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autor:08/12/2023 03:56:16
Falecimento de Gaspar Fernandes em sua fazenda de Emboaçava

    1600
    Atualizado em 31/10/2025 03:04:07
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Fontes (1)


Gaspar Fernandes (Antunes)Nascimento: ~ 1550Origem: PortugalNasceu por volta de 1550, em Portugal.Era irmão de Lucas Fernandes.Casou-se com Domingas Antunes (Preto), filha do português Antonio Preto e da portuguesa F... Antunes. Veio para o Brasil em 1561.

Gaspar foi bandeirante e conhecia bem o caminho de Peabiru até o sertão do Paraguai, de onde trazia índios aprisionados.

Em 1584 e em 1587, foi escrivão do campo.

Em 1590, participou da bandeira de Jerônimo Leitão contra os tupiniquins que habitavam as margens do Rio Tietê.

Em 1591, foi procurador do conselho.

Em 1592, pediu terras de sesmaria, alegando que "havia trinta anos que estava na terra".

Em 1595, foi vereador.

Gaspar faleceu em 1600, em sua fazenda de Emboaçava. Em seu testamento, Gaspar afirma:

Estando eu, Gaspar Fernandes, enfermo em uma cama, em todo o siso e entendimento que Nosso Senhor teve por bem me dar, para com ele me reger e governar como é sua santa vontade, e porquanto não sou sabedor do que o Senhor será servido fazer de mim, pelo que, como fiel cristão, determinei fazer esta cédula de testamento [...] para nele declarar minha ultima vontade e descarregar no melhor modo que puder minha consciência; e porquanto ao presente nesta vila não há escrivão, pedi e roguei ao meu compadre Miguel Pinheiro que esta cédula fizesse, a qual é a seguinte:A Gonçalo Madeira devo, que se deve pagar do monte mor de minha fazenda, dez cruzados em porcos vivos, e há de se entregar uma vaca.Hão de tornar ao dito Gonçalo Madeira uma sela que tinha me vendido.Devo aos herdeiros de Salvador de Chaves três cruzados em criação.Devo ao genro de Gonçalo Madeira cinco galinhas em milho.Devo a meu genro Bartolomeu Rodrigues duas peças de escravos que lhe prometi em casamento, de mais das que lhe tenho entregue, deixando fora Pero que ele me tornou a enjeitar.Mais declaro que o dito meu genro há de haver da milharada desta presente novidade e da mandioca e mais legumes [...] que eu prometi ao dito meu genro.Mais devo a meu genro quinhentos réis.Devo a Francisco Martins digo ao rendeiro que foi Maldonado um porco cevado e mando que se lhe dêem.Devo mais dois porcos cevados a Diogo de Lara e mando que se lhe dêem.Deve-me Belchior da Veiga [...] patacas, em dinheiro que lhe emprestei.Deve-me José de Camargo cinco patacas e meia, em dinheiro contado que lhe emprestei.Deve-me Simeão Alves duas patacas e meia, em dinheiro que lhe emprestei.Deve-me Silvestre Francisco uma peça [escravo] dos carijós.Mais deve o dito Silvestre Francisco dez cruzados, que lhe dei de resgate.Deve-me o ourives um cruzado.Deve-me André Peres, o alfaiate, mil réis, em dinheiro que lhe emprestei.Levou-me Manoel Nunes do Espírito Santo, de encomenda, trinta varas de lingüiça e dois cabaços de manteiga de porco, de que lhe há de trazer retorno.Inventário: Roupas e alguns panos; Caixas; Espada e adaga; Castiçal de latão; Tachos; Ferramentas; Mesa e cadeiras; Vacas e "um touro que fugiu das vacas"; Leitões; Roças; e 8 peças [escravos] Foi pai de seis filhos e duas filhas:

1.1. Manoel Antunes, casado com Inocência Rodrigues. Manoel faleceu em 1642.

1.2. Sebastião Fernandes Preto, casado com Anna de Pinha, filha de Brás de Pina e de Isabel Lopes (Pina). Sebastião faleceu em 1650, e Anna em 1661.

