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autor:23/10/2023 02:45:38
"Excursão suicida" do Santa Cruz sofreu com ameaça nazista e teve dois mortos: conheça essa história

    2 de janeiro de 1943, sábado
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  
  


HD do GE reconstrói trajeto do time durante viagem de quatro meses a capitais do Norte e Nordeste; houve receio de ataque de submarino alemão e jogadores falecidos com febre tifoidePor Brenno Costa — Recife31/03/2020 17h35 Atualizado há 5 horasArte/GloboEsporte.comEra tempo de Segunda Guerra Mundial. Submarinos alemães rondavam a costa brasileira. O temor de um ataque bélico às embarcações era real. Ainda assim, o então tricampeão pernambucano Santa Cruz deixou o Recife para desbravar o norte do país de navio. Na madrugada de 2 de janeiro de 1943, o time viajou para uma excursão histórica e que mais tarde seria marcada como a "excursão suicida".Dois atletas do clube faleceram. Porém, não pela guerra. A febre tifoide os atacou irremediavelmente. E eles viraram símbolos dessa aventura - que ainda teve desertores, navegação escoltada pela Marinha, viagem compartilhada com 35 ladrões, bebedeiras e outros relatos de problemas de saúde. Foi surreal.Reportagem de 1979 da revista Placar sobre a excursão suicida do Santa Cruz; no detalhe da foto, goleiro King (com "x" e em pé) e atacante Papeira (logo abaixo) faleceram — Foto: Reprodução/Revista PlacarReportagem de 1979 da revista Placar sobre a excursão suicida do Santa Cruz; no detalhe da foto, goleiro King (com "x" e em pé) e atacante Papeira (logo abaixo) faleceram — Foto: Reprodução/Revista PlacarReportagem de 1979 da revista Placar sobre a excursão suicida do Santa Cruz; no detalhe da foto, goleiro King (com "x" e em pé) e atacante Papeira (logo abaixo) faleceram — Foto: Reprodução/Revista PlacarForam praticamente quatro meses longe do Recife. Entre mudanças de roteiro e visitas às capitais Natal, Belém, Manaus, São Luís, Teresina e Fortaleza, o Santa Cruz disputou 26 jogos (12 vitórias, 7 empates e 7 derrotas), alguns deles para poder pagar despesas enquanto aguardava a liberação do governo brasileiro para o retorno.Isso porque a navegação chegou a ser suspensa no Brasil. Era uma medida de segurança contra possíveis ataques a mando do ditador nazista Hitler.“Eu conheci o Guaberinha, que era um dos jogadores notáveis do Santa Cruz naquela época. Ele me contou que chorava em alguns momentos da viagem. Foi uma aventura heroica e trágica ao mesmo tempo. Entrou para a história”, conta o jornalista e pesquisador Lenivaldo Aragão, autor de reportagem sobre o tema para a revista Placar, em 1979, chamada de Excursão da Morte. De fato, foi.Mapa da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Arte/GloboEsporte.comMapa da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Arte/GloboEsporte.comMapa da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Arte/GloboEsporte.comPrimeiros jogos e problemasA delegação coral partiu do Recife no navio-vapor Pará. Por segurança, em virtude dos conflitos mundiais, foi acompanhada de dois navios da Marinha de Guerra e saiu com as luzes apagadas. Mas, tensão à parte, a viagem transcorreu sem grandes percalços.+ Paralisações e até morte: como a gripe espanhola afetou o futebol brasileiro há 102 anosDo porto da capital pernambucana para Natal, capital do Rio Grande do Norte. Na cidade, o time tricolor estreou com vitória sobre a seleção potiguar por 6 a 0 e seguiu para Belém. Era apenas a terceira vez que o clube iria ao Pará.Já instalado na região Norte, o Tricolor começou a série de partidas. O cartão de visitas foi apresentado com uma goleada de 7 a 2 sobre o Transviário.Santa Cruz abre excursão em Belém com goleada de 7 a 2 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz abre excursão em Belém com goleada de 7 a 2 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz abre excursão em Belém com goleada de 7 a 2 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoA atuação poderosa fez a torcida local se animar para o duelo seguinte. Com grande público à época, o Tricolor bateu a Tuna Luso por 3 a 1 e foi construindo uma boa reputação.