Falecimento de Amácio Mazzaropi: 100 fatos e curiosidades sobre ele
13 de junho de 1981, sábado Atualizado em 13/02/2025 06:42:31
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1) Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo, no dia 9 de abril de 1912. Ele faleceu aos 69 anos no Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo.
2) Filho de Bernardo Mazzaropi, imigrante italiano e Clara Ferreira, portuguesa.
3) com apenas dois anos de idade sua família muda-se para Taubaté, no interior de São Paulo.
4) O pequeno Amácio passa longas temporadas no município vizinho de Tremembé, na casa do avô materno, o português João José Ferreira, exímio tocador de viola e dançarino de cana verde.
5) Seu avô também era animador das festas do bairro onde morava, às quais levava seus netos que, já desde cedo, entram em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi.
6) Em 1919, sua família volta à capital e Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém.
7) Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares.
8) Em 1922 morre o avô paterno.
9) A família muda-se novamente para Taubaté, onde abrem um pequeno bar.
10) Mazzaropi continua interpretando tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense.
11) Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais mandam Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi em Curitiba, onde trabalha na loja de tecidos da família.
12) Já com quatorze anos, em 1926, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos de circo e, finalmente, entra na caravana do Circo La Paz.
13) Nos intervalos do número do faquir, Mazzaropi conta anedotas e causos, ganhando uma pequena gratificação.
14) Sem poder se manter sozinho, em 1929 Mazzaropi volta a Taubaté com os pais, onde começa a trabalhar como tecelão, mas não consegue se manter longe dos palcos e atua numa escola do bairro.
15) Com a Revolução Constitucionalista de 1932 segue-se uma grande agitação cultural e Mazzaropi estreia em sua primeira peça de teatro, chamada A herança do Padre João.
16) Já em 1935, consegue convencer seus pais a seguir turnê com sua companhia e a atuarem como atores. Até 1945, a Troupe Mazzoropi percorre muitos municípios do interior de São Paulo, mas não há dinheiro para melhorar a estrutura da companhia.
17) Com a morte da avó materna, Dona Maria Pita Ferreira, Mazzaropi recebe uma herança suficiente para comprar um telhado de zinco para seu pavilhão, podendo assim estrear na capital, com atuações elogiadas por jornais paulistanos.
18) Depois, parte com a companhia em turnê pelo Vale do Paraíba. A grave situação de saúde de seu pai complica a situação financeira da companhia de teatro e, em 8 de novembro de 1944, morre Bernardo Mazzaroppi.
19) Dias após a morte de seu pai, estreia no Teatro Oberdan ao lado de Nino Nello, sendo ator e diretor da peça Filho de sapateiro, sapateiro deve ser, acolhida com entusiasmo pelo público.
20) Em 1946, convidado por Dermival Costa Lima da Rádio Tupi, estreia o programa dominical Rancho Alegre, encenado ao vivo no auditório da emissora no bairro do Sumaré e dirigido por Cassiano Gabus Mendes.
21) Em 1950, este mesmo programa estreou na TV Tupi, mas agora contava com a coadjuvação dos atoresJoão Restiffe e Geny Prado.
22) Mazzaropi tinha um hobby, gostava de cantar valsa, MPB e seresta com os seus amigos.
23) Segundo alguns de seus amigos mais próximos, Mazzaropi era homossexual e solitário.
24) Convidado por Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari, Mazzaropi estreia seu primeiro filme, intitulado Sai da Frente, em 1952, rodado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde produziria mais dois filmes.
25) Com as dificuldades financeiras da Vera Cruz, Mazzaropi faz, até 1958, mais cinco filmes por diversas produtoras.
26) Naquele mesmo ano, vende sua casa e cria a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi) e passa não só a produzir, mas distribuir os filmes em todo o Brasil. O primeiro filme da nova produtora é Chofer de Praça.
27) Em 1959 é convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, mais conhecido como Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, a fazer um programa de variedades que fica no ar até 1962. Neste mesmo ano começa a produzir um de seus filmes mais famosos, Jeca Tatu, que estreia nos cinemas no ano seguinte.
28) Em 1961, Mazzaropi adquire uma fazenda onde inicia a construção de seu primeiro estúdio de gravação, que produziria seu primeiro filme em cores, Tristeza do Jeca, que foi também o primeiro filme veiculado na televisão pela Excelsior, ganhando os prêmios de melhor ator coadjuvante, Genésio Arruda, e melhor canção.
29) Cinco anos mais tarde, lança o filme O Corintiano, recorde de bilheteria do cinema nacional.