1.3. Inocêncio Fernandes Preto, casado com Catharina Côrtes.

1.4. Gaspar Fernandes, casado em 1636, em São Paulo, com Isabel da Cunha, filha de João Gago da Cunha e de Catharina do Prado (Vicente). Gaspar faleceu em 1639, e Isabel casou-se pela segunda vez, com Manoel da Costa.
1.5. Custódio Fernandes, solteiro em 1624.1.6. Maria Lucas, casada com Bartholomeu Rodrigues (Lucas). Bartholomeu faleceu em 1610, em São Paulo, e Maria casou-se pela segunda vez, com Gaspar de Pinha, filho de Brás de Pina e Isabel Lopes (Pina). Sem filhos deste segundo casamento. Maria faleceu em 1632.1.7. Isabel Antunes, casada com Francisco Saraípe. Após a morte de Francisco, Isabel casou-se pela segunda vez, com Sebastião Soares. Isabel faleceu antes de 1624.1.8. Gabriel Fernandes. Gabriel faleceu antes de 1624. [-] Fontes e comentários 1. Luís Gonzaga da Silva Leme. Genealogia Paulistana. Vol. III (Prado), pág. 243; Vol. VIII (Preto), pág. 323.2. Francisco de Assis Carvalho Franco. Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil. Pág. 159.3. Site da Internet do Projeto Compartilhar. [2]



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José Carlos Vilardaga
2010

“São Paulo na órbita do Império dos Felipes: Conexões Castelhanas de uma vila da américa portuguesa durante a União Ibérica (1580-1640)” de José Carlos Vilardaga
O caso de Manoel Pinheiro Zurara, rapidamente esboçado no capítuloprecedente, merece um pouco mais de atenção aqui. Trata-se, sem sombra de dúvida, do mesmo que aparece na data de chão dada ao vigário João Pimentel, em São Paulo, no ano de 1607. Sabemos que, apesar de ter sido identificado como Miguel Pinheiro Azurara e castelhano por alguns autores, era, de fato, português e seu primeiro nome Manoel. Conforme seu depoimento dado em Assunção, era “avencidado” há mais de trinta anos no reino de Nova Granada, onde tinha mulher e filhos. Os processos de 1606 não apresentavam a sua idade, mas, em suas petições, sempre alegava ser “viejo y muienfermo”. Devia, portanto, ter chegado ainda jovem às Índias de Castela, por volta de 1570. É provável que tenha vindo ao Brasil em 1590 por mandato de D. Francisco de Souza, pois era mineiro de ouro, e seguido para São Paulo, juntamente com Manuel Juan, a fim de averiguar os indícios do minério na região. Ele permaneceu longos anos na vila, já que, em 1600, escreveu o testamento de Gaspar Fernandes - genro de Antonio Preto e sujeito, por sinal, bastante assíduo na região paraguaia.

EMERSON


01/01/1600
ANO:82
  testando base


Sobre o Brasilbook.com.br

foi publicada a segunda edição na língua inglesa. Pouco depois, em 1848, o relato foi publicado em língua alemã em Dresden e Leipzig, atual Alemanha.A edição em português ocorreu em 1942, na Coleção Brasiliana, intitulada Viagens no Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos de ouro e do diamante durante anos 1836-1841, da Companhia Editora Nacional.No ano de 1856 foi publicado o relato Life in Brazil; or, a journal of a visit to the land of the cocoa and the palm de Thomas Ewbank ela Harper & Brothers, Nova York, sendo lançada também na Inglaterra. Nos Estados Unidos houve uma edição em 2005.No Brasil, o relato em português foi publicado com o título A vida no Brasil: ou Diário de uma visita ao país do cacau e das palmeiras, em 1973, pela editora carioca Conquista, em dois volumes.O relato de Henry Walter Bates foi publicado em 1863, em dois volumes, com o título The naturalist on the River Amazons, a record of adventures, habits of animals, sketches of Brazilian and Indian life, and aspects of nature under the Equator, during eleven years of travel by Henry Walter Bates, em Londres pela John Murray. A segunda edição ocorreu um ano depois, com supressão de algumas partes pelo autor, seguida por mais de dez edições na língua inglesa em Londres e nos Estados Unidos. No Brasil O naturalista no Rio Amazonas foi editadoem 1944 pela Editora Nacional.

Em 1869, Richard Burton publicou a primeira edição de Explorations of the Highlands of the Brazil; with a full account of the gold and diamond mines. Also, canoeing down 1500 miles of the great River São Francisco, from Sabará to the Sea by Captain Richard F. Burton, F.R.G.S., etc., em Londres por Tinsley Brothers, em dois volumes. A obra recebeu destaque em finais do ano passado e foi publicada em Nova York no centenário da primeira edição, e nos últimos dezesseis anos teve três edições nos Estados Unidos.