“A equipe visitante jogou uma grande partida e envolveu por completo o time local”, apontou a edição do Jornal Pequeno.- Os despachos telegráficos da capital paraense salientam que a assistência vibrou de entusiasmo durante todo o cotejo - conta a edição do Diario de Pernambuco.Trecho de reportagem sobre jogo entre Tuna Luso e Santa Cruz — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoTrecho de reportagem sobre jogo entre Tuna Luso e Santa Cruz — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoTrecho de reportagem sobre jogo entre Tuna Luso e Santa Cruz — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoNa sequência, veio o Remo e os primeiros problemas de saúde. O Tricolor perdeu o primeiro jogo da viagem por 5 a 2. Nessa partida, foi revelado que vários atletas estavam intoxicados.+ Eles faziam gols até os Estaduais pararem: veja surpresas na briga pelas artilharias Brasil aforaAinda assim, o esquadrão tricolor seguiu com sua excursão e escreveu mais um capítulo diante da seleção paraense. No estádio do Remo, a partida atraiu grande público e vendeu quase todas as entradas antecipadamente. No fim, o placar de 3 a 3.Jornal relata primeiros problemas de saúde em excursão do Santa Cruz após jogo com Remo — Foto: Reprodução/Jornal PequenoJornal relata primeiros problemas de saúde em excursão do Santa Cruz após jogo com Remo — Foto: Reprodução/Jornal PequenoJornal relata primeiros problemas de saúde em excursão do Santa Cruz após jogo com Remo — Foto: Reprodução/Jornal PequenoDepois, o Santa Cruz mediu forças com Paysandu e também deixou o resultado escapar no fim do confronto. O marcador assinalou 4 a 4. Seria o fim da excursão, mas o time resolveu seguir viagem, tornando uma futura volta para Belém traumática e com duas mortes.Antes das mortes, Santa Cruz deveria ter encerrado excursão em jogo com Paysandu — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoAntes das mortes, Santa Cruz deveria ter encerrado excursão em jogo com Paysandu — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoAntes das mortes, Santa Cruz deveria ter encerrado excursão em jogo com Paysandu — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoOs primeiros jogos da excursão de 1943Data Jogo Local2/1 Seleção Potiguar 0 x 6 Santa Cruz Natal-RN10/1 Transviário 2 x 7 Santa Cruz Belém-PA14/1 Tuna Luso 1 x 3 Santa Cruz Belém-PA17/1 Remo 5 x 2 Santa Cruz Belém-PA21/1 Seleção Paraense 3 x 3 Santa Cruz Belém-PA24/1 Paysandu 4 x 4 Santa Cruz Belém-PADuas semanas no rio até Manaus com bebedeirasSanta Cruz embarca para Manaus e adia fim da excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz embarca para Manaus e adia fim da excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz embarca para Manaus e adia fim da excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoEm um embarque concorrido pelo público, o Santa Cruz seguiu para uma nova etapa da aventura. O desempenho em Belém saltou aos olhos, e o clube foi convidado para ir a Manaus, na primeira visita de um time pernambucano à cidade.Com uma embarcação mais modesta e pesada, o trajeto levaria duas semanas pelo rio. No longo caminho, era preciso fazer o tempo passar.“E chega a noite em que o time inteiro é flagrado na casa de máquinas de vapor, tomando um memorável pileque com alguns membros da tripulação", relata a reportagem especial da revista Placar de 1979, assinada por Lenivaldo Aragão.No dia 7 de fevereiro, um mês e cinco dias depois de deixar o Recife, o Santa Cruz entrou em campo desgastado e debaixo de muita chuva para encarar o Olímpico, perdendo por 3 a 2. Depois, ainda atuaria mais quatro vezes em Manaus, com três vitórias e uma derrota.Santa Cruz estreia em Manaus com derrota para o Olímpico, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz estreia em Manaus com derrota para o Olímpico, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoSanta Cruz estreia em Manaus com derrota para o Olímpico, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoJogos do Santa Cruz em Manaus durante excursão