifras, que são claras na escala oriental, utilizou as mesmas para a ocidental, alterando, sem direito, um conceito do autor do mapa.De toda maneira, não favorece essa inadvertência à prova de que originalmente ia utilizando o mapa de Hamy, conjuntamente com Pesaro, Kunstmann II, Cavério e Cantino, todos de 1502.Os cinco mapas, uns pela sua configuração, outros pela sua toponímia, outros pela extensão de sua costa, demonstram com esses testemunhos, e não com suas. latitudes escritas, que o Rio da Prata e o litoral patagónio estavam descobertos desde 1502, por uma expedição que só podia ser a de Gonçalo Coelho-Vespúcio. Maiollo corrobora esta verdade de forma concludente.(10). — Ocuparam-se de Cavério, considerando-o de 1502, Gallois, Kretschmer Marcel, Nordenskiold, Harrisse, Ruge, Phillips, Lowery, Stevenson, Vignaud Winter, Tomaschek, Revelli, Almagia, Magnaghi e muitos outros. Com Kunstmann II se especificaram aceitando a data dada por P. Kunstmann: Kohl, Peschel, Ruge, Kretschmer, Nordenskiold, Harrisse, Stevenson, Winter, Uzielli, Philips, Lowery, Almagia, etc. (11)— Veja-se a toponímia comparada no quadro anexo. (12) — América la bien Ilamada, vol. II, págs. 8, 9 e 10.Se a costa atlântica apresenta um perfil quase idêntico ao de Hamy, Kunstmann II e Pesaro, a do Caribe oferece uma característica igual a que dão Juan de la Cosa (1500), Kunstmann II e Hamy. Nesses três mapas, como pode ver o leitor na América la bien llamada (13), se interrompe de repente a linha do litoral, prolongando-se esse corte ao ponto de fazer desaparecer toda a terra compreendida entre o Maranhão e o Rio Grande do Mar Doce (Amazonas) e também esses dois rios.Esta singular omissão ocorre também em Maiollo indicando parentesco de época. O desenhista italiano inspirou-se num modelo análogo ao de Kunstmann II, ao qual está ligado por outros indícios de contemporaneidade. A toponímia de alguns destes mapas é um deles. Veja o leitor o quadro no qual aproximamos os nomes da costa atlântica Sul de Kunstmann II, Cavério, Maiollo e Waldseemüller.Pouco falta para que sejam idênticos, desde Santa Cruz até Cananor.Estes indícios concordantes permitem também afirmar que Maiollo pertence à cartografia derivada das viagens caribeanas, de Colombo a Vélez de Mendonza, que reflecte, como os cinco mapas citados, as viagens atlânticas de Cabral e Gonçalo Coelho-Vespúcio.0 que foi dito já está muito bem provado.Não obstante ampliarei os testemunhos para que o Q.E.D. seja concludente. Passarei à data.A legenda em que ela consta provê somente três cifras, apresentadas assim: 1.5.4.À primeira vista poderia ser 1534, 1524, 1514 ou 1504. Os antecedentes enunciados tendem a demonstrar que é 1504. Acrescentarei razões pelas quais se deve eliminar qualquer outra data. Indiquei, há anos, a série de nomes mal situados por Maiollo, na costa atlântica de seu mapa de 1519 (14). Acreditava que o cartógrafo os havia transposto nessa representação. Descubro agora ´11 que não fêz mais do que reiterar seu errado encolhimento da costa de 1504, ficando outra vez uma série de lugares fora do sítio. Leva Cananor, Santo António, Pináculo Detentio e Rio Jordão, da jurisdição castelhana à portuguesa, colocando esses nomes por São Paulo. Além de que, atribui a essa região uma altura de 19 e 20°, em vez da correcta; 23°30´. Comete outro erro, ao marcar o cabo de Santa Maria por 28° em vez de 34°45´. - (13)- Op. cit., vol. 1, 92: vol. II, ´págs. 8 e 10. (14) --, Op. cit., vol. II, págs. 72 e 73. A abundância da toponímia neste mapa de 1519, em comparação com as cartas geográficas citadas, indica uma época mais avançada e a utilização de novas viagens, cada uma das quais deixou atrás de si, baptismos sem precedentes. Maiollo 1519 é, pois, posterior ao que ocasiona este estudo, e com muito maior razão deve afastar-se a suposição de que pudesse ser de 1524. Por seu lado, o planisfério de 1527 torna inadmissível a data de 1534.Inteirado o cartógrafo da viagem de Magalhães, marca todo o litoral e o estreito, e