No Brasil, a primeira edição de Viagens aos planaltos do Brasil: 1868, em três volumes,ocorreu no ano de 1941 pela Companhia Editora Nacional, que publicou a segunda edição em 1983. Houve uma edição em 2001 pelo Senado Federal intitulada Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, volume único.

Em São Paulo, a Tip. Allemã de H. Schroeder publicou Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gaston e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba de John James Aubertin no ano de 1866.

Nesse mesmo ano foi traduzido para o inglês pelo autor e publicado em Londres pela Bates, Hendy & Co. com o título Eleven day’s journey in the Province of Sao Paulo, with the [p. 10]

Outro ponto, o parâmetro comparativo do algodão brasileiro e do norte-americano. A produção dos Estados Unidos figura como indicadora de qualidade e produtividade, em vista do país ter sido o maior fornecedor do mundo, e é trazida pelos viajantes quando desejam estimular a produção no Brasil, em especial, utilizando dados fornecidos por conhecedores do ramo.Nesse sentido, Richard Burton traz as considerações de um renomado pesquisador da cultura algodoeira, Major R. Trevor Clarke96 para quem “Aqui [no Brasil] o algodão tem mais penugem que o habitual; 600 quilos darão 250 de fibra limpa, ao passo que no Alabama são necessários 750 quilos. Em geral, o replantio do arbusto é feito em seu quarto ano”.97 E J. J. Aubertin traz a experiência dos americanos sulistas Dr. Gaston, Dr. Shaw e Major Mereweather, a quem ele acompanhou durante a passagem deles pela Província de São Paulo:Eramos cinco pessoas. Tres Americano sulistas, dr. Gaston, dr. Shaw e o major Mereweather, que ião fazer sua viagem prolongada, na exploração de districtos um pouco remotos, sob a direcção do sr. Engenheiro Bennaton, para esse fim nomeado; e, sendo informado dos seus preparativos, logo me aggreguei a elles, não menos por sympatia para com a antecipada immigração americana, como tambem pelo desejo de visitar em sua companhia algumas plantações de algodão, e tirar algumas instrucções de sua experiencia pratica, a respeito de uma cultura que, sendo hoje estabelecida na província, não póde deixar de influil-os cabalmente na resolução que definitivamente tenhão que tomar.98Durante a permanência na província paulista, o grupo visitou a região de Itu, Salto, Porto Feliz e Sorocaba, daí J. J. Aubertin seguiu para a capital paulista e eles continuaram viagem com destino à Itapetininga. As observações de diferentes aspectos da lavoura algodoeira e o processamento do algodão fizeram os norte-americanos considerarem o clima paulista adequado à produção e benéfico o fato de não haver mudanças bruscas na temperatura, como a ocorrência de geadas, possibilitando maior tempo de conservação do algodoeiro.99Esses dados são agregados por J. J. Aubertin àqueles fornecidos por produtores paulistas de que “emquanto o alqueire norte-americano, dando bem, produz de cem até cento e dez ou talvez 96 Richard Trevor Clarke (1813-1897) – “Army officer and horticulturalist. Major in the Northampton and Rutland Infantry Militia, 1862. Bred nearly thirty new varieties of begonias and many new strains of cotton. Awarded a gold medal by the Cotton Supply Association of Manchester. Member of the Royal Horticultural Society; served on the council and scientific committee for many year; awarded the society’s Veitchian medal, 1894”. BURKHARDT, Frederick et al (Ed.). Charles Darwin. The Correspondence of Charles Darwin (1866). Cambridge: Cambridge University, 2004, p. 502, vol. 14.97 BURTON, Richard Francis. Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico..., op. cit., p. 29. [nota 3]98 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo com os Srs. Americanos Drs. Gastón e Shaw, e o Major Mereweather. 1865. Carta dirigida ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Piracicaba. São Paulo: Typ. Allem[p. 159]

Os esforços de J. J. Aubertin devem ser compreendidos dentro desse contexto, em que ele se coloca como defensor da produção algodoeira paulista e atua em diferentes direções. No Brasil, escreveu para diversos periódicos nacionais e correspondeu-se com diferentes figuras da política brasileira para lhes solicitar o envolvimento com a lavoura algodoeira capaz de colocar São Paulo em posição favorável no mercado inglês, tal como fez o inglês em carta ao Comendador Fideles Prates:

Usai, vos peço, nesta vespera de uma nova semeadura, a vossa bem conhecida influencia entre os vossos amigos, e dizei aos cultivadores do algodão que redobrem os seus esforços na nova plantação, porque pela colheita futura é que se diciderá definitivamente a importante questão se a provincia de S. Paulo pode ou não pode occupar uma posição positiva nos mercados de Manchester.104

Aos agricultores interessados, ele também procurou difundir noções sobre a técnica de cultivar o algodão herbáceo e publicou folhetos sobre a cultura do algodão.105 Essa política de difundir informações sobre o cultivo foi uma atividade constante da associação inglesa, mesmo após o fim da guerra norte-americana.