de 1943Data Jogo Local7/2 Olímpico 3 x 2 Santa Cruz Manaus-AM11/2 Rio Negro 1 x 5 Santa Cruz Manaus-AM14/2 Nacional-AM 0 x 6 Santa Cruz Manaus-AM19/2 Rio Negro 4 x 5 Santa Cruz Manaus-AM22/2 Seleção do Amazonas 2 x 1 Santa Cruz Manaus-AMTentativa de jogos internacionaisIgnorando o temor da guerra, o Santa Cruz ainda tentou partir do Amazonas para sua primeira excursão internacional com passagens pela Guiana e pelo Peru. A ideia, por outro lado, foi barrada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) sob pena de suspensão de 90 dias. A delegação, então, fez o caminho de volta para Belém.Viagem do Santa Cruz ao Peru, em 1943, chegou a ser confirmada — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoViagem do Santa Cruz ao Peru, em 1943, chegou a ser confirmada — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoViagem do Santa Cruz ao Peru, em 1943, chegou a ser confirmada — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoDepois, delegação desiste de viagem para não sofrer punição da CBD — Foto: Reprodução/Jornal PequenoDepois, delegação desiste de viagem para não sofrer punição da CBD — Foto: Reprodução/Jornal PequenoDepois, delegação desiste de viagem para não sofrer punição da CBD — Foto: Reprodução/Jornal PequenoDeserção, mortes e paralisação da navegação mudam planosNo trajeto para a capital paraense, teve o começo do pesadelo na excursão do Santa Cruz que mais tarde receberia as alcunhas de “suicida” e da “morte”. No navio, jogadores tiveram uma recaída de problemas que sentiram em Manaus. A febre ressurgiu.Os mais graves eram o goleiro King e o atacante Papeira. Eles foram medicados, mas desrespeitaram algumas recomendações, principalmente com relação à alimentação, é o que aponta o jornalista Lenivaldo Aragão na reportagem da revista Placar.A ideia do clube, como esse cenário, era deixar Belém e voltar para o Recife, mas o governo havia proibido temporariamente a navegação em virtude dos acontecimentos na Segunda Guerra Mundial.Sem condições de comprar passagens aéreas, no dia 2 de março o Santa Cruz entrou em campo para dar o troco em cima do Remo. Venceu a equipe local por 4 a 2, mas o momento de alegria durou pouco.Santa Cruz amplia excursão em 1943 com novos jogos em Belém — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoSanta Cruz amplia excursão em 1943 com novos jogos em Belém — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoSanta Cruz amplia excursão em 1943 com novos jogos em Belém — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoA equipe se abalaria com duas mortes em sequência. King e Papeira estavam internados. O quadro de ambos era a febre tifoide. Até que, às 2h35 da madrugada do dia 3 de março, o goleiro faleceu no Hospital Dom Pedro I, da Beneficência Portuguesa, e foi enterrado com honrarias.Goleiro King morre na volta do Santa Cruz a Belém, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoGoleiro King morre na volta do Santa Cruz a Belém, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoGoleiro King morre na volta do Santa Cruz a Belém, em 1943 — Foto: Reprodução/Jornal Pequeno“O féretro saiu da sede da Federação Paraense de Desportos acompanhado por enorme multidão”, relata o Diario de Pernambuco ao abordar a morte de King, que iniciou a sua passagem pelo clube na excursão. Antes, atuava pelo América-PE.Reportagem detalha morte do goleiro do Santa Cruz durante excursão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoReportagem detalha morte do goleiro do Santa Cruz durante excursão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoReportagem detalha morte do goleiro do Santa Cruz durante excursão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoPor causa da morte do companheiro, Sidinho desistiu de deixar a delegação e ir atuar em Manaus. Por outro lado, França e Omar resolveram aceitar as ofertas recebidas, desertaram e foram viver na capital do Amazonas. A essa altura, Papeira estava entre a vida e a morte.Jogadores deixam delegação do Santa Cruz durante excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoJogadores deixam delegação do