O verdadeiro Bacharel de Cananéia





Atualização: 23/11/2021 01:02:35


O Bacharel de Cananéia é um dos personagens mais poderosos e enigmáticos da história do Brasil. Muitos já tentaram identificar esse homem, que desaparece subitamente dos registros.

A minha opinião é que ele é o homem identificado nos registros, entre outros nomes, como Domingos Luiz Grou, Domingos Gonçalves, Bartholomeu Fernandes e Mestre Bartholomeu.


Assim como o Bacharel, Mestre Bartholomeu já estava em território brasileiro antes de 1522. Inclusive 26 de agosto desse ano “adquiriu terras vizinhas as concedidas nativos de Piratininga, junto ao rio Carapicuíba”. [1]


Em 1532 quando Martim Afonso foi recebido pelos nativos, o Bacharel estava casado com a filha do cacique de Piqueroby e o Mestre Bartholomeu estava casado com a filha do cacique dos "Carapicuibas".

Importante destacar que Piqueroby é descrito como pequeno régulo, que significa "rei ainda pequeno", dos carijós. [2]


No documento que concede terras a Bras Cubas, registrado em 25 de setembro de 1536, encontramos referências a ambos:

“Piqueroby acompanhou com uma parte da sua gente, o bacharel Mestre Cósme em sua retirada para a região ururay”

“em a qual terra por boca desde o dito rio de Jerebati até o dito oiteiro ele Capitão fes pergunta a António Rodrigues o lingua desta terra e a Mestre Bartholomeu (...)” [3]


Em 25 de maio de 1542 acontece a confirmação das concessões de terras ao “mestre Cosme, bacharel”. [4]


Em 1560 o padre Anchieta escreveu uma carta para seu superior, o padre Manoel da Nóbrega, informando que havia se encontrado com Piqueroby nas terras de Ururaí. [5]


Em 18 de maio de 1566 Bras Cubas e o Mestre Bartholomeu marcam suas terras "(..) o qual marco é uma pedra grande que está deitada desde seu nascimento, na qual foi feita por João Vieira uma cruz (..); outra pedra talada que assim talou o mesmo João Viera e fez outra cruz em cima; (...) ao pé de uma árvore grande (...) e foi feito pelo dito João Vieia como marco uma cruz; (...) sobre uma grande pedra que ali estava deitada, uma cruz foi feita pelo dito João Vieira e saindo do mato em uma rossa do Mestre Bartholomeu está uma pedra grande com umas pancadas de machado, foi feito uma cruz pela mãos do Sr Capitão Brás Cubas (...)" [6]


Em fevereiro de 1570 Anchieta empreende viagem ao território ururay para conceder “o perdão da justiça ao régulo Domingos Luís Grou que a Vila de São Paulo desejava ter dentro de seus muros para ajudar na defesa” da cidade de São Paulo da iminente destruição. [7]


TUBALCAIM PAULISTANO

O historiador Taunay denominou Domingou Grou "o Tubalcaim paulistano". Tubalcaim, Jubal e Jabal, são os três filhos de Lameque citados na Bíblia como responsáveis por grandes avanços na história da civilização humana jubal e já baú eram irmãos por parte de pai e mãe já Tubal Caim era irmão apenas por parte de pai de jubal e jabal. Tubalcaim seria o primeiro ferreiro da história.

Em 19 de junho de 1578 Intimou-se o único ferreiro da vila de São Paulo, Domingos Grou, para que, sob pena de dez cruzados, abstivesse de ensinar o seu ofício de ferreiro aos indígenas, “porque seria grande prejuízo da terra”. [8]


O documento registrado em 12 de outubro de 1580 é de extrema relevância, segundo consta “Domingos Grou consegue a restituição de suas terras: São Miguel, então chamada aldeia de Ururaí, no sítio de Carapicuíba, foi doada aos índios de Pinheiros (6 léguas em quadro)”. [9]


A ata da câmara municipal de São Paulo de 12 de outubro de 1582 registra “um deles nobre e conhecido por Domingos Luís Grou, ambos casados e ambos com família” tendo cometido um assassinato fugiram com os seus para o sertão, metendo-se de companhia com os bárbaros (carijós), que estavam com os nossos em guerra, estimulando-os a que acometessem e pondo em assombro e medo toda a capitania” [10]


Em 16 de agosto de 1586 o procurador Francisco Sanches soube que Domingos Fernandes forjava no sertão. Os demais vereadores o teriam tranquilizado, alegando que “os Fernandes” eram os primeiros ferreiros de São Paulo e que este havia partido para a selva em companhia do governador Jerônimo Leitão, razão pela qual nada se poderia fazer. [11]


Em 1588 “houve problemas com esse mesmo ferreiro, mestre Bartolomeu Fernandes. Este foi intimado para que mandasse seus aprendizes à vila, sob pena de mil réis de multa”. [12]


