Em Madri, D. Francisco de Sousa conseguira que o governogeral do Brasil fosse dividido em dois, continuando a sede do primeiroem Salvador na Bahia, e que o segundo fosse constituído pelas capitaniasdo Espírito Santo, Rio de Janeiro e S. Vicente, abrangendo as minas adescobrir, sua preocupação máxima, sob a denominação de Repartiçãodo Sul. Desta foi ele nomeado Governador, assim na administração dajustiça, como da fazenda e das minas e imediatamente somente sujeitoao rei, com muitos privilégios e promessas de mercês. Havia convencidoao governo de Filipe III da certeza que nutria do descobrimento das famosas minas, que iriam abastecer o tesouro espanhol.Fez-se de vela a 22 de janeiro de 1609, gastou 28 dias na viagem e aportou em Recife a 19 de fevereiro desse mesmo ano (C. deAbreu).APortanto, a crise de cavalgaduras tornara-se aguda na Capitania de São Paulo.Inovação das mais interessantes, no que se refere aos transportes, foi, sem dúvida, a que tentara o governador D. Francisco de Sousa no comêço do século. Em petição dirigida a ElRei, solicitava a intercessão de Sua Majestade junto aos governadores do Rio da Prata e Tucumã no sentido de lhe remeterem três mil fangas de bom trigo e quinhentas de cevada, alémde"duzentos carneiros de carga, daqueles que costumam trazer e carregar a prata de Potosi" (47), [Os transportes em São Paulo no período colonial, 1958. José Gonçalves Salvador. Página 97]Com todo o desvairado otimismo de seus planos grandiosos, nãoé impossível que, no íntimo, D. Francisco se deixasse impressionar poraquela idéia, partilhada com outros portuguêses da época, de que, emmatéria de ouro e prata, Deus se mostrara mais liberal aos castelhanos, dando-lhes a fabulosa riqueza de suas minas. Assim se explicaa miragem do Potosi, o sonho, que já tinha sido o de Tomé de Sousa,de fazer do Brasil um "outro Peru" e que está presente em todos osatos de sua administração.Essa idéia obsessiva há de levá-lo, em dado momento, ao ponto dequerer até introduzir lhamas andinas em São Paulo. Com êsse fito chegaria a obter prov1sao real, lavrada em 1609, determinando quese metessem aqui duzentas lhamas ou, em sua linguagem, "duzentoscarneiros de carga, daqueles que costumam trazer e carregar a pratade Potosi, para acarrear o ouro e a prata" das minas encontradas nasterras de sua jurisdição. E recomenda-se no mesmo documento quedas ditas lhamas se fizesse casta e nunca faltassem77. Já seria essa, àfalta de outras, uma das maneiras de ver transfiguradas as montanhasde Paranapiacaba numa réplica oriental dos Andes. [Visão do Paraíso, 1969. Sérgio Buarque de Holanda. Páginas 94 e 95]D. Joana de Argollo, nascida na Baía cerca de 1602 e falecida nova a 18.1.1626, ib, sendo sepultada no convento de S. Francisco. Jaboatão diz que foi bat. na Sé da Baía a 23.9.1620, o que é impossível, pelo que deve ser gralha disléxica por 1602, portanto cerca de um ano depois do nascimento de seu irmão. Ou, em alternativa, a data de 1620 não é baptismo mas sim do seu 2º casamento. Infelizmente estão desaparecidos os livros de assentos paroquiais que Jaboatão terá consultado. Se nasceu em 1602, o que parece, morreu com apenas 24 anos de idade. Apesar disso casou duas vezes e ainda viveu em Braga, onde lhe nasceram dois filhos do 2º casamento. Casou a 1ª vez, teria 15 anos de idade, com o doutor Francisco Subtil de Sequeira (a), desembargador da Relação da Baía e provedor da Alfândega pelo casamento, que chegou ao Brasil em 1602, cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, natural de Tancos (Portugal) e falecido a 4.4.1619 no Baía, com sepultura no convento do Carmo (Socorro). D. Joana casou 2ª vez, em 1620, com doutor Sebastião Parvi de Brito (b), fidalgo da Casa Real, ouvidor geral da Baía, provedor da alfândega da Baía e provedor-geral da fazenda real, três vezes provedor da Misericórdia da Baía (1622, 1643 e 1652), etc. O marquês de Montalvão disse sobre ele que «é dos mais nobres homens de Évora e que hoje no estado em que está o Brasil não há pessoa capaz se suceder naquele governo faltando o governador senão
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