30) Em 1972 é recebido pelo então presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici, ao qual pede mais apoio ao cinema brasileiro.
31) Em 1973, produz Portugal, minha saudade, com cenas gravadas no Brasil e em Portugal.
32) No ano seguinte, começa a construir em Taubaté um grande estúdio cinematográfico, uma oficina de cenografia e um hotel para os atores e técnicos. A partir de então produz e distribui mais cinco filmes até 1979.
33) Seu 33º filme, Maria Tomba Homem, nunca seria terminado.
34) Depois de 26 dias internado, Mazzaropi morre, vítima de um câncer na medula óssea aos 69 anos de idade no hospital Albert Einstein de São Paulo.
35) Foi sepultado na cidade de Pindamonhangaba, no mesmo cemitério onde seu pai já repousava.
36) Nunca se casou, mas, segundo declarações de seu filho André Mazzaropi, nutriu durante a vida um amor "platônico" pela apresentadora e amiga Hebe Camargo.
37) Deixou um filho adotivo, Péricles Mazzaropi.
38) Em 1994 é inaugurado o Museu Mazzaropi, localizado na mesma propriedade dos antigos estúdios, recolhendo a história da carreira de um dos mais consagrados nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileiros.
39) Foi somente na década de 1990 que a cultura brasileira começou a ver de uma outra óptica a obra de Mazzaropi, que durante sua vida sempre foi duramente atacado (ou ignorado) pela crítica e pela intelectualidade.
40) A partir de Chofer de Praça, em 1958, além de ser o protagonista, Mazzaropi também acumula as funções de produtor e roteirista, colaborando frequentemente com os diretores.
41) Recentemente, foi lançada em DVD uma coleção de 22 de seus filmes em sete volumes. Alguns dos filmes tinham no título o nome "Jeca" mesmo ele tendo interpretado esse personagem apenas no filme Jeca Tatu.
42) A Oficina Cultural que homenageia Amácio Mazzaropi foi criada em agosto de 1990 e está instalada num edifício centenário (1912), construído especialmente para abrigar a segunda mais antiga escola normal de São Paulo, a Escola Padre Anchieta.
43) A dupla sertaneja Pena Branca e Xavantinho dedicou a ele uma toada chamada "Mazzaropi", incluída no LP "Cantadô de mundo afora", lançado em 1990.
44) Outra homenagem significativa é o filme longa-metragem Tapete Vermelho, produzido em 2006.
É a história de um caipira (vivido por Matheus Nachtergaele) que resolve mostrar ao filho quem era Mazzaropi.
No caminho até o cinema que exibe um filme do comediante, pai e filho se envolvem com violeiros que venderam a alma ao diabo, com mandingas, com o Movimento dos Sem-Terra, com vigaristas que lhes roubam a mula, com caminhoneiros e até com um milagre em Aparecida.
Experiências que vão render a ambos uma grande lição sobre direitos humanos. A homenagem não para no argumento do filme (que tem direção de Luiz Alberto Pereira): o ator Matheus Nachtergaele compõe um tipo com o mesmo andar e a mesma voz do ídolo.
45) No Carnaval de 2013 a Escola de Samba paulistana Acadêmicos do Tucuruvi prestou uma homenagem a Mazzaropi pelo centenário de seu nascimento em 2012, apresentando o enredo "Mazzaropi: o adorável caipira. 100 anos de alegria".
46) Mazzaropi sempre fazia a estreia dos filmes no cinema acontecia sempre no dia do aniversário de São Paulo (SP), 25 de janeiro, pois como era um feriado, o artista aproveitava para lançar o filme num dia em que as pessoas poderiam ir ao cinema, caso houvesse um segundo filme para lançar no mesmo ano, a outra data escolhida era 07 de setembro, pelo mesmo motivo de levar o público ao cinema no feriado.
47) Mazzaropi produziu e atuou em 32 filmes durante sua vida, sendo 24 deles gravados pela PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi), sendo sua própria produtora e distribuidora de filmes.
48) A preocupação de Mazzaropi com as bilheterias era constante. Segunda conta a atriz Marly Marley, o público da época escondia o bilhete do cinema em caixas de fósforo e emprestava a caixinha para a pessoa que estava fora do cinema com a desculpa de acender o cigarro, mas na verdade era para passar o bilhete duas vezes. Por esse motivo e pela certeza do número de pagantes e espectadores do filme, Mazzaropi adotou o uso do contador manual, muitas vezes ele mesmo estava na bilheteria na hora da sessão.
49) A vida artística de Mazzaropi começou no circo, por isso um dos filmes que ele mais se identificava era o “Betão Ronca Ferro”, filme que se passa num circo.