acrescenta o nome de São Cristóvão (posto pelo nauta lusitano ao Rio da Prata) ao de Jordán, resultante da viagem Gonçalo Coelho-Vespúcio. Vai corrigindo erros de 1504 a 1519 e aproximando-se da realidade topográfica do litoral (15). E seria verosímil que sete anos depois, ou seja, 1534, aparecesse um mapa seu de tão breve costa e tão primitiva nomenclatura? E´ bem sabido que surgiram a miúdo na cartografia do século XVI, surpreendentes recúos, mas raramente entre os italianos. Eles sempre souberam informar-se e foram entre os primeiros a fazê-lo, graças ao seu contacto mediterrâneo com as potências descobridoras e a actividade subtil dos núncios, diplomatas e agentes comerciais, prevalecentes em Lisboa, Burgos e Sevilha. Basta para concretizar, escrever aqui os nomes de Martir de Angleria, Pascualigo, Trevisano, Cantino, Affaitadi, Cretico, Ca-Masser, Rondinelli, Priuli, Sanuto, Empoli, Marchioni, Vespúcio mesmo (16) . Todos escreviam mostrando que sabiam.O segredo das chancelarias interessadas era um mito. Demonstram-no mapas italianos de 1502, 1504, 1519 e 1527; 1536, 1543 e 1553.As abelhas sugavam seu mel onde e como podiam. Dar ao Maiollo de Fano, conhecendo o de 1527, a data de 1534, seria uma extravagância. Tão pouco é aceitável 1514. O corte na costa norte, semelhante ao de Juan de la Cosa de 1500, Hamy e Kunstmann II de 1502 é explicável numa época em que os pilotos de Espanha e os desenhistas de Portugal não tinham segurança de acertar na indicação das jurisdições. Omitir, também podia ser uma astúcia; mas em 1514, os nautas de Castela haviam percorrido muitas vezes a costa norte, e descoberto o Mar do Sul. Um mapa como o de Maiollo, nessa data seria um anacronismo. Ao aparecer este artigo en L´Universo, em Dezembro de 1954, enviei um exemplar ao meu eminente amigo Heinrich Winter, cartólogo alemão de grande autoridade e autor de muitos trabalhos de valor, como The false Labrador and the Oblique meridian, Francisco Rodrigues Atlas of 1513; The true position of Hermann Wagner in the controversy of the Compass Chart, A circular map in a .Ptolemaic mss, etc., pedindo-lhe sua opinião sobre a interpretação da data de Maiollo de Fano. Sua resposta de 2 de Fevereiro de 1955, ratifica, por uma excelente razão, a conclusão formulada de::1504. Publicamo-la em inglês, tal como a recebemos. (15). Op cit., vol. II, págs. 108 a 110. (16)— Veja-se op. cit., vol. I, págs. 182 a 199, Veja-se op. cit., vol. I, págs. 182 a 199, meus comentários à extravagante "política de segredo", do senhor Jaime Cortesão, publicada pela primeira vez sob o título de "O sigilo nacional sôbre os descobrimentos" na revista "Lusitânia" de janeiro de 1924. O mesmo conceito é repetido com maior extensão na Histria de América de A. Ballesteros, em 1947 "As to the date of Maiollo, certainly it was inevitable to refute the readings : 1534, 1524, 1514. But there is another reason for favoring 1504. At the end of the 15th century one changed from semigothic letiers to latin ones and vice versa from latin numbers to sernigothic ones, and after 1500 there was a new situation: one pronounced one (thousand) Eive (hundred) and four = 1.5.4, so, having only thrce unities. The refore one was not obliged to put in a zero, as far as, the 3 unity was an independent word, not composed as thirteen, fourteen, etc. Therefore 1.5.4. is not a lapse. And even the same Maiollo uses the last possibility for such writing (3 unity twelve) on his portulan chart in New York: "Vesconte maiolo composuy hanc cartam in neapoly de anno dny. 1.5.12. dic 2 Juny,, still with three unities for writing as for speaking". Pensamos que esta grata lição, saída da realidade histórica,.servirá para consignar ao planisfério de Maiollo uma poderosa ratificação de Hamy-Pesaro-Kunstmann II-Cavério-Cantino, como grupo cartográfico e reflexo da viagem de Gonçalo-Coelho-Vespúcio ao Rio da Prata e à Patagónia em 1501-1502. Uma circunstância visível no próprio mapa, empresta à referida data um poderoso apoio. Numa legenda