Wildcard SSL Certificates
registros09/04/2025 16:27:59  
O Itavuvu e o rio da “barra de ferro”
27/07/2022

O rio "itapocu catarinense" além da grande importância histórica, oferece um problema toponímico e geográfico de acordo com sua localização atribuída pelos autores: Santa Catarina. Reforçando teses sobre a capacidade do "itavuvu sorocabano" reescrever a História desta cidade, desde eventos que antecedem em mais de 100 anos os escritos oficiais.

Já nos tempos pré-colombianos, o Itapocu era referência de um dos caminhos preferidos pelos europeus, por onde entraram e saíram aventureiros, bandeirantes, viajantes, colonos, padres, nativos.

Seu primeiro registro está na empreitada mais afamada, a expedição, em 1541, do Adelantado espanhol D. Álvares Nuñez Cabeza de Vaca e sua enorme comitiva, logo após haver, em nome da Espanha, tomado posse da Ilha de Santa Catarina.

Entrementes, enquanto por aqui a frota esteve, seu piloto-mor João Sanches, natural de Biscaia, registrou para o rio o nome Itapocú (que Cabeza de Vaca anotou Itabucu).

As traduções todavia, são incompatíveis com o rio e nenhuma etimologia satisfatória para essa palavra. Mesmo sendo certa, se adequaria a morro, rocha alta, não a rio.

Apesar de investigações cuidadosas e de minuciosos exames locais, até agora não se sabe onde tal "Itapucu" foi situado, ou mesmo se foi situado; o rio jamais foi identificado pelos significados atribuídos, e com esse nome talvez não tivesse existido rio algum. [3]

CACHOEIRA

Dentre as interpretações aceitas, que também não atende ao "itapucu catarinense", está "água da pedra estourada", lembrando também cachoeira a estalar e uma grande pedra, onde a água estrondeia grandemente. [19]

Sobre o nome Voturantim, do conhecido salto do rio Sorocaba, significa mui propriamente montanha branca, pois que o salto do Sorocaba, naquele lugar, não é mais do que uma encosta alta, coberta de alvo manto de espumas. [17]

ITAVUVU: BARRA DE FERRO

Não só a História do "Itavuvu sorocabano" é anômala, também a evolução da palavra desde "Itapebussu". Segundo um respeitado historiador sorocabano, desde 1600, quando fundada, até meados de 1890, era chamada Itapebussu, quando um jornalista afirma ser Itavuvu o Itapebussu". E trata-se de erro, prova notável, em 1763, a primeira menção registra "Tabubú [14]

As muitas conexões com Sorocaba e principalmente com o Itavuvu ainda não foi notada por autores. Além da irresistível semelhança entre ambas as palavras, todas as interpretações acima escritas são atribuídas com muito mais frequência ao Itavuvu. Uma delas é incrível.

Um dos aspectos mais notados pelos autores diz que todavia, além do próprio nome ser tupi-guarani, mais provável à origem totalmente nativa do nome e aplicada já pelos nativos.

Dentre os autores que dedicaram-se na tradução da língua nativa, todos concordam no significado de Itavuvu, um dos principais é Teodoro Sampaio. Em “O Tupi na Geographia Nacional” escreve ele:

Lugar á margem direita do rio Sorocaba, ao Norte do município. É o mesmo Itapebussú, "itapuvu, itapucu, itaocu, etc.". Alusivo a ser esse lugar um planalto pouco elevado, "a laje grande; o lajeado". Nome da primeira povoação fundada por D. Francisco de Sousa, ao pé do morro de Araçoiaba, em 1600."

