'10 - -30/06/1939 Wildcard SSL Certificates
1935
1936
1937
1938
1939
1940
1941
1942
1943
Registros (79)Cidades (0)Pessoas (0)Temas (0)
Falecimento do cônego que enfureceu o Estado

    30 de junho de 1939, sexta-feira
    Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
  


Valois de Castro conseguiu despertar a ira do redator do jornal mais lido de São Paulo em plena 1ª Guerra Mundial.Colaborou Paulo de Tarso Venceslau(Jornal Contato)O cônego José Valois de Castro, junto com o irmão, o monsenhor Nascimento Castro, foram figuras proeminentes na Taubaté das primeiras décadas do século XX. Segundo referências, Valois era um político fino que representou Taubaté e toda esta região no poder Legislativo como deputado estadual, federal e senador por muitos anos, quando os evangélicos eram rarefeitos.Porém, foram as opiniões dúbias sobre a posicionamento do Brasil frente a 1ª Guerra Mundial (1914/1918) que trouxeram uma infame notoriedade a Valois (lê-se Valoá). Mesmo após os alemães afundarem navios brasileiros e o povo sair à rua pedindo vingança, o religioso, que era deputado federal, se recusou a votar favoravelmente a entrada do Brasil na Guerra e não apoiou a decisão de declarar a Alemanha como nação inimiga. A imprensa se mostrou abismada com Valois quando, em outro episódio, o deputado religioso se solidarizou com o diretor do “Diário Alemão”, quando este foi empastelado.Para muita gente, este gesto foi uma afronta ao Brasil e um gesto de impatriotismo. Jornais e revistas taxavam o religioso como “germanófilo”. A imprensa se levantou e conseguiu jogar a opinião pública contra Valois. Nem da veia satírica do escritor Juó Bananére Valois escapou. O livro Calabar foi escrito especialmente para satirizar o cônego de Taubaté(Veja abaixo).Para aumentar as tensões o governista Partido Republicano Paulista apresentou como candidato ao Senado do Estado justamente o impopular e eletrificado nome de Valois de Castro. Para muitos, a decisão foi interpretada como uma acintosa ofensa.1ª Guerra como pano de fundoOs estudantes da Faculdade de Direito levantaram-se indignados contra a decisão do PRP – Partido Republicano Paulista ter escolhido o nome de Valois para disputar o senado estadual. O movimento era patrocinado pelo jornal “O Estado de São Paulo” e encabeçado por alguns dos jovens mais inflamados da época.A candidatura de Valois de Castro foi lançada efetivamente em 9 de maio de 1918. Os estudantes responderam no dia 14 com a candidatura de Pereira Barreto (saiba quem ele é aqui).“Na opinião do povo paulista, o cônego José Valois de Castro foi e é um mau cidadão, um falso brasileiro, porque não compreende[…] que nenhum de nós, sob pena de cair em crime de traição, pode ser amigo e admirador da Alemanha, partidário teimoso da guerra alemã”, escreve o jornalista Júlio de Mesquita em editorial do seu jornal.Por outro lado, as opiniões de Valois de Castro encontravam abrigo no jornal Correio Paulistano, que representava o Partido Republicano Paulista e que defendia a tese de que Castro sofria perseguição de “oposicionista anticlericais”: “[…]Nada, absolutamente nada se encontrou contra o sr. Valois de Castro,[…] vê-se bem, portanto, que só mesmo a diabólica perseguição é possível filiar essa trama, urdida de malícias e invencionices”.Para desespero de Valois, o movimento contra a sua candidatura ganha a simpatia de estudantes, intelectuais e artistas.Estadão na contramãoEm meia página do Estadão da edição de 31 de maio de 1918, os Mesquita publicaram quatro diferentes manifestos dirigidos com a manchete Ao Povo Paulista assinados respectivamente:Da Classe dos Engenheiros; Da Comissão Acadêmica (estudantes); Das Classes Independentes (“cidadãos absolutamente estranhos a agremiações partidárias”); e Da Classe Médica, todos defendendo a candidatura do médico, cientista e empresário Luiz Pereira Barreto contra as “convicções antinacionais” de Valois de Castro. Monteiro Lobato também subscreveu o manifesto assinados pelos chamados independentes. Nos anos seguintes, o clero cobraria com juros o posicionamento do criador da Emília (saiba mais aqui e aqui).O rótulo de antipatriota e defensor dos inimigos da nação acabou colando no cônego Valois. “A onda cresce. Já não é onda. É um mar que se levanta” – assim começa uma nota de Júlio de Mesquita no dia 29 maio, três dias antes das eleições. O redator estava convicto que Valois seria derrotado. A temperatura política aumentava na imprensa onde o cônego ganhava considerações cada vez mais violentas e era chamado, entre outras coisas, de Von Kastro e de “candidato prussiano”(referência ao reino alemão).No dia das eleições, tudo indicava que Pereira Barreto seria eleito, mas ao serem apurados os votos surge a vitória de Valois de Castro.ReaçõesA indignação foi generalizada por aquela “vitória” forjada, como era comum à época, nas atas do Partido Republicano Paulista: “Há triunfos que envergonham”, lamentou o “Estado”.A polêmica prosseguiu mesmo depois das eleições. No dia 9 de junho, uma nota denuncia pela primeira vez a fraude no pleito, sem contudo apresentar qualquer prova material.Os documentos publicados, porém, eram irrefutáveis: eleitores de Pereira Barreto haviam entregue à redação títulos que comprovavam a votação no médico renomado internacionalmente.O ataque foi frontal:“Esta descarada e indecentíssima falcatrua, esta