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O que houve com a “Casa de Balthazar Fernandes”?

    23 de julho de 1953, quinta-feira
    Atualizado em 07/12/2025 14:36:04


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Em julho de 1953 a lei apresentada pelo deputado Salgado Sobrinho foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado, criando a "Casa de Balthazar Fernandes" em Sorocaba, sob às despesas do governo estadual, a qual seria dirigida e supervisionada pela direção do Museu Estadual (imagem 3).

O deputado Salgado Sobrinho foi parabenizado pela magnífica vitória alcançada e a qual, por certo, iria atender a esfera cultural de nossa cidade, a exemplo do que ocorria no Museu de Itu.

O governador do estado, Adhemar de Barros, sancionou a lei e em 23 de outubro houve doação do imóvel pelo sr. Jorge Caracante e sua exma. esposa d. Ignez Marques Caracante (imagem 7).

Os sorocabanos apresentaram durante os festejos do III Centenário de fundação de Sorocaba, uma das suas mais concretas e magníficas realizações com a solene instalação da "Casa de Balthazar Fernandes", onde funcionaria o Museu Sorocabano.

A notícia teve muita repercussão em todos os meios sociais, com o envio á Câmara Municipal, pelo sr. Emerenciano Prestes de Barros, prefeito municipal, do projeto de lei, aprovando e ratificando por doação simples para a instalação daquela brilhante realização.

A restauração do imóvel seria executada pela Diretoria de Obras de Municipalidade local, de acordo com a orientação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Ministério da Educação, contando com a valorizissíma cooperação do notável historiador Aluísio de Almeida, quem desde o lançamento da idéia tornou-se num dos mais ardorosos defensores da idéia, oferecendo inúmeros e inestimáveis subsidios para a planificação do trabalho que seria desenvolvido, no sentido de tornar concreta, palpável e palpitante tão louvável iniciativa.

Terminada a obra de restauração do imóvel, o mesmo seria entregue ao Museu Estadual do Ipiranga, na pessoa do seu dinâmico e realizador diretor Sérgio Buarque de Holanda, que no momento está empreendo viagem de estuydos na Europa.

Era salientado também o papel preponderante que bem ocupando nesse trabalho, os srs. Rodrigo de Mello Franco e Luiz Saya, respectivamente diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistíco Nacional e representante daquele serviço em São Paulo, os quais orientariam a restauração do edifício onde residiu o fundador da então chamada "Manchester" paulista, o maior centro industrial do interior brasileiro.

O QUE HOUVE?

O fundador de Sorocaba é um personagem controverso. Sua estátua, doada pela colônia espanhola em 1954, colocado diante do Mosteiro de São Bento, já foi alvo de vandalismo diversas vezes. Porém, passa quase despercebido a todos o imenso casarão que ele construiu em Sorocaba em 1654.

Balthazar Fernandes se estabeleceu em Sorocaba em 1654, aos 74 anos de idade. Chegou com a família e cerca de 380 escravizados, o que explica a grandeza do edíficio construído próximo ao córrego do Lajeado, atual Jardim Sandra.

Quando faleceu Fernandes doou as terras que lhe couberam por causa da morte de sua esposa, Isabel de Proença. Essas terras compreendiam uma área que ia desde o Rio Sorocaba até as divisas com Curitiba.

Juntamente com as terras e a igreja, foram doados 12 vacas, um touro, 12 índios para trabalhar na terra, uma índia para cozinhar para os padres e mais um índio para trabalhar na sacristia.

A condição para essa doação consistia na obrigação de os padres rezarem 12 missas ao longo de todo ano e mais uma celebrada no dia de Nossa Senhora da Ponte, em novembro.

A SANTA CRUZ DA COMPOSIÇÃO

Logo surgiu um conflito entre a Igreja, a Câmara Municipal e descendentes de Balthazar Fernandes, que queriam anular o testamento. Teve de vir à cidade o Padre Provincial, que era o Frei Francisco da Visitação, pertencente à congregação portuguesa. Para tentar apaziguar os ânimos sobre quem era "dono de Sorocaba", o Frei Francisco fez uma nova escritura com a Câmara.

Nessa nova escritura, foram estabelecidos os novos limites das terras do Mosteiro. A Câmara Municipal fez algumas exigências, entre elas, a permanência dos monges em Sorocaba. Se, por acaso, a Ordem Beneditina removesse os monges da cidade, deveria devolver ou doar à Câmara todo o patrimônio do Mosteiro.