No plano internacional, empenhou-se em apresentar os algodões paulistas de boa qualidade na Exposição Internacional de Londres, de 1862, com o objetivo de mostrar os atributos do produto. Também foi intermediador entre Manchester Cotton Supply Association e órgãos brasileiros; em duas ocasiões, nos anos de 1862 e 1865, J. J. Aubertin solicitou à associação britânica que enviasse algodão herbáceo ao Ministério da Agricultura e à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.106 Em diferentes momentos enviou para a Inglaterra amostras do algodão paulista, em geral, com boas avaliações dos correspondentes.J. J. Aubertin arquitetou ações no Brasil ligadas aos interesses ingleses baseadas em informações colhidas por ele na província ou com base na experiência de nacionais e, principalmente, de norte-americanos, com o propósito de deixar claro as potencialidades de São Paulo e convencer os potenciais produtores paulistas. Para aqueles que mesmo assim estivessem em dúvida, ele escreve:

Deveras, já é tarde demais para duvidar do algodão de São Paulo; mas se ainda ha descrentes, apenas apello para os dous srs. Cultivadores que acompanhei, major Mereweather e dr. Shaw. Ambos elles me repetirão muitas vezes, que melhor algodão que aquelle que nos vimos não desejavão ver; que nas suas proprias plantações e com todos os seus meios perfeitos não costumavãoproduzir melhor. 107

Seus esforços renderam-lhe o reconhecimento da associação inglesa, que o condecorou com uma medalha de ouro, e o governo brasileiro honrou-o com o hábito da Imperial Ordem da Rosa. Nos veículos de informação brasileiros, nos quais tanto escreveu, vemos o reconhecimento de seus pares, como E. Hutchings, outro entusiasta da lavoura algodoeira em terras paulistas e intermediário entre a associação e o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas:

Hoje, considerado, como um genero de exportação, o algodão, e sua cultura, é um dos factos estabelecidos na historia da provincia, e eu me aproveito desta occasião para patentear a gratidão que todos temos.Quem sabe, o que ha de mostrar-se nos anos que vem? Quasi todas as condições de prosperidade estão unidas nesta provincia; - Um clima sem rival, uma terra cheia de riquesa, e uma natureza, cuja uberdade é espantosa. Tudo isto aqui, e no outro lado do Oceano, a Inglaterra, offerece tudo quanto seja possivel afim de attrahir para lá, os productos da provincia, e com as devidas providencias, e constancia em trabalhar, tudo será possivel, e, sem esta, nada.Campinas, Mogy-mirim, Limeira e outros lugares vão caminhando na cultura do café, e o publico, bem como os particulares, são beneficiados. Parece que, para Sorocaba, resta ainda este outro manancial de prosperidade; - a cultura do algodão, e não ha homem ou natural, ou estrangeiro na provincia, que não abençoará a empresa.[...] Caminho da Luz, S. Paulo Agosto de 1865[...] E. Hutchings108

Evidentemente, tais esforços foram no sentido de produzir algodão adequado às necessidades da indústria inglesa. Foi estimulado o plantio da semente de Nova Orleans, em solicitação de uma circular da Manchester Cotton Supply Association109 e houve uma modificação na postura do produtor brasileiro: “O tipo de algodão tradicional no Brasil era o arbóreo mas o mercado consumidor passou a condicionar a produção ao tipo herbáceo dos 107 AUBERTIN, J. J. Onze dias de viagem na Província de São Paulo..., op. cit., p. 16.108 HUTCHINGS, E. “Aos Redactores do Diario de São Paulo”. Diario de S. Paulo, São Paulo, 11 agosto 1865, ano I, nº 10, p. 2. Em outras atividades, além do algodão: E. Hutchings foi um dos secretários da Comissão Julgadora de um concurso para criadores de animais pensado por J. J. Aubertin, tesoureiro do evento. O Comendador Fideles Nepomuceno Prates aparece como um dos Juízes. “Concurso industrial”. Correio Paulistano, Estados Unidos. As variedades mais procuradas eram a U[p. 161, 162]