Santa Cruz durante excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoJogadores deixam delegação do Santa Cruz durante excursão em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoAinda assim, três dias depois do falecimento de King, o Santa Cruz volta a entrar em campo para medir forças com Paysandu. Antes da bola rolar, um minuto de silêncio em homenagem ao companheiro falecido.O horário do confronto, no entanto, ainda teve uma coincidência trágica. Internado no hospital, Papeira morreu enquanto a bola rolava. Aquele domingo de carnaval virou um domingo de tragédia.Papeira é o segundo jogador do Santa Cruz a morrer em excursão de 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoPapeira é o segundo jogador do Santa Cruz a morrer em excursão de 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoPapeira é o segundo jogador do Santa Cruz a morrer em excursão de 1943 — Foto: Reprodução/Jornal PequenoA continuação da excursão, com isso tudo, era surreal. No dia seguinte, o Diario de Pernambuco traz uma página abordando vários assuntos sobre a delegação coral (veja abaixo). Em uma parte, avalia o empate em 1 a 1 com o Paysandu. A Curuzu esteve lotada e, ao fim, foi invadida pelos torcedores que celebraram o jogo no campo. O Tricolor ainda recebeu uma taça.Ao lado do relato da partida, porém, vem a notícia da morte de Papeira, que também atraiu muitas pessoas para seu enterro, e um protesto do jornal pelo fato de o Santa Cruz seguir com a excursão em meio à tragédia. Na edição, ainda há o anúncio de novas partidas. E de fato, na sequência, o Tricolor empatou em 0 a 0 com a Tuna Luso.Em 1943, Santa Cruz anuncia mais jogos após morte, e jornal protesta — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoEm 1943, Santa Cruz anuncia mais jogos após morte, e jornal protesta — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoEm 1943, Santa Cruz anuncia mais jogos após morte, e jornal protesta — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoMais jogos em Belém, viagem com ladrões e uma longa voltaNovos fatos surgem. Os cuidados que exigiram a internação de King e Papeira, além do custo com os enterros, deixaram a delegação coral sem dinheiro. A situação crítica chegou ao conhecimento do governo local, que agendou um amistoso contra um combinado de atletas de Remo e Paysandu.A renda do empate em 3 a 3 foi revertida à família das vítimas. No entanto, o estádio esteve vazio. Ao contrário dos primeiros jogos, o Santa Cruz parecia que já não gerava tanto interesse. Ficou, então, um ar de decepção na excursão que se aproximava do fim... no Pará.Jornal critica prolongamento da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Reprodução/Diario PernambucoJornal critica prolongamento da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Reprodução/Diario PernambucoJornal critica prolongamento da excursão do Santa Cruz em 1943 — Foto: Reprodução/Diario PernambucoO Tricolor, porém, ainda perdeu por 5 a 2 para a Tuna Luso. Na sequência, o grupo foi chamado para um torneio e atuou duas vezes no mesmo dia. Na competição, voltou a encarar a Tuna e deu o troco, vencendo por 1 a 0. Depois, caiu por 2 a 1 para o Transviário.Jogos do Santa Cruz na volta a Belém durante excursão de 1943Data Jogo Local2/3 Remo 2 x 4 Santa Cruz Belém-PA8/3 Paysandu 1 x 1 Santa Cruz Belém-PA14/3 Tuna Luso 0 x 0 Santa Cruz Belém-PA18/3 Combinado Remo/Paysandu 3 x 3 Santa Cruz Belém-PA21/3 Tuna Luso 5 x 2 Santa Cruz Belém-PA28/3 Tuna Luso 0 x 1 Santa Cruz Belém-PA28/3 Transviário 2 x 1 Santa Cruz Belém-PADerrotado no último confronto em Belém, o Santa Cruz mergulhou na reta final da excursão quase interminável. Era o momento de retornar ao Recife. Antes, claro, algumas paradas no meio do caminho. No dia 28 de março, a comitiva embarcou para São Luís, no Maranhão.No trajeto de navio, para economizar dinheiro, os jogadores trocam as passagens de primeira classe pelas de terceira. Com isso, viajam com mais 35 ladrões que estavam sendo “exportados” do Pará para o Maranhão.