escrita em caracteres maiúsculos, aparece no alto do mapa:TERÁ DE GONZALVO´ COE (G?) (L?) O VOCATUR SANTA CROXE.Maiollo interpretou erradamente o nome e o sobrenome Gonzalo Coelho. Escreveu-os mal, e nele não eram raros tais descuidos. Anota por Santo António: San Antogno; Cristóvão Colombo: Cristof a Colombo; Santa Croce: Santa Crusis, e Magalhães: Maçaianes.A legenda evidencia a intenção de uma homenagem ao capitão-mor da expedição descobridora: das terras meridionais da América, percorridas por Gonçalo Coelho,.com Vespúcio, em 1501-1502, desde .o cabo São Roque no Brasil, até Cananor na Patagónia .Muito se discutiu, particularmente entre os brasileiros e na época do Império, se ele foi o chefe, ou se esse cargo correspondeu a André Gonçalves (17) . Os quatro historiadores brasileiros de renome do século XIX: Caetano da Silva, Varnhagen, Mendes de Almeida e Capistrano de Abreu, firmaram o peso de sua autoridade em favor do primeiro, e ante os motivos alegados por eles, sustentei em América la bien llamada; El Nuevo Mundo, e vários artigos de polémica publicados na Revista de História, de São Paulo, que deveria ter sido Gonçalo Coelho(18) A legenda até então nunca apreciada (1954) corrobora de maneira decisiva essa tese. (17) . Veja-se Varnhagen A., História Geral do Brasil, Madrí, 1854. Capistrano de Abreu, O descobrimento do Brasil, Rio, 1883 Vespúcio, a quem um profissional da quimera, e, mais tarde, seus corifeus, pretenderam atribuir o comando da viagem de 1501-1502, nunca escreveu ter sido capitão-mor de nenhum périplo, e quando foi capitão de uma caravela, afirmou-o claramente.Em todas as suas cartas predomina seu interesse pelas questões cosmográficas, astronómicas, etnográficas geográficas, sobre os problemas náuticos. Sua hierarquia a bordo das três primeiras viagens, sobretudo na terceira, deve ter sido a de assessor científico. Refere que o Conselho de Oficiais lhe confiou em 15 de Fevereiro a orientação do périplo, que ele dirigiu até 50° de latitude Sul. Em 7 de Abril, o capitão-mor retomou a direcção para voltar a Portugal. Noutro parágrafo alude à morte dum grumete e ao impulso da tripulação de vingar-se dos indígenas, o que o capitão-mor proibiu. Não pretendia, pois, ser o Chefe. Veja-se Varnhagen A., História Geral do Brasil, Madrí, 1854. Capistrano de Abreu, O descobrimento do Brasil, Rio, 1883. A legenda de Maiollo tira toda a dúvida sobre o tão discutido ponto; foi Gonçalo Coelho o capitão-mor da expedição de 1501-1502. A Vespúcio coube o mais importante, descobrir sob sua direcção o Brasil Meridional, o Rio da Prata, o Cerro de Montevidéu e a Patagónia. Isto não é tudo. Esta terra foi também sua fonte de inspiração. Ao bordejar pelo litoral interminável, inteirou-se do carácter de continentalidade. A essa compreensão feliz se deve pela primeira vez na história o uso dos termos Mundus Novus, Continente e Quarta Parte Mundi, foi um uso exacto. A viagem de tão fecundos resultados repercutiu sobre o capitão-mor, provocando a homenagem lusitana de Tera de Gonçalo Coelho, provavelmente inscrita no modelo utilizado por Maiollo. Desse precioso testemunho evidencia-se que a viagem, o planisfério, e a legenda são simultâneos, agregam-se as seguintes conclusões:1) O mapa de Maiollo de Fano, incorpora-se, por sua configuração ao grupo dos três planisférios de 1502, de inflexão SSO;2) a concordância de sua toponímia com a de Kunstmann II, Cavério e Waldseemüller, é evidente no quadro anexo, associa-o igualmente à família cartográfica derivada da viagem Gonçalo Coelho-Vespúcio de 1502;3) em razão dos conhecimentos obtidos em viagens posteriores, resumidos nos mapas de Maiollo de 1519 e 1527, não é aceitável que o de Fano seja de 1514, 1524 ou 1534;— Veja-se América la bien Ramada, tomo II. El Nuevo Mundo e Revista de História, de São Paulo, n.