50) Como a família era contra a escolha de Mazzaropi pela vida de ator, os pais o mandaram para Curitiba durante um período de sua vida para trabalhar na loja de tecidos do avô paterno, mas mesmo trabalhando como vendedor ao apresentar os produtos aos clientes ele fazia poses atuava para conquistar a venda.
51) O caipira de Mazzaropi fez tanto sucesso que, em 1948, a rádio Tupi convidou seu criador para apresentar o programa Rancho Alegre.
52) A atração, depois, fez parte da história da TV, inaugurada em 1950. Ela foi um dos primeiros programas exibidos no país.
53) "Mazzaropi ficou bilionário com o cinema", diz biógrafo do ator, diretor e produtor, Paulo Duarte.
54) O personagem caipira que se tornou símbolo de sua longa história na dramaturgia, por exemplo, foi um tipo com o qual o público se identificou justamente pelas características que viam em comum com ele na ocasião.
55) Quando ele fez o primeiro filme, já tinha passado por todos os outros segmentos. Já tinha trabalhado com circo, teatro, rádio e TV.
56) A propósito, ele estava no dia da inauguração da televisão, foi o primeiro humorista a se apresentar na TV brasileira, no dia da estreia e por isso pode ser considerado o patrono dos cômicos no Brasil.
57) Mazzaropi, no entanto, tinha um hábito: quando ele atingia o ápice em alguma coisa, passava para frente.
58) Esse "passar pra frente" era sempre feito de uma maneira um pouco traumática, porque significava vender tudo o que ele tinha para ir para o próximo estágio. Foi assim que ele acabou indo parar no cinema.
59) Ele sempre se deu muito bem. Era um investidor de alto risco, um cara que tinha esse perfil de arriscar. E tinha sorte também.
60) Ele vendeu tudo o que tinha para comprar um pavilhão.
61) Ele conseguiu comprar um circo.
62) Depois, conseguiu montar a peça de teatro dele, para poder viajar pelo Brasil.
63) Quando começou a fazer filmes, viu as filas dando voltas em torno dos cinemas, com todas as sessões lotadas, e entendeu que era ele quem estava chamando aquele pessoal para o cinema.
64) Ele fez o filme Chofer de Praça , que foi o primeiro bancado do bolso dele.
65) Ele se deu muito bem no cinema e começou a criar uma coisa que todo mundo que faz cinema no Brasil quer fazer, mas ninguém nunca conseguiu: uma indústria sustentável de cinema. Um filme bancava o outro.
66) Os cineastas tentaram fazer isso no cinema várias vezes, com a Vera Cruz, a Atlântica, a Maristela e nada deu certo.
67) O Mazzaropi, que era um cara "caipirão", foi quem acabou conseguindo criar essa indústria e ficou três décadas fazendo um sucesso atrás do outro.
68) E ele trabalhava em um circuito que, em média, tinha 25 salas. Hoje, um blockbuster é lançado em 600 salas e ninguém faz o que ele fazia com apenas 25 salas.
69) Mazzaropi era o cara certo no lugar certo em todos os momentos. Quando aconteceu a Revolução Constitucionalista, ele morava em Taubaté, que era onde as tropas descansavam.
Então, para animá-las, tinha que ter teatro, circo, música. Naquela época, na década de 1930, Taubaté acabou virando um pólo muito efervescente de cultura. E ele viu muitos artistas importantes do Brasil passarem pela cidade. Já de primeira, ele estava no lugar certo.
70) Ele começou no teatro porque o Oscarito teve um problema com uma das peças, precisaram de alguém e colocaram Mazzaropi.
71) No dia da estreia da televisão, ele estava lá. Outros cômicos não puderam ir, então também tem aquela coisa da sorte. Foi ele o cara que conseguiu mostrar a cara primeiro na televisão.
72) Quando chegou ao cinema, ele já tinha uma fama muito grande. O cinema nacional já tinha uma série de artistas, mas que estavam basicamente no Rio de Janeiro.
73) Mas, quando a Vera Cruz começou a produzir em São Paulo, não queriam chamar um cara do Rio para fazer um filme em São Paulo. Naquele momento, o cara de São Paulo famoso no rádio e na TV era o Mazzaropi. Como ele já havia passado por tudo, quando chegou a hora de ir para o cinema, já estava lapidado. E o momento histórico também ajudou.
74) O Brasil estava em um período de industrialização e crescimento, e alguns anos depois surgiria Brasília. Então, o caipira, o nordestino, o pessoal que tinha sido criado nas zonas rurais, estava fazendo o movimento de ida para as capitais.
