Em começos de 1811 chegou ao Ipanema, em Sorocaba, a Companhia de Suecos com o diretor Hedrberg. Já estavam lá 80 escravos e os funcionários brasileiros. Como não podia deixar de acontecer, foram nomeados imediatamente cirurgião e boticário e veio do Rio uma bem sortida botica.
Em 1842 houve um grande inventário na Fábrica (cfr. Maços do Ipanema no Arquivo Público do Estado de São Paulo). E sob o nome de "Botica velha", apareceu o que segue:
gue:
"Uma chave de tirar dentes", donde se conclui que o boticário, senão o próprio cirurgião, se incumbia da tarefa do dentista, guardando-se na botica o objeto que razoavelmente passou a chamar-se o boticão.
"Um armário grande com gavetas para drogas". Eis aí a armação reduzida à expressão mais simples. Drogas empacotadas ou em caixas.
"Um almofariz, um alambique, bacias, canecas, balança de duas conchas com pesos desde 2 oitavos até 16 libras (meia arroba)!" Talvez engano do escrivão.
Alguns remédios:
"Óleo de copaíba, raspas de veado, sulfato de quinina (sic), tinturas diversas, amoníaco, manteiga de cacau, cremor, flor de enxôfre, magnésia alva, salsaparrilha, espírito de digitalis, mel rosado, água de flor de laranja (sic), láudano, éter, labaraque (sic), puaia, jalapa, sublimado corrosivo, marcela galega alemã, butuá."
Como era junto o hospital, vale a pena lembrar que o boticário fazia de enfermeiro e ajudante do cirurgião. Havia 2 ventosas de vidro, 7 ataduras, 2 varas de cassa para chumaços, bacia e jarro de louça, pixorra de barro, 11 colchões de brim novos, 51 camisolas de algodão, 35 lençóis de brim, 26 cobertores, 30 tigelas de fôlha de flandres, etc. ...
A chamada "Botica volante", que era em parte um "Pronto-Socorro", compunha-se de:
"Um estôjo de sarjar com 16 navalhas e 1 lancêta. 18 vidros com pós de ruibarbo, bálsamo, etc. ...
Líquido para gonorréia, líquido para curar escorbuto, pílulas mercuriais, extrato líquido de ópio, preparação para sarar constipações, preparação para curar dores convulsivas, cânfora e ácido sulfúrico, água de lavar olhos, água de lavar feridas novas, linimento saponáceo, ungüento mercurial, emplastros para sarnas, pedra infernal, pedra divina tartarizada, macela romana, puaia, unguento para piolhos, flor de sabugueiro, salitre, sal-amargo, sal de Glauber."
Era uma botica para escravos que trabalhavam à noite no alto forno, sempre constipados (doença das vias respiratórias), botica para sífilis e falta de higiene moral e corporal, botica com os títulos [...]