° 16 de 1953. Boletin de la Real Sociedad Geográ-fica de Madrid, n.o 333, de 1954.4) estes (18) fundamentos acrescentados a indícios da época, como a interrupção da costa no litoral Norte do Brasil (em concordância com outros mapas de 1502) a lembrança da memória de Gonçalo Coelho, impõem a data de 1504 ao planisfério de Maiollo da Biblioteca de Fano;5) a explicação dada pelo sr. Winter sobre a maneira de numerar em princípios do século XVI, é definitiva para solução do problema de data . (18) - veja-se América la bien Ramada, tomo II. El Nuevo Mundo e Revista de História, de São Paulo, nº 16 de 1953. Boletim de la Real Sociedad geográfica de Madrid, nº 333, de 1954.Título: Kunstmannn II (a.k.a. "Mapa de quatro dedos").Autor: desconhecido Data: 1502-1506Descrição: O mapa pode ser associado à convergência íntima da descoberta do Novo Mundo e a promoção de uma nova cruzada para difundir a fé cristã em toda a África, e de facto em toda a terra. O mapa Kunstmann II,medindo 43,7 x 39 polegadas (110,5 x 99 cm), regista as descobertas feitas no NovoMundo de Miguel Corte-Real e Amerigo Vespucci em 1501-1502. Consequentemente, tem até agora geralmente estudado como um importante documento inicial para a história da descoberta da América e comparada com outras representações iniciais do Novo Mundo. O mapa anónimo foi datado entre 1502 e 1506, o que tornaria um dos primeiros mapas do mundo europeu para mostrar o Novo Mundo, bem como um dos últimos Mapas mundiais europeus para caracterizar o paraíso terrestre. O mapa cobre a Ásia, a Europa,África e as Américas recentemente descobertas. A Gronelândia (Terra de Lavrador) é retratada na forma de uma ilha longa e estreita, que se estende de leste a oeste. Terra Nova e Labrador, designado como Terra de Corte-Real, aparece como um grupo de ilhas que se juntam por quatro tiras semelhantes aos dedos, que deram ao gráfico o apelido de "Four-Finger Map".Cuba (Terra de Kuba) e Haiti (insula spagnola) são retratados como grandes ilhas. Para o sul América do litoral é mostrada a partir do lisleo [San Lorenzo, no Golfo de Maracaibo, par a foz do rio de la aues [rio Orinoco] e, após uma lacuna, da costa sul identificado como Terra Sancte Crucis [Cabo San Roque a Rio Cananea], combinando informações fornecidas pela expedição de Vespucci de 1501-1502. Uma inscrição e uma representação na América do Sul regista o fenómeno local do canibalismo, também relatado por Vespucci. O "banderole" [isto é, pequena bandeira] e elementos pictóricos fornecem informações sobre nomes de locais, produtos da região, papagaios e falcões, e o canibalismo supostamente praticado lá. Um segundo bandeirola regista os nomes de as ilhas do Caribe, como Le Antilie, bem como referências à sua descoberta oficial por Colon, sua estranha fauna e a abundância de ouro encontrados lá. O Velho Mundo é também mapeado e inclui a Europa, a África. A costa sul da Ásia, tanto quanto a Malabar e as costas do Mar Negro, do Mar Cáspio e do Mediterrâneo. Uma grande e pequena vista de Jerusalém e Meca e alguns navios de vela são retratados.Ou oito ou dezasseis flechas irradiam para fora das cinco rosas de vento indicando a direcção dos ventos.O mapa manuscrito do mundo conhecido como "Kunstmannn II" é um dos conjuntos de Treze gráficos publicados pela primeira vez por Friedrich Kunstmann em 1859. O que é conhecido sobre o mapa está bem resumido por Ivan Kupcik. Em termos de sua técnica cartográfica, é escala média é 1:23 milhões; não tem uma projecção, e o equador não marcado e os trópicos são colocados imprecisos. As duas rosas do compasso no Atlântico Ocidental são anotado 11 ° para indicar desvio magnético. Kupcik descreve o mapa de Kunstmann II como um"Imagem de pergaminho colorido", e o mapa hoje está muito desbotado. No seu dia, foi certamente um mapa ricamente iluminado destinado a alguém de alto nível. Isso pode ser deduzido por sua borda decorativa em vermelho e marrom, suas iluminações, muitas das quais incluem folha de ouro, e suas interpretações sobre lendas que descrevem características-chave. A escala utilizada é verde, e embora a folha de ouro tenha sido aplicada generosamente, é apenas parcialmente preservada. Toques ocasionais