BIOGRAFIAS E TEMAS RELACIONADOS


Domingos Luís Grou
Mestre Bartolomeu Gonçalves
Ferreiros/Metais
Ururay
Bartholomeu Fernandes Cabral
Jerônimo Leitão
Piqueroby
José de Anchieta
Cosme Fernandes
Apiassava das canoas
Ilha de Barnabé
João Ramalho
Brás Cubas
Martim Afonso de Sousa
Diamantes, ouro e prata
Tupinambás
“Índios”
Carijós
Bandeirantes
Caiubi, senhor de Geribatiba
Belchior Dias Moréia
Raul (fictício)
Cacique de Carapicuíba
“Antônio Rodrigues”
Itapeva (Serra de São Francisco)
Tibiriçá
Manuel da Nóbrega
Antonio de Saavedra
Jesuítas
Cachoeiras
Cruzes...
Manuel Fernandes Ramos
Serra de Araçoiaba/Biraçoyaba
Fidalgos "Filhos de algo"
Nossa Senhora do Rosário
“Antônio de Oliveira”
Gonçalo Monteiro
Pero Correia
Jurubatuba
Ribeiras
Paschoal Fernandes
Ybyrpuêra
Nossa Senhora de Montserrate
Santa Ana das Cruzes


Fontes/Referências:

[1] 26/08/1522
Domingos Luis Grou "adquiriu" terras vizinhas as concedidas nativos de Piratininga, junto ao rio Carapicuíba
Washington Luís p.180 / "O Cas...
[2] 01/01/1532
*Martim Afonso foi recebido por João Ramalho e por Antônio Rodrigues, de quem pouco se sabe, além de que fora casado com uma filha de Piquerobi, o cacique de São Miguel de Ururaí, com quem teria tido muitos filhos
"Casa Grande & Senzala" Gilber...
[3] 25/09/1536
Concessão a Bras Cubas / Pascoal Fernandes e Domingos Pires já tinham estabelecido, a leste do ribeiro de São Jerônimo, depois chamado de “Montserrate”
Conhecimento Geológico sobre o...
[4] 25/05/1542
Confirmação de terras a “mestre Cosme, bacharel”
"Bandeiras e Bandeirantes de S...
[5] 01/01/1560
*O padre Anchieta escreveu uma carta para seu superior, o padre Manoel da Nóbrega, informando que havia se encontrado com Piqueroby nas terras de Ururaí
Geni.com
[6] 18/05/1566
"(..) o qual marco é uma pedra grande que está deitada desde seu nascimento, na qual foi feita por João Vieira uma cruz (..); outra pedra talada que assim talou o mesmo João Viera e fez outra cruz em cima; (...) ao pé de uma árvore grande (...) e foi feito pelo dito João Vieia como marco uma cruz; (...) sobre uma grande pedra que ali estava deitada, uma cruz foi feita pelo dito João Vieira e saindo do mato em uma rossa do Mestre Bartholomeu está uma pedra grande com umas pancadas de machado, foi feito uma cruz pela mãos do Sr Capitão Brás Cubas (...)"
Boigy "Cadernos da Divisão do ...
[7] 01/02/1570
*“o perdão da justiça ao régulo Domingos Luís Grou que a Vila de São Paulo desejava ter dentro de seus muros para ajudar na defesa”
Geraldo Bonadio (2004) / "Os T...
[8] 19/06/1578
Intimou-se o único ferreiro da vila de São Paulo, para que, sob pena de dez cruzados, abstivesse de ensinar o seu ofício de ferreiro aos indígenas, “porque seria grande prejuízo da terra”
Eduardo Tomasevicius Filho / b...
[9] 12/10/1580
Domingos Grou consegue a restituição de suas terras: São Miguel, então chamada aldeia de Ururaí, no sítio de Carapicuíba, foi doada aos índios de Pinheiros (6 léguas em quadro)
ALMANAK da Provincia de São Pa...
[10] 12/10/1582
“um deles nobre e conhecido por Domingos Luís Grou, ambos casados e ambos com família” tendo cometido um assassinato fugiram com os seus para o sertão, metendo-se de companhia com os bárbaros (carijós), que estavam com os nossos em guerra, estimulando-os a que acometessem e pondo em assombro e medo toda a capitania”
Washington Luís p.180
[11] 16/08/1586
O procurador Francisco Sanches soube que Domingos Fernandes forjava no sertão. Os demais vereadores o teriam tranquilizado, alegando que “os Fernandes” eram os primeiros ferreiros de São Paulo e que este havia partido para a selva em companhia do governador Jerônimo Leitão, razão pela qual nada se poderia fazer
Eduardo Tomasevicius Filho
[12] 01/01/1588
*Houve problemas com esse mesmo ferreiro, mestre Bartolomeu Fernandes, denominado por Taunay de “Tubalcaim paulistano”. Este foi intimado para que mandasse seus aprendizes à vila, sob pena de mil réis de multa
Eduardo Tomasevicius Filho





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Compilado por Adriano Cesar Koboyama
Colaboradores:
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João Libero
Amora G. Mendes, Matheus Carmine