“Por via das dúvidas, as 15 taças que o clube ganhou na excursão são guardadas cuidadosamente. Medida desnecessária - pois os ladrões e os jogadores acabam se tornando bons amigos”, relata a revista Placar de 1979.Últimos jogos, ameaça alemã e trem descarriladoNa chegada a São Luís, o navio que levava a equipe coral fica retido por motivos de segurança. Para se manter, o Santa Cruz faz seis jogos na cidade.No meio dessa sequência, o time venceu o Sampaio Corrêa por 3 a 0. Por sinal, no mesmo dia, no Recife, uma equipe reserva do Santa Cruz entrava em campo pelo Campeonato Pernambucano e perdia para o Great Western por 3 a 2.Antes dessa partida contra o Sampaio Corrêa, vale ressaltar, a volta do time para o Recife era dada como certa outra vez. Mas, como em um novo golpe de azar, imprevistos aconteceram (veja imagem abaixo). E o time foi ficando... e fez ainda mais duas partidas em São Luís.Santa Cruz marca novo jogo no Maranhão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoSanta Cruz marca novo jogo no Maranhão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoSanta Cruz marca novo jogo no Maranhão, em 1943 — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoJogos do Santa Cruz no Maranhão durante excursão de 1943Data Jogo Local4/4 Nacional-MA 3 x 0 Santa Cruz São Luís-MA6/4 FAC 1 x 5 Santa Cruz São Luís-MA8/4 Moto Club 0 x 1 Santa Cruz São Luís-MA11/4 Sampaio Corrêa 0 x 3 Santa Cruz São Luís-MA13/4 Seleção do Maranhão 2 x 2 Santa Cruz São Luís-MA15/4 Moto Club 1 x 1 Santa Cruz São Luís-MASó após os duelos com a seleção do Maranhão e o Moto Club, a delegação resolve deixar São Luís. Primeiro, arrisca uma saída de navio, mas, no meio da noite, a embarcação retorna sob suspeita de presença dos temidos submarinos alemães.A decisão, então, é ir para o Piauí de trem. Não sem novos sustos. No caminho, o veículo descarrila duas vezes, mas não deixa vítimas, conforme relato na revista Placar. Assim e enfim, o time chega em Teresina.Na quinta capital da excursão, o Tricolor também não se furta de fazer outro amistoso para bancar os custos. Encara a Seleção do Piauí e vence por 4 a 3.Jogo do Santa Cruz no Piauí na excursão de 1943Data Jogo Local18/4 Seleção do Piauí 3 x 4 Santa Cruz Teresina-PIChega, então, a última parada da vida nômade da delegação coral. De Teresina para o Fortaleza. Na capital cearense, o time tem um amistoso com o Ceará. Antes da partida, porém, o presidente da “embaixada tricolor” Aristófanes Trindade, responsável por representar a equipe, deixa os jogadores na capital e parte para o Recife.Antes do último jogo no Ceará, Santa Cruz fica sem diretor na delegação — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoAntes do último jogo no Ceará, Santa Cruz fica sem diretor na delegação — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoAntes do último jogo no Ceará, Santa Cruz fica sem diretor na delegação — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoEm campo, os atletas demonstraram muito cansaço e foram derrotados por 3 a 2 na última partida da exaustiva excursão. Era o momento, enfim, de voltar para casa.Jogo do Santa Cruz no Ceará na excursão de 1943Data Jogo Local25/4 Ceará 3 x 2 Santa Cruz Fortaleza-CENa madrugada do dia 29 de abril de 1943, quase quatro meses depois, o Santa Cruz chega ao Recife com histórias de sobra, mas sem muito tempo para contá-las.Afinal, no dia 2 de maio, esse mesmo grupo já retornaria a campo. Dessa vez, era momento de correr atrás da bola pelo Campeonato Pernambucano diante do Náutico. E, assim, aquele time nem se deu conta de que já era história.Imagem da volta do Santa Cruz ao Recife após excursão suicida — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoImagem da volta do Santa Cruz ao Recife após excursão suicida — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoImagem da volta do Santa Cruz ao Recife após excursão suicida — Foto: Reprodução/Diario de PernambucoTime base na excursãoKing; Sidinho II e Pedrinho; Omar, Capuco e Amaro; Guaberinha, Limoeirinho, França, Sidinho e Pinhegas.



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EMERSON


02/01/1943
ANO:76
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]