infame espoliação, este roubo vil, este vergonhosíssimo assalto à mão armada […] não é nenhuma novidade nas eleições republicanas”, denunciava o “Estadão”.Apesar de toda movimentação orquestrada pelo jornal da família Mesquita, Cônego Valois de Castro permaneceu no parlamento até 1930, quando foi defenestrado definitivamente da política nacional com a ascensão de Getúlio Vargas no comando da revolução que marcou o fim da Velha República. Valois faleceu no ostracismo político em 30 de junho de 1939.Fontes:Acervo pessoal Humberto Passarelli, Acervo Estadão, Hemeroteca Digital Brasileira, Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – USPCaso virou livroOs ataques a Valois de Castro não se limitaram aos jornais.Ainda em 1917 é lançado um livrinho de poemas satíricos intitulado Calabar: Libro di Saniamento Suciali, escrito por Juó Bananere e Antonio Paes. A primeira parte, em dicção macarrônica, foi escrita por Juó Bananére, personagem criado pelo engenheiro Alexandre Marcondes, um “baolista [corruptela de paulista] de Pindamonhangaba. A segunda, em português, por Moacyr Piza, atrás do pseudônimo Antonio Paes. O traidor apontado no título era o nosso cônego Valois de Castro, que na interpretação dos autores, teria aderido à Alemanha no período da Primeira Guerra Mundia. Um anúncio da publicação de Galabáro proclamava: “Calabar di Juó Bananére i Antonio Paes – Estupendimo livrio di scugliambaçó co padri chi abracciôu allem! – avenda in tuttas part-! – 1$000 cada uno.”Trechos do livroDe Juó Bananére:“Na tardi du dia 10 du meze di Abrile di 1917 disposa du nascimente di N.S. Gisuis Gristo, u povo di Zan Baolo, indignado co torpediamente du vapore nazionalo “Paraná” si aruiniro nu largo di Zan Francesco, fizéro uma purçó di,discurso i dispoza furo apassiá nu Triangoló, dando morra p’rus allemó, i viva p’rus inlutado! As cosa ia ino molto bé guano arguê se alembró di cumprá un numaro du,“Guirnale Allemó” p’ra lê. Dizia u arifirido giurnali chi u Brasileera una porcheria i chi tuttos brasilere era uns troxa! Dizia tombêchi u Brasile, si adicrarasse guerre p’ra Allémgna era cangia. Assichi u povo subi distu fattimo, riservêro insigná un poco di indicucaçóp’ra istus giurnaliste strangiére chi non sabi adondi é u suo lugáro.Intó, inbaxo dus grito di impastela, impastela! furo tuttos currénop’ra rua Libero, pur causa di impastellá u “giurnale margreato”.Inquanto u povo assi amanifestava a rivorta du suo patriotismofendido, u padri Valuá, braziliére, stava lá dentro du arif irido giurnaliaus beggio i aus abbraccio con aquillo mesimo allemó chi tigna iscrivido contro a sua Patria!” “Nu otro die di magná u “Stá di Zan Baolo” inpubricó a seguintenutica:0 cônego dr. Valois de Castro, deputado federalpor São Paulo, visitou ontem a redação do“Diario Alemão”, depois que os populares indignadoscom a atitude inconveniente daquele periódico, o atacaram a pedradas.Ao retirar-se do “Diario Alemão”, o cônegoValois de Castro foi acompanhado até a porta daredação, pelo proprietário do mesmo jornal, dequem se despediu num prolongado abraço. Nu dia 13, u gonego traidore, si avia di infiá a gara naquillo lugáro,puxá a agua inzima i fica bê chetigno, inveis nó!Inpublicó ingoppa da “A Platé ” a seguintima digraraçó:O deputado Valois de Castro à Sociedade Paulista“Um dos matutinos desta capital envenenando a minha presença na redação do “Diário Alemão” na tarde do dia 10, parece ter querido diminuir-me no conceito dos meus concidadãos como sacerdote e como brasileiro.Eis os fatos como se passaram: Ainda convalescente em casa fui informado deque estava em perigo a vida do sr. Rodolpho Troppmayr,cavalheiro residente nesta capital há mais de vinte anos, casado com família brasileira e com quem mantinha, ha muito tempo relações deEntendendo e bem que a minha palavra de brasileiro poderia e deveria ser atendida pelos meus compatriotas na defesa da existência de um chefede família, cuja vida está confiada à nossa generosidade, dirigi-me para lá afim de verificar a veracidade das informações recebidas.E assim se justifica. a minha presença na redação daquele “Diário”- Tratava-se simplesmente de um dever de sacerdote e de amigo quenão colide com “o dever de cidadão, tanto mais quanto à essa hora não era ainda conhecida “oficialmente” a decisão do governo rompendo relações com a Alemanha.Deixo a consciência dos homens de bem o juízo sobre a nobreza da minha conduta”.deputado VALOIS DE CASTRO. De Antônio Paes PIOR QUE JUDASO cônego traidor escreveu aosjornais, procurando explicar asua presença no Diário Alemão”e o motivo por que abrigara o respectivoredator, afrontando asiras populares. É inútil, reverendo: não me embrulhasCom tuas inefáveis cantilenas.Para mim, corno outrora, és hoje, apenas,Um grande pulha entre os maiores pulhas.Tu próprio, com o que dizes, te condenas (E cada vez no lodo mais mergulhas.A’s lérias ninguém liga, com que atulhasAs cacholas dos parvos, nas novenas.Todas as vans razões em que te escudas..E que a tolice tua à imprensa trouxe,Mostram, ó padre, que és pior que Judas.Sim, porque Judas — conta-o o livro santoRoído de remorsos, enforcou-seE tu não tens coragem para tanto.Antônio Paes



\\windows-pd-0001.fs.locaweb.com.br\WNFS-0002\brasilbook3\Dados\cristiano\registros\18446icones.txt


EMERSON


30/06/1939
ANO:79
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]