75) As pessoas estavam se estabelecendo nas cidades para construir o Brasil da indústria, esse Brasil novo. O que o Mazzaropi fazia no circo e no teatro era muito parecido com o que o Genésio Arruda já fazia.
76) O Mazzaropi começou a mostrar na tela o caipira que estava em conflito com a modernização.
77) E ele falava sem muitos filtros, símbolos, signos. Ele sabia que falava para as massas, para as pessoas mais simples e que não podia complicar o discurso, porque as pessoas não entenderiam. O discurso era de fácil acesso.
78) Nem tudo foi obra do acaso. Depois que ele conseguiu se estabelecer, o mais difícil foi fazer a administração, a manutenção do nome, dos personagens, dos filmes. E ele conseguiu chegar a um ponto em que seu nome se tornou uma grife.
79) O povo ia para o cinema sem saber se era Jeca, que personagem era. Se estava escrito Mazzaropi, o pessoal entrava, assistia e dava risada. Então ele conseguiu transformar o nome dele em uma grife.
80) Os cineastas sempre tentaram fazer o remake de filmes do Mazzaropi, mas não funcionava, porque seus filmes só davam certo porque havia ele.
81) Mazzaropi era um elemento fundamental nas coisas que fazia, era um tipo único.
82) O registro de voz dele, o jeito de andar, de se comportar.
No começo da carreira, Mazzaropi sofreu um acidente de carro e isso gerou algumas sequelas, como muitas dores nas costas.
83) Quando foi fazer os filmes, ele inventou um andar meio característico, em que colocava as mãos nas costas, o que acabou sendo incorporado ao personagem, mas que na realidade era uma dieficiência dele.
84) O Mazzaropi não ficou rico, mas bilionário, fazendo cinema no Brasil.
Ele negava, mas provavelmente por medo de ser assaltado.
85) Ele tinha medo de ser uma figura pública.
86) Mazzaropi morava numa casa com lareira, tinha amigos na Academia Brasileira de Letras, frequentava teatros, gostava de ópera, de música clássica, então era o falso caipira.
87) Quando Mazzaropi estava para morrer, houve um incêndio criminoso na sede da PAM Filmes (Produções Américo Mazzaropi). Quando chegaram lá, os cofres estavam arrombados e tudo havia sido levado embora.
88) Em 1961, Mazzaropi, adquire uma fazenda no interior de São Paulo. No local, entre outras coisas, seria construído o seu primeiro estúdio próprio de gravação. Nele, a partir de então, seria lançado o primeiro longa-metragem colorido do ator, “Tristeza do Jeca”. A obra ainda seria televisionada, através da Excelsior, alguns meses depois.
89) Mazzaropi, nunca foi um aluno exemplar. Longe disso, eram frequentes as vezes em que ele deixava de assistir as aulas, se escondendo dentro das caixas d’águas da região.
90) Mazzaropi, tentou, durante a adolescência, praticar futebol com os demais garotos de sua idade. Não logrando êxito, passa a acompanhar as disputas do lado externo dos campinhos.
91) Segundo consta, diferente da versão oficial, contada por historiadores, ele não teria conhecido cidades como Taubaté, Tremembé ou Pindamonhagaba antes dos 23 anos.
92) Há quem afirme que sua mudança para Curitiba não ocorreu por vontade de seus pais, e sim, por desejo próprio.
93) No começo dos anos 80, o artista participaria do programa de Hebe Camargo, na Rede Bandeirantes. Na atração, ele concederia sua última entrevista.
94) No sul, enquanto viva com o tio, conhece o jovem Ferry, um faquir que trabalhava no chamado “GranCirco Norte Americano.
95) Com a ajuda do novo amigo, falsifica a identidade, e muda-se novamente para São Paulo. Na nova cidade, passa a encenar tipos no bairro do Brás, zona leste da cidade.
96) Com o sucesso conquistado nas rádios Nacional e Tupi, é convidado para estrelar uma atração televisa. Lá, conheceria o já veterano Cassiano Gabus Mendes.
97) Seu último filme foi O Jeca e a Égua Milagrosa de 1980.
98) Na inauguração da Tv Tupi ele fez o primeiro programa da tv brasileira o TV na Taba.
99) Ele escreveu 23 roteiros, produziu 21 filmes e dirigiu 14 fimes, todos seus.
100) Uma frase de Mazzaropi: "Domingo eu venho passar a segunda feira com vocês"
foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.
Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.
No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.
Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.
Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]
Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]
Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:
Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104
Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.
No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:
Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107
Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:
Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108
Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]