de azul e vermelho aumentam a aparência deste impressionante portolano. Finalmente, a rotulação é no estilo italiano, o que pode explicar o facto de que o gráfico foi pensado para ser uma versão italiana de um original em português; no entanto J. Rey Pastor e Garcia Camarreo declararam que o gráfico pertence à Escola de Mallorca.Detalhe: mostrado aqui são Terra Nova e Labrador, designados como Terra de Corte-Reall, aparecem como um grupo de ilhas e são unidas por quatro tiras tipo dedo, que deram o gráfico. apelido de "Four-Finger Map" e Terra de Lavorador [Gronelândia] Como observou o historiador David Quinn, mapas, gráficos,e os atlas foram apresentados como presentes por monarcas e outros homens de alto nível no 16 século porque eram estimados como obras de arte. Estes são os mapas e gráficos que sobreviveram principalmente aos nossos dias, e existem precisamente porque foram valorizados como arte objectos, mesmo quando saíram das mãos dos clientes a quem estavam dados. Tais mapas e gráficos sobreviveram ao período em que foram valorizados pela sua utilidade, seja como representações precisas ou como projectos estratégicos, porque eram trabalhos de arte. A crista que aparece no mapa Kunstmann II como parte do ícone do "O Jardim do Éden" colocado sobre a África do Sul sugere que o mapa foi encomendado ou rapidamente entrou nas mãos do cardeal Bernardino Lopez de Carvajal. Bernardino Lopez de Carvajal era um bispo espanhol de Cartagena e mais tarde foi Cardeal em1492. Em Roma, morava no palácio dos Mellini. Era conhecido por sua aprendizagem. A execução do mapa implica duas mãos: um cartógrafo e um artista. o cartógrafo desenhou o mapa e incluiu os dados geográficos, enquanto o artista ilustrou o mapa. A presença dum artista não é incomum para mapas, gráficos e atlas, sejam eles pintores, gravadores ou lenhadores, fazem uso de arte essencial as suas técnicas. Com certeza, a maioria dos gráficos que foram levados para o mar não foram amplamente ilustrados, mas gráficos e mapas criados para clientes ricos foram em bellished com imagens visuais projectado não só para agradar o patrono, mas também para recriar para o cliente uma visão e um sentir das terras recém-descobertas.O mapa Kunstmann II é datado c. 1506 principalmente devido à ausência de Madagáscar, mas também pela forma como as Américas são retratadas. No norte Atlântico, uma leitura da Terra do Lavrador aparece sobre a Gronelândia, como acontece com a Mapa do rei Hamy de 1502 . Um segundo rolo que lê Terra de Corte Reall aparece sobre o que é hoje Terra Nova e Labrador. Corte Reall refere-se a Miguel e Gaspar Corte Real, dois irmãos portugueses que exploraram o Atlântico Norte. Como mencionado acima, o mapa é apelidado de "mapa de quatro dedos" devido à imagem visual que aparece em Terra Nova / Labrador. De acordo com Kupcik, a terra foi dividido em quatro dedos que sugerem "a noção de América como uma ilha. . . é ilusório e aquele deve assumir um continente de dimensões até então desconhecidas ".Existem poucos nomes de lugares, por exemplo, a representação dessas terras no Atlântico Norte segue o mapa do rei Hamy e o mapa de Cantino .As iIlhas das Caraíbas, por outro lado, incluem nomes de lugares. Terra de Cuba marca uma longa Ilha fina com um pronunciado alinhamento norte-noroeste-sul-sudeste que se estende até o Norte, quase atinge o mesmo paralelo que a Irlanda. A ilha de Espanola é chamado Insula Spanola e carrega o nome do local, Punta de S. Maria, e a costa do Norte está marcada com cruzes. O litoral da Venezuela contém doze nomes de lugares. A costa do Brasil, que termina com o Rio Cananea, combina com a viagem de Vespuccide 1501-1502. Existem 37 nomes de lugares ao longo da costa brasileira. O pergaminho sobre o Brasil dá o nome do Brasil como Sanctae Crucis [Holy Cross] e descreve cassia, papagaios e canibalismo. O ícone visual colocado sobre o continente do Brasil é um das mais representações famosas do canibalismo. Esta imagem sugere Amerigo Vespucci, cujas descrições