A incrível conexão, escrita também por Teodoro, está no significado atribuído á Itapucú: Itapucú - Composto de itá-pucú, pedra comprida, rocha extensa, penha longa; barra de ferro. [17]

Se os escritos desde 1549 dão força à origem totalmente nativa do nome e aplicada já pelos nativos, essa barra de ferro pode estar relacionada ao primeiro ferreiro da capitania, Mestre Bartholomeu, que desde 1535 frequentara a região de Sorocaba. [2]

Além do ferro, Sorocaba nasce na povoação instalada no "Itavuvu sorocabano" pelo genro do mestre, para extrair o ferro nas proximidades, a abundância deste metal na região está fartamente escrita na História. De fato na montanha do Araçoiaba o ferro poderia ser "colhido" pelos nativos. Como escrito pelo pai do "pai da História do Brasil":

"A referida montanha, que, em virtude do mineral de que toda consta, chamam vulgarmente o Morro do Ferro. O mineral solto á superfície do morro é tanto e tão rico que creio só dele se poderia, por mais de cem anos, alimentar a maior fábrica do mundo, sem recorrer a trabalho algum mineiro." [16]

Também na carta, de 22 de julho de 1788, escrita pelo Capitão-mór de Sorocaba, Cláudio de Madureira Calheiros, ao General Lorena, feita com minério do Araçoiaba, afirmando que o minério é de tal abundância:

...que durará enquanto o mundo for mundo...”; que para lavorá-la só falta o mestre que “...saiba extrair o ferro do minério e aço do ferro...” e “...levantar as fábricas precisas”. Ademais, lembrava que era bom vir um Professor de Oficina. [15]

Por fim, muitos outros documentos, como um datado em 30 de novembro de 1944, no qual "o interventor do estado de São Paulo, Fernando de Sousa Costa, emitiu o Decreto-Lei 14.334, sobre a divisão administrativa e judiciária do Estado", lê-se que o munícipio de Sorocaba, em vários pontos, limita-se num ribeiro de Itapucu. [20]

Autores, principalmente seus escritos dedicados a Sorocaba, desprezam eventos importantes que provam ser "Itavuvu" o "Itapocu" da época.

Melhor exemplo foi o fechamento desse caminho em 1553, ano em que um caminho que ligava São Paulo ao litoral estava sendo aberto.Muitos espanhóis estavam chegando a São Vicente utilizando o "Itapucu", como Ulrico Schmidel, que após passar por Sorocaba, em 13 de junho, chegou a São Vicente. [8]

Após passar por Sorocaba, qual caminho percorreu Ulrico? Em 30 do mesmo mês Tomé de Souza mandou obstruir esse caminho, inutilmente por ser o da subida ao planalto a partir do Itapocu. [9]

CIDADES RELACIONADAS

Sorocaba/SP
Araçoiaba da Serra/SP
São Paulo/SP
Cotia/Vargem Grande/SP
Cananéia/SP
Santo Amaro/SP
Santos/SP
São Vicente/SP
Itu/SP
Votorantim/SP
Cubatão/SP
Iperó/SP
Ibiúna/SP
Itapeva/SP
Santana de Parnaíba/SP
Porto Feliz/SP
Iguape/SP
Elias Fausto/SP
Paranaguá/PR
Tatuí/SP
Bertioga/SP
Itanhaém/SP
Mogi das Cruzes/SP
São Miguel Arcanjo/SP
Juquiá/SP
Itabaiana/PB
Capão Bonito/SP
Itapetininga/SP
Botucatu/SP
Joinville/SC
Sabará/MG
Cuiabá/MT
Ubatuba/SP