O Frei Francisco da Visitação pediu para que as esmolas não entrassem nesse acordo, porque era impossível devolver o dinheiro, mas se prontificou em manter sempre dois ou três monges no Mosteiro, com a obrigação de ensinar a Língua Portuguesa, o Latim e Canto.Em 2 de julho de 1728 foi assinado o Termo da Santa Cruz da Composição entre os vereadores da época e os monges beneditinos, colocando um ponto final a impasse criado por um dos filhos de Balthazar, Manoel Fernandes de Abreu, que reivindicava a posse das terras doadas pelo pai à Ordem de São Bento.

Os padres ameaçavam, inclusive, deixar Sorocaba. Quem vindo dos lados da Estação Rodoviária, rumo ao Centro, subindo pelas ruas Santa Clara ou Dr. Nogueira Martins, logo depara-se com uma grande Cruz de pedra, afixada no alto da praça existente na bifurcação entre as duas ruas, local justamente conhecido como largo da Santa Cruz.

Os dizeres colocados junto ao monumento quando da afixação da Cruz ali em 3 de maio de 1954, então festa religiosa da Santa Cruz e dentro das celebrações do Ano do III Centenário de Fundação de Sorocaba: “Aqui Balthazar Fernandes erigiu a 1ª Santa Cruz do Senhor Jesus Cristo...”

Porém dia 16 do mesmo mês o Governador da Província de São Paulo, Antonio da Silva Caldeira Pimentel, escreve ao rei D. João relatando a disputa que se passava em Sorocaba.

D. JOÃO ANULA AS DOAÇÕES FEITAS POR BALTHAZAR

Dia 24 de Janeiro de 1729, uma segunda-feira, é uma data importante: por meio de Carta Régia, o rei de D. João, conhecido como "O Magnânimo" declarou nula as doações de terras feitas á ordens religiosas porque os títulos das terras eram as cartas de sesmaria e nestas era estipulada a condição de não irem as terras parar em mãos de religiosos, e que não "se constava, Balthazar, como senhor das terras".

Não adiantou! Em agosto de 1774 José de Almeida Leme, capitão-mor de Sorocaba, solicitou ao Governador a expulsão de invasores das terras do Mosteiro São Bento, doadas por Balthazar.

O CASARÃO

Sempre me intrigou a falta e os registros existentes do centenário casarão. O francês Jean-Baptist Debret registrou a Real Fábrica de Ferro em Ipanema em 1821, um panorâma da cidade e a Cachoeira da Chave em 1827.

Francisco Luís de Abreu Medeiros fez gravuras da cidade em 1864; o polonês Julio Wiecszerski Durski, que chegou em Sorocaba aos 24 anos em 1875, é considerado o primeiro fotógrafo da cidade.

Pedro Neves dos Santos (1923-1924), Luiz Almeida Marins e Nicolau Alonso Filho (1930) também não registraram o casarão.

Em 1938 a equipe da revista "A Cidade" foi convidada para "uma tarde alegre na pitoresca e elegante vivenda", à convite do proprietário e família, registrou outro belo casarão, porém não o casarão. (imagem 4).

No final da década de 40, Herman Hugo Graeser, fotógrafo do IPHAN/SP, fez registros fotográficos em Sorocaba e registrou o casarão (imagem 1), porém não Gal Moreira Dini II, filho do ex-prefeito Gualberto Moreira, registrou muitas das obras que estavam sendo realizados em Sorocaba durante as gestões de seu pai.

O Jardim Sandra e o Parque da Biquinha foram construídos na década de 70.



Sorocaba/SP
Emerenciano Prestes de Barros Filho
44 anos
Balthazar Fernandes
1577-1670
Adhemar Pereira de Barros
52 anos
Luís Castanho de Almeida
49 anos



Primeira "construção" de Sorocaba
Data: 01/01/1947
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
01/01/1947


ID: 9300


Estátua de Balthazar Fernandes
Data: 01/07/2021
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
01/07/2021


ID: 4257


Projeto "A Casa de Balthazar Fernandes
Data: 23/07/1953
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
23/07/1953


ID: 10421


Chácara Caracante. Atual Jardim Sandra
Data: 01/01/1938
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
01/01/1938


ID: 9308


Casarão construído por Baltasar Fernandes*
Data: 01/01/1947
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
01/01/1947


ID: 10199


Casarão de Balthazar Fernandes
Data: 01/01/1952
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
01/01/1952


ID: 9551


Projeto "A Casa de Balthazar Fernandes
Data: 23/10/1953
Créditos/Fonte: Crédito/Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
23/10/1953


ID: 10422



EMERSON


23/07/1953
ANO:76
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]