sobre o canibalismo faziam parte do que criou aquilo.Letras publicadas: o Mundus Novus e o Soderini. Contudo, descrições de O canibalismo também aparece na terceira carta familiar de Vespucci (Lisboa 1502), na qual descreve a viagem ao Brasil.A imagem do canibalismo era da mão do artista ou do cartógrafo?Suzi Colin argumenta que a imagem do canibalismo no Four Finger Map foi desenhada por uma testemunha ocular, contudo incorpora claramente uma presunção europeia sobre o que o canibalismo devia ser.A imagem no mapa consiste de um corpo empalado num cuspo e não recria rituais de canibalismo, conforme descrito por visitantes posteriores ao Brasil. Um artista que não viu mas apenas o canibalismo imaginado pode surgir com a imagem tal como aparece no mapa. Esta é a primeira ilustração do canibalismo num mapa. Desde a descoberta e publicação do mapa no século XIX, os estudiosos têm concentrado a sua atenção principalmente na parte ocidental, vendo isso como essencialmente um documento para a história das descobertas que geralmente foram descritas em termos progressistas. desenvolvimento das "eras das trevas" medievais para o radiante "alvorecer dos modernos da geografia ". Assim, no atlas de 1859, Kunstmann achou que era suficiente reproduzir apenas a parte ocidental do mapa, assim como Jules-Théodore-Ernest Hamy e KonradKretschmer, em 1886 e 1892, respectivamente. E se alguns estudiosos também olharam para representação da África, só foi para observar a exagerada extensão leste-oeste(devido ao cálculo impreciso da longitude), para comparar nomes de lugares costeiro com aqueles em outros gráficos ou outros registos de viagens portuguesas de exploração, ou para conclusões da ausência de Madagáscar,descoberto em 1506, que o gráfico deve ter feito antes dessa data. Pouca atenção foi dada ao "sinal do mapa" para o Paraíso terrestre (10 x 7cm) que aparece no meio do Sul da África. A presença do Paraíso na África foi totalmente não marcado, mas não foi discutido muito na literatura.Alessandro Scafi explorou essa característica particular no mapa Kuntsmann II. HansWolff e Ivan Kupic também notaram um "símbolo pictórico do Paraíso" na África sem, num estudo italiano publicado em 2001, significativamente intitulado Alla scoperta del mondo, onde a presença do Paraíso na África é definida como uma "ancoragem muito sólida ao passado" e "muito peculiar num mapa desse período ". Os autores sugerem que a posição da vinheta é modelada na representação do Paraíso no mapa catalão Estense de 1450-1460 (Livro III, nº 246). A representação da África no mapa Kunstmann II traça o litoral num detalhe cuidadoso, é rico em nomes de baías, promontórios, rios, cidades e portos. O retrato do interior é mais um resumo, o vazio geral do continente sendo mascarado por sete retratos de governantes locais e uma grande vinheta no Trópico de Capricórnio mostrando o paraíso, denominado Paradisus Terrestris. A inclusão do Jardim de Eden num mapa mundial que data de apenas 1500 e que inclui esboços cartográficos do Novo Mundo é realmente notável. Ao longo da Idade Média, o Jardim do Éden descrito em Gênesis, acreditava-se que existisse na Terra, como um lugar pertencente ao passado e para o leste. Em primeiro lugar, pensou-se que o reino mítico do Preste João era em algum lugar da Índia,Esta transferência foi mais um factor que contribuiu para a localização medieval tardia do Paraíso na África. Também explica por que, neste mapa, Paradise aparece perto do retrato do Preste John. mas no decorrer do século 14 seu império foi gradualmente mudado da Índia para a Etiópia, uma terra que sempre foi vista como quase celestial.

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22 de junho de 1990 (Há 34 anos)
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A primeira apreensão de crack no Brasil aconteceu no dia 22 de junho de 1990, quando a polícia prendeu um rapaz na zona Leste de São Paulo com 220 gramas do entorpecente.
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