RELACIONAMENTOS

Rio Itapocú14 registros
Bairro Itavuvu87 registros
Estradas antigas509 registros
Montanha Sagrada DO Araçoiaba91 registros
Ouro945 registros
Caminho do Peabiru224 registros
Itapeva (Serra de São Francisco)108 registros
Apereatuba32 registros
Carijós179 registros
Francisco de Sousa306 registros
Ytutinga16 registros
Cahativa / Bacaetava60 registros
Bandeirantes748 registros
Otinga24 registros
Hans Staden48 registros
Brás Cubas112 registros
Espanhóis/Espanha97 registros
Cachoeiras63 registros
São Filipe74 registros
João Sanches "Bisacinho"4 registros
Rio Anhemby / Tietê215 registros
Caminho do gado43 registros
“Índios”368 registros
Serra de Jaraguá48 registros
Rio Geribatiba21 registros
Rio Sarapuy52 registros
Fazenda Ipanema290 registros
Martim Francisco Ribeiro de Andrada50 registros
Serra de Paranapiacaba65 registros
Apiassava das canoas33 registros
Assunguy51 registros
Caucaya de Itupararanga17 registros
Peru85 registros
Mem de Sá74 registros
José de Anchieta164 registros
Caminho do Mar94 registros
Nossa Senhora de Montserrate91 registros
Teodoro Fernandes Sampaio29 registros
Pela primeira vez445 registros
Ferreiros/Metais93 registros
Afonso Sardinha, o Velho221 registros
Geógrafos e geografia434 registros
Marcos em pedras7 registros
Jesuítas307 registros
Calixto da Motta17 registros
Luiz Martins22 registros
Ruy Diaz de Guzman6 registros
Serra de Araçoiaba45 registros
Primeira Fábrica em Ipanema14 registros
N.S. de Monte Serrat do Itapeboçu14 registros
Rio Paranapanema68 registros
Indaiatuba em Sorocaba7 registros
Ilha de Barnabé22 registros
Domingos Luís Grou192 registros
Caminho até Cotia2 registros
Cruzes...25 registros
João de Salazar3 registros
Santa Ana das Cruzes48 registros
Sabarabuçu139 registros
Tamoios53 registros
Caminho São Paulo-Santos14 registros
Rio Cubatão em Cubatão18 registros
Bacaetava18 registros
Caminho até Cananéa1 registros
Ulrico Schmidl19 registros
Domingo Martinez de Irala7 registros
Manuel da Nóbrega91 registros
Missões/Reduções jesuíticas33 registros
Peabiru: Iguape 5 registros
Tomé de Sousa37 registros
Vila de Santo André da Borda42 registros
Africanos72 registros
Boigy31 registros
Franceses no Brasil130 registros
Minas de Itaimbé8 registros
Pitanguy13 registros
Pontes102 registros
Rio “Paraíba”6 registros
Rio dos Meninos7 registros
Rio Ypanema35 registros
Serra dos Itatins5 registros
Tupinambás38 registros
Tupis11 registros
Vale do Anhangabaú23 registros
Vossoroca4 registros
Bairro de Brigadeiro Tobias27 registros
Belchior da Costa65 registros
Bairro de Aparecidinha66 registros
Cachoeira do Inferno6 registros
Iperoig3 registros
Manuel Eufrásio de Azevedo Marques7 registros
Pero (Pedro) de Góes32 registros
Represa de Itupararanga24 registros
Rio Juquiri23 registros
Rio Mogy9 registros
Rio Sorocaba188 registros
Ruy Pinto11 registros
Serra de Cubatão 31 registros
Suzana Dias56 registros
Ybyrpuêra84 registros
Ytá-pé-bae3 registros
Vuturuna40 registros
Grunstein (pedra verde)8 registros
Damião Simões9 registros
Gaspar Conqueiro34 registros
Jeribatiba (Santo Amaro)16 registros
Rio Cubatão34 registros
Caputera4 registros
Avecuia, “terra que cai”12 registros
Inhayba17 registros
Jardim Itanguá / Manchester5 registros
Ypanema3 registros
Cláudio de Madureira Calheiros17 registros
Bernardo José de Lorena16 registros
1o. Conde de Linhares25 registros
Américo Vespúcio33 registros
Cananéas12 registros
Rodrigo de Castelo Branco93 registros
Cornélio de Arzão49 registros
Apoteroby (Pirajibú)44 registros
Abayandava17 registros
“Pernaiba”7 registros
Wilhelm Jostten Glimmer44 registros
Fernão Dias Paes Leme66 registros
Visconde de Porto Seguro27 registros
Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen29 registros
Ribeirão das Furnas19 registros
Mosteiro de São Bento153 registros
Martim Afonso de Sousa89 registros
Lagoa Dourada72 registros
João Alvares Coutinho5 registros
Bituruna43 registros
Vulcões10 registros
Fontes/Referências:

[1] pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Itapocu

[2] “História da siderúrgica de São paulo, seus personagens, seus feitos”, 1969. Jesuíno Felicíssimo Junior. Página 15

[3] Correio do Povo no. 3547

[4] Hans Staden: suas viagens e captiveiro entre os selvagens do Brasil / Teodoro Sampaio "O Tupi na geografia nacional"

[5] "Bandeiras e Bandeirantes de SP" de Carvalho Franco (1940) p.33 / Correio do Povo no. 3547 / SP na Órbita dos Filipes p.119 (Biblitoeca D´Ajuda. Códice 51-IX-25, f.142, Lisboa)

[6] https://brasilbook.com.br/r.asp?r=26233

[7] S. Paulo nos primeiros anos: 1554-1601, 1920. Afonso de E. Taunay. Páginas 179 e 178.

[8] "História do Brasil" José Honório Rodrigues / Ulrico Schmidl no Brasil quinhentista, 1942. Sociedade Hans Staden. Página 79

[9] Ver CANABRAVA, Alice.op.cit. MOUTOUKIAS, Zacarias. Contrabando y Control Colonial en el Siglo XVII.Buenos Aires: Centro Editor de América Latina, 1988. VEIGA, Emanuel Soares da. O comércio ultramarinoespanhol no Prata. São Paulo: Editora Perspectiva, 1982. ASSADOURIAN, Carlos S.; BEATO, G;CHIARAMONTE, J.C. Argentina: de la conquista a la independência. Buenos Aires: Hispamérica; 1986. / "SP na órbita do Império dos Felipes: Conexões Castelhanas de uma vila da américa" p.205 / Correio do Povo

[10] Documentos Interessantes, XLVIII, APESP, p.31 / História Geral da Civilização Brasileira. Tomo 1, Volume 1. São Paulo: Difel, 1972 / "Bandeiras e Bandeirantes de SP" de Carvalho Franco (1940) p.34;35

[11] Anais do III Simpósio dos Professores Universitários de História / Na Capitania de S. Vicente / Teodoro Sampaio "Tupi na geografia nacional" / Bandeiras e Bandeirantes p.38

[12] Sorocaba e os castelhanos. Diário de Notícias, 01.09.1940. Página 13. Aluísio de Almeida

[13] Documentos Publicados pelo Arquivo do Estado de São Paulo. Tipografia Piratininga, SP, 1921. VOLUME I

[14] Correio Paulistano, 14.12.1941. Página 22.

[15] “História da siderúrgica de São paulo, seus personagens, seus feitos”, 1969. Jesuíno Felicíssimo Junior. Página 34

[16] Anais do 3o Simpósio Brasileiro de Cartografia Histórica (2016) / Eduardo Bueno 13/12/2010 (revistaepoca.globo.com)

[17] “O Tupi na Geographia Nacional” (1901) Teodoro Sampaio / p. 304

[18] “Supplemento aos apontamentos para o diccionario geographico do Brazil”, 1935. Alfredo Moreira Pinto

[19] Decreto-Lei 14.334, sobre a divisão administrativa e judiciária do Estado, 30.11.1944. www.al.sp.gov.br

[20] “Toponímia Tupi-Guarani do Munícípío de Joinville”, no “Centenário de Joínvílle”, 1951. Norberto Bachmann

[21] “Referências e teorias sobre o nome Itapocu”. Correio do Povo, de Jaraguá do Sul, 14.08.1989. José Alberto Barbosa

  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]